terça-feira, 21 de abril de 2026

ONU/Começa sabatina dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres

Bissau, 21 Abr 26 (ANG) - O segundo mandato de António Guterres como secretário-geral da ONU termina no fim deste ano, mas a corrida por sua sucessão já começou.

As audiências públicas com os quatro candidatos têm início nesta terça-feira (21), em Nova York, e acontecerão ao longo de dois dias.

Esta é a segunda vez que a ONU organiza uma sabatina dos candidatos ao cargo de secretário-geral. As audiências públicas foram implementadas em 2016 com o objetivo de dar mais transparência ao processo.

Cada candidato terá três horas para responder às perguntas de representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas e da sociedade civil. Até o momento, quatro concorrentes já se declararam: a chilena Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, a costarriquenha Rebecca Grynspan e o senegalês Macky Sall.

Eles têm em comum a ambição de reformar a estrutura da ONU, que atravessa um período de crise do multilateralismo, com a confiança abalada e à beira de dificuldades financeiras.

Muitos Estados defendem que, pela primeira vez, uma mulher assuma o comando da ONU, e a América Latina reivindica o cargo com base na tradição de rotação geográfica, que nem sempre é respeitada.

No entanto, são os integrantes do Conselho de Segurança, mais precisamente os cinco membros permanentes com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França), que realmente detêm o futuro dos candidatos em suas mãos.

O próximo secretário-geral deverá estar alinhado com “os valores e os interesses americanos”, advertiu o embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz.

Michele Bachelet é uma das candidatas favoritas.. A ex-presidente socialista do Chile tem ampla experiência no sistema das Nações Unidas. Ela foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres entre 2010 e 2013 e, posteriormente, atuou como alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 2018 a 2022.

No entanto, essa experiência pode ser tanto uma vantagem quanto um obstáculo. A atuação de Bachelet à frente do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos foi alvo de críticas.

A China reagiu duramente à publicação de um relatório contundente sobre a situação da minoria uigur e poderia vetar sua nomeação.

A candidatura de Bachelet conta com o apoio do México e do Brasil, mas seu próprio país, o Chile, retirou o apoio após a posse do novo presidente de extrema direita, José Antonio Kast.

Em seguida, aparece o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um dos principais especialistas do dossiê sobre o programa nuclear iraniano. Ele também se destacou durante a guerra na Ucrânia ao lidar com questões de segurança relacionadas à usina nuclear de Zaporizhzhia.

Aos 65 anos, o diretor-geral da AIEA afirma ter a ambição de reformar a ONU. “As Nações Unidas perderam sua razão de existir”, lamenta. Para ele, a instituição tornou-se “invisível” em muitos conflitos.

A segunda mulher na disputa, Rebecca Grynspan, afirma conhecer bem as crises, inclusive as financeiras. A economista de 70 anos, ex-ministra da Fazenda e ex-vice-presidente da Costa Rica, dirige desde 2021 a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

Ao citar sua história pessoal, como filha de pais judeus sobreviventes do Holocausto que emigraram para a América Central, ela destaca seu apego à Carta da ONU, fundada após a Segunda Guerra Mundial. Segundo Grynspan, o documento é “um alerta permanente contra os perigos da desumanização, da desconfiança e da fragmentação”.

Por fim, Macky Sall, de 64 anos, será o último a ser sabatinado. O ex-presidente do Senegal é o único candidato que não vem do sistema das Nações Unidas. Em termos de experiência, ele ocupou, durante seu mandato, a presidência rotativa da União Africana.

Sall afirma manter contatos com líderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. No entanto, não é unanimidade dentro do continente africano. O ex-presidente senegalês não conta com o apoio da União Africana nem de seu próprio país.

O vencedor irá assumir o comando da ONU em 1º de Janeiro de 2027,no lugar do português António Guterres.ANG/RFI

 

                   Japão/Governo decide liberar exportações de armas

Bissau, 21 Abr 26 (ANG) - O Japão eliminou nesta terça-feira (21) as últimas barreiras que existiam há décadas e impediam a exportação de armas pelo país.

 A mudança histórica divide a opinião pública ao romper com a tradição pacifista do país, inscrita na Constituição japonesa desde a Segunda Guerra Mundial.

 A decisão provocou reação imediata da China, que se disse “preocupada” e declarou que resistirá à “militarização imprudente” de Tóquio.

