Política/Ilídio Vieira Té garante que “não haverá presidentes ocultos” e defende novo ciclo político para Guiné-Bissau
Bissau, 17 Set 26 (ANG) - O Primeiro-ministro de Transição e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, defende que o país deve concluir o atual período de transição através de eleições e avançar para um novo ciclo de estabilidade institucional.
Numa entrevista concedida à Forbes África Lusófona, publicada quarta-fera(16), Vieira Té abordou os principais desafios políticos, económicos e institucionais do país, além da criação do Partido Popular Guineense (PPG).
Ilídio Vieira Té defendeu uma clarificação das competências entre Presidente da República, o Governo e o Parlamento.
Argumentou que parte das crises políticas da Guiné-Bissau resultou de conflitos de legitimidade e de interpretação entre instituições.
Na sua perspetiva, maiores competências presidenciais devem ser acompanhadas
de mecanismos de controlo democrático e responsabilização.
Nesse contexto, destacou a importância
de um parlamento funcional, tribunais independentes, administração eleitoral
credível, comunicação social livre, sociedade civil vigilante e eleições
regulares.
Questionado sobre a sua anterior proximidade política ao ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té disse que trabalhou em governos durante a sua Presidência e que existiu confiança política e institucional entre ambos.
Vieira Té declarou no entanto que a sua atual responsabilidade enquanto Primeiro-ministro
de transição não está subordinada ao antigo Presidente, nem a qualquer partido ou grupo político.
O governante disse que mantém o respeito
pelo antigo Presidente, mas que sabe distinguir relações pessoais e políticas
passadas da autonomia necessária para tomar decisões enquanto chefe do Governo.
Vieira Té declarou que o PPG não foi
criado para servir de instrumento ou extensão de qualquer personalidade
política e defendeu que um partido deve apresentar publicamente os seus
dirigentes, ideias e estruturas de decisão. “ Não haverá presidentes ocultos
nem centros de decisão paralelos”, declarou.
Na área económica, Ilídio Vieira Té afirmou que a economia guineense apresenta
sinais de resiliência e que o Governo conseguiu reforçar a disciplina
orçamental e melhorar a gestão da tesouraria.
Segundo os dados apresentados na entrevista, a dívida pública teria passado de 89% para 74%, aproximando o país dos critérios de convergência da UEMOA.
Vieira Té reconheceu que persistem
problemas estruturais, tais como a reduzida base fiscal, a informalidade, a
baixa produtividade e a forte dependência da campanha de castanha de caju.
Para o Primeiro-ministro, a solução para essa situação por que passa a economia
nacional, passa por diversificação da economia sem abandonar o setor do caju,
por maior transformação local, embalagem e comercialização internacional, além
do desenvolvimento da agricultura, pescas, turismo, pecuária, energia e
economia digital.
Vieira Té ainda apontou o Arquipélago de Bijagós como uma das grandes potencias nacionais no domínio do turismo ecológico.
Ilídio Vieira Té apontou ainda a previsibilidade das regras, a modernização das Alfândegas, a justiça económica, o acesso à energia e a melhoria das infra-estruturas como condições importantes para aumentar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.
Sobre a Administração Pública, o Primeiro-ministro defendeu uma reforma baseada no cadastro dos funcionários, digitalização dos processos, formação contínua, avaliação, mobilidade e valorização do mérito.
Para o também ministro das Finanças, a reforma do Estado não deve ser
confundida com perseguição aos funcionários públicos, deve ser sim a
criação de uma administração mais eficiente e responsável perante os cidadãos.
Para a juventude, apontou a necessidade de reduzir a dependência do emprego
público através da formação técnico-profissional, empreendedorismo, acesso ao
crédito e preparação para setores como agricultura moderna, transformação
alimentar, turismo, energias renováveis, telecomunicações e economia digital.
Ao falar sobre a sua entrada na política e de seu percurso o Partido da Renovação Social (PRS),
afirmou que a sua participação política
nasceu da convicção de que a política deve servir de instrumento de
transformação da sociedade, e considera o PRS uma “escola política” onde aprendeu a
trabalhar em equipa, respeitar estruturas e conhecer melhor a realidade
guineense.
Sobre a sua chegada à chefia do Governo, na sequência da rutura da Ordem Constitucional, em Novembro de 2025, o Primeiro-ministro explicou que aceitou a responsabilidade por considerar que o Estado não podia parar, afirmando que, era necessário garantir o funcionamento dos serviços públicos, o pagamento dos salários, o cumprimento dos compromissos financeiros internacionais e a manutenção das relações com os parceiros externos.
Sublinhou ainda que a transição só terá sentido se conduzir ao regresso da
plena legitimidade democrática através de eleições. ANG/MSC//SG

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