quarta-feira, 10 de junho de 2026

Cabo Verde/Especialistas alertam para riscos da obsessão com alimentação e exercício

 

Bissau, 10 Jun 26(ANG) - A preocupação excessiva com a alimentação e a procura de um corpo perfeito podem transformar hábitos saudáveis em comportamentos compulsivos, com impacto na saúde mental, física e social, alertam especialistas ouvidos pela Lusa.

 

Psicólogos, endocrinologistas e médicos do desporto salientam a importância da alimentação saudável e do exercício físico para a saúde, mas chamam a atenção para os riscos do excesso de treino, da restrição alimentar e da pressão exercida pelas redes sociais, sobretudo entre os jovens.

 

"A obsessão pelo corpo, por exercício físico e por comer de forma saudável pode causar sofrimento e prejudicar a saúde física, mental e social, portanto, a saúde como um todo", alertou Miguel Morais Coutinho, presidente da Delegação Regional do Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses. 

 

Segundo o psicólogo, um dos sinais de alerta é a perda de flexibilidade na alimentação e na rotina de exercício físico que passam a ser marcados por "um conjunto de regras extremas". 

Explicou que "o exercício físico deixa de ser prazeroso e começa a ser gerador de ansiedade" quando a rotina é interrompida ou quando os objetivos definidos não são cumpridos. 

 

Por outro lado, o tempo dedicado ao planeamento das refeições e à organização dos treinos aumenta, reduzindo a disponibilidade para o trabalho, o lazer e as relações sociais. 

 

 

"As ideias que todos temos de uma alimentação saudável e de ter um corpo saudável fazem todo o sentido até um determinado limite. Quando este é ultrapassado nas várias dimensões, então, podemos estar no âmbito de um problema", sublinhou. 

 

A influência das redes sociais e a valorização da imagem corporal contribui para esta realidade. Miguel Morais Coutinho considerou que a exposição constante a conteúdos que promovem determinados padrões físicos e estilos de vida pode dificultar o reconhecimento do problema. 

 

"Como é que eu vou achar que tenho um problema quando depois tenho este aplauso social", questionou. 

 

Segundo o psicólogo, o fenómeno afeta mais os jovens, por estarem mais expostos à influência das redes sociais, mas também atinge outros grupos, como desportistas, profissionais de saúde ou figuras públicas, que devido à exposição do seu trabalho têm exigências de controlo do corpo, nomeadamente na alimentação. 

 

Nos casos mais extremos, surgem comportamentos associados à ortorexia (preocupação obsessiva com a alimentação considerada saudável) e à vigorexia, caracterizada pela procura compulsiva de exercício físico e de uma determinada imagem corporal. 

 

A ansiedade, a baixa autoestima, experiências de `bullying` ou situações traumáticas relacionadas com a imagem corporal podem aumentar a vulnerabilidade a este tipo de comportamentos, assim como com perturbações alimentares, como anorexia e bulimia, referiu. 

 

Miguel Morais Coutinho disse ter a perceção de que há mais pessoas a procurar ajuda clínica, mas, em muitas situações, são incentivados por familiares, amigos ou companheiros que consideram que aquele comportamento é excessivo. 

 

"As pessoas não são felizes a viver este processo. Este ciclo de preocupação, rigidez e compulsão é muito forte, e sair destas amarras é bastante complexo", sublinhou. 

 

Mas os riscos não se limitam à saúde mental. A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, alerta que o excesso de exercício físico, sobretudo quando associado a restrições alimentares, pode provocar alterações hormonais importantes e comprometer o desenvolvimento dos mais jovens. 

 

"O exercício físico e a alimentação saudável são muito bem-vindos e as pessoas devem ter uma vida saudável. Não podemos é cair nos extremos. Ou seja, tudo na vida precisa de moderação", defendeu. 

 

Segundo a endocrinologista, o chamado `overtraining` (excesso de exercício físico) tem "um impacto menos bom" na saúde das pessoas e, quando se junta com restrição alimentar, pode ter repercussões, nomeadamente endócrinas, neuro-hormonais, aumento dos níveis de cortisol e na massa óssea e muscular, sobretudo quando não existe recuperação adequada. 

 

Alertou ainda que "um exercício muito intenso em idade jovem, antes da maturação sexual, até pode fazer com que aquelas jovens não atinjam essa maturidade sexual nem o crescimento que tinham a possibilidade de atingir". 

 

Paula Freitas destacou também a síndrome de deficiência relativa de energia no desporto (RED-S) que pode aumentar o risco de lesões, comprometer a recuperação física e reduzir o desempenho desportivo, contrariando precisamente os objetivos que muitos atletas procuram alcançar. 

