terça-feira, 20 de outubro de 2015



Ensino Público         

Governo considera inoportuna a greve de SINDEPROF
Bissau 20 Out 15 (ANG) - O Governo considerou de inoportuna a greve de 30 dias decretada pelo Sindicato Democrático dos Professores (SINDEPROF), por ainda o executivo de Carlos Correia não ter completado sessenta dias.
Malal Sané
A posição manifestada à imprensa pelo Porta-Voz do Governo Malal Sané, no final da primeira reunião do Conselho de Ministros do novo governo realizada segunda-feira.
O Porta-voz do governo lembrou que um executivo recem-empossado só estará a altura de resolver os assuntos da governação quando o seu Programa for aprovado na Assembleia Nacional Popular, sublinhando que isso só será possível no prazo de 60 dias.
Malal Sane explicou que a situação da greve de 30 dias desencadeada pelo SINDEPROF foi um dos assuntos tratados no encontro ministerial, acrescentando que parte das reivindicacoes havia sido solucionada pelo governo demitido no passado 12 de Agosto.
“O governo anterior encontrou uma dívida de pouco mais de um bilhão de francos CFA. O que está em causa neste momento de acordo com a informaçao do ministro das Finanças é uma soma de cerca de 328 milhões de francos CFA”, confirmou Porta-Voz do governo.
Malal Sane garantiu que o governo de Carlos Correia vai dar a continuidade aos projectos e desafios do anterior governo de Domingos Simoes Pereira, prometendo continuar com as reuniões semanais do Conselho de Ministros em todas as quinta-feira.
De recordar que o Sindicato Democrático dos Professores iniciou esta segunda feira a greve com a duração de 30 dias com finalidade de reivindicar o atrasado salarial, aumento de salário entre outras.
ANG/AALS/JAM

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ensino Público


Greve do Sindeprof nao impediu comparencia massiva de alunos

Bissau, 19 Out. 15 (ANG) - Os alunos das escolas públicas do pais, nomeadamente, dos Liceus  Kwame N’krumah e Rui Barcelos da Cunha compareceram hoje em massa às  aulas apesar da greve decretada pelo  Sindicato Democrático dos Professores (SINDEPROF).

Curumba Antonio Sa
Em declarações ao repórter da ANG, Curumba Armando Sá, aluno do 11º ano no Liceu Nacional Kwame N’krumah, disse que a sua expectativa para o ano lectivo que hoje se inicia   é enorme.   

“Como aluno quero que este ano escolar seja um ano de sucesso, em que  cada  aluno vai poder tirar o seu aproveitamento e que os professores façam o máximo do esforço para que todos no fim podemos ter um bom ano lectivo” almejou.

Curumba Armando Sá disse que o momento não é apropriado para paralisar as aulas, salientando que os sindicatos do sector do ensino nesse caso o SINDEPROF, deviam ponderar uma vez que o país acabou de sair duma crise politica que paralisou todas as instituições públicas.

Segundo ele devia, o Sindeprof, esperar o momento oportuno para fazer a greve porque arrancar com a paralisação logo no inicio das aulas é pôr em causa os direitos dos alunos.

Diocliziana Gomes
Por sua vez, Diocliziana Gomes Mugie, aluna da 9ª classe, do Liceu Agostinho Neto disse esperar um bom ano lectivo, sem interrupções ou greves e que o governo e seus parceiros da educação possam se entender para que não haja mais perda de dias lectivos.

Questionado sobre como está a ver o primeiro dia de aulas, Diocliziana Gomes afirmou que foi bom, uma vez que os alunos compareceram em massa e os professores também estão a corresponder com as expectativas dos alunos.

Falando da greve decretada pelo SINDEPROF, aquela estudante pediu ao bom senso das partes em discórdia uma vez que as aulas começaram muito tarde este ano, tendo pedido dialogo e ponderação entre o Governo através do Ministério da Educação e o Sindicato Demográfico dos Professores.

Por seu turno, o Director do Liceu Agostinho Neto, considera de positivo o primeiro dia de aulas na escola que dirige porque as aulas estão a funcionar de uma forma normal como tem sido o hábito naquele estabelecimento escolar nos últimos anos. 

Director Geral do Liceu Agostinho Neto
Samuel Fernando Mango acrescentou que a expectativa é grande tendo afirmado que está esperançoso que este ano seja melhor em termos de aproveitamento dos estudantes comparativamente ao ano passado, uma vez que o novo governo elegeu a Educação como uma das prioridades da sua execução. 

