segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Seminário de capacitação


Governadores e Administradores satisfeitos com a formação  

Bissau, 13 Ago 18 (ANG) – Os governadores e administradores das oito regiões e 40 sectores que compõe a Guiné-Bissau ficaram satisfeitos com os conhecimentos adquiridos ao longo de cinco dias de formação baseada na governança local mais transparente e na forma de exercerem eficientemente as suas funções.

Segundo a governadora de região de Quinara, Binto Nanque que falou em nome dos colegas no acto de encerramento do referido curso, a formação vai-lhes ajudar bastante na forma de orientar e de enquadrar o plano de desenvolvimento regional, tendo acrescentado que as vezes trabalham na base da insuficiência de conhecimentos ,pelo que  a iniciativa é  louvável.

 Braima Sanhá em representação da ministra de Administração Territorial disse que os governadores e administradores têm as tarefas bastante difíceis e que por isso merecem ser orientados em termos de conhecimentos.

“Os governadores e administradores são cérebros no que refere a implementação das autarquias no país, por isso, estão a beneficiar de cursos de capacitação de modo a tornar mais fácil as suas funções”, afirmou Sanhá.

O referido seminário se enquadra no processo da descentralização dos poderes em curso na Guiné-Bissau, foi organizado pelo Ministério das Finanças em colaboração com o de Administração Territorial, e financiado pelo Programa de Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

ANG/AALS/ÂC//SG




Mali/eleições


Segunda volta  marcada por assassínio de agente eleitoral e incidentes
Bissau, 13 ago 18 (ANG) - Os malianos foram no domingo às urnas para eleger o seu novo presidente, num escrutínio dominado pelo favoritismo do chefe de Estado cessante Ibrahim Boubacar Keita, frente ao antigo ministro das finanças e líder do principal partido da oposição Soumaïla Cissé.
 Para assegurar a normalidade da eleição presidencial, 36 mil militares foram mobilizados nesta segunda volta. Um agente eleitoral foi, não obstante, assassinado.
Com em pano de fundo a luta contra os jiadistas e um país práticamente dividido, devido à inexistência de administração central nalgumas regiões do norte, o Mali foi no domingo às urnas para escolher o dirigente que presidirá aos seus destinos,nos próximos cinco anos.
Não se sabe se o favoritismo de Ibrahim Boubacar Keita teria contribuído por uma menor afluência às mesas de voto nesta segunda volta, contráriamente à primeira afectada por problemas de segurança.
Na primeira volta o escrutínio não teve lugar em regiões do centro e do norte, por motivos de segurança, impedindo que cerca de 250.000 malianos votassem.
O chefe de Estado cessante e o seu rival Soumaïla Cissé deram livre curso a acusações mútuas sobre a gestão das mesas de voto.
Cissé denunciou,segundo ele, uma fraude eleitoral e acusou Boubacar Keita de ser o responsável pelo clima de violência que prevalece no Mali.
Keita rejeitou as acusações e depois ter votado,prometeu aos seus partidários que dias melhor virão para o Mali.
Não obstante a promessa de Boubacar Keita,nesta segunda volta, o presidente da mesa de voto Arkodia,no sudoeste de Tumbuctu foi assassinado por seis homens armados no sudoeste de Tumbuctu.
Ele tentou fugir dos presumíveis jiadistas, mas acabou por sucumbir às balas disparadas pelos agressores.
Segundo a associação Centro de Observação Cidadã do Mali ( POCIM )que participa com 2000 observadores, os quatro assessores presentes foram molestados e a mesa de voto queimada.
De acordo com o Ministério da Defesa maliano,três agentes eleitorais foram igualmente raptados em Dianoulé à 11 quilómetros de Nampala no centro do país.
Incidentes ocorreram também em Nokara,na região de Mopti, logo no início da votação, onde três mesas de voto foram encerradas  sem qualquer explicação apesar da presença de militares.
Em Gandamia,das 13 mesas de voto,apenas uma conseguiu abrir. Em contrapartida em Ber, as quatro mesas de voto foram abertas aos eleitores,contráriamente à primeira volta.
Na primeira volta a taxa de participação foi apenas de 43% dos 8,5 milhões de eleitores inscritos,ou seja menos seis pontos do que na eleição de 2013.
De acordo com os analistas em Bamako, o nível de afluência às urnas será decisivo para a credibilidade política da eleição e do futuro chefe de Estado, de quem os malianos esperam capacidade para restabelecer a normalidade no país.
ANG/RFI


