EUA/Nuclear
bloqueia acordo de paz com Irã
Bissau, 25 Mai 26 (ANG) - Estados Unidos e Irã
avançaram nas negociações para um acordo destinado a encerrar o conflito e
reabrir o estreito de Ormuz, com prazo inicial de 30 dias para medidas na via
marítima, mas Teerã ainda não aceitou qualquer compromisso sobre seu programa
nuclear.
O possível entendimento inclui etapas graduais,
suspensão parcial de sanções e previsão de 60 dias para tratar da questão
nuclear, enquanto divergências públicas indicam que pontos centrais seguem em
aberto.
Estados Unidos e Irã negociam um
protocolo de entendimento que pode levar ao encerramento das hostilidades e à
retomada da navegação no estreito de Ormuz, um dos principais corredores
energéticos do planeta.
O avanço foi sinalizado por declarações
públicas de autoridades norte-americanas e iranianas, ainda que persistam
divergências relevantes, sobretudo no que diz respeito ao programa nuclear
iraniano, mantido fora do escopo imediato do acordo em discussão.
O
secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que "novas
informações" sobre a situação no Irã podem ser divulgadas neste domingo,
acrescentando que há possibilidade de notícias positivas relacionadas ao
estreito de Ormuz nas próximas horas. Ao mesmo tempo, reafirmou a linha
tradicional de Washington: Teerã não pode, em hipótese alguma, obter
uma arma nuclear.
Do lado iraniano, autoridades e veículos
ligados ao governo têm sustentado que a questão nuclear não integra o protocolo
atualmente em negociação. Segundo a agência iraniana Tasnim, próxima à Guarda
Revolucionária, o entendimento em fase final não prevê, até agora, qualquer
concessão por parte do Irã sobre seu programa atómico, o que reforça a natureza
limitada do acordo preliminar.
Ainda
conforme a Tasnim, o documento negociado estabelece a suspensão das
hostilidades "em todas as frentes" e inclui um compromisso dos Estados
Unidos de flexibilizar as sanções sobre o petróleo iraniano durante o período
de negociações. Esse ponto é considerado central para Teerã, cuja economia
tem sido fortemente pressionada pelas restrições comerciais impostas por
Washington.
A agência acrescenta que, apesar do
avanço diplomático, o Irã não aceitou "a menor medida" relativa à
limitação de seu programa nuclear. O texto preveria prazos distintos: 30 dias
para medidas relacionadas ao estreito de Ormuz e 60 dias para negociações específicas
sobre a questão nuclear.
Também está em discussão a normalização
gradual do tráfego marítimo na região. O estreito de Ormuz, por onde circula
uma parcela significativa do petróleo consumido no mundo, encontra-se de fato
bloqueado desde o início do conflito, afetando cadeias de abastecimento e
pressionando preços internacionais.
De acordo com os termos relatados pela
Tasnim, o número de navios autorizados a cruzar o estreito deve retornar ao
patamar anterior à guerra dentro de um prazo de 30 dias. A retomada completa da
circulação é vista como indicador-chave da eficácia inicial do acordo e como
condição para a estabilização dos mercados de energia.
Outro ponto previsto é o fim do bloqueio
naval imposto pela Marinha dos Estados Unidos a portos iranianos. A medida
também teria prazo de até 30 dias para implementação completa, representando
uma mudança sensível no posicionamento militar norte-americano na região.
Além disso, o acordo contempla o
desbloqueio de parte dos ativos financeiros iranianos congelados no exterior.
Essa liberação ocorreria já na primeira fase do processo e funcionaria como
espécie de incentivo econômico para o avanço das negociações.
Apesar
dessas indicações, há divergências públicas sobre o conteúdo e o alcance do
acordo. O presidente norte-americano,Donald Trump, declarou no sábado que um
protocolo para encerrar o conflito no Irã estava "essencialmente
negociado" e que incluiria a reabertura do estreito fr Ormuz
.
Trump afirmou, em sua rede Truth Social,
que os "últimos detalhes" estavam sendo discutidos e que o anúncio
formal ocorreria em breve. Ele não detalhou os termos completos do
entendimento, o que contribuiu para incertezas sobre seu conteúdo real.
A interpretação apresentada por fontes
iranianas, no entanto, diverge em pontos importantes. A agência Fars informou
no domingo que o eventual acordo manteria sob controle iraniano a gestão do
estreito de Ormuz e classificou as declarações de Trump como "em desacordo
com a realidade".
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o
plano em negociação seria estruturado em três fases. A primeira envolveria o
encerramento formal do conflito; a segunda, a resolução da crise no estreito de
Ormuz; e a terceira, a abertura de um período de 30 dias para discussões mais
amplas, possivelmente prorrogáveis.
Esse cronograma indicaria uma estratégia
gradual, na qual medidas de segurança e económicas precedem um debate mais
complexo sobre o programa nuclear iraniano. A separação dos temas reflete a
dificuldade histórica de alcançar consenso nessa área sensível.
Uma fonte iraniana de alto escalão
afirmou à Reuters que o país não aceitou transferir seus estoques de urânio
altamente enriquecido para fora do território nacional. Segundo ela, esse tema
será tratado apenas em eventuais negociações de longo prazo e não integra o
acordo preliminar.
"A questão nuclear será abordada
durante negociações para um acordo definitivo e, portanto, não faz parte do
entendimento atual. Nenhum acordo foi alcançado sobre a exportação dos estoques
de urânio altamente enriquecido do Irã", disse a fonte.
A
posição europeia tem sido de apoio cauteloso ao avanço diplomático. A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leven, afirmou que vê com
satisfação os sinais de progresso nas negociações entre Washington e Teerã.
Em mensagem publicada na rede X, ela declarou: "Precisamos de um acordo que realmente permita reduzir o conflito, reabrir o estreito de Ormuz e garantir uma navegação livre e sem entraves. Não se deve permitir que o Irã se torne uma potência nuclear." ANG/RFI/AFP

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