 

"Tal como os medicamentos, o exercício também deve ser prescrito em termos de tipo, intensidade e duração", afirmou, salientando o papel dos fisiologistas do exercício físico na definição de programas de treino seguros e ajustados. 

A Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva (SPMD) partilha destas preocupações, mas sublinha que "o treino físico sistemático é um fator de promoção da saúde física e mental em todas as idades". 

 

"Quando a frequência, o volume e intensidade das cargas de treino sem recuperação adequada acontece durante períodos de tempo excessivo, surgem sintomas físicos e mentais lesivos da saúde e bem-estar" como dores musculares e articulares prolongadas, perturbações do sono e alterações no peso corporal e do apetite. 

 

Segundo a SPMD, pode ainda instalar-se "um quadro psicológico de instabilidade emocional", com ansiedade e apatia, dificuldade de concentração e memória, podendo evoluir para um estado depressivo, além do possível aumento da frequência cardíaca em repouso, alterações hormonais conducentes à diminuição da atividade do sistema imunológico e diminuição da capacidade de recuperação após lesões. 

 

Alerta ainda para a importância de identificar precocemente os sinais de alerta e a adoção de medidas para evitar "danos mais graves" para a saúde, como a redução temporária da intensidade e volume dos treinos, a promoção de uma alimentação equilibrada, a melhoria da qualidade do sono e um regime de treinos seguros. 

 

Embora não disponha de dados de evidência científica que permitam afirmar o papel das redes sociais e da cultura `fitness` no favorecimento de comportamentos obsessivos ligados ao exercício físico em idades cada vez mais precoces, a SPMD considera que "essa realidade existe" e justifica "uma reflexão séria de todos os profissionais de saúde, pais, professores e treinadores".  ANG/Inforpress/Lusa

 

 

Cooperação /Presidente do Benim visita Guiné-Bissau para identificar possibilidades de cooperação bilateral

Bissau, 10 Jun 26(ANG) O Presidente do Benim, Romuald Wadagni, esteve terça-feira em Bissau em visita de  trabalho e amizade de algumas horas, na qual abordou com o homólogo guineense, Horta Inta-a as possibilidade de cooperação bilateral em vários domínios.

‎O  chefe de Estado beninense aterrou no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, por volta das 17h56, permanecendo em solo guineense durante pouco mais de uma hora onde manteve encontro com o Presidente da República de Transição, Horta Inta-a  nas instalações do aeroporto internacional Osvaldo Vieira.

De acordo com o Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República, durante o encontro, os dois Chefes de Estado abordaram oportunidades de cooperação nos setores da agricultura, comércio, pescas, formação técnica e científica, além da promoção de parcerias entre empresários guineenses e beninenses.

Horta Inta-a destacou os avanços registados pelo Benim nos domínios económico e agrícola, considerando o país um exemplo de desenvolvimento sustentável na África Ocidental.

Os dois líderes reafirmaram igualmente o compromisso com a integração regional e o fortalecimento das organizações africanas, nomeadamente a CEDEAO, a UEMOA e a União Africana.

A visita insere-se na digressão regional de Romuald Wadagni após a sua recente investidura como Presidente da República do Benim. ANG/ÂC//SG

 

 

Desporto/Caito Teixeira impedido pela segunda vez de viajar para assistir campeonato do mundo

Bissau, 10 Jun 26 (ANG) - O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Carlos Alberto(Caíto)  Teixeira foi, novamente, impedido de deixar o país, desta vez para assistir ao mundial de futebol que inicia quinta-feira nos Estados Unidos de América e no Canadá.

Segundo a Rádio Sol Mansi, esta é a segunda vez, em poucas semanas, que o dirigente federativo vê frustrada uma deslocação internacional.

Em Maio deste ano, Caito Teixeira já tinha sido impedido de viajar para Portugal, onde pretendia assistir à final da Taça de Portugal.

De acordo com as informações avançadas pelo jornalista Elvis da Silva, antigo apresentador do programa desportivo 4 Linhas da Rádio Sol Mansi, e confirmadas pela Rádio Sol Mansi junto de uma fonte próxima do processo, Caito Teixeira, através do seu advogado, apresentaram um requerimento a solicitar autorização para se deslocar ao exterior, mas o pedido foi indeferido pelas autoridades judiciais.

