quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Cabo Verde


Feridas por sarar provocam a queda do PAICV

Bissau, 08 Set 16 (ANG) - O ex-Primeiro-ministro de Cabo Verde , José Maria Neves qualificou de “amarga” a derrota do PAICV, mas advertiu que “não é tempo para recriminações ou de autoflagelação.”

Maria Neves reagia ao resultado das autárquicas de domingo, que confirmou a actual hegemonia do MpD 

Neves sublinhou no entanto que é tempo “de debate, aberto e franco, em conferência nacional, antes de quaisquer outras disputas sobre o partido, de identificar as suas fraquezas e as suas fortalezas, para o seu reforço enquanto principal força da oposição e para a sua capacitação institucional e política para vencer os enormes desafios do
s próximos anos.”

Os pronunciamentos do antigo líder do PAICV, feitos depois de a actual líder do partido, Janira Hopffer Almada, colocar o seu cargo à disposição devido à segunda derrota eleitoral consecutiva da força política em menos de seis meses, receberam resposta desta. 

Janira Almada afirmou que o PAICV não se pode resumir à liderança e defendeu uma “reflexão profunda” sobre a responsabilidade “de cada peça do xadrez.”

Os problemas “que hoje alguns 'descobriram'”, prosseguiu, não começaram nas legislativas de 20 de Março ou nas autárquicas de 4 de Setembro, mas no dossier presidenciais de 2011 que “abriu feridas e deixou marcas que ainda não sararam”, antes de lembrar que, apesar de em 2012 o partido ter conquistado oito câmaras, perdeu as autárquicas quando estava no Governo.

“De 2011 a 2014, houve espaços para promover esse debate franco e aberto que hoje se reclama? Foram criadas as condições para tal? Se tal ocorreu, que consequências houve desse debate para o funcionamento e fortalecimento do PAICV?”, questionou, numa alusão aos anos em que o partido era liderado por José Maria Neves.

 “Temos de reflectir agora? Temos! Mas temos de reflectir sobre tudo de algum tempo a esta parte”, acrescentou, fazendo votos para que a “reflexão seja verdadeiramente franca e aberta”, “com profundidade no tempo” e permita “ver, ouvir e valorizar o militante de base”, que “é quem manda (ou devia mandar) no partido.” 

ANG/JA

Crise política


CEDEAO sugere um “governo de consenso” na Guiné-Bissau

Bissau, 08 Set 16 (ANG) - A Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO) aponta a formação de um governo consensual e inclusivo como uma das seis propostas, para a saída do impasse político no país.

A ideia foi tornada pública quarta-feira pelo Presidente da Comissão desta organização sub-regional, Marcel de Souza, a saída dum encontro com o Presidente da República.

Marcelo de Souza que integra a delegação de CEDEAO que medeia a crise política guineense acrescentou que a CEDEAO pretende, igualmente promover um diálogo que envolve todos os actores nacionais e pôr em prática as reformas nos sectores da defesa, da Administração Pública e  da justiça .
Este responsável do bloco sub-regional informou que a CEDEAO pretende apoiar nas revisões da Constituição e da Lei Eleitoral, por forma a viabilizar o país, em termos de governação.

Por sua vez, a Chefe da delegação da CEDEAO e Ministra de Negócios Estrangeiros da Libéria, Marjon Kamara, afirmou que o encontro com o chefe de Estado, José Mário Vaz foi “frutífero”.

“ A nossa missão não visa atribuir  responsabilidades a quem quer que seja, mas sim, procurar entendimentos para que a Guiné-Bissau saia da situação de impasse político em que se encontra”, rematou a diplomata.

A  delegação da CEDEAO que termina  visita hoje ao país, para além do Presidente da República, manteve encontros com o governo, PAIGC, PRS e o “Grupo dos 15”, visando procurar soluções em relação ao impasse político na Guiné-Bissau.

A delegação vai ainda preparar a vinda ao país, duma delegação de Chefes de Estado de África de Oeste, conforme a resolução número 49 da Sessão Extraordinária da CEDEAO, de junho último, decorrida em Dakar, República de Senegal.

