quinta-feira, 21 de maio de 2026

França/ONU alerta para crise alimentar global já nos próximos seis meses devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz

 

Bissau, 21 Mai 26(ANG) - A Organização das Nações Unidas alertou quarta-feira que o mundo poderá enfrentar uma grave crise alimentar global dentro de seis a 12 meses caso se prolonguem as perturbações causadas pelo encerramento do Estreito de Ormuz. 

 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o impacto do bloqueio já começou a refletir-se nos mercados internacionais e poderá evoluir rapidamente para uma escalada dos preços dos alimentos à escala mundial.

 

A agência que integra as Nações Unidas considera que o encerramento do corredor marítimo estratégico não representa apenas uma interrupção temporária do comércio internacional, mas sim o início de um “choque sistémico” com potencial para afetar cadeias globais de abastecimento alimentar. 

 

O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, apelou aos governos para começarem imediatamente a reforçar a capacidade de resistência dos países mais vulneráveis.

 

Num podcast divulgado esta quarta-feira, o responsável defendeu que é necessário “pensar seriamente em como aumentar a capacidade de absorção dos países” e reforçar a sua resiliência perante este bloqueio, de forma a minimizar os impactos futuros.

 

De acordo com a FAO, as decisões que sejam tomadas agora por governos e agricultores relativamente à utilização de fertilizantes, importações, financiamento agrícola e escolha de culturas serão determinantes para evitar uma escalada dos preços alimentares ainda este ano ou no início de 2027. 

 

A organização descreve um efeito em cadeia que começa na energia, avança para os fertilizantes, sementes e produção agrícola, culminando numa redução das colheitas, aumento dos preços das matérias-primas e inflação alimentar para os consumidores.

 

O impacto do bloqueio no estreito de Ormuz depressa se começou a sentir nos mercados internacionais. 

 

O índice global de preços alimentares da FAO, que acompanha as variações mensais das principais commodities alimentares, aumentou em abril pelo terceiro mês consecutivo. 

 

A organização atribui essa subida aos custos energéticos elevados e às perturbações relacionadas com o conflito no Médio Oriente. 

Os países mais pobres da Ásia, África e América Latina surgem como os mais expostos ao risco, sobretudo porque dependem tradicionalmente de fertilizantes azotados provenientes do Médio Oriente para sustentar a produção agrícola.

 

O alerta da FAO surge um dia depois de a Comissão Europeia ter apresentado o seu aguardado plano de ação para os fertilizantes. 

A estratégia europeia aposta sobretudo em medidas de longo prazo, incluindo a reciclagem de estrume e resíduos agrícolas, mas deixa de fora mecanismos considerados mais imediatos para aliviar os custos dos agricultores europeus. 

 

Entre as medidas não contempladas estão a suspensão de tarifas sobre fertilizantes russos e bielorrussos ou uma pausa na aplicação da taxa carbónica fronteiriça da União Europeia.

A agência da ONU defende agora uma resposta internacional coordenada para limitar os efeitos do bloqueio do Estreito de Ormuz. 

 

Entre as medidas sugeridas estão a criação de rotas comerciais alternativas para contornar a zona afetada, a não imposição de restrições às exportações agrícolas e a proteção dos fluxos humanitários de alimentos contra eventuais barreiras comerciais. 

A organização teme que, sem ação rápida, o atual conflito no Médio Oriente possa transformar-se numa crise alimentar global com consequências especialmente graves para países já afetados pela insegurança alimentar e pela inflação. ANG/Inforpress/Agências

 

EUA/Dissidência cubana em Miami celebra indiciamento de Raúl Castro nos EUA


Bissau, 21 Mai 26 (ANG) -
O ex-presidente cubano Raúl Castro foi indiciado por um tribunal em Miami,  quarta-feira (20), por um caso de 30 anos atrás. A decisão, criticada pela China, foi celebrada por dissidentes cubanos que vivem na Flórida.

Em 1996, dois aviões comerciais foram abatidos sobre o Estreito da Flórida, matando quatro pessoas, todas opositoras do presidente cubano da época, Fidel Castro. Havana alegou que as aeronaves violaram seu espaço aéreo.

O irmão de Fidel, Raúl Castro, era ministro da Defesa de Cuba na época e é suspeito de ter orquestrado a operação.