O Japão decidiu acabar com 60 anos de restrições à venda de armamentos e permitir a entrada plena do país no mercado internacional da indústria de defesa. 

A mudança foi aprovada pelo governo e pelo Conselho de Segurança Nacional, segundo a agência de notícias Kyodo. “A revisão é parcial e autoriza, em princípio, a transferência de equipamentos de defesa”, declarou o porta‑voz do governo japonês, Minoru Kihara.

A primeira‑ministra ultranacionalista Sanae Takaichi,no cargo desde Outubro, fez dessa reforma uma bandeira. Segundo ela, a medida permitirá ao Japão reforçar sua defesa nacional, ao mesmo tempo em que impulsionará a indústria de armamentos para transformá‑la em um motor económico.

Essas novas regras se inserem na flexibilização progressiva da proibição geral de exportações instituída em 1976. No passado, o Japão exportava munições e equipamentos militares, especialmente durante a Guerra da Coreia, na década de 1950. Em 1967, adotou a proibição parcial, seguida de uma proibição total das exportações uma década depois.

Nas últimas décadas, Tóquio aprovou algumas exceções, antes de abrir o caminho em 2014 para exportações de cinco categorias de produtos militares não letais, ligados aos setores de resgate, transporte, alerta, vigilância e desminagem.

Segundo seus defensores, a revisão fortalecerá os laços defensivos, diplomáticos e económicos do Japão com países aliados, em um contexto de crescente instabilidade regional diante do fortalecimento militar da China e das ameaças da Coreia do Norte.

“Nenhum país pode preservar sua paz e sua segurança apenas com suas próprias forças. No setor de equipamentos de defesa, é preciso contar com nações parceiras”, afirmou Takaichi nesta terça‑feira na rede X.

A China reagiu imediatamente ao anúncio. Pequim disse estar “muito preocupada”, garantindo que resistirá “firmemente” a uma “militarização imprudente” do Japão.

Heigo Sato, especialista em questões de defesa da Universidade Takushoku, afirmou à AFP que o Japão precisa estabelecer “um sistema que assegure a fluidez das trocas de armas e munições” entre aliados. O especialista indica que isso aumenta as chances do país receber ajuda em caso de conflito.

Quando a Ucrânia fez um apelo às nações amigas em busca de armas para enfrentar a Rússia, o Japão se absteve de enviar armamentos, fornecendo apenas coletes à prova de balas e veículos.

O ativista pacifista Koji Sugihara lamenta “uma virada histórica”. Ele considera que a reputação pacifista do Japão havia, no passado, favorecido suas relações diplomáticas e comerciais. “As pessoas não querem que produtos fabricados no Japão sejam usados para matar pessoas em países estrangeiros”, declarou ele à AFP.

Segundo uma pesquisa realizada em março pela emissora NHK, 53% dos japoneses se opõem à flexibilização das exportações de armas, enquanto apenas 32% a aprovam.

“Nascido em Hiroshima, cresci impregnado da importância da paz (…) Espero que o Japão ,único país atingido por uma bomba nuclear continue mantendo a renúncia às armas e a oposição à guerra”, afirmou nesta terça‑feira Junichi Kikuta, trabalhador autônomo de 56 anos, entrevistado em Tóquio.

Os críticos acusam Sanae Takaichi de minar o pacifismo da nação.

A Constituição japonesa, adotada no pós-guerra limita a capacidade militar do arquipélago a medidas defensivas.

“Nosso apego ao caminho e aos princípios fundamentais que seguimos há mais de 80 anos como nação pacifista permanece absolutamente inalterado”, tentou tranquilizar a primeira-ministra nesta terça‑feira. Takaichi promete “análises rigorosas caso a caso” para as exportações.

Cinco grupos japoneses – Mitsubishi Heavy Industries, Kawasaki Heavy Industries, Fujitsu, Mitsubishi Electric e NEC – já figuram entre as 100 maiores empresas globais de armamento e defesa em termos de faturamento, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

Os fluxos globais de armas aumentaram quase 10% nos últimos cinco anos, com a Europa tendo mais que triplicado suas importações, devido à compra de armas para a Ucrânia e em reação à ameaça russa, segundo um relatório recente do Supri. ANG/RFI/AFP

 

Marrocos/Lançamento do 5º ciclo de formação para Observadores Eleitorais da União Africana

Bissau, 21 Abr 26 (ANG).– A 5ª edição do Ciclo de Treinamento de Observadores Eleitorais da União Africana (UA) teve início , segunda-feira, em Rabat, sob a copresidência do Ministro das Relações Exteriores de Marrocos, Nasser Bourita, e do Comissário da UA para Assuntos Políticos, Paz e Segurança, Bankolé Adeoye, com a presença do corpo diplomático africano.