Igualmente fazem parte da delegação, o Ministro de Estado e Secretário-Geral da Presidência de República de Guiné-Conacri e o Chefe da Diplomacia de Serra Leoa. 

ANG/QC/SG

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Crise política


Cipriano Cassamá admite possibilidades de uma solução ainda esta semana

Bissau,07 Set 16 (ANG) - O Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) disse hoje que a solução para crise política no país vai ser encontrada ainda esta semana.

Cipriano Cassamá falava à imprensa após o encontro com a missão dos ministros dos Negócios Estrangeiros de países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO),que se encontra no país em busca de solução para crise politica que afecta o funcionamento das instituições há um ano.

Revelou que a delegação apresentou seis propostas para a saída da crise, salientado que enquanto parlamentar deu anuência para sua concretização. 

“Penso que é uma possibilidade da Guiné-Bissau voltar ao concerto das nações no âmbito do desenvolvimento socioeconómico para o bem dos guineenses”, afirmou o Presidente da ANP.

Cipriano Cassamá disse que a missão vai manter encontro com o chefe de Estado guineense, admitindo possibilidade de realização de uma reunião amanhã com todas as partes envolvidas na crise no Palácio Colinas de Boé para se encontrar uma solução definitiva.

Segundo Cassamá não possível o país continuar nesta situação de crise que considera de “vergonhosa”.

O Presidente da ANP disse estar disposto a dar a sua contribuição para que esta seja a última missão que vem ao país pedindo aos dirigentes para encontrarem uma solução para uma crise interna. '

ANG/LPG/ÂC/SG  

Ciclismo


Presidente da Federação promete revolucionar a modalidade no pais

Bissau 07 Set 16 (ANG) – O Presidente da Federação de Ciclismo da Guiné-Bissau (FCGB), prometeu hoje trabalhar, no sentido de "tirar a modalidade no buraco em que se encontra há 11 anos".

Em declarações à ANG, depois de ter sido empossado no cargo, Sabino Nhasse disse  que o seu projeto conta com o apoio do governo da Guiné-Bissau e do Comité Olímpico guineense.

Questionado sobre as suas prioridades, aquele responsável revelou que pretende implementar a modalidade nas regiões e sectores do país, porque antigamente nas competições realizadas, a região de Bafatá, Gabu e Canchungo foram as que mais participaram ativamente. 

Ao nível internacional, segundo Sabino Nhasse, tudo dependerá do trabalho e desempenho da Federação, governo e atletas, para que a Guiné-Bissau possa recuperar o seu lugar nas competições mundiais. 

Respondendo a questão sobre como fazer para estimular os jovens a aderirem a modalidade, o recém-empossado prometeu organizar muitas competições nacionais de forma a fazer com que os mais novos se apaixonem pelo ciclismo.

Por sua vez, o ex-ciclista internacional guineense, Carolino Carlos de Almeida vulgo “Cinco”, promete, na qualidade de veterano,  pôr a disposição da atual direção tudo o que aprendeu ao longo dos .

No entanto, o atleta revelou que espera da nova Direção muito trabalho para que consiga relançar novamente a modalidade interna e internacionalmente.

A Federação de Ciclismo da Guiné-Bissau foi fundada em 1988. a sua última  Assembleia Geral teve lugar em 27 de Agosto de 2016.

ANG/LLA/JAM/SG
   

 
 

Visita presidencial


Cuba pode ser próximo destino de José Mário Vaz

Bissau, 07 Set (ANG) - O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Cuba, disse hoje que recebeu garantias do chefe de Estado guineense de visitar aquele país latino-americano, o mais tardar, até ao final do mês em curso. 

“O Presidente José Mário Vaz garantiu-me a sua presença em Cuba no final do mês, salvo algum imprevisto”, informou Tomás Lorenzo Gomez a saída de uma audiência com o chefe de estado guineense.

Lorenzo Gómez disse que foi informar ao Presidente da República as intenções do governo cubano de apoiar a melhoria das condições de vida do povo guineense. 

O diplomata cubano sublinhou o apoio que Cuba tem dado à Guiné-Bissau, sobretudo na área da saúde.