Trinta anos depois,este indiciamento pode servir de pretexto para aumentar ainda mais a pressão de Washington sobre o regime da ilha. “Isso se encaixa em um padrão da estratégia dos EUA, semelhante ao que foi feito durante o sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela, para encontrar acusações que possam potencialmente justificar uma intervenção, seja militar ou, pelo menos, que justifiquem o fortalecimento das sanções contra a ilha.

Isso também prepara o terreno para justificativas desse tipo”, explicou à RFI Laurine Chapon, pesquisadora da Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris.

A possibilidade de uma intervenção militar americana em Cuba está se tornando cada vez maior. Aeronaves dos EUA aumentaram suas operações de inteligência sobre o território cubano.

De acordo com informações do site Axios neste fim de semana, autoridades americanas estão preocupadas com a compra de 300 drones militares por Cuba. Havana não confirmou, mas os Estados Unidos veem a movimentação como uma ameaça – que pode ser outro possível pretexto para uma intervenção.

A Casa Branca está intensificando sua pressão e exigindo uma mudança de regime na ilha. Grupos anticastristas instalados nos Estados Unidos concordam: a acusação formal contra Raúl Castro foi recebida com alegria por políticos republicanos da Flórida e seus eleitores, muitos deles de origem cubana. Miami é um histórico refúgio de dissidentes cubanos.

Antes de ser eleito para o Congresso dos EUA pela Flórida, Carlos Giménez era bombeiro e, antes disso, havia chegado aos Estados Unidos vindo de Cuba, aos 6 anos de idade. Ele nasceu em uma família anticastrista.

"Esperávamos por isso há mais de 30 anos. Sim, a justiça foi feita muito tarde, mas foi feita, e é um sinal muito claro, dirigido não apenas ao regime, cujos dias estão contados, mas também ao povo cubano, cujos dias de sofrimento também estão contados", afirmou ele, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira em Washington.

Sua colega, María Elvira Salazar, também republicana e filha de pais cubanos, falou de um momento histórico. Diante das câmeras, ela alertou Raúl Castro, hoje com 94 anos: “Cuidado para não acabar na prisão nos Estados Unidos como Nicolás Maduro”.

“O presidente Trump deu a Maduro a oportunidade de sair com sua esposa e família com os milhões que ele roubou dos venezuelanos. Mas Maduro achou que era mais esperto que o presidente Trump. Então, estou falando com Raúl, seus primos, seus sobrinhos, seus filhos e seus netos: observem bem o que aconteceu com Maduro”, salientou Salazar. “É hora de vocês irem embora, porque há um novo xerife na cidade, e o nome dele é Donald Trump”, advertiu a mulher, que disse ainda acreditar que “Trump é o único presidente capaz de fazer de Cuba um país amigo dos Estados Unidos, assim que se livrar da família Castro”.

Já a China, aliada do regime de Havana, condenou nesta quinta-feira o que considerou um "abuso de meios legais" por Washington. "A China sempre se opôs firmemente a sanções unilaterais ilegais que não têm fundamento no direito internacional”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

"Os Estados Unidos devem parar de usar as sanções e a força da lei contra Cuba, e parar de ameaçar constantemente usar a força", enfatizou ele durante uma coletiva de imprensa regular. "A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacional. Nós nos opomos a qualquer interferência estrangeira", disse Guo Jiakun.

Além do embargo dos EUA em vigor desde 1962, Washington impôs um bloqueio total de petróleo à ilha caribenha desde janeiro.

Em Cuba, o indiciamento de Castro também gerou indignação. "Não se trata apenas de uma simples alegação, mas de uma acusação real que remonta a mais de 30 anos", disse Fabian Fernandez, um contador de 30 anos de Havana, à AFPTV. "É mais um ataque público contra uma figura pública."

"O que o governo americano está fazendo aqui, sem falar do bloqueio energético que nos impede de receber combustível, é criminoso. É injusto", denunciou Pedro Leal, um aposentado de 65 anos.

