quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Moçambique/Quatro pessoas sequestradas são libertadas após pagamento de resgate

Bissau, 08 Out 26 (ANG)  - Quatro pessoas sequestradas no final de Setembro por grupos armados na aldeia de Maulela, na província de Cabo Delgado (norte de Moçambique), foram libertadas no último domingo após as suas famílias pagarem um resgate, cujo valor não foi especificado, segundo fontes citadas na quinta-feira pela imprensa local.

As vítimas foram sequestradas em 30 de Setembro durante uma operação armada na qual uma pessoa teria sido decapitada e lojas saqueadas.

Além disso, o Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul confirmou que um mecânico sul-africano de 30 anos, que havia sido dado como desaparecido, foi libertado são e salvo no domingo.

Empregado em um acampamento na província de Niassa (noroeste), ele foi um dos três civis feitos reféns após um ataque a um pavilhão de caça na cidade de Marangira.

No início de Setembro, pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 14 sequestradas em ataques atribuídos a insurgentes armados no distrito de Muidumbe, no norte de Cabo Delgado, região rica em gás natural.

Esses incidentes ocorrem em meio a uma insurgência persistente, onde o conflito armado, que começou em 2017, já matou mais de 6.600 pessoas e deslocou mais de 1,2 milhão, segundo organizações internacionais.

Segundo um relatório da ONU, os incidentes relacionados a conflitos aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

A ONU destaca que os sequestros estão sendo cada vez mais utilizados para obter resgates e para realizar recrutamento forçado, inclusive de crianças. ANG/Faapa

 

Etiópia/União Africana lança agência de 'rating' para avaliações justas e imparciais

Bissau,08 Out 26(ANG) - A União Africana lançou quarta-feira uma agência africana de notação financeira com o intuito de garantir que os países da região são avaliados de forma imparcial, com toda a informação disponível,

 


"A missão da agência africana de ‘rating’ (AfCRA, na sigla em inglês), criada para fornecer avaliações de solvabilidade independentes, credíveis e centradas em África, consiste em reforçar a arquitetura financeira de África, colmatar lacunas de informação e garantir que os entes soberanos, sub-soberanos e empresas africanas sejam avaliados de forma justa nos mercados financeiros internacionais", lê-se na página da União Africana (UA) dedicada à AfCRA.

 

Os promotores referem que a criação desta agência focada nos ‘ratings’ de países e empresas a operar em África não se substitui às tradicionais agências de notação financeira, que têm sido criticadas por não levarem em conta as especificidades e o contexto africano quando atribuem os 'ratings'.

 

"A AfCRA complementa as agências de notação de crédito globais existentes, oferecendo uma perspetiva baseada em dados, conhecimentos especializados e realidades africanas, tendo como objetivo reforçar a forma como os Estados soberanos, as entidades sub-soberanas e as empresas africanas são avaliadas e compreendidas nos mercados financeiros internacionais, através de melhores dados, conhecimentos especializados e contexto sobre o risco de crédito africano", aponta a UA.

 

A atribuição de ‘ratings’ tem sido um dos temas em debate nos encontros internacionais sobre as finanças africanas, principalmente devido à ligação que tem com a capacidade de financiamento dos países da região nos mercados internacionais, uma vez que muitos investidores, principalmente institucionais, ancoram as suas decisões de investimento nestas avaliações aos países.

 

A nova agência, hoje lançada, é "impulsionada pelo setor privado, autofinanciada e independente", e não pode ser detida por governos, diz a UA, vincando que "as estruturas de governança privilegiam a transparência, a credibilidade e as salvaguardas contra conflitos de interesses".

 

Entre as vantagens, a UA aponta que, para os governos, a agência, que terá sede em Port Louis, nas Maurícias, poderá trazer "condições de financiamento mais justas e melhor acesso aos mercados de capitais", enquanto para os investidores será possível ter "análises equilibradas e específicas no contexto sobre o risco africano".

 

O custo do financiamento dos países africanos nos mercados internacionais é um dos principais temas em debate, não só pelo elevado valor, mas também pelo impacto que tem nas economias dos países, já que os governos, com recursos limitados, têm muitas vezes de escolher entre servir a dívida ou investir no desenvolvimento económico.