Sobre esse apoio realçou o facto da Faculdade de Medicina criada através da cooperação cubana, ter já graduado mais de 30 médicos guineenses, em diferentes especialidades.

Tomás Gómez, que lamentou a atual situação de impasse no parlamento, manifestou a disponibilidade de Cuba de contribuir para sua resolução mas salientou que tudo dependerá do interesse da parte guineense. 

ANG/JD/JAM/SG

Crise política


“Não existem mecanismos legais para a destituição de Cipriano Cassamá das funções”, diz Inacio Tavares

Bissau,07 Set 16(ANG) - O assessor de imprensa do Parlamento, Inácio Tavares afirmou terça-feira que não existem mecanismos legais à que os deputados que apoiam o atual Governo no Parlamento possam recorrer para a uma eventual destituição do Presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá.

“O mandato do Presidente e da mesa da ANP é pela força do disposto nº 2 do Atgº 84 da Constituição da República e conjugados com o Artgº 22 do regimento para toda a legislatura, e  só em caso de verificação dos pressupostos previstos no Artgº 23 do regimento é que se pode falar da substituição definitiva”, referiu. 

Tavares sublinhou que até ao momento, não se encontra nenhuma situação enquadrável do comportamento do Presidente da ANP, porque o mesmo se orienta no respeito escrupuloso das leis.
Em conferência de imprensa realizada  terça-feira, Inácio Tavares salientou que, Assembleia Nacional Popular é um órgão de funcionamento ininterrupto e que se encontra neste preciso momento no auge da sua atividade quotidiana, quer no âmbito politico através da sua Comissão Permanente, bem como das suas comissões especializadas.

Na segunda-feira, os deputados que apoiam o Governo no Parlamento voltaram a manifestar a intensao de  avançar com o processo de destituição do líder do órgão, Cipriano Cassamá, que acusam de “atitude deliberada de bloqueio” ao funcionamento do hemiciclo.

Através do porta-voz, Rui Dia de Sousa, os deputados que apoiam o Governo (15 parlamentares expulsos do PAIGC e os 41 deputados do PRS) afirmam que vão tomar  diligências no sentido de destituir Cipriano Cassamá das suas funções.

Por seu lado, Daniel Embaló, vice-líder da bancada parlamentar do Partido da Renovação Social (PRS) anunciou que o grupo de deputados que apoiam o Governo de Baciro Djá vai convocar uma sessão parlamentar “com ou sem o consentimento de Cipriano Cassamá” para fazer aprovar o programa do executivo.

Embalo afirmou que o grupo de deputados que apoiam o Governo constitui-se por maioria de parlamentares, 56 num universo de 102 legisladores que compõem o Parlamento guineense. 

ANG/Lusa






Iluminação pública



Iniciados trabalhos de instalação de novos postes em Bissau

Bissau, 07 Set 16(ANG) – Novos postes de eiluminação estão a ser instalados em diferentes ruas de Bissau, no quadro de um projecto financiado pela República Popular da China.

Pelo menos 260 dos mais de mil postes  oferecidos pelo governo da República Popular da China ao seu homologo da Guine-Bissau já foram erguidas nas principais avenidas e ruas da capital. 

"São várias as avenidas e praças contempladas nesta primeira fase", disse o Presidente da Câmara Municipal de Bissau(CMB), Adriano Fereira, em declaracoes a Macauhub.

Fereira acrescentou que, “com a execussão da segunda fase do projecto, ou seja, com a vinda de mais de mil outros postes da China todos os bairros e ruas da capital serão contemplados”. 

O Presidente da Câmara de Bissau disse que o apoio da China  irá colmatar a falta de iluminação com que a cidade se vê confrontada há muito tempo. 

ANG/Macauhub

Para-olímpico Rio 2016


Membro fundador do desporto para deficientes descontente com ausência de presidente da organização no evento

Bissau, 07 Set 16 (ANG) – O Membro Fundador do Desporto para Deficientes da Guiné (DPDG), mostrou-se descontente hoje, com a ausência do presidente da Organização desportiva, na delegação que representa o país nos jogos Para-Olímpicos do Rio de Janeiro, Brasil.

Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), Pedro Onofre Cabral, disse que o actual presidente do Comité Para-olímpico devia, por direito, estar na delegação o que não foi o caso.

“ É muito triste, o facto de o país estar representado apenas na modalidade de Atletismo por um único atleta", lamentou .

Onofre Cabral criticou a falta de apoios do executivo, uma vez que, disse, nem o ministro da Juventude Cultura e Desportos, Tomas Barbosa conhece a composição da delegação.

Afirmou que o atleta escolhido para representar o país não se encontra em boas condições físicas. Referiu que foi o mesmo que havia representado a Guiné-Bissau nas olimpíadas de Londres, tendo terminado a competição em último lugar .

"Desconhecemos se está ou não a competir. O que sabemos é que estudava em Portugal e foi escolhido em detrimento de jovens talentosos de que o pais dispõe”, disse Pedro.

De acordo com o Pedro Cabral, o interesse de certas pessoas sobrepõe-se aos da organização, e isso estaria a afundar, dia a dia, o trabalho a que se dedicou durante vários anos.

“Já não faço parte da organização, porque não gosto de estar entre pessoas que não pautam pela verdade e lutam diariamente pelos seus interesses no lugar de trabalharmos unidos em prol do desenvolvimento do desporto do país”, concluiu Pedro Cabral.  

ANG/LLA/JAM/SG

Política


Presidente da República promete mediar divergências entre PAIGC e PRS

Bissau, 07 Set 16 (ANG) – O Presidente da Assembleia Nacional Popular afirmou terça-feira que o chefe de Estado, José Mário Vaz prometeu ajudar na resolução do problema de relacionamento entre PAIGC e o PRS.

Cipriano Cassamá que falava à imprensa depois do encontro mantido com o chefe de Estado, disse que abordaram as dificuldades de relacionamento entre os dois maiores partidos políticos com assento parlamentar.

“Pois são eles que garantem o normal funcionamento da ANP e as divergências políticas que existem entre as duas bancadas parlamentares. Infelizmente causou grande transtorno político no parlamento”, disse. 

Disse que sugeriu ao Presidente da República para usar a sua magistratura de influência e intervir junto dos dois partidos para que seja encontrada solução para esta crise que foi transferida para ANP. 

“Do mesmo modo apelo a comunidade internacional para testemunhar os esforços internos e prestar seu contributo para a aproximação e negociação política entre o PAIGC e PRS para garantir  a estabilidade governativa na Guiné-Bissau”, salientou.

Cassamá explicou que foi informar ainda ao chefe de Estado sobre os preparativos para a comemoração da festa da Independência nacional, no dia 24 de Setembro, evento que será antecedido da celebração do dia da ANP, um dia antes.

Acrescentou  que está em curso os preparativos para um conjunto de atividades, sobretudo uma proposta de reflexão e contribuição dos jovens sobre a democracia e o Estado de Direito Democrático.

.ANG/JD/JAM/SG
 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Tecnologias de comunicação


ARN oferece Centro Multifuncional à Força Aérea 

Bissau,06 Set 16(ANG) – O Estado Maior da Força Aérea beneficiou hoje de um Centro Multifuncional de informática, financiado pelo Governo através da Autoridade Reguladora Nacional(ARN).

O apoio se enquadra no âmbito do Fundo de Acesso Universal, orçado em pouco mais de 23 milhões e meio de francos CFA.

Ao presidir a cerimónia de entrega, o ministro da Defesa Nacional e dos Combatentes da Liberdade da Pátria disse que o governo no quadro da modernização e reforma nas Forças Armadas está empenhado para que os militares estejam dotados de conhecimentos capazes de dominar as tecnologias.

Eduardo Costa Sanhá sublinhou que o governo está satisfeito pelo apoio dado pela ARN, ao colocar um meio que vai permitir as FA,s cumprirem a sua missão.

Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração da ARN, Marcos Galina Correia frisou que o facto de o Centro estar em condições de se tornar independente demonstra a competência e ambição da classe castrense.

“Por isso, manifesto ao chefe de Estado Maior da Força Aérea o nosso regozijo neste acto simbólico de entrega da gestão do Centro Multifuncional à vossa tutela”, disse.

