França/ Apreensão com o futuro impulsiona movimento anti-IA no mundo, incluindo cientistas e especialistas
Bissau, 27 Jul 26 (ANG) - Cidadãos e cientistas de diversas áreas – da tecnologia ao meio ambiente, passando pela economia e medicina – se mobilizam em um movimento anti-IA, menos de quatro anos depois de o uso da inteligência artificial se expandir pelo mundo.
Por temor em relação à perda do controle
sobre as máquinas ou ao impacto, talvez irreversível, sobre o emprego e as
relações humanas, os contestadores da ferramenta ganham terreno e alertam sobre
os seus riscos.
O tema é a reportagem de capa da revista
francesa Le Nouvel Obs desta semana. A edição relata a
realização de protestos, incluindo a greve de fome do ativista Michael Trazzi,
e até uma tentativa de atentado contra Sam Altman, CEO da gigante de
inteligência artificial OpenAI, na Califórnia.
“Nem todos os opositores da IA são tão
engajados como Trazzi, nem tão violentos como Daniel Moreno Gama - o texano que
lançou um coquetel molotov contra a casa de Altman -, mas as suas ações
simbolizam uma revolta surda contra a maré mundial da IA”, indica a revista.
Nunca antes uma tecnologia foi tão
massivamente adotada quanto esta, enfatiza Le Nouvel Obs, embora
50% dos franceses admitam não confiar na IA. Apenas 8% dos entrevistados
em uma pesquisa Ifop no país disseram que desejam que o desenvolvimento da
tecnologia seja acelerado.
O movimento
Pause IA, por exemplo, alega que a inteligência artificial gera “perigos
extremos para a humanidade a curto prazo”, na medida em que avança sem
regulamentação na maioria dos países do mundo. A organização
destaca que o desenvolvimento da IA está nas mãos de “meia dúzia de
tecno-oligarcas de escrúpulos duvidosos”, como Elon Musk e Mark
Zuckerberg.
A semanal ressalta ainda que esse movimento de contestação inclui “alguns dos melhores cientistas dessa área”, que conhecem como ninguém os riscos de perda de controle dos humanos sobre a inteligência artificial.
Também engloba nomes como a professora de
Harvard, Stefanie Stantcheva, que defende a reflexão “urgente”, pelos
países, sobre mecanismos de redistribuição de renda diante dos
impactos da IA no mercado de trabalho. Ou ainda simplesmente moradores do
interior que se recusam a ver as áreas rurais serem tomadas pela
construção de data centers, essenciais para a tecnologia.
Em entrevista à revista L’Express, o doutor em neurociências computacionais e “transumanista assumido” Anders Sandberg, sueco de 54 anos, exprime seus receios, embora seja um grande fã das tecnologias em geral. "Ainda não compreendemos os fundamentos da IA moderna, e é precisamente isso que deveria nos deixar apreensivos", afirmou ele à publicação.
Questionado sobre como a máquina o
descreveria, ele respondeu: "Como um homem que quer construir esferas de
Dyson, viver para sempre e colonizar a Via Láctea, mas que ao mesmo tempo
sustenta que não se pode confiar plenamente. ANG/RFI

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