Segundo o jornal oficial Granma, organizações estão convocando um protesto na manhã de sexta-feira "para condenar o ato desprezível e infame" do governo americano. "Nem ameaças, nem o bloqueio, nem o cerco energético, nem falsas acusações serão capazes de quebrar a vontade de todo um povo em defesa de sua Revolução", afirmam. ANG/RFI/AFP

 

Rússia/Moscovo quer colocar a economia no centro de sua parceria com a África

Bissau, 21 Mai 26 (ANG) – A Rússia pretende colocar a cooperação económica no centro de suas relações com os países africanos na terceira Cúpula Rússia-África, agendada para os dias 28 e 29 de Outubro em Moscou, de acordo com as conclusões de uma reunião do comitê organizador realizada recentemente na capital russa.

Os participantes desta reunião examinaram os principais pontos da agenda da cúpula, bem como os preparativos para o Fórum Económico e Humanitário Rússia-África, que será realizado paralelamente ao evento.

Nessa ocasião, o assessor do presidente russo e presidente do comitê organizador, Yuri Ushakov, destacou que a cooperação entre a Rússia e os países africanos continua a progredir apesar do complexo contexto internacional, observando que as cúpulas organizadas em 2019 e 2023 confirmaram o interesse mútuo das duas partes e contribuíram para o fortalecimento das relações russo-africanas.

"As cúpulas de 2019 e 2023 deram novo impulso à interação entre a Rússia e a África. Agora, devemos empreender um trabalho sério e aprofundado para preparar a terceira cúpula, com foco especial na dimensão económica", afirmou.

Como parte dos preparativos, autoridades russas e africanas continuam seus esforços para fortalecer o arcabouço institucional de cooperação, estabelecer novos mecanismos de colaboração e elaborar acordos para a criação de comissões intergovernamentais.

As discussões se concentram particularmente em comércio, investimento, logística, energia, segurança alimentar, alta tecnologia e cooperação humanitária.

Os membros do comité organizador enfatizaram a necessidade de desenvolver uma agenda económica focada em resultados concretos. Segundo eles, diversos países africanos estão demonstrando crescente interesse na localização industrial, no desenvolvimento de infraestrutura e serviços digitais, na capacitação profissional e na expansão da cooperação nos setores industrial, farmacêutico e de inteligência artificial.

O Fórum Económico e Humanitário Rússia-África deve servir como plataforma para o desenvolvimento de iniciativas que fortaleçam os intercâmbios nas áreas de economia, comércio, investimento, cultura, educação e tecnologia.

O assessor do presidente russo e secretário executivo do comité organizador, Anton Kobyakov, indicou que o objetivo da cúpula era alcançar a assinatura de acordos nas áreas económica, comercial, cultural e educacional.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Georgy Borisenko, afirmou que os parceiros africanos estão demonstrando um interesse particular no desenvolvimento do comércio e do investimento, especificando que a agenda da cúpula se concentraria principalmente em questões económicas.

As principais diretrizes para a próxima etapa das relações Rússia-África devem ser definidas em um novo plano de ação do Fórum de Parceria Rússia-África, que abrangerá o período de 2027 a 2029.ANG/Faapa

quarta-feira, 20 de maio de 2026

CAN 2027/Guiné-Bissau defronta Nigéria, Madagáscar e Tanzânia na fase de qualificação

Bissau, 20 Mai 26(ANG) – A seleção nacional de futebol, os “Djurtus” e as “Super Águias” da Nigéria voltam a cruzar-se, desta vez na fase de qualificação para a próxima edição da Taça das Nações Africanas CAN 2027.

A Confederação Africana de Futebol realizou , terça-feira, o sorteio da fase de qualificação para o CAN 2027, com a seleção nacional de futebol da Guiné-Bissau a ficar no mesmo grupo que a Nigéria, Tanzânia e Madagáscar.

O resultado do sorteio voltou a colocar os “Djurtus” e as “Super Águias” no mesmo caminho, numa campanha em que a Guiné-Bissau procura garantir a sua quinta participação na maior competição continental entre as seleções africanas.

A Tanzânia, um dos países anfitriões desta edição do campeonato, e a Madagáscar serão igualmente adversários da formação orientada por Emiliano Té nesta fase de apuramento.

Os jogos da eliminatória serão disputados durante as pausas internacionais da FIFA, entre Setembro de 2026 e Março de 2027.