O Presidente do Conselho de Administração da ARN sublinhou que o Centro  tem condições para garantir a sua autonomia financeira e  sustentabilidade a prazo.

Aquele responsável informou que o projecto de instalação do Centro Multifuncional visa a promoção e o incentivo à utilização de tecnologias de informação e comunicação bem como a facilitação de acesso à informática e a internet por parte dos militares.

O chefe de Estado Maior da Força Aèrea, Ibrahim Papa Camará salientou que a entrega do Centro Multifuncional  confirma a existência de boas relações entre os civis e  militares.

Segundo Papa Camará  o Centro não só servirá aos militares mas também aos civis morradores nos Bairros arredores do Aquartelamento da Força Aèrea, assim como aos alunos da Escola 23 de Janeiro nas suas pesquisas académicas.

O Fundo de Acessso Universal foi criado pelo Governo da Guiné-Bissau, em Fevereiro e visa financiar projectos ligados às telecomunicações. 

Já  financiou outros Centros Multifuncional em Bissau, Buba, Bafatá e Farim.

ANG/ÂC/JAM/SG


Brasil


“A queda de Dilma teve ordem dos EUA”, diz Michel Chossudovsky

Bissau, 06 Set 16 (ANG) - O famoso professor universitário e economista canadiano Michel Chossudovsky explica por que razão a queda de Dilma Rousseff foi ordenada por “Wall Street” e tenta desmascarar “os actores por trás do golpe”, num extenso artigo publicado pela primeira vez em Junho, mas reeditado recentemente.

“O controlo sobre a política monetária e a reforma macroeconómica eram os objectivos últimos do golpe de Estado”, disse. 

As nomeações principais do ponto de vista de Wall Street são o Banco Central, que domina a política monetária e as operações cambiais, o Ministério da Fazenda (Finanças) e o Banco do Brasil”, diz o artigo, destacando que, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, passando por Lula da silva e Temer, Wall Street tem exercido controlo sobre os nomes indicados para liderar essas três instâncias estratégicas para a economia brasileira.

“Em nome de Wall Street e do ‘consenso de Washington’, o ‘governo’ interino pós-golpe de Michel Temer nomeou um ex-CEO de Wall Street, com cidadania dos EUA, para dirigir o Ministério da Fazenda”, diz o artigo, referindo-se a Henrique Meirelles, nomeado em 12 de Maio último. 

Como observa o artigo, Meirelles, que tem dupla nacionalidade,  brasileira e norte-americana, serviu como presidente do FleetBoston Financial (fusão do BankBoston Corp. com o Fleet Financial Group) entre 1999 e 2002 e foi presidente do Banco Central sob o governo de Luís Inácio Lula da Silva, entre 1 de Janeiro de 2003 e 1 de Janeiro de 2011.

Antes disso, o actual ministro brasileiro das Finanças (Fazenda), que volta ao poder sob o governo Temer após ter sido dispensado por Dilma em 2010, também actuou durante  12 anos como presidente do BankBoston nos EUA.

Já o actual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nomeado por Temer em 16 de Maio, também tem dupla nacionalidade, brasileira e israelita, e foi economista-chefe do Itaú, maior banco privado do Brasil.

 Segundo o artigo, Goldfajn “tem laços estreitos tanto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) como com o Banco Mundial”. 

“Goldfajn já tinha trabalhado no Banco Central do Brasil sob as ordens de Armínio Fraga, bem como durante o mandato de Henrique Meirelles. 

Tem estreitos laços pessoais com o Professor Stanley Fischer, actualmente vice-presidente da Reserva Federal dos EUA, além de ter sido vice-director do FMI e ex-presidente do Banco Central de Israel. 

Desnecessário dizer que a nomeação de Golfajn para o Banco Central foi aprovada pelo FMI, pelo Tesouro dos EUA, por Wall Street e pela Reserva  Federal dos EUA”, afirma o artigo.

Armínio Fraga, por sua vez, foi presidente do Banco Central entre 4 de Março de 1999 e 1 de Janeiro de 2003. Exerceu a função de director de fundos de cobertura (“hedge funds”) durante seis anos na Soros Fund Management (associada ao multimilionário George Soros), e também tem dupla nacionalidade brasileira e norte-americana.