 

"O que está em jogo é significativo: o serviço da dívida externa de África aumentou de 61 mil milhões de dólares [54,5 mil milhões de euros] em 2010 para 163 mil milhões de dólares [145 mil milhões de euros] em 2024, com os pagamentos de juros a excederem a despesa pública com a saúde ou a educação na maioria dos países", insistiu a UA.

 

A instituição acredita que "a AfCRA visa reduzir esses encargos, melhorando a confiança dos investidores e a transparência do mercado". ANG/Inforpress/Lusa

 

 

Eleições 06 de Dezembro/Primeiro-ministro de Transição afirma que não há condições para realização do escrutínio nesta data

Bissau, 08 Out 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição Ilídio Vieira Té, afirmou hoje que não há condições para a realização das eleições gerais marcadas para o dia 06 de Dezembro próximo.

Vieira Té falava à imprensa, depois do encontro com o Presidente da República de Transição Horta Inta-a em que abordaram questões sobre Eleições Gerais de Dezembro do corrente ano.

“Constatamos que,  a nível da preparação do processo, pode-se notar que muitos partidos políticos estão com os órgãos caducos, que precisam ser renovadas”, disse o chefe do Governo.

Té acrescentou  que as disposições legais para a deposição das candidaturas não poderão ser cumpridas uma vez que o prazo passou desde o dia 06 de Outubro corrente.

O Primeiro-ministro disse que, uma vez que todos estes prazos não podem ser cumpridos, torna impossível a realização do escrutínio na data prevista.

 “Portanto, não há condições para ida as urnas no próximo dia 06 de Dezembro e vamos aguardar a comunicação do Chefe de Estado relativamente a esta situação em concreto”, disse Vieira Té. ANG/MSC/ÂC//SG

 

 


Liderança Feminina
/ Mulheres reivindicam maior participação feminina nos processos de tomada de decisões nas instituições públicas

Bissau, 8 Out 26 (ANG) – As participantes do Fórum Nacional de Liderança Feminina e Empoderamento das Mulheres reivindicam uma maior presença feminina nos processos de tomada de decisão nas instituições públicas, partidos políticos, administração local, estruturas comunitárias e tradicionais, organizações da sociedade civil e setor privado.

A reivindicação veio expressa na “Declaração de Bissau” adotada  no  final dos trabalhos do Fórum Nacional de Liderança Feminina e Empoderamento das Mulheres, que decorreu de 06 à 07 do corrente mês, em Bissau e que contou com a participação de mulheres provenientes de diferentes regiões do país.

A Declaração  refere que a Lei da Paridade deve traduzir-se não apenas na composição das listas eleitorais, mas também no exercício efetivo do poder político e na gestão pública.

Entre as principais recomendações apresentadas estão a necessidade de ampliar o acesso e o controlo equitativo das mulheres aos recursos produtivos e naturais, assim como a igualdade de oportunidades na formação profissional , no empreendedorismo, acesso ao crédito, serviços financeiros, emprego digno, inovação e  aos mercados.

As participantes pedem a criação . de  mecanismos que facilitem a transição das meninas e jovens mulheres da escola para a formação técnico-profissional e para a criação dos seus próprios negócios.

A “Declaração de Bissau” considera que o empoderamento económico das mulheres deve incluir não apenas a capacidade de gerar rendimentos, mas também o poder de decidir sobre a sua utilização, possuir bens em nome próprio e ter acesso à contas bancárias, poupança, titulação da terra e serviços financeiros digitais seguros.

O documento apela  às autoridades para reforçarem a proteção das mulheres e meninas e combaterem práticas sociais nocivas existentes nas famílias, comunidades e locais de trabalho.

O reforço das medidas de prevenção e resposta à violência baseada no género, garantindo proteção, assistência jurídica e acesso à justiça para todas as mulheres, foram outras recomendações saídas do evento.ANG/MI/ÂC//SG

 

Saúde/ENS e FNUAP capacitam tutores do Curso de Parteiras em gestão da Hemorragia Pós-parto

Bissau, 08  Out 26 (ANG) – A Escola Nacional de Saúde (ENS), em parceria com Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) promovem desde  segunda-feira uma formação sobre Gestão da Hemorragia Pós-Parto (HPP), destinada a docentes e tutores de estágio do Curso de Formação de Parteiras.

Na sua página de Facebook, o FNUAP refere que a iniciativa visa o reforço das  competências técnicas e pedagógicas dos profissionais responsáveis pela formação das futuras parteiras.