A mesma fonte, indica que a decisão poderá estar relacionada com a alegada inexistência de garantias suficientes de regresso ao país e com o facto de o dirigente ainda não ter efetuado o pagamento da caução fixada no âmbito do processo judicial em curso, no valor de 82.800.000 francos CFA, no prazo de 10 dias a contar da data de tomada de conhecimento.

Perante esta situação, apenas a secretária-geral da FFGB, Virgínia da Cruz, seguiu viagem para representar a Federação na cerimónia.

O Ministério Público da Guiné-Bissau instaurou um processo judicial contra o presidente da FFGB, Caito Teixeira, e o vice-presidente da instituição, Celestino Gonçalves, conhecido como “Tinex”, por alegado desvio de 183.000.000 francos CFA que haviam sido destinados ao fretamento de um voo para transportar a seleção de São Tomé e Príncipe em 2023.ANG/RSM

 

Suécia/Nova corrida armamentista nuclear impulsiona gastos recordes e eleva alerta global

Bissau, 10 Jun 26 (ANG) - O mundo vive uma nova escalada da corrida armamentista nuclear, impulsionada por investimentos que atingiram níveis recordes em 2025.

Segundo relatórios divulgados pela Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican) e pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), os nove países que possuem armas nucleares gastaram quase US$ 119 bilhões em seus arsenais no último ano, cerca de US$ 17 bilhões a mais do que em 2024.

O valor representa um aumento de 19% em relação ao período anterior e reflete, segundo a Ican, o início de uma nova corrida armamentista que pode se estender por décadas.

Os países que possuem armas nucleares – Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França, Índia, Israel, Paquistão e Coreia do Norte – ampliaram seus investimentos simultaneamente, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas e à modernização dos sistemas de dissuasão nuclear.

Os Estados Unidos lideram os gastos globais com ampla vantagem. Apenas em 2025, Washington destinou US$ 69,2 bilhões à manutenção e ao desenvolvimento de seu arsenal nuclear, mais do que a soma dos investimentos realizados pelos demais países com armas atómicas.

Em seguida aparecem China (US$ 13,5 bilhões), Reino Unido (US$ 12,6 bilhões) e Rússia (US$ 9,5 bilhões).

A expansão chinesa é apontada como uma das mais aceleradas do mundo. O país possui atualmente cerca de 620 ogivas nucleares e poderá alcançar, até 2030, uma capacidade de mísseis balísticos intercontinentais comparável à dos Estados Unidos e da Rússia.

Especialistas avaliam que a crescente rivalidade estratégica entre as grandes potências tem levado Pequim a fortalecer sua capacidade de dissuasão nuclear.

Embora o número total de armas nucleares continue menor do que durante a Guerra Fria, os especialistas alertam para o aumento dos riscos. O Sipri estima que existam atualmente cerca de 12.187 ogivas nucleares no mundo, das quais aproximadamente 9.745 permanecem disponíveis para eventual utilização militar.

Segundo o instituto, a tendência histórica de redução dos arsenais pode estar chegando ao fim, à medida que o desmantelamento de armas antigas desacelera e novos sistemas entram em operação.

A Ican destaca que os nove países com atividades nucleares já destinaram cerca de US$ 470 bilhões à manutenção e expansão de seus arsenais nos últimos anos e prevê que os gastos continuem crescendo nas próximas décadas.

Nos Estados Unidos, os futuros mísseis balísticos intercontinentais Sentinel foram projetados para permanecer em operação além de 2100. O aumento da produção de núcleos de plutônio também sugere a manutenção de ogivas até pelo menos 2120.

As projeções indicam que Washington poderá gastar quase US$ 1 trilhão em seu arsenal nuclear entre 2025 e 2034. Para a Ican, esses investimentos contrastam com as dificuldades enfrentadas por organismos internacionais e programas humanitários em todo o mundo.

Segundo a organização, os recursos destinados às armas nucleares em 2025 seriam suficientes para financiar 32 anos do orçamento operacional das Nações Unidas. O valor gasto em apenas um dia com arsenais atômicos poderia garantir segurança alimentar para mais de 2 milhões de pessoas.

Outro fator de preocupação é o avanço da inteligência artificial nos sistemas militares. A diretora de programas da Ican, Susi Snyder, afirmou estar "apavorada" com a combinação entre a nova corrida armamentista e o uso crescente dessas tecnologias em processos de tomada de decisão estratégica.

Especialistas temem que a automação possa acelerar decisões críticas e aumentar os riscos de erros de cálculo em situações de crise.