“O sistema monetário do Brasil sob o real (moeda brasileira) é fortemente dolarizado. Operações da dívida interna são conducentes a uma dívida externa crescente. Wall Street tem o objectivo de manter o Brasil numa camisa de forças monetária”, explica o professor Michel Chossudovsky. 

Por isso, afirma o artigo, quando Dilma Rousseff aponta um nome não aprovado por Wall Street para a presidência do Banco Central, a saber, Alexandre António Tombini, cidadão brasileiro e funcionário de carreira no Ministério das Finanças, é compreensível que os interesses financeiros externos se articulem aos interesses das elites brasileiras para mudarem o quadro político no país. 

No início de 1999, na sequência imediata do ataque especulativo contra o real, diz Chossudovsky, o presidente do Banco Central, Francisco Lopez, nomeado em 13 de Janeiro de 1999, a “Quarta-Feira Negra”, foi demitido pouco depois e substituído por Armínio Fraga, cidadão americano e funcionário da Quantum Fund, de George Soros, em Nova Iorque.

“A raposa foi nomeada para tomar conta do galinheiro”, resume o artigo, afirmando que, com Fraga, os especuladores de Wall Street tomaram o controlo da política monetária do Brasil.

Sob a liderança de Lula, a indicação de Meirelles para a presidência do Banco Central do Brasil deu seguimento à situação, diz o artigo, destacando que o nomeado já tinha trabalhado anteriormente como presidente e CEO dentro de uma das maiores instituições financeiras de Wall Street.

 “A FleetBoston era o segundo maior credor do Brasil após o Citigroup. Para dizer o mínimo, Meirelles estava em conflito de interesses. A sua nomeação foi acordada antes da ascensão de Lula à Presidência”, escreve o autor.

Além disso, Meirelles foi um firme defensor do controverso Plano Cavallo da Argentina na década de 1990: “um ‘plano de estabilização’ de Wall Street que causou grandes estragos económicos e sociais”, segundo Chossudovsky. 

De acordo com Michel Chossudovsky, “a estrutura essencial do Plano Cavallo da Argentina foi replicada no Brasil sob o Plano Real, ou seja, a imposição de uma moeda nacional conversível dolarizada. O que este regime implica é que a dívida interna é transformada em dívida externa denominada em dólares”.

Quando Dilma chegou à presidência em 2011, Meirelles foi retirado da presidência do Banco Central. Como ministro da Fazenda de Temer, ele defende a chamada “independência” do Banco Central. 

“A aplicação deste conceito falso implica que o governo não deve intervir nas decisões do Banco Central. Mas não há restrições para as ‘Raposas de Wall Street’”, refere o artigo, acrescentando que “a questão da soberania na política monetária é crucial” e que “o objectivo do golpe de Estado foi negar a soberania do Brasil na formulação da sua política macro-económica”.

De facto, sob o governo Dilma, a “tradição” de nomear uma “raposa de Wall Street” para o Banco Central foi abandonada com a nomeação de Tombini, que permaneceu no cargo de 2011 até Maio de 2016, quando Temer assumiu a presidência interina do país. 

A partir daí, Meirelles, no Ministério das Finanças do governo interino, “indicou os seus próprios comparsas para chefiar o Banco Central (Goldfajn) e o Banco do Brasil (Paulo Caffarelli)”, refere o artigo do Global Research, sublinhando que o novo ministro tinha sido descrito pelosmeios de comunicação social dos EUA como “market friendly” (“amigo do mercado”).

“O que está em jogo através de vários mecanismos – incluindo operações de inteligência, manipulação financeira e meios de propaganda – é a desestabilização pura e simples da estrutura estatal do Brasil e da economia nacional, para não mencionar o empobrecimento em massa do povo brasileiro”, afirma Chossudovsky.

Segundo a tese do famoso professor, “Lula era ‘aceitável’ porque seguiu as instruções de Wall Street e do FMI”, mas Dilma, com um governo mais guiado por um nacionalismo reformista soberano, não pôde ser “aceite” pelos interesses financeiros dos EUA, apesar da agenda política neoliberal que prevaleceu sob o seu governo. 

