Uganda/ Porta-voz da oposição desmente exército e denuncia
"espancamento" da esposa de Bobi Wine
Bissau, 27 jan 26(ANG) - O líder da oposição do
Uganda, Bobi Wine, denunciou no sábado uma violenta agressão cometida por
militares contra a sua esposa, que teve de ser hospitalizada. O exército
desmentiu, mas o porta-voz do partido de Bobi Wine contestou a resposta dos
militares.
Bobi Wine foi obrigado a fugir um dia
depois das eleições presidenciais de 15 de Janeiro, após uma incursão das
forças de segurança a sua casa. O candidato presidencial já tinha dito à RFI
temer pela sua família, cuja casa estaria cercada pelos militares.
Dias depois, no sábado, denunciou, na
rede social X, uma violenta agressão cometida por militares contra a sua
esposa, que teve de ser hospitalizada. "A minha mulher foi levada
de urgência para o hospital, onde permanece internada, sofrendo traumas físicos
e psicológicos", declarou, tendo publicado fotografias da sua casa
saqueada.
O exército desmentiu, mas Joel
Ssenyonyi, porta-voz do Partido da Unidade Nacional de Bobi Wine,
contestou essa resposta, em entrevista a Christina Okello: “É ridículo
o que estes tipos dizem, porque, por um lado, afirmam que ninguém está atrás
dele [Bobi Wine]. Pouco tempo depois, os militares invadem a
sua casa, espancam a sua mulher e destroem tudo. Então, por que razão estão a
ir lá? Muhoozi diz: 'Não estamos atrás do Bobi Wine" e coisas
do género. Agora, diz: 'Bem, não agredimos a mulher dele, mas estamos à procura
do marido'. Muhoozi, que é o filho do senhor Museveni e é o chefe das forças
armadas do nosso país, está sempre a dizer que está à procura de Bobi Wine para
o matar."
O Uganda elegeu, pela sétima vez, como
Presidente, Yoweri Museveni, que governa o país com mão-de-ferro desde 1986.
Aos 81 anos e há 40 no poder, Museveni teve 71,65% dos votos contra 24,72% para
Bobi Wine, de acordo com a comissão eleitoral. Bobi Wine é um antigo cantor de
43 anos, que já tinha sido detido e torturado depois das eleições de 2021, e
que é muito popular junto dos jovens, sendo conhecido o "presidente do
gueto", em referência ao bairro da sua infância numa das favelas da
capital.
O Presidente Yoweri Museveni é um antigo
guerrilheiro que exerce um controlo total do aparelho eleitoral e da segurança.
A mostrar isso mesmo esteve o corte da internet, desligada pelas autoridades
nas vésperas das eleições, e fortes contingentes de segurança mobilizados para
todo o país no dia da votação. Nesse dia, 15 de Janeiro, houve problemas
técnicos em todo o Uganda, algo que a oposição apontou como um acto
"deliberado" para garantir a vitória de Museveni. Ele próprio
reconheceu ter sido testemunha das dificuldades técnicas encontradas pelas
máquinas biométricas para verificar a identidade dos eleitores. Também a ONU
tinha considerado, mesmo antes de 15 de Janeiro, que o processo eleitoral
decorreu numa atmosfera "marcada pela repressão e intimidação
generalizadas".
O filho do Presidente e chefe do exército, Muhoozi Kainerugaba, de 51 anos, escreveu no início desta semana que queria Bobi Wine morto, mensagem que, entretanto, apagou. Muhoozi Kainerugaba, que não esconde as ambições de suceder ao pai, afirmou na sexta-feira que 30 membros da oposição foram mortos e cerca de 2.000 dos seus apoiantes presos. Um dos advogados de Bobi Wine, Robert Amsterdam, apelou para que a comunidade internacional, e em particular a ONU, "exija garantias imediatas e verificáveis sobre a segurança de Bobi Wine".ANG/RFI

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