A fragilização dos acordos internacionais de controle de armas, somada à modernização dos arsenais e ao aumento das tensões entre as grandes potências, contribui para um cenário considerado cada vez mais instável. Para a Ican, os governos estão investindo recursos bilionários em sistemas que, se utilizados, poderiam provocar consequências humanitárias catastróficas.

"Em vez de fornecer ajuda ou garantir serviços essenciais às suas populações, os Estados com armas nucleares investem em um arsenal que sabem não poder utilizar sem cometer um crime de guerra", afirmou Snyder.

Para a diretora de programas da Ican, há uma "desconexão total da realidade" entre as prioridades globais e os investimentos crescentes em armamentos nucleares. ANG/RFI/AFP

 

Gana/ Lançado o plano “AgriConnect Compact” para fortalecer a segurança alimentar

Bissau, 10 Jun 26 (ANG) - O Gana lançou recentemente o "AgriConnect Compact", um plano de ação nacional que visa fortalecer a segurança alimentar, criar empregos, reduzir as importações e mobilizar investimentos em cadeias de valor agrícola prioritárias.

Com um orçamento estimado em 3,5 bilhões de dólares, este programa, liderado pelo Ministério da Alimentação e Agricultura em parceria com o Banco Mundial, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e outros parceiros, deverá gerar cerca de 2,6 milhões de empregos até 2030 durante a sua primeira fase.

Segundo as autoridades ganesas, esta iniciativa inclui uma série de ações públicas e privadas destinadas a aumentar a produtividade agrícola, desenvolver valor agregado e melhorar o acesso a mercados e financiamento. Ela se concentra particularmente em irrigação, sistemas de sementes, mecanização, serviços para agricultores, processamento agrícola e logística.

"Durante muito tempo, concentramo-nos no arroz, milho, óleo de palma, cacau e aves. Hoje, estamos a lançar este programa essencial para desenvolver toda a cadeia de valor e criar empregos para os jovens", afirmou o Ministro da Alimentação e Agricultura do Gana, Eric Opoku, citado pela imprensa local.

Citado pela mídia local, o funcionário também pediu às partes interessadas que desempenhem integralmente seu papel para garantir o sucesso do programa em benefício dos ganeses.

Por sua vez, o vice-presidente para o Planeta do Grupo Banco Mundial, Guangzhe Chen, descreveu o programa como uma "iniciativa ousada" destinada a estabelecer um sistema alimentar mais produtivo, resiliente e gerador de empregos.

Segundo ele, a combinação de reformas, investimentos e mecanismos de implementação fortalecerá a segurança alimentar, apoiará os agricultores e o agronegócio e mobilizará mais capital privado.

O “AgriConnect Compact” faz parte dos objetivos do governo ganês para a transformação agrícola, a promoção do investimento privado e a resiliência econômica, com o intuito de reduzir a insegurança alimentar, limitar a dependência de importações, desenvolver capacidades de processamento agroalimentar e impulsionar o emprego rural.ANG/Faapa

 

França/Estrangeiros perdem dinheiro e adoecem  por causa de atraso na renovação de documentos

Bissau, 10 Jun 26 (ANG) - A explosão nos prazos para renovação de títulos de residência na França levou associações a convocarem protestos nesta quarta-feira (10) para exigir a continuidade de direitos.

O movimento ocorre após meses de inércia da administração pública, situação que já atinge centenas de milhares de pessoas e coloca trabalhadores estrangeiros, entre eles muitos brasileiros, em situação irregular.

Um estudo aponta ainda quadros de ansiedade, insónia e sensação de perda de identidade entre imigrantes submetidos à incerteza do sistema francês.

A mobilização foi convocada para ocorrer diante das sedes administrativas responsáveis pelo tratamento das demandas de estrangeiros (as préfectures, em francês), com o objetivo de exigir acesso aos serviços públicos e a garantia da continuidade de direitos. O movimento ocorre após meses de agravamento da situação, que já atinge centenas de milhares de pessoas em todo o país e coloca trabalhadores estrangeiros, inclusive alguns com décadas de residência, em situação administrativa irregular.

Em comunicado, a região de Bouches-du-Rhône, no sul do país, afirmou que o aumento no número de pedidos contribuiu para a ampliação dos prazos.

O governo francês tem sido alvo de críticas de associações e profissionais de saúde, que apontam um descompasso entre a demanda crescente e a capacidade administrativa.

 Uma reunião realizada em 26 de maio, entre autoridades, sindicatos e entidades patronais, resultou na promessa de acelerar os processos de regularização, mas de forma restrita a setores que enfrentam escassez de mão de obra.