Durante a capacitação, os participantes aprofundarão conhecimentos relacionados com a prevenção, o diagnóstico precoce e a resposta rápida às emergências obstétricas.

O programa inclui sessões teóricas e exercícios de simulação clínica, com o objetivo de aproximar a formação das situações que podem ocorrer na prática profissional.

A hemorragia pós-parto constitui uma das principais causas de mortalidade materna na Guiné-Bissau, tornando o reforço das capacidades dos docentes e tutores uma componente importante na preparação de profissionais de saúde aptos a responder às complicações obstétricas.


Segundo o FNUAP, o investimento na formação dos formadores deverá contribuir para melhorar a qualidade do ensino e do acompanhamento prático dos estudantes, reforçando a preparação de parteiras qualificadas e os cuidados prestados às mulheres e aos recém-nascidos no país.

 ANG/JD/ÂC//SG

 

 

Política/ Governo promete reforçar apoio ao empoderamento económico das mulheres

Bissau, 8 Out 26 (ANG) - O Primeiro-Ministro de Transição anunciou que o Governo pretende trabalhar com instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e o setor privado para facilitar o acesso das mulheres ao financiamento e promover o empreendedorismo feminino.


Ilídio Vieira Té fez o anúncio, quarta-feira,   na cerimónia de encerramento do Fórum Nacional de Liderança Feminina e Empoderamento das Mulheres que decorreu entre os dias 06 e 07 do corrente mês em Bissau.

Na ocasião, o chefe do Executivo defendeu a criação de condições que permitam às raparigas e mulheres estudar, formar-se, empreender, dirigir empresas, exercer funções públicas e participar na condução dos destinos do país em igualdade de oportunidades.

Vieira Té  reconheceu que a aprovação da Lei da Paridade representa um avanço importante, mas que a existência de legislação, por si só, não garante mudanças concretas na vida das mulheres.

“É preciso reconhecer que aprovar uma lei não é suficiente quando a realidade continua distante do espírito dessa mesma lei”, afirmou.

O Primeiro-ministro defendeu, por isso, a necessidade de transformar a igualdade jurídica em igualdade efetiva, através de abertura de mais espaços políticos, económicos e institucionais para as mulheres e do combate às barreiras culturais, económicas e sociais que continuam a limitar a sua participação.

Segundo o governante, o empoderamento económico das mulheres deve ultrapassar o domínio dos discursos e passar a integrar, de forma concreta, as políticas públicas, o investimento e o Orçamento Geral do Estado.

Entre as medidas anunciadas pelo Governo estão o incentivo ao empreendedorismo feminino, o reforço da formação profissional e tecnológica e o apoio às cooperativas e iniciativas económicas lideradas por mulheres.

Ainda está prevista  uma maior articulação com instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e o setor privado, com o objetivo de criar mecanismos que facilitem o acesso das mulheres ao financiamento e contribuam para o seu desenvolvimento económico. ANG/MI/ÂC//SG


Desporto/Presidente da FFGB participa na Conferência Estratégica da CAF em Cabo Verde

Bissau, 08 Out 26(ANG) - O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Carlos Alberto Mendes Teixeira, e o selecionador nacional, Emiliano Té, participam, esta quinta-feira,  em Santa Maria, na ilha do Sal, Cabo Verde, na Conferência Estratégica da Confederação Africana de Futebol (CAF).

De acordo com a página da FFGB, no Facebook, visitada pela ANG, os trabalhos da Conferência vão iniciar esta manhã e terminam na sexta-feira, 9 de Outubro.

O encontro reúne responsáveis de diferentes instituições do futebol africano e internacional.

A Conferência conta com a presença do Presidente da FIFA, Gianni Infantino, do Presidente da CAF, Patrice Motsepe, e de outros dirigentes do futebol africano.

O encontro prevê análises de  questões estratégicas relacionadas com o desenvolvimento e o futuro do futebol no continente africano. ANG/ÂC//SG

 

Gâmbia/Embaixador da Guiné-Bissau avalia cooperação bilateral com autoridades gambianas no combate ao crime organizado

Bissau, 08  out 26 (ANG)  – O  Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Guiné-Bissau, Luís  de Barros, realizou, quarta-feira, uma visita de cortesia ao Diretor-Geral da Agência de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Gâmbia (Drug Law Enforcement Agency Gambia – DLEAG), Demba Ceesay para avaliar os ganhos alcançados através  da cooperação bilateral no domínio da segurança pública e da prevenção e combate ao crime organizada.

