Ambiente/“Crianças são as que mais sofrem com as alterações climáticas”, diz ministro do Ambiente
Bissau 10 Jul. 26 (ANG) – O ministro do Ambiente e Ação Climática disse hoje que as crianças são as que mais sofrem com os efeitos negativos das alterações climáticas, por não terem a capacidade de reação que um adulto tem.
Carlos Pinto Pereira falava na abertura do ateliê de Consulta sobre o Mecanismo de Financiamento Climático para Crianças da África Ocidental (CF4C-WA).
Pinto Pereira acrescentou que os meninos mais sofrem porque as alterações climáticas atingem, de forma
imediata, escolas, centros de saúde, hospitais, diminuindo de uma forma
drástica, a capacidade de defesa das crianças.
“Por isso, as crianças devem
ter uma atenção especial quando vamos ordenar as prioridades nacionais
relativamente as açoes, quer de mitigação quer de adaptação deve-se ter um
cuidado especial para que os projectos que podem atingir de forma directa as crianças,
tenham uma atenção especial, sem contudo descuidar do resto”, disse.
Segundo ele, exercícios como
estes ateliês servem para isso, para que
se faça uma ordem de prioridades, uma vez que nem tudo pode ser feito ao mesmo
tempo.
O governante disse que não
interessa ter muitos projetos, mas ter sim,
projetos que possam ser facilmente
financiados e para isso há critérios que devem ser seleccionados.
Pereira disse que é uma
obrigação prever nos projectos, a
realização de obras concretas que vão ajudar a fazer face aos impactos negativos
das alterações climáticas, colocando nas prioridades além das ações de
formações, que tenha um corpo para sua implementação.
Por seu turno, o
Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância Inussa Kabouré
salientou que a crise climática é acima de tudo uma crise dos direitos das crianças.
Kabouré disse que na Guiné-Bissau,
as alterações climáticas já não constituem ameaça futura, são uma realidade que
afeta, diariamente, a saúde, educação , nutrição e bem-estar das crianças.
“As inundações, as secas,
subidas dos níveis do mar e as ondas do calor extremo ameaçam a vida e o futuro
de cerca de meio milhão de crianças na Guiné-Bissau, de acordo com a avaliação dos
riscos climáticos para as crianças 2024”,disse.
Kabouré defendeu ação urgente, e diz que que proteger as crianças dos impactos da crise
climática, não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas sim, um
investimento estratégico no capital humano, desenvolvimento sustentável e no futuro da
Guiné-Bissau.
Segundo ele, é por isso que se
realiza o ateliê para se reflectir sobre
a forma como os recursos e mecanismos de financiamento climáticos podem
responder melhor as necessidades das crianças, que são o segmento mais
vulnerável da população.
Inussa Kabouré disse que a sua organização vai continuar a apoiar a
Guiné-Bissau no seu processo de desenvolvimento como tem vindo a fazer a já 50
anos.
A iniciativa CF4C-WA é
promovida a nível internacional numa parceria entre o Banco Oeste Africano de
Desenvolvimento, (BOAD) e o Unicef, e visa apoiar os países da África Ocidental
na mobilização de financiamento climático sensível ás crianças, através da
identificação de prioridades nacionais ,zonas vulneráveis e oportunidades de
investimento que contribuam para reforçar a resiliência das crianças, famílias
e comunidades mais expostas aos impactos das alterações climáticas.
Durante todo o dia de hoje, os cerca de 30 participantes oriundos de diferentes áreas sociais vão apresentar à iniciativa da CF4C-WA os seus contributos técnicos e institucionais para a definição das prioridades nacionais e oportunidades de financiamento climático sensível ás crianças na Guiné-Bissau. ANG/MSC/ÂC//SG

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