Na prática, os atrasos têm levado pessoas a perder empregos, renda e acesso a serviços básicos. A legislação atual prevê prazos para a análise dos pedidos, mas esses limites vêm sendo ultrapassados sistematicamente.

 A situação se agravou com a adoção de regras mais restritivas e a digitalização dos procedimentos.

Hoje, a maioria das etapas passou a depender exclusivamente de plataformas online, que substituíram o atendimento presencial. Na prática, isso significa que o imigrante precisa conseguir um agendamento pela internet, algo que, na maior parte dos casos, simplesmente não está disponível.

Sem a possibilidade de falar com um agente, esclarecer dúvidas ou recorrer por telefone, muitos passam meses tentando marcar um horário sem sucesso. Para associações, o sistema criou uma situação de bloqueio, em que a administração se torna inacessível.

Gustavo, de 29 anos, é pedagogo e trabalha em um centro educacional bilíngue que acolhe crianças de 3 a 6 anos na capital francesa. Ele narrou à RFI boa parte de seu calvário pessoal na hora de renovar seus documentos.

"A gente acaba vivendo nessa incerteza. Para mim, o maior impacto é emocional. Fico com a sensação de que, a qualquer momento, podem entrar em contato com uma resposta negativa. E, se isso acontecer, eu perco tudo: não posso manter meu trabalho nem a minha vida aqui. Teria que me separar do meu cônjuge, porque, com uma negativa, não poderíamos permanecer no país", diz.

"Esse é o meu maior medo: ter que me separar do meu parceiro por causa de uma falha da própria administração em processar o meu pedido", diz Gustavo, que é casado com um cidadão alemão e inicialmente foi contemplado com um visto de cinco anos – "um visto de longa duração para membros de família da União Europeia".

"Pedi a renovação do meu visto em Janeiro de 2025, sendo que o documento expirava em Fevereiro, então eu estava dentro do prazo. Cerca de dois meses depois, em Abril, recebi a primeira prorrogação. Disseram que estavam analisando o meu processo", detalhou o brasileiro.

"Em Dezembro, solicitei outra prorrogação, mas ela não foi concedida imediatamente. Esperei durante Dezembro e Janeiro, e apenas no fim de Fevereiro recebi uma nova. Essa foi válida até Maio. Em Maio, fiz novo pedido e recebi outra prorrogação, que agora vai até agosto", relatou.

O brasileiro contou que, na área profissional, não enfrenta tantos problemas, porque a prorrogação mantém seu visto válido dentro do sistema administrativo francês.

“No entanto, não tenho nenhuma resposta definitiva. Já entrei em contato com a instituição mais de dez vezes; pelo menos duas vezes por mês, pergunto sobre a situação do meu processo. A resposta é sempre a mesma: que eu preciso aguardar. Segundo eles, está tudo em ordem, todos os meus documentos estão corretos”, avalia o pedagogo.

"Desde que cheguei à França, sempre paguei impostos. Nunca tive problemas legais, sempre trabalhei e estudei. Fiz meus estudos aqui e continuo em formação, cursando um mestrado. Mesmo assim, é uma insegurança constante", admite.

A capixaba Renata P. (nome fictício) chegou à França em 2019 com tudo regularizado: primeiro um visto obtido ainda no Brasil e, depois, sucessivos títulos de residência renovados sem dificuldade.

A situação mudou em 2024, quando pediu a terceira renovação dentro do prazo legal, quatro meses antes do vencimento, para não interromper uma formação profissional em andamento.

Apesar de cumprir todas as exigências, a renovação não saiu. Ela recebeu apenas um récépissé (autorização provisória), válido por três meses. Nesse período, conseguiu viajar e concluir o curso, mas ficou impedida de trabalhar.

Ao vencer o documento temporário, em Abril de 2025, passou a ficar sem qualquer status administrativo, mesmo sendo casada com um cidadão francês e mãe de um filho francês.

Começou então uma longa batalha burocrática. Renata contratou dois advogados, mas, segundo relata, a única ação possível era o envio de e-mails à administração, sem retorno concreto. Procurou também associações de apoio a imigrantes, que igualmente afirmaram não haver solução imediata. “Me diziam que não tinha o que fazer”, conta.

Desesperada, passou meses tentando diariamente conseguir um agendamento no setor de imigração de Versalhes.

 Ela chegou a acessar a plataforma todas as segundas-feiras, no horário de abertura da plataforma online, usando vários computadores ao mesmo tempo, sem sucesso. Paralelamente, recebeu propostas ilegais de venda de horários, que recusou.