Este programa emblemático, reconhecido em toda a África, marca um marco histórico ao celebrar meia década de parceria estratégica entre Marrocos e o Departamento de Assuntos Políticos, Paz e Segurança da UA (D-PAPS).

Lançada em conjunto em 2022, esta iniciativa consolidou-se como um instrumento fundamental para o fortalecimento das capacidades eleitorais e a promoção da governança transparente no continente.

Este ciclo, que se estenderá até 25 de Abril, ilustra o compromisso constante de Marrocos com uma África estável e democrática, consolidando as bases de um diálogo político inclusivo e pacífico.

Fiel à sua abordagem inovadora, o programa alcançou um novo marco este ano em termos de inclusão, com forte participação de mulheres e jovens. Este progresso garante que a observação eleitoral africana reflita com precisão a diversidade das sociedades africanas.

Nessa ocasião, o Sr. Bourita afirmou que a credibilidade de um processo eleitoral não pode ser totalmente garantida se excluir parte da população, ressaltando que "nossas mulheres, nossos jovens, as pessoas com deficiência, todas essas vozes devem estar presentes, não por obrigação simbólica, mas porque sua inclusão é garantia de excelência e legitimidade".

"A força deste ciclo reside na sua capacidade de refletir a realidade das nossas sociedades", acrescentou, salientando que a inauguração desta 5.ª edição reflete a "tenacidade de uma visão e a maturidade de uma ambição continental", assinalando meia década de parceria exemplar entre o Reino e a UA.

O ministro observou que o "ciclo continua a trabalhar em direção a uma África estável e pacífica, resolutamente no controle de seu destino", destacando que essa formação "nasceu de uma convicção profunda e inabalável" de que "a democracia africana só se consolidará se for conduzida por mãos africanas, capacitadas, independentes e totalmente comprometidas".

A este respeito, ele observou que, dos quase 400 observadores treinados em Rabat, provenientes dos 53 países do continente e representando as cinco regiões africanas, 65% são mulheres e 85% são jovens.

Diante das ameaças emergentes na era digital, incluindo deepfakes, desinformação algorítmica e o uso indevido de IA, o Sr. Bourita enfatizou a necessidade de adaptação e de antecipação de riscos, a fim de equipar os observadores africanos com as ferramentas necessárias para enfrentar esses desafios.

Nesse sentido, o ciclo de treinamento inclui, este ano, um módulo inovador sobre a conscientização a respeito de "deepfakes", com foco em eleições digitais, integridade e capacitação de observadores para identificar desinformação ou documentos "deepfake" gerados por IA a respeito de candidatos, que podem ser disseminados no dia da eleição para influenciar os eleitores.

Esta 5ª edição reúne cerca de 90 participantes de 53 países membros da UA, incluindo delegações do Mali, Níger, Burkina Faso, Guiné-Bissau, Sudão e Madagascar.

Até o momento, aproximadamente 95% dos observadores eleitorais treinados em Rabat foram destacados para missões de observação eleitoral lideradas pela UA, contribuindo para a credibilidade e transparência das eleições. ANG/Faapa

Angola/ Papa Leão XIV adverte para injustiça que corrompe corações e para comércio supersticioso

Bissau, 21Abr 26(ANG.) - O Papa Leão XIV apelou hoje, em Saurimo, no Leste de Angola, à fé em Cristo, alertando que “quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”.

 

“Com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”, declarou, na homília que está a proferir na missa que reúne milhares de pessoas na esplanada de Saurimo.

 

Leão XIV, que se referiu ao “comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve”, salientou que Cristo “não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão”.

 

“Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa”, apelou.

 

A Igreja Católica angolana tem manifestado a sua preocupação com o crescimento de rituais associados a superstições, questão muito presente no Leste de Angola, região onde a evangelização cristã foi mais tardia.

 

 

“Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte”, advertiu.

 

O Papa citou o Evangelho – “Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes” – para afirmar que Cristo pergunta se é procurado “por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor”.

 

Falando em português, Leão XIV afirmou que o que o trouxe até aqui, para estar com a população de Saurimo, foi a “Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias”. 

