França/Crise climática e seca nos
grandes rios ameaçam setores estratégicos da Europa
Bissau, 07 Ago 26 (ANG) - A Europa enfrenta uma seca
preocupante, provocada pela crise climática e pelas repetidas ondas de calor
deste verão no hemisfério norte.
Com os níveis do Reno, do Danúbio e de outros grandes rios em mínimas históricas, a escassez de água já provoca fortes impactos económicos sobre a geração de energia, o transporte fluvial, a indústria, a agricultura e o abastecimento em diversos países do continente, segundo reportagens dos jornais franceses Les Echos e Libération.
O tema é destaque de capa do Libération.
Segundo a reportagem do jornal progressista, a seca que atinge a Europa Central
deixou de ser um fenómeno pontual e está se transformando em uma crise
estrutural com impactos em vários setores. A situação mais crítica ocorre ao
longo do Danúbio, que percorre dez países europeus. O nível extremamente baixo
do rio obrigou a Hungria a reduzir drasticamente a produção da usina nuclear de
Paks, responsável por quase metade da eletricidade do país.
A
reportagem aponta que a falta de neve nos Alpes durante o inverno, combinada
com sucessivas ondas de calor, reduziu o abastecimento dos grandes rios
europeus, como o Danúbio e o Reno. Como consequência, a navegação fluvial
foi comprometida, embarcações passaram a transportar cargas reduzidas e setores
dependentes de água, como a indústria cervejeira tcheca, enfrentam dificuldades
crescentes.
Os impactos económicos se propagam em cascata: interrupções no transporte de cargas, pressão sobre o sistema energético, redução da atividade industrial e riscos para a produção agrícola.
A reportagem e o editorial do Libération convergem
em um ponto: a resposta à crise não pode ser apenas nacional. Como os grandes
rios atravessam vários países, a Europa precisará ampliar a cooperação,
planejar o uso da água em escala continental e investir na recuperação da
capacidade natural dos ecossistemas de armazenar recursos hídricos. O jornal
defende que adaptação, antecipação e coordenação europeia serão fundamentais
para enfrentar essa nova realidade climática.
“Agricultura, um verão mortal” é a manchete alarmante do jornal económico Les
Echos. O diário relata que a Alemanha enfrenta uma grave crise provocada
pela seca histórica que reduziu drasticamente os níveis dos rios Reno e Elba,
importantes rotas de transporte do país. Em alguns pontos, os níveis de água
atingiram mínimos históricos, dificultando a navegação e ameaçando o
abastecimento de indústrias como a química, a siderúrgica e a energética.
O governo alemão avalia medidas emergenciais, como liberar a circulação de caminhões aos domingos e feriados, acelerar a modernização das embarcações para operar em águas rasas e aprofundar canais de navegação. Mais de 280 milhões de toneladas de cargas passam anualmente pelo Reno, e especialistas alertam que um mês de águas baixas pode reduzir a produção industrial alemã em até 1% e impactar o PIB.
O jornal observa ainda que os efeitos da
seca atingem outros países da Europa Central, como a Hungria, onde o baixo
nível do Danúbio pressiona o sistema energético. Além disso, agricultores
franceses alertam para perdas significativas nas colheitas, com algumas cadeias
produtivas podendo perder até 50% da produção anual, o que deve pressionar os
preços de frutas e hortaliças nos próximos meses. ANG/RFI

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