“Se Dilma tivesse decidido manter Henrique de Campos Meirelles, o golpe de Estado muito provavelmente não teria ocorrido”, afirma o analista.

“Um ex-CEO e presidente de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos (e um cidadão dos EUA) controla instituições financeiras importantes do Brasil e define a agenda macro-económica e monetária para um país de mais de 200 milhões de pessoas. 

Chama-se a isto um golpe de Estado... dado por Wall Street”, conclui Chossudovsky.

Michel Chossudovsky, escritor premiado, é professor (emérito) de Economia da Universidade de Ottawa, fundador e director do Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRG) e editor da organização independente de pesquisa e meios de comunicação social Global Research.

 É autor de 11 livros, publicados em mais de 20 línguas. Em 2014, foi premiado com a Medalha de Ouro de Mérito da República da Sérvia pela sua obra sobre a guerra de agressão da OTAN contra a agora desmembrada Jugoslávia.  

ANG/JA

Gabu


Governo entrega infraestruturas às autoridades da Região 

Bissau, 06 de Set. 16 (ANG) - O Governo da Guiné-Bissau procedeu recentemente em Pitche, no Leste a entrega de  infraestruturas sociais nomeadamente  um talho, um matadouro, um armazém e um campo agrícola reabilitado ao Governo regional. 

O Secretário de Estado do Plano e Integração Regional, Doménico Sanca foi quem fez a entrega , e pediu as populações para cuidarem dessas infraestruturas, “ senão de nada servira o investimento despendido pelo PNUD”.

Domenico Sanca sublinhou que os equipamentos incluindo as portas e janelas são propriedades da população local, salientando que os habitantes são os primeiros beneficiários, devendo ser também os primeiros a velar pela sua conservação.

Por sua vez, o Governador da Região de Gabú Mamadu Boy Djalo agradeceu o gesto, salientando que vai beneficiar a população e os utilizadores sobretudo os magarefes, bem como as mulheres vendedeiras de carne que passarão a usufruir de melhores condições de trabalho e higiene.  

Em nome dos beneficiários falou o magarefe, Abdulai Bano que agradeceu o apoio do PNUD, tendo pedido a instalação de frigoríficos e a aquisição de um meio de transporte de carne verde e a construção de um fontenário no matadouro local. 

ANG/MSC/JAM/SG




 


Segurança alimentar


Governo e parceiros traçam estratégias para redução da pobreza 

Bissau, 06 Set 16 (ANG) - O Governo da Guiné-Bissau e os parceiros de desenvolvimento traçaram recentemente uma estratégia de redução da pobreza no país, baseado na gestão de solos e águas, nos sistemas de produção pluvial e na intensificação da produtividade agrícola.

A revelação foi feita pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Rui Nené Djata após a assinatura do protocolo de acordo entre o seu ministério , o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo das Nações Unidas Para a Alimentação (FAO).

“O protocolo de acordo rubricado visa a implementação de um sistema de seguimento da segurança alimentar na Guiné-Bissau”, explicou o governante.

Acrescentou que um dos desafios do ministério que dirige é de fomentar novas abordagens de enquadramento camponês assim como melhoramento das técnicas em diferentes sistemas de produção a fim de garantir segurança alimentar e nutricional da população.

Por sua vez, a representante da FAO, Maria do Vale Ribeiro disse que a efectivação do referido sistema vai permitir a elaboração de respostas de modo a contribuir para o melhoramento da situação alimentar e nutricional das populações vulneráveis.

Maria Ribeiro assegurou que o objectivo principal do referido acordo é de reforçar a capacidade do governo no que concerne a segurança e bem-estar do povo.

Segundo a  representante do PAM, Kiyomi kawaguchi , o acordo assinado irá permitir a identificação dos problemas que as camadas mais vulneráveis enfrentam.

Kawaguchi sublinhou que o acto de assinatura de acordo representa o início dos  trabalhos que serão desenvolvidos nas comunidades carenciadas com vista a minimizar o sofrimento das populações.