Segundo  uma nota da Embaixada da Guiné-Bissau na Gâmbia, partilhada à ANG, a visita enquadra-se no âmbito das consultas regulares com as autoridades governamentais e de segurança da República da Gâmbia.

A nota informou que, o encontro  centrou-se no aprofundamento da cooperação bilateral entre Bissau e Banjul no domínio da segurança pública e da prevenção e combate à criminalidade organizada.

Durante o encontro, as duas entidades analisaram mecanismo tripartido de concertação e coordenação operacional estabelecido entre os Serviços de Investigação Criminal da Guiné-Bissau, da Gâmbia e do Senegal, desenvolvido sob a égide do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

As partes, conforme a nota, avaliaram os resultados alcançados desta parceria multilateral, bem como identificaram perspetivas e medidas estratégicas para melhorar  o seu funcionamento.

A nota destacou o contributo do mecanismo regional para o desmantelamento de redes de tráfico ilícito de estupefacientes para consolidação da estabilidade na sub-região da África Ocidental.

No final, de  acordo com a nota, o Chefe da Missão Diplomática guineense e o Diretor-Geral da DLEAG congratularam-se com o nível  do diálogo institucional, reiteraram a relevância da continuidade destas consultas biliterais entre as instituições de segurança e justiça de dois países.

ANG/LPG/ÂC

 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Política/Presidente da República de Transição exorta  militares para porem os interesses do país em primeiro lugar

Bissau, 07 Out 26(ANG) -  O Presidente da República de Transição apelou aos militares para porem o país em primeiro lugar, como única solução para o seu desenvolvimento, em detrimento de interesses pessoais.

Horta Inta-á, falava  esta quarta-feira (07.10), na cerimónia de graduação dos Oficiais Generais recentemente promovidos.

“Devemos abdicar de guerrinhas para o poder. Não, é o Vicente quem deve mandar. Não é o Braima. Não, é o Ambruss. Devemos pôr de lado as nossas ambições pessoais e colocar a Guiné-Bissau  acima de tudo”, disse Horta Inta-a.

Salientou que  a luta pela independência do país foi conquistada porque os Combatentes da Liberdade da Pátria tinham unido.

O Presidente da República de Transição exortou aos  Oficiais Generais recentemente promovidos de que a Guiné-Bissau está nas suas mãos, começando na sua própria pessoa até ao último soldado.

Horta Inta-a  disse hoje que os militares fiéis ao Umaro Sissoco Embaló foram apenas transferidos para outras unidades militares, acrescentando que é um processo normal nas Forças Armadas.


“Agora é que podemos considerar esses
 elementos de verdadeiros tropas, porque eram de uma estrutura desorganizada na Presidência da República”, disse Horta Inta-á, tendo prometido garantir segurança "total" aos guineenses. ANG/ÂC//SG

 

 

 

Política/ Presidente de Transição acusa Ministério do Interior de fazer justiça quando a lei não lhe permite

Bissau, 07 Out 26/ANG) – O Presidente da República de Transição acusou hoje o Ministério do Interior de fazer a justiça sabendo que a lei não o permite.

 A acusação de Horta Inta-a, foi feita na cerimónia de tomada de  posse de novos ministros do Interior e da Ordem Pública e das Pescas e Economia Marítima, respetivamente, António Suca Ntchama e Fidélis Forbs.

Na ocasião, Horta Inat-a disse que,  em qualquer país, o Ministério do Interior é uma instituição que investiga e manda para o Ministério Público, mas que,  infelizmente, certas vezes os que estão lá fazem a justiça quando a lei não lhes permite..

Lembrou que, o recém-empossado ministro do Interior,  é um antigo combatente e disse que não pode ter medo de resolver os problemas na instituição que agora dirige.

Horta Inta-a afirmou que este Governo de Transição é de ação e não de compromissos, e apelou à todos para trabalharem para o bem-estar da nação e não perseguir os adversários. ANG/JD/ÂC//SG

África do Sul/Tribunal Constitucional ordena reabertura do acesso para requerentes de asilo

Bissau, 07 Out 26 (ANG) - A África do Sul reabriu o acesso ao seu sistema de asilo para pessoas que entraram no território ilegalmente ou sem visto, de acordo com uma diretiva do Ministério do Interior após uma decisão do Tribunal Constitucional emitida em 7 de Julho de 2026.

