Suíça/Rotas migratórias
em África estão a mudar, mas riscos permanecem elevados - OIM
Bissau,13 Ago 26 (ANG) - A Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontou hoje num relatório que as rotas migratórias em África estão a alterar-se, devido ao reforço dos controlos fronteiriços, mas que se mantêm elevados os riscos de morte, exploração e tráfico.
De
acordo com o relatório "Visão Global das Rotas Migratórias (janeiro a
abril de 2026)", na Rota Atlântica da África Ocidental, que liga as costas
africanas às ilhas Canárias - território espanhol - as
chegadas caíram 78% entre Janeiro e Abril, para 2.276, a maior diminuição
entre as rotas monitorizadas pela OIM para a Europa.
A
organização alertou, contudo, que a redução das chegadas não significa
necessariamente uma diminuição dos riscos enfrentados pelos migrantes, uma vez
que os pontos de partida se têm deslocado progressivamente para sul, para a Guiné-Conacri,
Guiné-Bissau e Gâmbia.
A
mudança, explicou, surge como resposta ao reforço dos controlos
fronteiriços em países como Marrocos, Mauritânia e Senegal.
Espanha
e a União Europeia têm reforçado parcerias com países de origem e trânsito da
África Ocidental, através de financiamento, apoio ao reforço de capacidades e
medidas de vigilância costeira e controlo migratório para ajudar a conter os
fluxos.
No
entanto, segundo a agência das Nações Unidas, essas medidas
contribuíram para deslocar as partidas marítimas para zonas costeiras mais
remotas, onde os migrantes ficam "mais expostos a traficantes, condições
precárias, desinformação, extorsão, interceção e acesso limitado a
assistência".
Entre
Janeiro e Abril, foram registados 1.364 retornos provenientes da Gâmbia,
Mauritânia e Senegal. No mesmo período, foram contabilizadas 155 mortes e
desaparecimentos na Rota Atlântica da África Ocidental, menos 48% do que no
período anterior, com o afogamento a continuar a ser a principal causa de
morte.
Os
traficantes recorrem frequentemente a embarcações sobrelotadas e sem condições
de navegabilidade, enquanto falhas nos equipamentos de navegação ou condições
adversas podem levar as embarcações para Cabo Verde ou para zonas mais
afastadas do Atlântico.
Sobre
a Rota Oriental do Corno de África, que liga sobretudo a Etiópia e a Somália à
Península Arábica, registaram-se 70.200 chegadas ao Iémen, um aumento de
9% em termos homólogos. A maioria das travessias teve origem no Djibuti. Uuma
proporção menor partiu da Somália.
A
rota, utilizada sobretudo por migrantes etíopes, permanece particularmente
perigosa devido ao conflito no Iémen, em curso desde 2014, alertou.
Durante
o período analisado, foram registadas cerca de 33.000 devoluções de migrantes
para a Etiópia organizadas pela Arábia Saudita, menos 9% do que no final de
2025.
A
OIM contabilizou ainda 105 mortes e desaparecimentos de migrantes nesta rota,
com o afogamento a ser novamente a principal causa de morte.
"Os
migrantes enfrentam riscos persistentes e generalizados nesta rota",
incluindo detenção, extorsão, violência física e exploração por redes de
tráfico de pessoas, alertou a OIM.
Por
fim, sobre a Rota da África Oriental e Austral, que parte sobretudo do sul
da Etiópia e da Somália e atravessa vários países - nomeadamente
Moçambique - até à África do Sul, os movimentos registados em direção ao
país diminuíram 39%, de 39.800 entre Janeiro e Abril de 2025 para 24.200 no
mesmo período deste ano.
A
diminuição foi particularmente expressiva entre os cidadãos do Zimbabué, com
menos 69%, e da Etiópia, com menos 62%. Já os movimentos provenientes de
Moçambique referidos pela OIM diminuíram 7%.
A organização associou parte
desta redução ao reforço do controlo migratório na África do Sul.
Os
retornos, por sua vez, aumentaram 27%. A maioria na África do Sul, responsável
por 72% dos casos, seguida de Moçambique, com 21%, e do Zimbabué, com 6%.
A
OIM apontou o desemprego, falta de acesso a terras e a procura de
trabalho como alguns dos fatores que impulsionam estes movimentos.
As
viagens nesta rota são marcadas por "transportes inseguros e
sobrelotados", exposição às condições meteorológicas, animais selvagens e
abusos associados à ação de traficantes.
ANG/Inforpress/Lusa

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