A situação só se resolveu de forma improvisada. Uma amiga conseguiu marcar um agendamento destinado à retirada de um título já pronto. Renata compareceu mesmo assim e explicou seu caso diretamente a um atendente.

 “Eu não tinha mais nada, nem o récépissé. Foi ali que resolveram”, relata. Após a intervenção, recebeu a promessa de regularização em um a dois meses.

O título de residência foi enfim emitido em Dezembro de 2025, quase um ano depois do pedido inicial. Desta vez, com validade de dez anos. Segundo ela, o prazo mais longo só foi concedido após insistência e apresentação de todos os documentos, incluindo comprovação de nível de francês (B2), casamento de longa duração e vínculos familiares no país.

Renata também solicitou a nacionalidade francesa em Novembro de 2024, mas, até agora, não obteve resposta. Para ela, o episódio ilustra as falhas do sistema: “Se eu não tivesse dado um jeito de entrar na prefeitura, talvez estivesse até hoje sem documento.”

Outra brasileira ouvida pela RFI, que pediu anonimato, é casada com um europeu, tem uma filha com passaporte europeu, deu entrada no pedido de título de residência, mas continua sem resposta.

"A questão é que não deram prazo, não existe prazo. Entramos com o pedido em agosto assim que tínhamos endereço, meu marido e minha filha têm cidadania europeia. Em janeiro cancelaram o pedido e aí a consultoria que nos atende reabriu a solicitação", conta a brasileira.

"Então eles marcaram a ida à prefeitura para entregar os documentos, no início de março. Em meados de maio eles pediram uma cópia atualizada da certidão de casamento, que por sinal já constava da pasta que entregamos [anteriormente], mas somente agora disseram que o documento foi aceito, e que eles vão analisar o caso para dar o parecer final", relatou à RFI.

Em Marselha, na região sul, casos concretos ilustram o impacto da disfunção administrativa francesa. Amina, natural das Comores e residente na França há 25 anos, aguarda há um ano a renovação do seu título. Sem resposta da administração, perdeu o emprego formal no setor de limpeza. “Isso me parte o coração.

Ficar em casa por causa de um erro não faz sentido”, afirmou, relatando também a incerteza sobre a situação do marido, cujo documento expira em breve.

Situação semelhante é vivida por Guillermo, músico argentino que mora na França desde 2014. Pai de filhos franceses, ele afirma que, pela primeira vez, ficou sem documentação válida.

 Sem conseguir agendamento ou resposta às solicitações, viu contratos de trabalho serem cancelados. “Tenho a sensação de não existir”, disse. O sistema digital, segundo ele, criou uma "barreira entre usuários e administração".

Sebastian, também argentino, só conseguiu seu documento após recorrer à Justiça administrativa. A diferença de tratamento evidencia a imprevisibilidade do sistema, que passou a exigir ações judiciais para garantir direitos básicos. Relatos de conflitos diante de repartições públicas e dificuldades no acesso aos serviços tornaram-se frequentes.

O impacto não se limita à esfera económica. Profissionais de saúde apontam consequências graves para a saúde mental dos afetados.

A psiquiatra Andrea Tortelli, que atua em um hospital público em Paris, afirma que a principal fonte de angústia dos pacientes estrangeiros é a incerteza administrativa. “No plano psíquico, é a instabilidade que destrói essas pessoas”, disse.

Segundo a médica, quanto maior o tempo de espera por uma resposta das autoridades, maior o sofrimento psicológico. Pacientes relatam ansiedade constante, insónia e sensação de perda de identidade.

 O problema afeta inclusive pessoas com longa permanência no país, que se vêem presas a ciclos anuais de renovação.

Um relatório baseado em 27 depoimentos aponta que todos os entrevistados manifestaram níveis elevados de estresse relacionados à renovação dos documentos. O título de residência condiciona o acesso ao trabalho, à moradia e a cuidados de saúde. Um atraso na emissão pode interromper todos esses direitos simultaneamente.

Jean-Louis, agente de segurança em Toulouse, no sudoeste, descreve o processo como um ciclo permanente de preocupação.

 “Com um título válido por um ano, poucos meses depois já começo a ficar angustiado com a renovação”, disse. Ele menciona dificuldades para encontrar horários disponíveis, falhas na plataforma digital e custos elevados, como a taxa de € 250 (aproximadamente R$ 1.500 na cotação atual) por renovação.

A precariedade administrativa também impede planejamento de vida. Jovens formados, como Sevda, de 27 anos, relatam bloqueios profissionais e pessoais. Após um ano e meio de espera, ela afirma não poder trabalhar nem visitar a família. “Estou paralisada, financeiramente e psicologicamente”, disse.

