EUA/ Governo vai renegociar com Dinamarca acordo de 1951 de defesa da ilha
Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse hoje uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.
A segurança do Ártico será reforçada e contará com a
contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à
agência de notícias France-Presse (AFP).
A fonte, que não foi identificada pela agência
francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na
Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de
quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.
Trump e Rutte discutiram na estância
suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse
hoje que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos
países do Ártico.
A revisão do tratado de 1951 surge num
contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados
garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no
Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.
O acordo de 1951 refere-se ao
destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.
O documento, intitulado "Defesa:
Gronelândia", estabelece atualmente no primeiro artigo que a base aérea de
Thule, ou Pituffik, é a "única zona de defesa" na ilha ártica.
A nova renegociação destina-se a incluir
uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende
implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.
O projeto tem um custo estimado de 175
mil milhões de dólares (149,6 mil milhões de euros, ao câmbio atual).
Inspirado no sistema de defesa de
Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do atual mandato de
Trump, em 2029.
O sistema visa proteger não só os
Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças
da China e da Rússia.
A revisão do tratado bilateral de 1951 é
um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia
entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.
O entendimento, divulgado por meios de
comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das
taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.
A ameaça de taxas, inicialmente de 10% e
depois de 25%, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e
Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.
A UE vai discutir hoje a questão numa
cimeira Europeu extraordinária em Bruxelas, em que participa o
primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Os dirigentes da UE admitiram
retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor
de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.
Outro ponto do entendimento NATO-EUA é o
controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.
A Administração norte-americana vai
poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que
potências rivais assegurem recursos estratégicos.
Trump confirmou que o acordo vai
garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.
O quarto ponto tem a ver com o reforço
da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um
compromisso mais firme com a segurança regional.
Trata-se de uma exigência de Washington
face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender
que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da "massa de
gelo" ártica.
O pré-acordo não inclui, até ao momento,
qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da
ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado
ceder. ANG/Lusa

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