Literatura /Carlos Lopes diz que fragilidade institucional alimenta instabilidade política na Guiné-Bissau
Bissau, 25 set 26 (ANG) - O Investigador e economista, Carlos Lopes disse que a instabilidade política na Guiné-Bissau resulta de conflitos históricos não resolvidos desde a luta de libertação nacional e da fragilidade das instituições do Estado.
Disse que o país precisa de enfrentar
essa realidade para construir um projeto de desenvolvimento sustentável.
Lopes
falava na cerimónia de apresentação do livro: ”A Transição Histórica
da Guiné-Bissau: Conflitos e Instabilidade Política , da conceção do Estado,
comorbidades e configurações (1980-2025).
Durante a sua intervenção sobre a sua
obra , o autor explicou que a primeira parte do livro analisa o conflito entre
uma "racionalidade étnica" e uma "racionalidade estatal",
que, segundo defende, permaneceu sem solução durante o processo de
independência, numa altura em que o país vivia a construção da sua identidade
nacional.
Na sua análise, o golpe de Estado de
1980 representou a continuidade de tensões já presentes durante a luta de
libertação e diz que a política guineense
tem sido marcada pelo protagonismo de personalidades em detrimento de programas
e projetos políticos, agravado pela fraqueza das instituições herdadas do
período colonial.
Ao comparar a Guiné-Bissau com Cabo
Verde, Carlos Lopes sustentou que a consolidação institucional permitiu ao
arquipélago enfrentar crises sem comprometer a estabilidade do sistema
político.
O investigador alargou a reflexão ao
contexto africano, afirmando que a maioria dos países independentes do
continente enfrentou conflitos políticos e identificando quatro tendências
recentes: o desgaste da legitimidade eleitoral devido à ausência de resultados
concretos após as eleições, o impacto das redes sociais na polarização, a
simplificação excessiva do debate político e o recurso crescente aos tribunais
para afastar opositores da competição eleitoral.
Segundo Carlos Lopes, estas dinâmicas
têm contribuído para transformar as eleições em fatores de tensão política, em
vez de mecanismos de pacificação.
Carlos Lopes distinguiu os países africanos
entre "rentistas", centrados na apropriação de recursos públicos, e
"reformistas", empenhados na transformação económica.
Defendeu que as reformas exigem liderança
assente em três pilares: ambição estratégica alinhada com as tendências
tecnológica, climática e demográfica, definição clara de prioridades e
coordenação entre os diferentes atores económicos.
Na sua perspetiva, esses elementos
continuam ausentes na realidade da Guiné-Bissau, comprometendo a capacidade de
o país construir um caminho consistente de desenvolvimento.
Por seu lado e em declarações à
imprensa após apresentação do seu livro
intitulado” “Conflitos e Instabilidade Política na Guiné- Bissau, o escritor Tamilton
Teixeira diz que a instabilidade
política se deve à problemas não resolvidos desde a independência.
Defendeu que a instabilidade política
da Guiné- Bissau tem origem em problemas não resolvidos logo após a independência, e que
impediram a consolidação do projeto de Estado- nação e desviaram a atenção da
classe política das prioridades de desenvolvimento.
Teixeira afirmou que os conflitos pelo poder,
agravados após o assassinato de Amílcar Cabral, passaram a dominar a agenda
política, deixando para o segundo plano,
os objetivos que fundamentam a luta pela independência.
Segundo explicou, a disputa pelo
controlo dos recursos do Estado permaneceu como a principal causa das
sucessivas crises, embora tenha assumido diferentes formas ao longo do tempo,
com novos protagonistas e novos discursos.
Tamilton Teixeira defendeu que a
solução passa por recolocar no centro da ação política o projeto apresentado ao
povo durante a luta de libertação marcado por ideais de combate à fome, à
exploração e injustiça.
O autor apelou a uma leitura crítica
da obra, com base numa análise própria e pautada pela honestidade inteletual
sobre a realidade da Guiné-Bissau.
ANG/LPG//SG

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