Para organizações como a Cimade, que presta assistência jurídica a estrangeiros,metade dos casos acompanhados actualmente envolvem atrasos prolongados.

Voluntários relatam situações de endividamento, inclusive entre mães de família, além de agravamento de condições psicológicas pré-existentes.

Além de seus efeitos individuais, o fenómeno gera um paradoxo institucional. Ao atrasar a emissão de títulos de residência para os estrangeiros, o próprio Estado contribui para o aumento da irregularidade que busca combater. Pessoas que cumpriram os requisitos legais acabam sem documentação por falhas do sistema.

Essa situação também afeta empregadores, que se veem obrigados a interromper contratos formais por ausência de documentos válidos. O resultado é perda de arrecadação e aumento da informalidade, em um contexto de pressão sobre o mercado de trabalho em certos setores.

A digitalização dos processos, apresentada como solução para acelerar procedimentos, é apontada como um dos fatores de agravamento. Sem canais presenciais eficazes, muitos usuários relatam impossibilidade de acessar o sistema ou obter respostas. Isso aprofundou a distância entre administração e população atendida.

A soma desses fatores tem provocado mobilização nacional. O coletivo Bouge Ta Préf reúne associações que denunciam a falta de acesso ao serviço público e exigem medidas urgentes para garantir continuidade dos direitos durante a tramitação dos pedidos.

 Enquanto isso, médicos e entidades humanitárias alertam para os custos sociais da situação. Além da deterioração da saúde mental, a instabilidade administrativa pode reativar traumas anteriores, especialmente entre pessoas que passaram por processos migratórios difíceis.

Sem reformas estruturais, especialistas avaliam que a tendência é de agravamento. A combinação de maior demanda, regras mais rígidas e limitações administrativas mantém o sistema sob pressão constante, com efeitos que se espalham para além da esfera migratória. ANG/RFI

 

 

Côte D`Ivoire/ Governo reafirma objetivo de reduzir emissões de gases de efeito de estufa em 33,07 por cento

Bissau, 10 Jun 26 (ANG) – A Costa do Marfim reafirmaseu compromisso de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 33,07% até 2035, afirmou o coordenador do Programa Nacional de Mudanças Climáticas (PNCC), Mohamed Sanogo, durante o fórum de intercâmbio governamental "Tudo o que você precisa saber sobre", organizado na terça-feira, 9 de junho de 2026, em Abidjan, pelo Centro de Informação e Comunicação do Governo (CICG).

Segundo ele, essa ambição climática é acompanhada por ações multissetoriais que abrangem, em particular, energia, agricultura, gestão de recursos naturais, proteção costeira, saneamento urbano e prevenção de riscos de desastres naturais.

Ele destacou que o governo da Costa do Marfim está implementando uma política de restauração da cobertura florestal nacional, com o objetivo de aumentar a cobertura florestal para 20% do território até 2030, em um contexto de combate ao desmatamento e à degradação dos ecossistemas.

Como parte da adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, diversas iniciativas estão em andamento, incluindo o fortalecimento dos sistemas de alerta precoce contra inundações, a execução de projetos de saneamento e drenagem urbana, a implementação de programas de resiliência costeira e a restauração de paisagens florestais.

O governo também está desenvolvendo ações para promover a agricultura climática inteligente e proteger as populações vulneráveis, a fim de fortalecer sua capacidade de adaptação aos choques climáticos.

Em nível internacional, a Costa do Marfim está se posicionando como um ator ativo na diplomacia climática. O país está mobilizando recursos de mecanismos de financiamento internacional para apoiar a implementação de projetos estruturantes.

"A Costa do Marfim precisa de 16 bilhões de dólares em financiamento. Em 2024, foram mobilizados 5 bilhões de dólares", disse Mohamed Sanogo, destacando os esforços para mobilizar financiamento climático.

Esses investimentos visam fortalecer a resiliência do país e apoiar a transição para um desenvolvimento sustentável e de baixo carbono. ANG/Faapa

 

segunda-feira, 8 de junho de 2026


Inacep
/ Sindicato de Base anuncia greve para os dias 12, 15 e 16 de Junho

Bissau, 08 Jun 26 (ANG) – O Presidente de Sindicato de Base da Imprensa Nacional  (INACEP) anunciou a entrega ao patronato de um pré-aviso   para observação da greve nos dias 12, 15 e 16 de Junho do ano em curso, em protesto contra os sucessivos atrasos de pagamentos  salariais.