 

“Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias”, declarou.

 

A celebração da missa foi o último ato do Papa em Saurimo, onde chegou cerca das 09:00, tendo-se, de seguida, deslocado ao Centro de Idosos em Muanguene e visitado a Sé Catedral da capital da Lunda Sul.

 

Leão XIV foi o único dos três Papas que visitaram Angola – João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009 – a deslocar-se à zona Leste do país, aquela que teve uma evangelização mais tardia e onde o catolicismo tem menor impacto junto da população.

 

A igreja tem denunciado as gritantes desigualdades, numa região rica em recursos, sobretudo diamantes, e marcada por elevadas taxas de desemprego e analfabetismo.

No lar de idosos, Leão XIV recebeu uma estatueta do Pensador – Samanhonga, que, em chokwe significa “Pensamento do Coração”, a mesma imagem que está nas camisolas das mulheres que o aguardavam no aeroporto e que integram o coro que entoou os cânticos durante a missa.

 

Vestidas com panos africanos alusivos à Igreja Católica em Angola, têm inscritas na t-shirt a expressão chokwé que significa Bem-Vindo a Saurimo – Tambwokeno Um Saurimo – a imagem de Mwana Po (mulher jovem) e os tradicionais batuques chokwe, que, lamentaram à Lusa, ficaram de fora da celebração.

 

Numa cidade que não se enfeitou para receber o Papa, a festa aconteceu no recinto onde se realizou a missa, com milhares de pessoas, protegidas do sol por chapéus de chuva, saudaram efusivamente Leão XIV, que percorreu o recinto no papamóvel.

 

Leão XIV parte ao princípio da tarde para Luanda, onde fará o último discurso em Angola, num encontro com bispos e religiosos, partindo na terça-feira de manhã para Malabo, na Guiné Equatorial, onde termina a visita pastoral a África que se iniciou na Argélia e incluiu também os Camarões.

ANG/Inforpress/Lusa

 

Senegal/ Desafios de segurança em África no centro do 10º Fórum de Dacar

Bissau, 21 Abr 26(ANG) – Os desafios persistentes relacionados à estabilidade e o ressurgimento das ameaças à segurança são os temas escolhidos para a 10ª edição do Fórum Internacional sobre Paz e Segurança na África, que teve início  segunda-feira em Dakar, no Senegal.

Inserida no tema "África enfrentando os desafios da estabilidade, integração e soberania: que soluções sustentáveis?", esta edição visa explorar respostas concertadas e sustentáveis ​​aos desafios de segurança em África.

Em seu discurso na ocasião, o presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye destacou a necessidade de o continente africano assumir plenamente sua soberania, defendendo um papel mais relevante na reestruturação dos equilíbrios globais e maior autonomia na definição das prioridades de segurança.

Ele observou ainda que a África continua exposta às repercussões das crises internacionais, num contexto caracterizado pela multiplicação de ameaças, incluindo terrorismo, conflitos armados, criminalidade transfronteiriça, desinformação e cibercrime.

Por sua vez, o presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Cheikh El Ghazouani, defendeu a priorização de soluções africanas para os desafios de segurança e institucionais do continente, enfatizando a necessidade de fortalecer a soberania, melhorar a governança e investir mais na juventude em um contexto marcado pela persistência da ameaça terrorista.

O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, por sua vez, enfatizou a necessidade de concluir os projetos políticos e socioeconómicos do continente.

Ele considerou a boa governança uma alavanca essencial para a segurança diante das causas do extremismo ligadas à exclusão, ao mesmo tempo que defendeu respostas baseadas no fortalecimento das instituições e no empoderamento de jovens e mulheres, bem como parcerias equilibradas baseadas em soluções africanas.

O Fórum Internacional de Dakar sobre Paz e Segurança na África é uma iniciativa franco-senegalesa, lançada em 2013 na Cúpula do Eliseu, que reúne anualmente desde 2014 chefes de Estado e de governo, parceiros económicos e industriais e representantes da sociedade civil. ANG/Faapa

 

China/ “China e Moçambique são dois países irmãos”, diz Presidente  Moçambicano

Bissau, 21 Abr 26(ANG) - "A China e Moçambique são dois países irmãos", e Moçambique está disposto a reforçar ainda mais os laços com a China por meio da promoção de intercâmbios políticos, económicos, sociais e culturais, declarou  o presidente moçambicano, Daniel Chapo.