Cuba


Cuba___________________________________________________________________________________________________________________________Consulta popular ao ante-projecto da nova Constituição começa hoje
Bissau, 13 Ago 18 (ANG) – Uma consulta popular sobre o ante-projecto da nova Constituição de Cuba, que introduz algumas significativas mudanças sociais e económicas no país, inicia-se hoje e decorre até 15 de Novembro, sendo o texto final submetido a referendo em Fevereiro próximo.
Entre as novidades mais relevantes da reforma constitucional cubana estão o reconhecimento da propriedade privada e a eliminação do termo “comunismo”, embora o texto continue a consagrar o Partido Comunista Cubano (PCC) como poder máximo na ilha caribenha, pelo que a reforma não desencadeará mudanças substanciais no actual sistema político.
O novo texto também admite a importância do investimento estrangeiro, proíbe a discriminação em função do género e altera a definição de casamento, assim abrindo portas ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A futura Constituição restaura ainda o título de Presidente da República e os de vice-Presidente e primeiro-ministro, limitando a 60 anos a idade para se ser candidato à Presidência, por um mandato de cinco anos, com possibilidade de reeleição para um segundo mandato.
Simbólica, a data do referendo, 24 de Fevereiro, assinala o aniversário da proclamação da Constituição actualmente em vigor, em 1976, e o início da Guerra da Independência de Cuba contra Espanha, em 1895.
“Todos os cubanos vão poder expressar livremente as suas opiniões”, garantiu o novo dirigente cubano, Miguel Diaz-Canel, que sucedeu a 19 de Abril deste ano a Raúl Castro que, enquanto líder do PCC, presidiu a este processo de actualização da Constituição cubana.
Na ilha, já foram vendidos mais de 500.000 exemplares do ante-projecto da nova Constituição em papel, e a sua versão digital está disponível para descarregar gratuitamente em vários ‘sites’ oficiais cubanos. ANG/Inforpress/Lusa

Fátima/Portugal


"Os países do ocidente vão precisar cada vez mais de imigrantes"-Bispo Cabo-verdiano