ANG/Jornal Nô Pintcha

Crise política


Chefes da diplomacia de três países da CEDEAO chegam hoje à Bissau 

Bissau, 06 Set 16(ANG) – Os Chefes da diplomacia da Libéria, Guiné-Conacri e Togo, países da Comunidade Económica de Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) são aguardados hoje em Bissau para ajudarem a mediar a crise política que assola o país há mais de um ano.

Segundo uma nota de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense, o novo presidente da comissão da CEDEAO, o beninense Marcel de Souza, também integra a missão que se desloca à Bissau no cumprimento das resoluções da 49ª sessão ordinária da conferência dos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO que decorreu em Junho, em Dacar, no Senegal.

A cimeira de Dacar, entre outros, instou as partes desavindas na Guiné-Bissau a buscarem o entendimento através do diálogo inclusivo, dentro do respeito pela Constituição do país.

Os chefes de Estado da CEDEAO anunciaram igualmente a vinda a Bissau dos presidentes dos três países (Guine-Conacri, Libéria e Togo) mandatados pela organização para ajudar os guineenses a se entenderem.

Fonte da organização em Bissau disse à Lusa ser possível que os líderes dos três países se desloquem à capital guineense “caso fracasse a missão dos chefes da diplomacia”.

A missão da CEDEAO reúne-se na terça-feira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, Soares Sambú, com o Primeiro-ministro, Baciro Djá e com as direções dos dois principais partidos no Parlamento, PAIGC e PRS.

Ainda na terça-feira, encontra-se com o grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

As audiências terão lugar nos escritórios do gabinete integrado das Nações Unidas para a consolidação da paz na Guiné-Bissau (Uniogbis).

Na quarta-feira, a missão da CEDEAO terá encontros de trabalho com o presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá e com o chefe de Estado guineense, José Mário Vaz.

Os chefes da diplomacia deixam Bissau na quinta-feira de manhã.

A classe política guineense e os principais líderes do país não se entendem há mais de um ano, o que tem levado a que o Parlamento estivesse bloqueado.

O atual Governo não consegue fazer aprovar o seu plano de ação há mais de um mês. 

ANG/Lusa

Crise política


Deputados apoiantes do governo tencionam destituir o Presidente do parlamento

Bissau,06 Set 16(ANG) - Os deputados que apoiam o Governo da Guiné-Bissau no Parlamento voltaram a manifestar a pretensão de    avançar com o processo de destituição do líder do órgão, Cipriano Cassamá, que acusam de “atitude deliberada de bloqueio” ao funcionamento do hemiciclo.

Através do porta-voz, Rui Diã de Sousa, os deputados que apoiam o Governo (15 parlamentares expulsos do PAIGC e os 41 deputados do PRS) afirmam que vão tomar as diligências no sentido de destituir Cipriano Cassamá das suas funções.

Falando em conferência de imprensa, Rui Dia de Sousa disse que Cipriano Cassamá “está de má-fé” e tem tido uma “atitude deliberada de bloqueio” ao funcionamento do Parlamento para que desta forma a instituição não se possa renuir para aprovar o Programa do Governo.

Para Diã de Sousa, Cipriano Cassamá, apesar de experiencia parlamentar, por estar no hemiciclo desde 1994, e governativa, “provou não ser capaz” de continuar a ser o líder do Parlamento guineense, por isso, disse, “deve ser destituído”.

Cipriano Cassamá “tem faltado gravemente às suas responsabilidades e quando assim acontece a lei é clara: Diz que pode ser destituído e os mecanismos vão ser acionados para que assim aconteça”, referiu Rui Dia de Sousa, um dos 15 deputados expulsos do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

Por seu lado, Daniel Embaló, vice-líder da bancada parlamentar do Partido da Renovação Social (PRS) anunciou que o grupo de deputados que apoiam o Governo de Baciro Djá vai convocar uma sessão parlamentar “com ou sem o consentimento de Cipriano Cassamá” para fazer aprovar o programa do executivo.

Embalo afirmou que o grupo de deputados que apoiam o Governo constitui-se por maioria de parlamentares, 56 num universo de 102 legisladores que compõem o Parlamento guineense.

ANG/Lusa