Em uma entrevista exclusiva recente concedida à Agência de Notícias da República Popular da China(Xinhua), antes de sua visita de Estado à China, de 16 a 22  de Abril, Chapo destacou que o ano passado marcou o 50º aniversário da independência de Moçambique e o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Os dois países mantêm uma profunda relação política e diplomática, com uma amizade tradicional que remonta ao período em que a China apoiou a luta de Moçambique por sua independência nacional, disse ele.

O chefe de Estado de Moçambique referiu que e
m 25 de Junho de 1975, data em que Moçambique declarou a sua independência nacional, o país estabeleceu relações diplomáticas com a China, e que nos últimos anos, as relações políticas e diplomáticas bilaterais tornaram-se cada vez mais estreitas e consolidadas.

Ao observar que este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China, Chapo disse que o plano é importante para Moçambique, pois está alinhado com os planos quinquenais e as estratégias de longo prazo do país.

Disse que a  economia de Moçambique depende fortemente das indústrias extrativas e de gás natural, e que prevê o reforço da  cooperação estratégica com a China em áreas como agricultura, turismo, infraestrutura, industrialização e digitalização, no âmbito da cooperação Sul-Sul e da Iniciativa Cinturão e Rota.

"Eu gosto muito de uma expressão chinesa que diz que se quer desenvolver algum sítio, faz a estrada", disse Chapo, observando que, desde o estabelecimento das relações diplomáticas, vários projetos emblemáticos de infraestrutura realizados pela China foram implementados em Moçambique.

A Ponte Maputo-Katembe, construída por uma empresa chinesa, é a ponte suspensa mais longa da África. Antes de sua construção, levava-se, pelo menos,  quatro a cinco horas para atravessar o mar por balsa. Atualmente, o trajeto entre Maputo e Katembe leva apenas cinco a dez minutos de carro.

Projetos de infraestrutura realizados em cooperação com a China, como a própria Ponte Maputo-Katembe, a Estrada Circular de Maputo, o Aeroporto Internacional de Maputo e a Ponte-Cais da Ilha de Inhaca, foram apontados por Chapo como estando a gerar resultados notáveis no desenvolvimento socioeconómico deste país lusófono.

No que diz respeito à agricultura, Chapo destacou que Moçambique possui vastas áreas de terra, oferecendo grande potencial para a cooperação com a China.

Declarou  que Moçambique  está disposto a explorar oportunidades de cooperação em diversos produtos agrícolas, incluindo o arroz, e a criar mais projetos bem-sucedidos como a fazenda de arroz Wanbao.

Disse que Moçambique também aproveitará a política de tarifa zero da China para aumentar as exportações de bens e serviços, especialmente produtos agrícolas.

Chapo defendeu que a visão da China da cooperação Sul-Sul enfatiza a necessidade de os países cooperarem em pé de igualdade e com ajuda mútua, para alcançar benefícios mútuos e resultados ganha-ganha, destacando a importância estratégica da cooperação Sul-Sul.

Sustenta que os intercâmbios culturais entre Moçambique e China têm uma longa história e refletem a amizade fraterna entre os dois países,  acrescentando que o Centro Cultural Moçambique-China, construído conjuntamente, não é apenas o maior centro cultural do país, mas também um importante símbolo das relações culturais bilaterais.

O  2026 marca o Ano de Intercâmbios Interpessoais China-África. Chapo afirmou que Moçambique aproveitará essa oportunidade para reforçar ainda mais os intercâmbios culturais, aprofundar a amizade entre os dois povos e promover o desenvolvimento estável das relações bilaterais.ANG/ Xinhua

Comunicação Social/Ministro Abduramane Turé de visita  à Portugal à convite da empresa gráfica Copivarela

Bissau, 21 Abr 26(ANG) – O ministro da Comunicação Social, Abduramhane Turé se encontra desde o dia 18 do corrente mês, em Lisboa(Portugal), à convite da empresa Copivarela, especializada em fornecimento de equipamentos gráficos de alta qualidade.

Segundo a RDN, que cita  uma nota do Gabinete do ministro da Comunicação Social, a deslocação de Abduramane Turé se enquadra na estratégia do Governo de modernização e capacitação da Imprensa Nacional (INACEP), a única gráfica estatal, visando a  diversificação   das parcerias desta empresa,  e   maior autonomia, eficiência e segurança na produção de documentos , com destaque para boletins de voto e cadernos eleitorais.