Segundo essa decisão, os centros de acolhimento de refugiados devem agora receber qualquer pessoa que se apresente e manifeste a intenção de solicitar asilo, mesmo que tenha cruzado a fronteira por um ponto de entrada não oficial, não tenha comunicado a sua intenção na fronteira ou não tenha cumprido o prazo de cinco dias para se apresentar às autoridades competentes.

As autoridades não podem mais exigir um visto de trânsito antecipadamente nem alegar a ausência de documentos, entrada irregular ou atraso na declaração para recusar um pedido.

O Tribunal Constitucional considerou inconstitucionais diversas disposições da lei dos refugiados, por entender que constituíam obstáculos processuais suscetíveis de impedir o exame de mérito dos pedidos e de conduzir ao regresso a países onde as pessoas em causa poderiam ficar sujeitas a perseguição, em violação do princípio da não repulsão.

Essa decisão surge após o fechamento dos escritórios entre Março de 2020 e Maio de 2022, e vários anos de restrições. Entre Abril de 2022 e Março de 2024, apenas 91 vistos de trânsito para solicitantes de asilo foram emitidos. Em Julho, o Tribunal Constitucional confirmou uma decisão do Tribunal Superior do Cabo Ocidental que havia invalidado as disposições contestadas.

Em Maio, a Autoridade de Apelações para Refugiados tinha aproximadamente 161.000 casos pendentes. Em Gqeberha (sudeste do país), o escritório conta com apenas três funcionários dedicados ao acolhimento de refugiados e pode processar apenas cerca de 15 novos pedidos por dia.

A nova diretiva não legaliza a entrada irregular e não garante a concessão do estatuto de refugiado: garante apenas o acesso ao procedimento de análise do pedido. ANG/Faapa

 

Qualificação CAN-2027/”O recondicionamento do relvado do Estádio 24 de Setembro decorre sem qualquer pressão”, diz DG do Desporto

Bissau, 07 Out 26 (ANG) – O Governo através do Diretor-geral do Desporto, disse hoje que os trabalhos de recondicionamento do relvado do Estádio Nacional 24 de Setembro estão a decorrer sem qualquer intervenção ou pressão da Confederação Africana de Futebol (CAF),contrariamente do que tem sido veiculado nos últimos dias, nas redes sociais.

Em declarações à imprensa, depois da constatação dos trabalhos no terreno, Mário Nbana disse que os trabalhos de recondicionamento  do relvado em curso no Estádio Nacional 24 de Setembro é uma acção rotineira  e não encomendada por ninguém.

Aquele responsável pediu calma aos guineenses sobre o assunto e disse que a Federação Nigeriana de Futebol não advoga para a  CAF, ao ponto de lançar boatos nas redes sociais com informações segundo as quais  o retângulo do Estádio Nacional foi interditado a receber jogos pela entidade.  

“Antes do jogo em casa, da 2ª jornada do grupo “L” com a Nigéria, o Estádio Nacional 24 de Setembro foi inspeccionado e  aprovado pelo Comissário da CAF, e a própria seleção nigeriana realizou dois treinos de adaptação do relvado, sem qualquer queixa”, disse o Diretor-geral do Desporto.

Mário Nbana garantiu que, segundo os técnicos da casa, os trabalhos podem durar pelo menos duas semanas.

Realçou, por outro lado, que o atual Governo de Transição está de caras viradas para o sector e que presta apoios necessários  ao  desporto, como sendo um dos setores que consegue promover a união e fraternidade entre os guineenses.

 “Convido à todos o meus conterrâneos guineenses a se juntarem a nós, para partilharmos  ideias e  trabalhar juntos para que a nossa seleção nacional de Futebol para que possa ir mais longe”, acrescentou o Diretor-geral do Desporto.ANG/LLA/ÂC//SG.



Holanda/Nobel de Química atribuído por descobertas que contribuem para desenvolvimento de medicamentos

Bissau, 07 Out 26(ANG) - O Prémio Nobel de Química foi atribuído na quarta-feira ao francês Henri Kagan e ao japonês Kenso Soai por terem descoberto como fabricar moléculas que existem em duas versões "espelho" uma da outra. Uma descoberta considerada importante para o desenvolvimento de medicamentos.

