Colômbia/Após críticas, Governo abre operações de resgate apenas a aliados políticos
Bissau, 13 Ago 26 (ANG) - Após dias de críticas pela recusa em aceitar ajuda internacional, o governo de Abelardo De La Espriella anunciou, enfim, a abertura do país para equipes estrangeiras de resgate que atuarão nas áreas atingidas pelo terramoto.
A medida, porém, tem forte componente ideológico: apenas socorristas dos Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador, países governados por líderes de direita, poderão participar das operações. Segundo balanço divulgado na quarta-feira
(12), o número de mortos subiu para 265 vítimas.
O governo justificou a escolha afirmando
que apenas países com capacidade comprovada de mobilizar equipes de busca e
resgate reconhecidas oficialmente e com padrão internacional de atuação foram
autorizados a participar da operação.
A explicação foi dada por David Tamayo,
diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos.
Ao lado dele, na mesma coletiva de
imprensa, o chanceler Omar Bula, negou que o governo colombiano tenha feito
escolhas ideológicas. “Não excluímos absolutamente nenhum país. Em relação às
ofertas que nos foram feitas, trabalhamos com países sem qualquer consideração
ideológica ou política e aceitamos e agradecemos profundamente sua ajuda.”
Ainda nesta quarta-feira, o ministro das
Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o
chanceler colombiano.
“O governo brasileiro está tomando medidas
para o envio célere de ajuda humanitária para apoiar as ações de resposta do
governo colombiano”, diz uma publicação nas redes sociais do Itamaraty.
O Brasil deve enviar à Colômbia
purificadores de ar, medicamentos e alimentos, mas ainda não há data nem
quantidades definidas, segundo um diplomata do Itamaraty.
Questionado sobre a possibilidade de uma
missão de socorristas, como a enviada recentemente à Venezuela, ele afirmou que
a ajuda é definida conforme a demanda do governo colombiano, que não solicitou
equipes de busca e resgate.
Na terça (12), o presidente
salvadorenho, Nayib Bukele, havia dito que a Colômbia “solicitou ajuda
humanitária exclusivamente na forma de insumos” e que o país agora comandado
por De La Espriella “não requer apoio de pessoal”.
A limitada mudança de postura do governo
colombiano ocorre de forma tardia. A janela inicial de 72 horas é o período em
que há mais possibilidade de se encontrar um sobrevivente debaixo dos
escombros. Esse prazo se encerra na manhã desta quinta (13).
Há, em todo o país, 496 pessoas
desaparecidas, segundo o último balanço divulgado, na quarta-feira, pelopresidente
Abelardo de La Espriella .
Ainda de acordo com o governo federal, o terramoto
de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na manhã desta segunda-feira (10) já
deixou 265 mortos. A tendência, conforme os trabalhos de busca e resgate
continuem, é que os números ainda cresçam.
O Instituto Nacional de Medicina Legal identificou, até o momento, 205 corpos. Parte dos que ainda não foram reconhecidos estão localizados na cidade de Pereira, uma das mais atingidas pelos terramotos, que registava quase 90 vítimas no último balanço divulgado pela prefeitura da cidade.
Milhares de voluntários lideram as
operações de busca e resgate no município e trabalham diariamente na tentativa
de encontrar sobreviventes ou localizar os corpos das vítimas. Mas são poucos
os que buscam por algum parente ou amigo. A região central, a área mais afetada
da cidade, era frequentada, sobretudo, por prostitutas, moradores de rua e
dependentes químicos, que já não tinham mais contato com suas famílias.
No Instituto de Medicina Legal do
município, para onde os cadáveres encontrados são levados, há 22 corpos de
vítimas identificadas que ainda não foram reclamados por nenhum parente. As
autoridades locais não divulgaram o número de mortos não identificados.
Além de atualizar os números da
tragédia, Abelardo de La Espriella também anunciou que vai declarar um estado
de emergência no país para enfrentar a tragédia. “Decidi fazer uso da emergência
económica, mecanismo previsto em nossa Constituição para poder enfrentar esta
crise”, afirmou.
O chamado “Fundo Milagre” deverá concentrar recursos nacionais e internacionais destinados à reconstrução das áreas atingidas pelo terramoto. A proposta prevê financiar a recuperação de hospitais, escolas, imóveis, estradas e aeroportos danificados pelo sismo.
O pacote também prevê medidas para
aliviar os impactos económicos sobre a população, como subsídios para o aluguel
de famílias que perderam suas casas, pagamento temporário de serviços públicos,
benefícios tributários e auxílio a famílias vulneráveis. ANG/Faapa

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