Em matéria de parcerias, até aqui a Inacep, empresa pública tutelada pelo Ministério da Comunicação Social tem desenvolvido as suas ações no quadro de cooperação com a empresa portuguesa Casa da Moeda, inclusive para a produção dos boletins de voto e outros assessórios para as eleições gerais de 2025.

A Nota do Gabinete do Ministro citada pela RDN ainda refere que a missão de Abduramane Turé tem outro objectivo relacionado as possibilidades de  aquisição de equipamentos gráficos de última geração. ANG/RDN



segunda-feira, 20 de abril de 2026

Comércio/Presidente da ANIN-GB considera “lento” o arranque da campanha de caju  

Bissau, 20 Abr 26 (ANG) – O Presidente da Associação Nacional  de Intermediários de Negócios da Guiné-Bissau (ANIN-GB), considerou hoje de “lento”, o arranque da campanha de comercialização da castanha de caju do presente ano, devido a atual conjuntura global e a situação económica que o país enfrenta.

Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), Lassana Sambú destacou que, até ao momento, não foi registado grandes movimentações de transferência bancárias de dinheiro  para a comercialização da castanha de caju, razão pela qual a campanha decorre de forma lenta.

Sambú disse que, para que a campanha tenha sucesso, o Governo deve assegurar um bom ambiente de negócio.

“Neste  momento temos connosco uma carta que será entregue ao Presidente da Câmara de Comércio Indústria, Agricultura e Serviços, na qual se pede  diligências junto do Executivo, por forma a serem adoptados mecanismos que possam melhorar a campanha de comercialização da castanha em curso”, disse Sambú.

Referiu   que o Governo  produzido, recentemente um despacho  que veda a atribuição de licenças de exportação aos operadores que ainda não atingiram cinco anos nesta atividade.

“Preocupado com a decisão, pedimos ao Governo para  reconsiderar essa decisão porque  pode afastar 70 por cento dos operadores que investem os seus dinheiros no processo”, disse o Presidente da Associação de Intermediários de Negócios da Guiné-Bissau.

De acordo com Lassana Sambú o mesmo diploma  veda aos estrangeiros a compra direta ao produtor da castanha, e Sambé diz que  essa medida não permite aos nacionais  trabalharem, para ganhar dinheiro.

Para aquele responsável, os serviços de  Balanço de pesagem  serão abertos já na semana que vem, para se efetuar o escoamento da castanha,  é pertinente que o Governo tome medidas para proibir aos compradores, nesta primeira fase, a prática de rasgar os sacos para verificar a qualidade da castanha.

“Os compradores indianos e vietnamitas usam o jogo de rasgar sacos das castanhas para identificar se, de facto, as castanhas antigas não foram misturadas com  as do presente ano, e esta prática, é admissível somente na época chuvosa”, disse Lassana Sambú.

Questionado sobre se o preço de referência anunciado pelo Governo no início da campanha de caju está a ser respeitado pelos compradores no terreno, em resposta, Sambú confirmou que está a ser cumprido a 100 por cento, o preço anunciado, e diz que quanto ao assunto, não têm queixa.

Relativamente a venda clandestina  da castanha nas fronteiras, Lassana Sambú elogiou os esforços empreendidos pelo Governo no combate a prática, e manifesta a disponibilidade de colaborar com as autoridades competentes, para juntos trabalharem no sentido de desmantelar o contrabando da castanha de caju que tem sido  registado nas linhas fronteiriças do país. ANG/LLA/ÂC//SG   

 

Saúde Público/Ministro Quinhim Nantote diz  que criação de Guiché Único no HNSM garantirá melhor controle e gestão das receitas

Bissau, 20 Abr. 26 (ANG) – O ministro da Saúde Pública disse hoje  que a implementação do guiché de pagamento único no Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM),vai garantir, além da transparência nas cobranças, o melhor controlo e gestão das receitas hospitalares.

Quinhim Nantote que falava no ato de lançamento oficial do Guiché Único de pagamento  no HNSM disse que a iniciativa  representa mais do que a introdução de uma nova ferramenta administrativa, uma vez que simboliza um passo firme no caminho da modernização,  transparência e da melhoria continua dos serviços prestados aos cidadãos.