“Para mim, a greve decretada pelo SINDEPROF não é oportuna.A solução para o diferendo que apõem as partes é e continua a ser o diálogo, porque é de conhecimento de todos que acabamos de ter um novo governo e sem querer entrar nas competências dos outros, pelo menos o sindicato devia dar um tempo para depois tomar a sua decisão “ disse o DG do Liceu Agostinho Neto. 

Vença Mendes
Vença Mendes, Director do Liceu Rui Barcelos da Cunha, referiu que as aulas já iniciaram segundo o calendário do Ministério da Educação e cada um deve assumir o seu papel, tanto a direcção da escola, os alunos, pais e encarregados de educação para o êxito do ano lectivo que começou.


“Já fixamos as listas de nomes dos alunos desde o passado dia 08 do mês em curso e todos os professores receberam os seus horários no passado dia 12 de Outubro e hoje iniciamos as aulas num ambiente saudável o que me encoraja.  

ANG/MSC/JAM/SG





  


Saúde ocular


“Infecção, velhice e hereditariedade são principais causas de problemas de vista”, diz Coordenador do Programa Saúde Visão 

Bissau, 19 Out 15 (ANG) - O Coordenador do Programa Nacional "Saúde Visão" Menu Na Bicassa confirmou hoje que as principais causas do problema de vista provem da hereditariedade, Velhice e infecção.

Menu Na Bicassa, em entrevista à ANG disse que na velhice o problema começa a aparecer aos 45 anos de idade, enquanto que se for caso da hereditariedade o mesmo surge mais cedo isto é a partir dos 25 anos de idade. No caso da infecção, isso acontece independemente da idade da vitima.

“Na infecção temos conjuntivites que pega qualquer pessoa e temos tracoma isto é, causa que leva muitas pessoas a perder a vista. Temos ainda alguns vírus que atacam a vista”, explicou o coordenador do Programa Saúde de Visão.

Acrescentou que, no que concerne a causa da hereditariedade, todas as pessoas estão sujeitas a nascer com um problema que provem dos seus pais e que, assim sendo, muitas pessoas nascem com problemas de vista.

No que concerne a causa da idade, Na Bicassa explicou que o olho como qualquer outro órgão também fica velho, sublinhando que quando assim for se verifica normalmente os problemas na diminuição da capacidade da visão.

Na Bicassa disse que as causas acima referidos podem conduzir as pessoas à cegueira se não forem tratados como deve ser.

O Coordenador aconselha aos guineenses a não optarem pela via de adquirir medicamentos nas farmácias sem previamente fazer uma consulta médica, sublinhando que o acto de compra e uso dos medicamentos sem a orientação médica prejudica saúde de qualquer que seja pessoa.

“Todos nós sabemos que a visão é uma coisa muito sensível e que  não devemos brincar com as nossas vistas. A visão merece especial atenção e cuidados para que possamos passar o resto das nossas vidas a olhar pela natureza e a fazer muitas coisas interessantes”, recomendou Menu Na Bicassa.

O Coordenador do Programa Saúde Visão explicou que os sintomas dos problemas de vista mais frequentes são dores da cabeça constantes, cansaço rapido na leitura, por vezes a tontura entre outras.
Questionado se recebem oferta para o tratamento do problema de vista no país disse que infelizmente não, acrescentando que cada paciente compra os seus medicamentos na base da receita médica e que os que devem usar óculos também compram os seus óculos. 

ANG/AALS/JAM/SG





 Segurança alimentar

PM defende promoção da agricultura para combater pobreza

Bissau, 19 Out 15 (ANG) - “A promoção da agricultura e o desenvolvimento rural constituem instrumentos importantes para a criação das condições favoráveis para o combate a pobreza, má nutrição e insegurança alimentar”, defendeu sexta-feira passada o Primeiro-ministro.
Primeiro-Ministro discursando no acto

Carlos Correia falava na cerimónia da comemoração do Dia Mundial da Alimentação, sob o lema a “Protecção Social e Agricultura: Quebrar o Circulo vicioso da Pobreza Rural”, que teve lugar na Região de Biombo, sector de Safim.

O Primeiro -ministro afirmou que o momento constitui uma ocasião para o renovar dos compromissos do Governo que dirige, face ao combate à pobreza, a má nutrição e insegurança alimentar no país, por intermédio da implementação de programas e projectos concretos, contidos no Programa do antigo Governo.