A fase final do CAN 2027 será organizada conjuntamente por Quénia, Tanzânia e Uganda. ANG/Fut245

Diplomacia/ Guiné-Bissau reafirma apoio à soberania de Marrocos sobre  Saara

Bissau, 20 Mai 26 (ANG) - Esta posição foi expressa pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades ,, João Bernardo Vieira, reafirmou terça-feira a posição das autoridades guineenses de apoio à soberana de Marrocos sobre o Saara.

A reafirmação foi expressa pelo chefe de diplomacia guineense em declarações   à imprensa na sequência de uma reunião em Rabat com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Africana e dos Marroquinos Residentes no Estrangeiro de Marrocos, Nasser Bourita.

Na ocasião, João Bernardo Vieira reiterou o apoio inabalável do seu país à integridade territorial e à soberania do Reino de Marrocos sobre todo o seu território, incluindo a região do Saara, reafirmando o apoio da Guiné-Bissau à Iniciativa de Autonomia Marroquina, considerando-a a única solução credível e realista para esta disputa regional.

O ministro das Relações Exteriores da Guiné-Bissau também saudou a adoção histórica, em 31 de outubro de 2025, da Resolução 2797 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que consagra, no âmbito da soberania marroquina, o plano de autonomia proposto por Marrocos como a única base séria, credível e duradoura para alcançar uma solução política para a disputa artificial sobre o Saara.

A Guiné-Bissau e o Reino de Marrocos mantêm uma relação de cooperação de longa data  e que abrange  vários domínios. ANG/Faapa


Política/Conselho de Ministros aprova diplomas sobre Concorrência, Estratégia para Desenvolvimento do Caju e Política de Competências Digitais

Bissau, 20 Mai 26 (ANG) - O Conselho de Ministros aprovou , terça-feira com alterações, pacotes de leis sobre a Concorrência Nacional, Estratégia Nacional Para Desenvolvimento do Sector de Caju e Política Nacional de Competências Digitais.

Segundo o comunicado sobre esta reunião semanal do colectivo ministerial, as três leis são fundamentais para o reforço da economia nacional e da competitividade .

 “A Proposta de Lei da Concorrência Nacional prevê a criação de  um quadro concorrencial moderno, seguro e regulado, que permitirá  aos operadores económicos nacionais actuarem num ambiente de maior transparência e competitividade. O  Decreto relativo à Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Sector do Caju permitirá incentivar a transformação local da castanha e criar uma Fábrica-Escola, visando fortalecer a cadeia produtiva do principal produto de exportação da Guiné-Bissau”, refere o documento.

De acordo com o Comunicado de Conselho de Ministros, o Projeto de Decreto sobre a Política Nacional de Competências Digitais tem como finalidade capacitar os cidadãos guineenses em matéria de competências digitais, preparando o país para os desafios da economia digital, da modernização administrativa e da inclusão tecnológica.

No capítulo das nomeações, o Conselho de Ministros deu anuência ao movimento do pessoal dirigente da Administração Pública,  por Despacho do Primeiro-ministro e nesse quadro  Paulo Alberto da Silva é nomeado Director-geral do Turismo.

ANG/AALS//SG

         Togo/Governo introduz isenção de visto para cidadãos africanos

Bissau, 20 Mai 26 (ANG)  – O Togo estabeleceu oficialmente, a partir de segunda-feira, (18) a isenção de visto de entrada em todo o território nacional para todos os cidadãos de Estados africanos que possuam passaporte nacional válido.

Em comunicado datado de 18 de Maio, o Ministro da Segurança, Coronel Calixte Batossie Madjoulba, observou que esta decisão de grande alcance, tomada pelo Presidente do Conselho, Faure Gnassingbé, marca uma virada decisiva nas orientações diplomáticas e migratórias da República Togolesa.

Segundo o comunicado, esta medida reflete o compromisso contínuo das autoridades togolesas em promover ativamente a integração africana. Ela visa, de forma pragmática, fortalecer a livre circulação de pessoas e mercadorias, fomentando, ao mesmo tempo, uma cooperação crescente e harmoniosa entre os diversos Estados e povos do continente.

Esta reforma está totalmente alinhada com a dinâmica geral de abertura, modernização e atratividade iniciada nos mais altos níveis do governo. A ambição declarada é tornar o Togo um centro regional líder nas áreas de serviços, negócios, cultura e intercâmbios interpessoais, estrategicamente ancorado no coração da África.