O anúncio foi feito, hoje, em conferência de imprensa realizada  por Infali Cassamá para denunciar as dificuldades que os trabalhadores da INACEP enfrentam.

Na ocasião, o líder sindical disse que a decisão foi tomada após um encontro com a direção-geral da instituição, que não resultou numa solução satisfatória para os problemas enfrentados pelos trabalhadores.

 Entre as principais reivindicações constam o pagamento de três meses de salários em atraso e cinco meses aos funcionários da limpeza.

O Presidente do Sindicato de Base da INACEP afirmou que a paralisação é uma medida extrema, mas justificada pelas dificuldades vividas pelos trabalhadores.

Explicou que alguns funcionários acumulam entre três e cinco meses de salários em atraso, situação que já provocou notificação de alguns por falta de pagamento de renda da casa.

Cassamá disse estar  preocupado  com alegadas intenções da direção-geral de contratar novos funcionários para serviços de limpeza, medida que diz rejeitar alegando que a direcção  deveria, primeiro, regularizar a situação dos atuais trabalhadores de limpeza.

O responsável sindical questionou igualmente a gestão das receitas provenientes das atividades da instituição e apelou à intervenção do Primeiro-ministro para evitar o agravamento da situação financeira da empresa.

O dirigente sindical revelou  que o sindicato tem vindo a manifestar preocupação com os atrasos salariais desde Fevereiro mas que não obteve reação positiva da direção.

Denunciou, por outro lado, que os representantes dos trabalhadores foram impedidos de realizar a conferência de imprensa nas instalações da INACEP.

Infali Cassamá criticou também  a decisão de redução dos salários dos funcionários, alegadamente sem qualquer justificação, incluindo membros da estrutura sindical.

O Presidente do Sindicato de  Base sublinhou, entretanto, que continua disponível para manter um diálogo responsável com a direção da Inacep, mas advertiu que avançará com a greve caso as reivindicações apresentadas não sejam atendidas.

A ANG contactou o Drector-geral da Inacep para uma reação mas este promete falar só depois de informar ao ministro da Comunicação Social sobre a real situação da instituição. ANG/LPG//SG

 

Desporto-Futebol/FC Canchungo bate Hafia de Bafatá por 4-1 assume liderança da “Liga-Orange”

Bissau, 08 Jun 26 (ANG) – O FC Canchungo da zona norte do país, recebeu e derrotou no passado fim-de-semana, em casa, a sua congénere de Hafia de Bafatá por 4-, no jogo referente a 22ª jornada.

Com mais esta  vitória somada na “Liga Orange”, os nortenhos de Canchungo, assumem a liderança da prova, com mais  um ponto sobre  o ex-líder Cupelum FC.

Os restantes encontros da mesma jornada produziram os seguintes resultados: Portos de Bissau-1/UDIB-0, CF Os Balantas de Mansoa-1/FC Cumura-1, Tigres de Fronteiras de São Domingos-0/FC Pelundo-0, CDR Gabu-1/Flamengo de Pefine-0, Arados de Nhacra-2/Sporting Clube da Guiné-Bissau-1, Cupelum FC-3/FC Cuntum-1, Sport Bissau e Benfica-2/Massaf FC de Cacine-1.

Eis a tabela classificativa apôs a 22ª jornada da “Liga Orange”, a maior da prova de futebol guineense.

1º-FC Canchungo-45 pts                     09-UDIB-28 pts

2º-Cupelum FC-44 pts                          10º-SC.Guiné-Bissau-25 pts

3º-CDR Gabu-40 pts                            11º-Arados de Nhacra-25 pts

4º-Portos de Bissau-38 pts                   12º-FC Pelundo-25 pts

5º-Hafia de Bafatá-33 pts                      13º-FC Cumura-22 pts

6º-SB.Benfica-32 pts                             14º-São Domingos-22 pts

7º-Massaf FC Cacine-32 pts                 15º-FC Cuntum-20 pts

8º-Os Balantas de M-28 pts                  16º-Flamengo de Pefine-20 pts

Para a 23ª jornada, estão previstos os seguintes encontros: FC.Cuntum/SB.Benfica, FC Pelundo/Cupelum FC, Flamengo de Pefine/São Domingos, UDIB/FC Cumura, Hafia FC Bafatá/CDR Gabu, Massaf FC Cacine/Arados FC Nhacra, FC Canchungo/CF. Os Balantas de Mansoa, Sporting Clube da Guiné-Bissau/Portos de Bissau.ANG/LLA/ÂC//SG