O chefe do executivo disse que o sector primário é constituído por agricultura, pecuária, exploração florestal sendo que a pesca constitui a espinhal dorsal da economia nacional e  representa 50 por cento do PIB, fornece 85 por cento de emprego e contribui com quase 93 por cento para  as exportações.

Correia disse que, infelizmente, até aqui a agricultura tem sido de  subsistência.
O governo conta  inverter essa situação através de DENARP II, um instrumento que define um conjunto de acções de desenvolvimento e valorização do sector agrário, nomeadamente a Carta da Política Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Programa Nacional da Segurança Alimentar.

Carlos Correia reconheceu que o país carece de recursos financeiros para a realização de investimentos numa área de cerca de 1.410.000 hectares de potencialidades agrícolas .

O Chefe do Executivo felicitou o Director-geral da FAO, pela forma sabia como tem vindo a dirigir a organização e por mais uma celebração do dia mundial de alimentação, realçando a importância da data que se festeja em mais de 150 países do mundo.

Enalteceu igualmente o papel decisivo da FAO, em promover acções que contribuam para erradicação da fome, a má nutrição e insegurança alimentar em todo o mundial ao longo dos anos.

Referindo ao Lema escolhido,  Carlos Correia assegurou que “para além da sua importância e actualidade, interpela a todo o mundo à uma reflexão profunda, sobre a necessidade do reforço da protecção social e de criação das condições cada vez mais justas e favoráveis para uma vida mais digna no nosso Planeta.”
  
A cerimónia decorreu na presença de várias individualidades, nomeadamente os ministros, responsáveis das organizações internacionais e em especial o da FAO Joachim Laubhouet Akadié e do PAM Ussama Osman, o Governador da Região de Biombo, administradores locais e chefes tradicionais.  ANG/LPG/SG


Ensino Público



SINDEPROF ensombra arranque do ano lectivo com greve de 30 dias

Bissau,19 Out 15(ANG) - O Sindicato Democrático dos Professores(Sindeprof), inicia hoje, uma greve de 30 dias no sector do ensino guineense em reivindicação ao cumprimento do acordo assinado com o executivo no passado mês de Julho.

Em declarações à RDP-África, o Presidente do Sindeprof Laureano Pereira da Costa disse que a sua organização assinou no passado dia 8 de Julho um Memorando de Entendimento com o Governo em que constam 7 pontos.

Informou que o Governo não cumpriu nenhum dos pontos constantes no acordo, dentre os quais o cumprimento do Estatuto de Carreira Docente, a harmonização de Letras de diferentes professores que saíram das escolas de formação, o pagamento de retroactivos, a requalificação e efectivação de professores e o pagamento de dívidas referentes ao  2013.

O líder do Sindeprof sustentou que um acordo é um compromisso assumido que deve ser honrado, acrescentando que não se deve fazer uma Lei que é violada.

"O Governo diz que não tem mil francos para pagar o subsidio de diuturnidade aos professores e cada membro do executivo recebe três milhões de subsidio de representação e temos informações de que recentemente foram pagos dois meses desse subsidio", criticou Laureano Pereira da Costa.

O Presidente do Sindeprof sublinhou que actualmente existem professores a ganharem um salário miserável de 29 mil francos CFA.

"Estamos a exigir que o Governo cumpra  os pontos constantes no Memorando caso contrário vamos continuar com as reivindicações até que a situação fosse resolvida", disse o sindicalista.

O Governo agendou para hoje, 19 de Outubro o início das aulas nas escolas públicas em todo o território nacional.

O sector do ensino tem dois sindicatos:Sindeprof e Sinaprof mas este último já fez saber que nao vai observar a greve por considerar que é necessário primeiro sentar-se à mesa com o novo governo para a reafirmaçao dos compromissos assumidos com o anterior governo demitido à 12 de Agosto.

ANG/ÂC/SG

domingo, 18 de outubro de 2015

Justiça



justiça guineense enfrenta “muitas limitações” à sua independência diz Relatora da ONU

Bissau, 17 Out 15 (ANG) – “Em termos formais, a justiça guineense é independente, mas na prática ela enfrenta muitas limitações”, afirmou sexta-feira  em Bissau, a Relatora dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

Em conferência de imprensa onde fez o balanço da sua visita de sete dias de avaliação da independência da justiça guineense, Mónica Pinto afirmou que nos encontros e auscultações feitos junto, nomeadamente dos órgãos da soberania e operadores judiciários, conseguiu diagnósticar, entre outros, que ela não abrange a todo o território é “muito cara e morosa”.