Por meio deste ato, o Presidente do Conselho reafirma solenemente seu compromisso inabalável com os ideais pan-africanos, a solidariedade continental e os compromissos comunitários e africanos relacionados à mobilidade humana.

O Ministério da Segurança deseja esclarecer, no entanto, que esta isenção de visto permanece sujeita a rigorosas disposições regulamentares, incluindo a duração da estadia (a isenção é concedida por um máximo de trinta (30) dias consecutivos); formalidades prévias (a obrigação de registo na plataforma governamental dedicada permanece em vigor).

Os viajantes em causa devem fazer a sua declaração de viagem no sítio web https://voyage.gouv.tg  pelo menos vinte e quatro (24) horas antes da sua chegada, para obter um comprovativo de viagem a apresentar nos postos fronteiriços.

Este documento constitui uma formalidade administrativa e de segurança prévia essencial) e controlo (Esta facilitação não isenta de forma alguma os viajantes do cumprimento rigoroso dos requisitos de segurança, imigração e saúde pública aplicáveis ​​à entrada no território nacional).

O Coronel Calixte Batossie Madjoulba enfatizou formalmente que esta medida de isenção não impede, de forma alguma, a aplicação das disposições legais e regulamentares relativas à entrada irregular, à residência ilegal, bem como ao policiamento administrativo e às medidas de segurança nacional. O Togo mantém, assim, o seu sistema de vigilância em vigor para preservar a ordem pública.

As administrações e todos os serviços fronteiriços relevantes já receberam instruções firmes para tomarem todas as medidas necessárias para garantir a implementação efetiva e imediata desta disposição em todos os pontos de entrada terrestres, aéreos e marítimos do país.

O Ministro da Segurança apelou a todas as partes interessadas para que apoiassem esta reforma histórica, que descreveu como "importante", contribuindo significativamente para a posição internacional do Togo e reforçando a sua liderança na integração e cooperação em África. ANG/Faapa

    

 

Nigéria/Cento e setenta e cinco terroristas mortos em ataques aéreos conjuntos com EU

Bissau, 20 Mai 26 (ANG) – Um total de 175 membros da organização terrorista “Estado Islâmico” (EI) foram mortos após diversos ataques aéreos conjuntos realizados nos últimos dias pela Nigéria e pelos Estados Unidos no nordeste do país da África Ocidental, de acordo com o exército nigeriano.

Essas operações, conduzidas em coordenação com o Comando dos EUA para a África (Africom) contra membros do Estado Islâmico no nordeste da Nigéria, "alcançaram um grande sucesso, com a eliminação de 175 terroristas no campo de batalha", disse um porta-voz do exército em um comunicado na terça-feira.

Os ataques conjuntos também resultaram na destruição de postos de controle do Estado Islâmico, depósitos de armas, centros de logística, equipamentos militares e redes financeiras usadas para apoiar operações terroristas, afirmou ele.

Os Estados Unidos e a Nigéria anunciaram no sábado a eliminação do número dois da organização terrorista Estado Islâmico, Abu-Bilal Al-Minuki, durante uma operação conjunta realizada na bacia do Lago Chade, uma região assolada pela violência jihadista.

Essas operações fazem parte da cooperação em segurança entre Washington e Abuja, que também inclui o envio de aproximadamente 200 soldados americanos para a Nigéria para apoiar e treinar suas forças armadas. ANG/Faapa

 

Suíça/Diretor-geral da OMS alerta para propagação da epidemia de Ébola e justifica emergência

Bissau, 20 Mai 26(ANG) - O diretor-geral da OMS justificou terça-feira que declarou como emergência de saúde pública de importância internacional a atual epidemia de Ébola na África Central, antes de convocar o comité de emergência, pela escala e velocidade de propagação da doença.

 

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), falava perante o comité de emergência e, no seu discurso, justificou que tomou a medida de declaração de emergência, no domingo, "em conformidade com o Artigo 12.º do Regulamento Sanitário Internacional, após consultar os ministros da Saúde" da República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda.

 

Após as conversações, concluíram que "a escala e a velocidade da epidemia exigiam uma ação urgente", acrescentou Ghebreyesus.