Segundo Nantote, durante muito tempo, os utentes desta maior estabelecimento hospitalar do país, enfrentaram dificuldades relacionadas com a dispersão dos pontos de pagamento, longas filas, falta de clareza nos processos, o que segundo ele, são situações que comprometem a confiança no sistema.

“Este é apenas o início, o nosso objetivo é expandir soluções semelhantes para outras estruturas de saúde do país, garantindo que todos os guineenses tenham acesso à serviços de saúde dignos, organizados e confiáveis”, disse.

O governante apelou à todos os profissionais do HNSM a abraçarem este novo sistema com o espírito de responsabilidade, garantindo o seu bom funcionamento e contribuindo para a melhoria da qualidade do Sistema Nacional de Saúde.

Aos utentes, assegurou que continuarão a trabalhar para facilitar o acesso aos cuidados de saúde, com mais humanidade, mais eficiência e mais respeito.

O Diretor-geral do HNSM, Malam Sabali reconheceu que as cobranças ilícitas minam a confiança pública, e diz que preços baixos ou gratuitas, que embora solidários, geram défices crónicos, insuficiência de equipamentos e manutenção precária.

Acrescentou que criam  dependência financeira excessiva do Governo e parceiros, e que não bastam para as crescentes necessidades que existem.

“Estes obstáculos comprometem a qualidade dos cuidados que prestamos aos guineenses que precisam de respostas firmes, estruturantes, sustentáveis. É nesse contextos que afirmamos com determinação que estamos no tempo de mudança”, disse.

Sabali salientou que a implementação do Guiché Único vai trazer a transparência, eliminar irregularidades e centralizar todos os fluxos financeiros num só ponto acessível e eficiente.

Por outro lado, segundo ele, lançou-se um novo preçário de actos médicos critérios justos que equilibra a sustentabilidade económica com a protecção dos mais vulneráveis.

“As grávidas,  crianças menores de cinco anos e cidadãos em situação de comprovada vulnerabilidade socioeconómica, avaliada pelo serviço social , beneficiarão de isenção, disse Sabali, garantindo que ninguém fique sem atendimento por falta de meios financeiros.

Malam Sabali disse que, com os recursos gerados, estarão em condições de investir na aquisição de equipamentos modernos, reforçar a manutenção, capacidade e motivar os profissionais, reforçar   parcerias com o Governo e parceiros. ANG/MSC/ÂC//SG


Regiões/ Centro de Saúde de Bissorã beneficia de uma ambulância e motorizada

Bissorã, 20 Abr 26 (ANG) – O Centro de Saúde do sector de Bissorã, região de Oio, norte do país,  beneficiou de uma ambulância e uma motorizada no passado  fim-de-semana.

De acordo com o Correspondente da ANG na Região de Oio, no ato de entrega, o Governador da Região, Braima Camará disse que a oferta dada pelo Banco Mundial vai ser muito útil aos  populares de Bissorã que já são mais de 52 mil habitantes.

Camará, agradeceu o esforço e empenho do Diretor Regional de Saúde da região de Oio para conseguir a ambulância.

Por sua vez, o Diretor Regional de Saúde Enço Severino Da Costa, disse esperar que a ambulância e motorizada sejam usadas devidamente . e pediu a população para colaborar na manutenção desses equipamentos.

Em nome dos populares de Bissorã,  Mussa Djaló agradeceu a todos quanto se empenham para demninuir as dificuldades da população de Bissorã. ANG/AD/JD/ÂC//SG

 

Angola/Papa Leão XIV adverte para injustiça que corrompe corações e para comércio supersticioso

Bissau, 20 Abr 26(ANG) - O Papa Leão XIV apelou hoje, em Saurimo, no Leste de Angola, à fé em Cristo, alertando que “quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”.

 

“Com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”, declarou, na homília que está a proferir na missa que reúne milhares de pessoas na esplanada de Saurimo.

 

Leão XIV, que se referiu ao “comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve”, salientou que Cristo “não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão”.

 

“Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa”, apelou.

 

A Igreja Católica angolana tem manifestado a sua preocupação com o crescimento de rituais associados a superstições, questão muito presente no Leste de Angola, região onde a evangelização cristã foi mais tardia.

 

 

“Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe.

 

O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte”, advertiu.

 

O Papa citou o Evangelho – “Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes” – para afirmar que Cristo pergunta se é procurado “por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor”.

 

Leão XIV afirmou que o que o trouxe até aqui, para estar com a população de Saurimo, foi a “Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias”. 