Sobre as dificuldades de acesso a justiça, por parte dos cidadãos, a relatora dos Direitos Humanos afirmou que apesar da legislação guineense prever a criação de nove tribunais regionais, apenas cinco estão a funcionar.

E, ainda acrescenta que não obstante existir tribunais sectoriais nas noves regiões,  os mesmos não operam em duas destas circunscrições. Também, segundo ela, o mesmo acontece com a destribuiçao geográfica dos magistrados do Ministério Público.

Para alterar a situação, considera de “imperativo” a instalação de todos os tribunais e delegacias do Ministério Público como está previsto na lei e que os mesmos “sejam operacionais”.
 
No que tange ao seu “elevado custo” disse que várias pessoas não conseguem pagar as taxas judiciais e a dispensa de pagamento das mesmas é raramente concedida pelos juízes, por causa da falta de um sistema de patrocínio gratuito do Estado.

“A Ordem dos Advogados facilita a nomeação dos seus membros em cada caso, mas o Estado não arca com os seus honorários”, completou.

Em relação a sua morosidade, realça a demora das tramitações processuais que, nas suas palavras, o atraso dos tribunais nos processos é um passo a  negação da justiça aos cidadãos.

De acordo com Mónica Pinto, outros problemas da justiça na Guiné-Bissau são a impunidade devido as sucessivas amnistias, o bolqueio a acção do advogados, as faltas de instituições e meios de investigação mais sofisticados de obtençao de provas.

A pouca confiança da população na justiça, as faltas de formação, de edifícios para instalar os tribunais,  de meios materiais para o seu normal funcionamento, da protecção dos operadores da justiça e a problemática do “baixo” salário que auferem, completam o rol das dificuldades do sector judicial guineense.

E, na óptica de Monica Pinto, a remuneração dos juízes deve ser adquada  a “importante” função pública que desempenham, porque segundo as suas palavras, um magistrado é proibido de exercer qualquer outro tipo de actividade, salvo a da docência.

Entretanto, informou que o Parlamento guineense prometeu estudar a questão que, numa dada altura, o seu Presidente, Cipriano Cassama assegurou que será aprovado um novo Estatuto do Magistrado com melhores condiçoes remuneratórias e de trabalho.

Mónica Pinto disse que “estas mesmas” carências se encontram na Polícia Judiciária e na justiça militar guineenses. Problemas, que segundo ela, o governo deve assumir as suas respoinsabilidades de os resolver.

No que concerne a componente legislativa, esta jurista especializada em Direito Internacioanl disse  que não obstante o país necessitar de actualizar certas normas, o seu principal problema não se prende com a falta de leis, mas sim da sua implementação.

E, como exemplo, citou os casos das leis sobre a violência doméstica e da mutilação genital feminina.E acrescenta que a mera existencia das normas, por si só, não produz resultados.

Por isso, considera de importante uma campanha de consciencialização e de sensibilização destes diplomas jurídicos.

Em jeito conclusão, apontou a “enorme tarefa” da Guiné-Bissau no sector judiciário e aconselha as suas autoridades para um “exercício de introspecção”, visando ter um quadro real no sector e que permita identificar as acções prioritarias.

Para isso, exorta para o estabelecimento de um “compromisso” entre os actores judiciários nacionais. E disse que o país precisa duma ajuda internacional em prol duma justiça independente.

Mónica Pinto irá apresentar o seu Relatório sobre o estado da justiça guineense no mês de junho do próximo ano, junto da Comissão dos Direitos Humanos da ONU em Genébra, Suíça, que devera dar ênfase situaçao da independência ou não dos seus juízes, magistrados do Ministério Público e advogados.

Para além dos Juízes, procuradores e advogados, durante a sua estada no país, Mónica Pinto manteve encontros com o Presidente da República, com partidos plíticos, as ONGs no domínio dos direitos humanos, com a Faculdade de Direito de Bissau, com agências da ONU e líderes tradicionais.

Mónica Pinto está no país a convite das autoridades da Guiné-Bissau, entrou em funçoes como Relatora Especial da ONU em Agosto ultimo e é professora de Direito Internacional e de Direito dos Direitos Humanos na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, Argentina, da qual é Reitora.

ANG/QC-JAM