 

De acordo com diretor-geral da OMS, até ao momento, foram confirmados 30 casos na RDCongo - nação vizinha de Angola - na província de Ituri, no nordeste do país, que enfrenta também um conflito com vários grupos rebeldes, nomeadamente o Movimento 23 de Março (M23).

 

O Uganda também informou a OMS de dois casos confirmados na capital, Kampala, incluindo uma morte, entre dois indivíduos que viajaram a partir da RDCongo, sua nação vizinha.

 

"Existem vários fatores que justificam uma séria preocupação quanto ao potencial de maior propagação e de mais mortes", alertou, enumerando esses fatores.

 

Primeiro, além dos casos confirmados, existem mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes.

 

Segundo, foram registados casos em áreas urbanas, incluindo Kampala, a cidade de Goma na RDCongo e Bunia, que é uma grande cidade, prosseguiu.

 

Terceiro, foram registadas mortes entre profissionais de saúde, o que indica uma transmissão associada aos cuidados de saúde, alertou.

 

Quarto, existe um movimento populacional significativo na área, nomeadamente na província de Ituri, que é altamente insegura, explicou.

 

Por fim, disse ainda que esta epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma espécie de vírus Ébola para a qual não existem vacinas nem tratamentos terapêuticos.

 

A OMS tem uma equipa no terreno a apoiar as autoridades nacionais na resposta e mobilizou pessoal, mantimentos, equipamentos e fundos, anunciou.

 

Para sustentar tais ações, Ghebreyesus aprovou um valor adicional de 3,4 milhões de dólares (de cerca de 3,13 milhões de euros) do Fundo de Contingência para Emergências (CFE), elevando o total para 3,9 milhões de dólares (cerca de 3,36 milhões de euros).

 

O Fundo de Contingência para Emergências da OMS é um mecanismo financeiro de resposta rápida, e está desenhado para libertar uma primeira tranche de até 500.000 dólares em 24 horas ou menos, de forma a que as equipas da organização, possam atuar como primeiros intervenientes imediatos.

 

 

O CFE disponibiliza capital imediato enquanto mecanismos mais lentos ou de maior dimensão --- como o Fundo Central das Nações Unidas para a Resposta a Emergências (CERF) --- são mobilizados.

 

Face à propagação da doença, hoje o prémio Nobel da Paz Denis Mukwege apelou ao movimento rebelde M23 que reabra o aeroporto de Goma, um polo humanitário no leste da RDCongo, a fim de facilitar a resposta à epidemia de Ébola.

 

A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas. ANG/Inforpress/Lusa

 

Médio Oriente/Violência sexual e tortura marcam guerra entre Israel e Hamas, apontam relatórios

Bissau, 20 Mai 26 (ANG) -  A ONU acusa Israel de torturar e violentar sexualmente prisioneiros palestinos detidos no país após os ataques do Hamas em 7 de Outubro de 2023.

Já uma comissão civil de investigação israelense acusa o Hamas de ter praticado crimes e torturas sexuais durante os ataques contra as comunidades do sul de Israel.

Alice Jill Edwards, Relatora Especial da ONU sobre tortura, divulgou um relatório em que responsabiliza as autoridades israelenses por 52 episódios de tortura ou maus-tratos contra prisioneiros palestinos. Ela também relatou outros 33 casos de tortura sexual e maus-tratos de cunho sexual, com pessoas tendo relatado múltiplas formas de abuso. 

A investigação orientou Israel a “rever e reformular suas leis, políticas e práticas de detenção” a partir de uma comunicação que “reúne um conjunto substancial de alegações de tortura, violência sexual e outros abusos graves” nas prisões israelenses. 

“Na minha opinião, o número e a crueldade das alegações compiladas demonstram um grave desrespeito por parte de Israel ao seu dever de tratar todos os detidos com humanidade e sem discriminação, o que encorajou, tolerou e acatou a tortura e os maus-tratos, por vezes com apoio em níveis ministeriais e funcionais”, declarou a especialista por meio de comunicado emitido pela ONU. 

As alegações de tortura sexual incluem um caso de estupro anal e vaginal repetido e dois casos de estupro com objeto. Onze détentes do sexo masculino relataram espancamentos, agarrões, choques eléctricos e ataques de cães aos seus órgãos genitais. 