O prémio foi atribuído “pela descoberta dos efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica”, anunciou hoje o Comité do Prémio Nobel ao referir que as descobertas de Henri Kagan, 95 anos, professor jubilado da universidade de Paris-Saclay e de Kenso Soai, de 76 anos, professor na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio, permitiu desvendar um enigma que “durante muito tempo foi um mistério para os químicos”.

“Muitas moléculas existem em duas versões, tal como as mãos: são uma imagem que espelha a outra; são parecidas, mas não são iguais”, explicitou o Comité Nobel da Química ao referir que apesar de esse tipo de moléculas serem a imagem ao espelho uma da outra, apenas uma pode ser eficaz, enquanto a outra pode ser inútil ou até prejudicial.

"Estas descobertas desempenharam um papel decisivo para os químicos que desenvolvem reacções destinadas ao fabrico de produtos farmacêuticos", saudou ainda o Comité Nobel em comunicado.

Uma parte deste sector, a catalisação assimétrica, já tinha sido distinguida pelo Comité Nobel em 2001. Mas não o professor Henri Kagan, apesar de ele ser considerado em França o "pai" desta técnica, o que tinha levado na época o Ministério francês da Investigação a manifestar o seu descontentamento.

Refira-se que para além do Nobel de Química ter sido atribuído nesta quarta-feira, ainda faltam ser conhecidos amanhã o Nobel de literatura, o da Paz na sexta-feira e o Nobel de economia na próxima segunda-feira. ANG/RFI

 

           Médio Oriente/Israel lembra vítimas do 7 de Outubro de 2023

Bissau, 07 Out 26(ANG) - Esta quarta-feira passam três anos dos ataques do Hamas no sul de Israel que provocaram 1.221 vítimas mortais e desencadearam uma ofensiva israelita na Faixa de Gaza que matou 74.200 pessoas.

As homenagens de hoje acontecem em contexto de pré-campanha para as eleições legislativas, as primeiras desde os ataques, e perante a ausência de uma investigação independente sobre as falhas de segurança que marcaram aquele dia.

Familiares das vítimas reuniram-se em Re’im, no local do festival de música atacado há três anos pelo Hamas e cumpriram um minuto de silêncio às 06h29 (hora local, 03h29 GMT), hora do início do ataque que fez mais de 360 ​​mortos a 7 de Outubro de 2023.

Um outro momento de homenagem foi também realizado no kibutz Kfar Aza, perto da fronteira com a Faixa de Gaza, onde 64 residentes foram mortos. E assim vai ser o dia de hoje, ritmado por várias cerimónias para homenagear as 1.221 vítimas mortais e os 251 reféns levados para Gaza.

As homenagens decorrem sob fortes medidas de segurança e em contexto de pré-campanha para as eleições legislativas de 27 de Outubro em Israel, as primeiras desde os ataques de há três anos.

Estas são também as primeiras eleições desde a entrada em vigor, há um ano, de um frágil cessar-fogo na Faixa de Gaza que foi totalmente devastada pela ofensiva israelita de retaliação ao 7 de Outubro e que resultou em mais de 74.200 mortos, segundo o Ministério da Saúde do território palestiniano, cujos números são considerados fiáveis ​​pela ONU. Centenas de milhares de palestinianos ainda vivem em tendas ou abrigos temporários.

Três anos depois, as falhas de segurança que marcaram aquele dia ainda não foram objecto de uma investigação independente e continuam os apelos para a criação de uma comissão de inquérito.

Hoje, o antigo primeiro-ministro Naftali Bennett, que já tinha criticado o actual chefe do Governo, Benjamin Netanyahu, por não ter impedido o ataque, juntou-se às pessoas em luto e falou em "fracasso colossal do Estado de Israel".

Em Setembro, uma extensa investigação da revista norte-americana The Atlantic revelou que, a 26 de Setembro de 2023, o chefe dos serviços secretos egípcios, Abbas Kamel, aterrou secretamente em Telavive para avisar Benjamin Netanyahu de que o Hamas estaria a preparar uma ofensiva de grandes proporções. 

Segundo a investigação, Kamel instou Israel a fazer concessões económicas à Faixa de Gaza para evitar que a situação se agravasse. Na mesma altura, o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, fez um apelo semelhante a Benjamin Netanyahu, segundo uma investigação do jornal Haaretz, publicada algumas semanas antes e também noticiada no New York Times.

Desde o cessar-fogo anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em Outubro de 2025, o futuro político da Faixsa de Gaza permanece incerto.