Bissau, 13 ago 18 (ANG) - Um problema global deve ser resolvido também de uma forma global. Devemos olhar para aqueles que acolhem mas também para os que governam países que produzem emigrante forçados", disse este domingo em Fátima D. Arlindo Gomes Ventura, o bispo cabo-verdiano que preside à peregrinação aniversária de agosto, dedicada ao migrante e refugiado.
"Essa situação de grande dor, de grande drama para todos, deve fazer-nos refletir também sobre o nosso passado. Porque se não o fizermos teremos muita dificuldade em construir um futuro mais sólido", sublinhou D. Arlindo, sem isentar de responsabilidades países como Portugal, no que toca ao passado colonial.
" Toda a história colonial e mesmo pós colonial, dos países que emitem emigrantes, deve ser alvo de reflexão. E ver o que houve de errado para não repetir no futuro, para que esse seja mais equilibrado".
O bispo falava sobretudo dos países do ocidente, "que vão precisar cada vez mais de imigrantes, mas devem regularizar cada um, para que tenhamos cidadãos de corpo inteiro e não equivocados e ambíguos. Que as forças celestes nos ajudem a fazer essa caminhada", sustentou.
O prelado está certo de que muitos países ocidentais "não pensaram nas consequências" dos seus atos. Primeiro com a colonização.
"Durante muito tempo desestabilizaram o processo natural de dinamismo social". E quando compara a situação de África (hoje) com a da Europa, D. Arlindo conclui que faltou à primeira a oportunidade de se unir como a segunda. "A Europa teve muitas guerras, até chegar a uma consciência de colaboração mútua, até ter a União Europeia. Houve uma luta até chegar a esse ponto. E África não teve essa oportunidade de ter as suas lutas internas e fazer o percurso de uma integração. Isso foi muito devido à colonização que a fragmentou", disse.
Nessa viagem no tempo que o bispo quis fazer, antes de qualquer celebração, lembrou que durante muito tempo "os países ocidentais tentaram explorar África com compra a bom preço de matérias primas, de venda de armas, de por e depor os governantes, com favorecimento de grupos coniventes com determinadas políticas".
E por isso África teve durante muito tempo "dirigentes políticos que são uma espécie de mandatários dos grandes patrões políticos europeus. Ainda hoje há situações dessas", advertiu. Por isso defende que agora os africanos "devem ser adultos, seres pensantes, responsáveis para dizer "nós precisamos da vossa ajuda. Não para mandar comida e dinheiro, mas para ajudar a organizar os países e a desenvolver setores profissionais, através de técnicos que, no terreno, ajudem a conhecer a nossa realidade e descobrir o processo de fazer a reintegração".
Quando questionado sobre essa ideia de abandono de áfrica que passou na conferência de imprensa, D. Arlindo Ventura foi perentório: "Não quero atirar culpas, mas ao menos a partir dessa experiência dramática todos possamos tirar conclusões".
Antes dele, também o cardeal D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima, expressou as preocupações da Igreja com o drama dos refugiados. "É um exército de pobres que aqui chega, após dois anos de viagem pelo norte de África. Não estão em causa os números, mas pessoas concretas, com uma história, uma cultura, uma família, sentimentos, dramas e aspirações", disse, lançando também o mesmo olhar crítico sobre o colonialismo das potências ocidentais europeias, que "explorou e roubou" África, mantendo-a numa "condição de guerra permanente".
"Assim se destrói a vida de milhões de pobres, obrigados a partir para não morrerem vítimas da miséria, da fome e da guerra. Crianças sem país, e pais e mães sem filhos. Sabemos tudo isto e não nos podemos calar", disse.
Durante a conferência que reuniu os responsáveis do Santuário de Fátima, da Diocese, da comissão episcopal para a pastoral social e mobilidade humana e da Obra Católica Portuguesa para as Migrações, outra preocupação ficou expressa: a integração da segunda geração.
 "Um problema muito complexo e delicado", no dizer de D. Arlindo Ventura. "Eles não se sentem bem nem no país onde nasceram e cresceram, nem no país de origem dos pais. E essa integração é muito importante para termos uma sociedade cada vez mais saudável", considerou.
Nessa altura já o recinto do Santuário de Fátima se enchia de emigrantes portugueses que, 12 e 13 de agosto, integram uma das maiores peregrinações do ano. Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica para as Migrações, fez questão de sublinhar "a diáspora cabo-verdiana , com quem Portugal e a Igreja têm aprendido tanto".
E recordando o mote desta semana que agora começa em Fátima - "cada forasteiro é ocasião de encontro - migrantes e refugiados ao encontro de Cristo" - lembrou que forasteiro "é todo aquele que vem de fora, pode ser cada um de nós, em qualquer altura da história, em qualquer circunstância da vida".
 "É preciso modificarmos atitudes, modificar políticas, aprofundar a cooperação, colocar verdadeiramente em prática aquilo que já se colocou por escrito, nomeadamente na doutrina social da igreja", enfatizou.
Eugénio Quaresma acredita que "já fazemos muito, mas a razão de ser desta semana é recordar que há ainda muito por fazer": atuar no trabalho em rede, nos países de origem, nos países de trânsito e de destino.
 "É preciso navegar em territórios perigosos, ousar políticas arrojadas", de forma a recentrar a economia "na dignidade humana". " É preciso promover verdadeiramente o direito a emigrar e o direito a não emigrar", disse.
A diretora da OCM lembra que "está muito por fazer a nível do acolhimento e da integração". A propósito, recordou, por exemplo, "os nossos irmãos que vêm da Venezuela. Os filhos e filhas de emigrantes da nossa diáspora mais antiga".
ANG/DN