Síria/ Síria é reintegrada a
organização que regula armas químicas
Bissau, 10 Jul 26 (ANG) - A Organização para a
Proibição de Armas Químicas (Opaq) anunciou quinta-feira (9) a reintegração da Síria,
destacando uma "mudança significativa nas circunstâncias" desde a
queda de Bashar al-Assad, em 2024, e "medidas concretas" tomadas para
desmantelar seu arsenal de substâncias proibidas.
A decisão surge em um contexto de
reaproximação diplomática da Síria com potências ocidentais. Um dia antes, os
Estados Unidos haviam anunciado que iriam retirar o país de sua lista de nações
acusadas de apoiar o terrorismo – uma designação de longa data que restringia
investimentos no território sírio.
Em
outro episódio recente, o presidente da França, Emmanuel Macron, reuniu-se em
Damasco com Ahmed al-Sharaa, chefe de Estado sírio, na primeira visita de um
líder ocidental ao país desde que a coalizão islâmica de al-Shara assumiu o
poder.
A passagem de Macron pela capital síria, no início da semana, foi marcada por um atentado a bomba próximo ao hotel onde ele estava hospedado. A visita faz parte do esforço da França para estreitar os laços diplomáticos e económicos com o país.
As sanções da Opaq contra a Síria estavam em vigor desde 2021, quando a organização, sediada em Haia, havia tomado a decisão sem precedentes de suspender os direitos de voto do país após constatar que sua força aérea havia utilizado sarin – um agente que ataca o sistema nervoso – e gás cloro contra sua própria população.
Desde a queda de Assad em 2024, as novas
autoridades em Damasco comprometeram-se a cooperar com a Opaq para destruir as
armas químicas que o ex-presidente foi repetidamente acusado de utilizar
durante a guerra civil de treze anos na Síria.
Essa decisão "marca um novo passo
importante nos esforços da Opaq para alcançar a eliminação completa e
verificada de todas as armas químicas remanescentes associadas ao antigo
governo sírio", disse o Diretor-Geral da organização, Fernando Arias.
O governo pós-Assad autorizou os
inspetores da Opaq a estabelecer uma presença permanente no país para
documentar locais suspeitos de abrigar armas químicas e entrevistar testemunhas
de ataques passados.
Na quarta-feira (8), os Estados Unidos anunciaram que removeriam a Síria de sua lista de países acusados de apoiar o terrorismo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, informou oficialmente o Congresso sobre essa decisão, que entrará em vigor em 45 dias, a menos que os legisladores decidam inesperadamente bloqueá-la.
"Suspender as sanções desbloqueará
o comércio e os investimentos internacionais, dará à Síria a chance de se
reconstruir e abrirá um novo capítulo para o povo sírio", defende Rubio.
Em seu comunicado, o secretário de
Estado explicou que a decisão foi tomada após receber "garantias
formais" de Ahmed al-Sharaa de que "a Síria não apoiará atos de
terrorismo internacional no futuro".
O
anúncio foi feito após uma reunião realizada à margem da cúpula da Otan na
Turquia entre Donald Trump e Ahmed al-Sharaa, que se tornou presidente da Síria
após a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Donald Trump havia começado a suspender
a maioria das sanções contra o país um ano antes, depois que a Turquia e a
Arábia Saudita o incentivaram a se reunir com Ahmed al-Sharaa.
A Síria constava na lista dos EUA de
países acusados de apoiar o terrorismo desde a criação do documento, em 1979.
Após essa decisão, apenas Irã, Coreia do Norte e Cuba permanecem. ANG/RFI/AFP

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