França/De forma 'unânime', Uefa
formaliza ameaça de boicote à Copa, em protesto contra plano da Fifa
Bissau, 31 Jul 26 (ANG) - Após votação "unânime", as federações nacionais que compõem a Federação Europeia de Futebol (Uefa) formalizaram na quinta-feira (30) a ameaça de boicote à Copa do Mundo e a outras competições da Fifa, caso a entidade máxima do desporto prossiga com sua nova proposta de abertura de capital a investidores privados.
Na
terça-feira, 28 de julho, o presidente da Fifa, Gianni Infantino,anunciou sua
intensão de vender participações a investidores externos em uma
subsidiária responsável pela organização dos torneios da entidade. A medida
provocou forte reação negativa em todo o mundo.
"Após a discussão de hoje, nenhuma
seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto
essas propostas permanecerem na mesa", informa a confederação europeia. A próxima
grande competição organizada pela entidade máxima do futebol é a Copa do Mundo
Feminina, prevista para ocorrer no Brasil em 2027.
A reação da Uefa foi bem recebida pelo
Comissário Europeu para a Equidade no Esporte, Glenn Micallef, que expressou na
rede social X "apoio total" à posição que defende "a integridade
do futebol". A decisão foi tomada durante uma reunião virtual nesta
quinta-feira.
"Nenhuma parte dela deve jamais ser
vendida a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda", conclui
o comunicado da Uefa.
A confederação critica tanto o processo
– realizado "em segredo" – quanto a essência do projeto:
"Qualquer decisão relativa ao calendário internacional, aos formatos das
competições ou à reformulação do futuro do futebol deixaria de ser guiada pelos
interesses do esporte e passaria a ser guiada pelos interesses dos
acionistas".
O projeto foi revelado pelo jornal
britânico The Times na terça-feira (28) e foi esclarecido
horas depois pela Fifa. A entidade pretende criar uma nova filial que estaria
encarregada de administrar seus direitos comerciais e a organização de
torneios, incluindo a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
A empresa seria controlada maioritariamente
pela Fifa, mas uma "captação de recursos", para levantar até US$ 4,2
bilhões, seria organizada junto a investidores de longo prazo, que adquiririam
participações minoritárias.
"Todos os lucros líquidos serão
reinvestidos no futebol", afirmou a Fifa, prometendo aos seus membros
benefícios económicos por meio de um novo mecanismo de financiamento: o
Programa Fifa Fast Forward (FFFP).
Para concretizar este plano, que ainda
precisa ser aprovado pelo Conselho da entidade máxima do futebol, a instituição
explica que está trabalhando com o banco J.P. Morgan e o fundo de investimento
Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo The Times, Infantino,
que tem demonstrado regularmente sua proximidade com Trump, poderia se tornar
diretor-geral da nova filial, o que multiplicaria seus lucros pessoais. A
iniciativa se alinha à intenção do presidente da Fifa de liberar o potencial
comercial da instituição.
O diário ainda informa que Infantino
enviou uma carta às federações, dando‑lhes até 19 de setembro para apoiarem o
projeto, com a promessa de receberem, em troca, € 20 milhões em financiamentos
adicionais a partir de 1º de janeiro de 2027.
Esse prazo tão curto também se explica
pelo próximo processo eleitoral à presidência da entidade, previsto para março
de 2027. Gianni Infantino concorre à reeleição e, até o momento, é o único
candidato declarado. O impasse com a Uefa poderia reacender a hipótese de um
candidato apoiado pela instituição europeia para tentar impedir a continuidade
de Infantino.
ANG/RFI com agências

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