 

Procurado pela RFI, o governo de Israel respondeu que “após as atrocidades de 7 de Outubro, há uma campanha maliciosa para absolver o Hamas do uso sistemático e premeditado de violência sexual, promovendo uma narrativa inversa na qual Israel é o autor de tais crimes. Israel repudia categoricamente essa campanha e tais acusações”. 

Sobre as acusações, Israel afirma que “qualquer denúncia apresentada às autoridades competentes será investigada com a máxima seriedade”. 

O ponto de partida para a investigação e para a coleta dos relatos dos prisioneiros foi o registo, segundo a relatora da ONU, de pelo menos 94 mortes sob custódia israelense desde Outubro de 2023. 

Exames nos corpos em vários dos casos mostraram múltiplas fraturas de costelas, hemorragias na pele e em órgãos internos, além de lacerações em órgãos abdominais internos. 

Essas denúncias da relatora da ONU são resultado de uma investigação realizada após os ataques do Hamas a Israel, em 7 de Outubro de 2023, que marcam o início do atual ciclo de violência que ainda prossegue. 

Um amplo relatório pela Comissão Civil que investiga os ataques de 7 de Outubro de 2023 realizados pelo Hamas mostra que os extremistas palestinos não “apenas” assassinaram mulheres israelenses, mas as profanaram de forma “deliberada e sistemática”.

O relatório intitulado “Silenciados Nunca Mais” reúne evidências apontando que as mulheres foram brutalizadas como "instrumento deliberado de terror, humilhação e controle". Homens também foram abusados sexualmente e, em pelo menos um caso registado, estuprados coletivamente.

Ao longo de mais de dois anos, mais de 430 testemunhas, sobreviventes, especialistas e profissionais da saúde prestaram depoimento à Comissão Civil, uma ONG israelense independente de direitos das mulheres criada após os ataques de 7 de Outubro de 2023, em resposta ao que a organização chama de “omissão das instituições internacionais em lidar com a violência sexual cometida naquele dia”. 

Foram examinados testemunhos, imagens de geolocalização, mensagens de texto, reportagens e informações de fontes abertas.

O relatório mostra que havia um padrão recorrente de estupro e estupro coletivo; tortura sexual; mutilação; tiros direcionados ao rosto, cabeça e região genital; nudez forçada; amarras e imobilização; queimaduras genitais; objetos inseridos em áreas íntimas; humilhação sexual pós-morte; e execução durante ou após agressão sexual.

A Comissão Civil examinou mais de dez mil fotografias e vídeos dos ataques liderados pelo Hamas, totalizando mais de 1.800 horas de análise visual.

Mulheres israelenses fpram despidas, amaradas, esfaqueadas, baleadas e queimadas.

Foram executadas durante e após o estupro, em meio a uma orgia de violência na qual 1.200 pessoas foram mortas e 250 feitas reféns.

Cabeças foram decapitadas. Ossos pélvicos, quebrados. Mesmo após a morte, os abusos sexuais continuaram.

No Kibutz Be'eri, no sul de Israel, pregos, objetos cortantes e pedaços de metal e plástico foram encontrados incrustados no corpo de uma mulher que foi descoberta nua e amarrada. Em outra vítima, foram usadas granadas.

Os extremistas do Hamas atiraram em seus olhos, rostos e seios, e até mesmo em suas partes mais íntimas.

"O objetivo era a humilhação, não a vitória", disse Eran Masas à Comissão Civil. Ele foi um dos primeiros a responder a uma dessas situações.

Darin Komarov, sobrevivente do ataque do Hamas à festa Nova, escondeu-se em um trailer, onde ouviu pelo menos três estupros distintos.

"Ouvi um estupro em que a passavam de mão em mão. Ela provavelmente estava ferida, a julgar pelos gritos – gritos que você nunca ouviu em lugar nenhum. É uma alternância entre silêncio e gritos, entre dor e o desejo de morrer. E depois que terminaram, atiraram nela. Você ouve um estrondo – e silêncio”, relatou.

“Havia risos. Havia piadas. Eles a passavam de mão em mão... Era feito por diversão”, contou.

