Reino Unido/Saída de bancos europeus de África criou oportunidades para banca regional - Fitch
Bissau,
30 Set 26(ANG) - A agência de notação financeira Fitch Ratings considera que os
bancos africanos têm reagido bem à saída de vários bancos europeus do
continente nos últimos anos, criando "oportunidades significativas"
para estas instituições financeiras regionais.
"A
retirada dos bancos europeus de África ao longo da última década está a
acelerar a ascensão dos bancos pan-africanos e regionais, que estão a adquirir
antigas subsidiárias europeias e a expandir as suas operações
transfronteiriças", escreve a Fitch Ratings numa análise ao setor da banca
em África.
Esta
transição, lê-se no relatório enviado aos clientes, e a que a Lusa teve acesso,
"cria oportunidades de crescimento significativas, uma vez que os bancos
regionais tiram partido do seu profundo conhecimento da dinâmica dos setores locais
e dos ambientes empresariais, ao mesmo tempo que utilizam as suas redes
regionais para impulsionar a expansão e apoiar o crescimento" na região.
No
entanto, acrescentam, esta consolidação "também introduz novos riscos, uma
vez que as instituições sucessoras podem enfrentar uma maior exposição a
ambientes operacionais desafiantes e um acesso mais limitado ao financiamento
em moeda forte".
A
redução substancial da presença dos bancos europeus em África marcou uma
mudança estrutural no panorama financeiro do continente, na sequência da
introdução de regulamentações mais rigorosas sobre o capital, custos de
'compliance' mais elevados e redução do lucro na região, escreve a Fitch
Ratings.
Esta
retirada, realça agência de notação financeira, é particularmente relevante no
caso dos grandes grupos bancários francesas, como o Crédit Agricole, Société
Générale e BNP Paribas.
O
corte do 'cordão umbilical' com os acionistas europeus levou a algumas descidas
do 'rating' destas entidades devido à falta de apoio financeiro da casa-mãe,
mas a Fitch considera que, ainda assim, "os perfis de crédito autónomos
destas subsidiárias têm-se mantido, em geral, resilientes, apoiados por padrões
de governação e práticas de gestão de risco mantidos".
A
Fitch espera que a presença europeia em África se desloque cada vez mais para
modelos baseados em parcerias, incluindo cooperação em matéria de financiamento
comercial e acordos de partilha de risco, permitindo uma presença contínua nos
mercados africanos, mas reduzindo os encargos de capital e com as regras de
'compliance', ou seja, conformidade com a regulamentação do país de origem do
detentor do capital.
"A
regionalização em curso do setor bancário africano deverá reformular a
concorrência, aprofundar a inclusão financeira e acelerar o crescimento do
crédito em todo o continente", concluem os analistas da Fitch. ANG/Inforpress/Lusa

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