 

“Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade.

 

Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias”, declarou. ANG/Inforpress/Lusa

 

EUA/Credibilidade da ONU em jogo na eleição para secretário-geral – Annalena Baerbock

Bissau, 20 Abr 26 (ANG) - A presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, afirmou à Lusa que a selecção do próximo secretário-geral será "uma questão de credibilidade" para a organização, uma vez que em 80 anos de história nunca teve uma mulher na liderança.

Em entrevista à agência Lusa, em Nova Iorque, Annalena Baerbock garantiu que, entre os 193 Estados-membros das Nações Unidas (ONU), há o entendimento de que, passados 80 anos, chegou o "momento certo" da organização multilateral ser chefiada no feminino.

"Estamos num ano histórico porque, após 10 anos, estamos a seleccionar o próximo secretário-geral para o século XXI, e a escolha enviará uma mensagem poderosa sobre quem somos enquanto comunidade internacional e se as Nações Unidas estão a servir todos os seus cidadãos em todo o mundo, dos quais, como todos sabemos, metade são mulheres e raparigas", observou.

"Uma organização que serve todas as pessoas em todo o mundo (...) e que une todos os países como nenhuma outra, precisa de se questionar se realmente serve toda a humanidade se, em 80 anos, nunca houve uma secretária-geral mulher", acrescentou.

Nesse sentido, a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros alemã considera que a "questão de quem será seleccionado é também uma questão de credibilidade para as Nações Unidas".

Duas mulheres e dois homens mantêm-se na disputa pelo cargo e serão ouvidos terça e quarta-feira pelos Estados-membros, dando início a um processo que poderá ter um resultado histórico.

Ao longo dos últimos meses, registaram-se fortes apelos para a nomeação de candidatas mulheres à sucessão do português António Guterres, que deixará o cargo no final do ano, após dois mandatos consecutivos.

Contudo, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan são as únicas duas mulheres em competição, que se juntam ao director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Mariano Grossi, e ao ex-presidente senegalês Macky Sall.

A diplomata argentina e ex-representante especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados Virginia Gamba chegou a entrar na corrida através da nomeação das Maldivas. A nação insular acabou por retirar o apoio à candidatura de Gamba, eliminando-a assim do processo eleitoral.

Annalena Baerbock tem a ser cargo o processo de selecção do próximo líder da ONU e garantiu que os Estados-membros deixaram bem claro que "é necessária uma liderança forte nestes tempos fragmentados e desafiantes".

"Estamos no meio de uma grande reforma das Nações Unidas, pelo que ter actuado anteriormente num Governo nacional e ter experiência no sistema da ONU são também critérios" que os Estados-membros definiram como essenciais e querem ver no próximo secretário-geral, disse.

O diálogo interativo com os quatros candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU arranca na terça-feira.

Cada candidato terá três horas para apresentar a sua declaração de visão para a organização, responder às perguntas dos Estados-membros e interagir com entidades da sociedade civil.

"Damos a todos os Estados-membros a oportunidade de entrevistar os candidatos durante três horas. Eu própria já participei neste processo como candidata à presidência da Assembleia-Geral. Portanto, é uma entrevista realmente difícil com 193 Estados-membros", explicou à Lusa.

"E, como consta na Carta, ao serviço dos povos do mundo, a sociedade civil tem também a oportunidade de colocar questões aos diferentes candidatos no que diz respeito às suas capacidades de liderança, à sua visão para as Nações Unidas, às suas ideias de reforma, mas também como fortalecer os três pilares das Nações Unidas: a paz e a segurança, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos", acrescentou.

No entanto, são os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU que realmente têm a decisão nas mãos.

É apenas por recomendação do Conselho de Segurança que a Assembleia-Geral da ONU pode eleger o secretário-geral para um período de cinco anos, renovável por mais um mandato.

"Posso garantir que serão diálogos realmente interativos, o que significa que todos os temas serão debatidos, pois este é provavelmente o cargo mais difícil do mundo para o qual os candidatos concorrem, numa altura em que vemos não só a unanimidade sob pressão, mas também a Carta das Nações Unidas sob ataque directo", frisou.

"Mas, no final, a decisão está nas mãos dos Estados-membros, do Conselho de Segurança e, mais tarde, da Assembleia-Geral", recordou ainda Annalena Baerbock. ANG/Inforpress/Lusa