Ceuta/Espanha e Marrocos reforçam fronteira em Ceuta diante da ameaça de nova onda migratória em massa
Bissau, 14 Ago 26 (ANG) - Marrocos, Espanha e a Comissão Europeia continuam em alerta sobre a movimentação na fronteira de Ceuta, devido à ameaça de uma nova onda maciça de imigrantes.
informação surge no momento em que o governo espanhol estima que mais da metade dos 8 mil migrantes que permanecem na região podem ser elegíveis para asilo ou acolhimento.As autoridades alertam para a
disseminação nas redes sociais de publicações que afirmam que o posto entre
Ceuta e Fnideq, no lado marroquino, “estará aberto” neste sábado (15), quando a
Espanha celebra o feriado da Ascensão da Virgem Maria.
O
receio dos dois países é que se repita a onda migratória ocorrida no final de Julho,
quando cerca de 80 mil migrantes cruzaram a fronteira do Marrocos para a
Espanha em apenas alguns dias. Inicialmente, o número foi calculado em 72
mil, mas Madri elevou a estimativa nos últimos dias.
O caos gerado pela situação deixou 11 mortos no lado marroquino e cerca de 80 em território espanhol, segundo dados de Rabat e de Madrid.
O porta-voz do Ministério do Interior marroquino, Rachid El Khalfi, afirmou na quarta-feira (12) que tomou medidas necessárias para "impedir qualquer tentativa de travessia ilegal e interceptar qualquer pessoa que tente participar dela”.
Ele declarou ainda à agência
oficial MAP que um grupo de indivíduos é suspeito de estar envolvido na
divulgação de conteúdo que incita a organização de tentativas de travessia
coletiva e ilegal para Ceuta e Melilla.
A imprensa espanhola publicou imagens de
um destacamento de centenas de policiais de choque na fronteira de Benzú,
região de Ceuta.
O destacamento pode ser um exercício
militar em preparação para uma possível tentativa de travessia no sábado, mas
surpreende que ocorra em um ponto pouco frequentado por migrantes que tentam
cruzar a fronteira.
Cerca de 90% dos 80 mil migrantes que
chegaram a Ceuta entre os dias 30 e 31 de Julho já foram devolvidos ao
Marrocos, de acordo com o governo espanhol. Entre 7 mil e 9 mil ainda
permanecem na cidade.
Desse total, Madri estima que até 5 mil
migrantes podem ser elegíveis para asilo ou acolhimento, informou o
jornal El País nesta quinta-feira (13). Neste grupo, 2.500 são
menores de idade, incluindo 600 meninas.
A Espanha é obrigada a analisar esses
casos individualmente, embora o ministro das Relações Exteriores, José Manuel
Albares, tenha declarado na terça-feira (11) que "todos os que entraram de
forma irregular" seriam devolvidos. O Ministério do Interior anunciou que
"mais de 400 processos de proteção internacional" já foram abertos.
Em meio à crise migratória em Ceuta, um
dos pontos discutidos foi a responsabilidade das redes sociais como plataformas
de disseminação de boatos e informações falsas. Um dos rumores afirmava que “a
fronteira de Ceuta estava aberta”.
A União
Europeia(EU) chegou a pedir explicações à Meta, dona do Facebook e do
Instagram, e ao grupo chinês ByteDance, que controla o TikTok.
Na terça-feira (11), a UE orientou essas empresas a reforçarem a verificação das publicações e a removerem aquelas que incentivassem uma nova tentativa de travessia.
Balazs Ujvari, porta-voz da Comissão Europeia, informou que as plataformas “ativaram seus protocolos de crise e foi decidido que seria acionado um mecanismo especialmente para aumentar a coordenação e a cooperação”.
O representante de Bruxelas explicou que
esse mecanismo é aplicável em momentos de crise e permite que as plataformas
recebam “informações mais precisas por parte dos verificadores de fatos” sobre
possíveis “desinformações prejudiciais relacionadas, por exemplo, a uma
possível nova travessia em massa da fronteira”.
A ministra da Defesa da Espanha,
Margarita Robles, decidiu se distanciar da estratégia do governo espanhol de
não fazer nenhuma crítica à forma como o Marrocos tem lidado com a crise migratória.
“Qualquer agressão a Ceuta ou a Melilla é uma agressão à Espanha como um todo.
Ceuta e Melilla são intocáveis”, afirmou a ministra da Defesa em uma coletiva
de imprensa na quarta-feira.
Com tom de indignação, a ministra
declarou que o que aconteceu em 30 de julho “não pode se
repetir". Por fim, ela também afirmou que espera que recaia sobre as
máfias ligadas ao tráfico de pessoas “todo o peso da lei” pelo “drama
humanitário” provocado em Ceuta.
Do lado marroquino, o ministro da
Justiça, Abdellatif Ouahbu, repreendeu a Espanha por aceitar os migrantes,
argumentando que Rabat tenta impedir que eles saiam do Marrocos. Ele disse à
agência EFE que o governo marroquino pretende suspender a aplicação do acordo
de extradição com Madrid devido à “reciprocidade das autoridades espanholas”.
ANG/RFI

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