Repetidamente, desde os primeiros relatos, o Hamas nega que tenha cometido qualquer crime sexual. ANG/RFI

 

China/ Xi e Putin reafirmam relação ‘inabalável’ entre China e Rússia e criticam unilateralismo dos EUA

Bissau, 20 Mai 26 (ANG)- Os presidentes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, afirmaram nesta quarta-feira (20) a força das relações entre as duas potências diante das turbulências internacionais.

Putin também declarou que, apesar contexto atual, Moscou e Pequim pretendem preservar uma política externa independente. A visita do líder russo ocorre menos de uma semana após a aproximação promovida pelo presidente americano, Donald Trump, na capital chinesa. 

Os dois países renovaram seu tratado de amizade e multiplicaram as críticas ao “unilateralismo”, às “correntes hegemônicas contrárias” e à “lei da selva” nas relações internacionais, em referência clara a Washington. 

Pequim e Moscovo defendem um mundo “policêntrico”, menos dominado pelos Estados Unidos. Para a China, trata-se também de reafirmar sua capacidade de dialogar tanto com Trump quanto com Putin. 

“O mais importante é que Rússia e China estão comprometidas com uma política externa independente e soberana, que atuam juntas no âmbito de uma cooperação estratégica estreita e que desempenham um papel estabilizador importante no cenário mundial”, afirmou Putin, ao lado de Xi Jinping, em coletiva à imprensa. 

“Conseguimos aprofundar continuamente a confiança política mútua e a coordenação estratégica com uma perseverança inabalável que resistiu a mil provações”, declarou Xi, segundo a agência oficial Xinhua. 

Putin acrescentou que as relações bilaterais atingiram um “nível sem precedentes”, especialmente no campo económico, apesar dos “fatores externos desfavoráveis”. 

O encontro ocorre em meio a múltiplas crises que afetam diretamente os dois países: a ameaça de retomada das hostilidades no Golfo, a continuidade da guerra na Ucrânia e as tensões nos mercados e no fornecimento de hidrocarbonetos. 

Xi Jinping afirmou ainda que uma eventual retomada dos combates no Oriente Médio seria “inoportuna”. “É urgente alcançar uma cessação total da guerra”, acrescentou o líder chinês. 

Sob sanções ocidentais desde a invasão da Ucrânia, a Rússia busca reforçar suas exporações de petróleo e gás a China. Moscou aposta especialmente no projeto do gasoduto Força da Sibéria 2, que deve transportar gás russo para o norte da China via Mongólia. 

O projeto conectaria grandes reservas de gás natural russo no norte da Sibéria ao mercado chinês e é considerado estratégico para Moscou. O propósito do Força da Sibéria 2 é redirecionar exportações que, antes da guerra na Ucrânia, eram destinadas à Europa. No entanto, a concretização da obra ainda avança lentamente. 

As tensões no Oriente Médio reforçam a importância da parceria energética. Com a instabilidade no Estreito de Ormuz, a Rússia tenta se apresentar como alternativa confiável para garantir o abastecimento chinês. 

Além dos aspectos económicos, a visita tem forte dimensão simbólica: ao receber Trump e, na sequência, Putin, Xi Jinping busca posicionar Pequim no centro do jogo diplomático global. 

Sorridente, o presidente chinês recebeu Vladimir Putin com um aperto de mãos ao pé das escadarias do Grande Palácio do Povo, em Pequim. 

Os líderes das duas potências asiáticas ouviram os hinos nacionais, passaram em revista uma guarda militar e foram saudados por crianças que gritavam “bem-vindos” enquanto agitavam bandeiras dos dois países. Uma salva de canhões também marcou a cerimônia, em um roteiro semelhante ao reservado ao presidente americano.

Xi Jinping e Vladimir Putin — que se tratam como “velho amigo” e “querido amigo” — já se encontraram cerca de 40 vezes ao longo de mais de 13 anos no poder. Putin foi eleito presidente pela primeira vez em 2000, e Xi assumiu o cargo em 2013. 

Em seguida, os dois se reuniram para discutir temas de interesse comum, incluindo a recente visita de Donald Trump. 

Os dois lados apresentam o encontro como demonstração de uma relação consolidada e resiliente às turbulências. A reunião também marca o 30º aniversário de uma “parceria de coordenação estratégica”. ANG/RFI