Portugal/UE, Canadá e Brasil unem forças pelo multilateralismo na véspera da AG da ONU
Bissau, 22 Set 26(ANG) – A União Europeia (UE), o Canadá, o Brasil, a Índia e outros países prometeram defender o multilateralismo face a ameaças como a polarização, a propagação de conflitos, o protecionismo e as violações do direito internacional.
A
Declaração dos Parceiros para o Multilateralismo, impulsionada também pela
Austrália, pelo Quénia e pelos Barbados, no âmbito da Assembleia Geral da ONU
que decorre esta semana, procura reunir o apoio de outros parceiros
internacionais.
O
documento, divulgado na segunda-feira, aponta para as rápidas mudanças na ordem
mundial e para os desafios que se colocam à paz e à segurança internacionais,
que põem em risco a cooperação global.
Os
signatários alertam também que a interdependência económica é cada vez mais
utilizada “como fonte de influência”, o que perturba o comércio, as cadeias de
abastecimento e o financiamento do desenvolvimento.
A
declaração sublinha ainda que os desafios globais — como as alterações
climáticas, a perda de biodiversidade e o rápido desenvolvimento de tecnologias
emergentes, em particular a inteligência artificial — “exigem uma cooperação
mais sólida e uma provisão mais eficaz de bens públicos globais”.
Por
isso, os signatários comprometem-se a “trabalhar em conjunto em prol da paz, da
estabilidade, do desenvolvimento inclusivo e sustentável, da prosperidade
partilhada, da dignidade humana e dos direitos para todos”.
Os
países subscrevem o sistema multilateral fundado na Carta das Nações Unidas e
realçam a necessidade de “manter e fazer cumprir as normas, os princípios e os
compromissos que continuam a ser essenciais para a ordem internacional”.
A
declaração reafirma o compromisso com o direito internacional e com a
implementação de marcos internacionais, como o Acordo de Paris sobre as alterações
climáticas e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Além
disso, os signatários reconhecem os desafios impostos pelo aumento das
desigualdades — que, segundo afirmam, devem ser “enfrentados através de
esforços conjuntos” — e comprometem-se a reforçar uma cooperação multilateral
que seja “aberta, justa, equitativa, inclusiva, interligada e prática”.
Neste
sentido, os países concordam também em trabalhar em conjunto “para reformar e
fortalecer as instituições multilaterais”, de forma a que estejam melhor
preparadas para prevenir conflitos, responder a crises ou promover o comércio
justo, entre outros objetivos.
Os
signatários apoiam também uma cooperação económica “justa, aberta, resiliente,
previsível e inclusiva”, com cadeias de abastecimento globais “mais
diversificadas e resilientes” e uma coordenação mais sólida em finanças
internacionais ou em inteligência artificial.
Por
fim, a declaração sublinha que, “num momento de transformação global e de
crescente pressão sobre a ordem internacional”, os signatários escolhem como
base dos esforços coletivos “a cooperação, o respeito pelo direito
internacional, o multilateralismo e a responsabilidade partilhada”.
ANG/Inforpress/Lusa

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