Israel continua a controlar a maior parte de Gaza e recusa-se a retirar as suas forças militares enquanto o desarmamento do Hamas não for verificado. O Hamas, por seu lado, defende um desarmamento progressivo, em vez de uma rendição imediata e unilateral do seu arsenal. 

Ainda na sequência do ataque do Hamas, Israel abriu várias frentes de combate na região, como no Líbano e no Irão. ANG/RFI

 

França/Governo suspende uso de granadas de atordoamento contra estudantes em protesto

Bissau, 07 Out 26(ANG) - O ministro do Interior, Laurent Nunez , anunciou, esta quarta-feira, a suspensão do uso de granadas de atordoamento pela polícia durante as manifestações dos alunos do ensino secundário.

A decisão surge após dias de denúncias de violência policial contra adolescentes, nomeadamente contra um aluno que perdeu a mão devido a uma granada disparada pela polícia.

Foi em declarações à estação de rádio RTL que o ministro do Interior, Laurent Nunez, afirmou que iria "suspender” a utilização deste tipo de armas no âmbito do movimento dos estudantes do ensino secundário, pelo menos – declarou - até que haja mais clareza sobre os incidentes ocorridos.

Entre eles, um estudante de 15 anos, na cidade de Lens, no norte do país, perdeu a mão quando rebentou uma granada disparada pela polícia de intervenção. Um outro, de 14 anos, no noroeste de Paris, perdeu vários dentes devido à explosão de uma granada de gás lacrimogéneo a muito curta distância.

E as redes sociais têm sido a vitrina de dezenas de episódios de violência policial contra adolescentes. Foram abertas mais 18 investigações internas da polícia perante as acusações de brutalidade contra os estudantes. Ainda assim, o governo tem negado a existência de "repressão policial" contra estes protestos, que já resultaram em mais de 6.500 detenções, a maioria de menores.

Um dia depois de mais uma jornada de manifestações em varias cidades e de aulas parcial ou totalmente suspensas em cerca de 900 das 3.700 escolas secundárias do país, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, também se vai pronunciar esta quarta-feira à noite.

Na terça-feira, perante os deputados, Lecornu acusou o partido La France Insoumise (esquerda radical) de "atear fogo à situação" e de provocar o caos no país a poucos meses das eleições presidenciais de 2027. Já esta manhã, no X, dirigiu-se antes aos alunos, disse que "a voz” deles “é valiosa e deve ser ouvida" e prometeu "um plano de acção concreto".

De um modo geral, as aulas foram retomadas esta quarta-feira na maioria das escolas, embora com alguns bloqueios. Dados provisórios do Ministério da Educação Nacional apontam que 86% das escolas abriram as suas portas esta manhã e que as aulas estão total ou parcialmente suspensas em 528 escolas, uma quebra de 41% face ao dia de ontem.

Os principais sindicatos dos estudantes do ensino secundário apelam à manutenção dos bloqueios esta quarta-feira e a novas marchas esta quinta-feira em Paris e noutras cidades.

Desde Setembro, os alunos têm manifestado para denunciar as condições precárias das escolas, as salas de aula sobrelotadas, deterioradas e inadaptadas às ondas de calor e de frio, a falta de substituição de professores ausentes, as cargas horárias excessivas e as desigualdades relacionadas com o sistema de admissão universitária Parcoursup. ANG/RFI

 

      França/África e o desafio da auto-suficiência em combustíveis até 2030

Bissau, 07 Out 26(ANG) – A África poderá alcançar a auto-suficiência em combustíveis até 2030, segundo o empresário nigeriano Aliko Dangote.

O empresário, que inaugurou, no final de Setembro, uma nova unidade de processamento de petróleo no Quénia, defende que o continente tem condições para reduzir significativamente a dependência das importações de combustíveis.

Para o economista angolano Carlos Rosado, a meta é ambiciosa, mas pode ser alcançada. O especialista considera que, com investimentos em infra-estruturas e logística, o continente africano poderá tornar-se praticamente autónomo na produção de combustíveis.

África conseguirá tornar-se auto-suficiente em combustíveis até 2030 ou a falta de capacidade de refinação continuará a obrigar o continente a depender das importações?

Com estas refinarias da Nigéria, já temos 700.000 barris e, para expandir a do Quénia, também são mais 700.000 barris. Em Angola temos em perspectiva mais três refinarias. Angola será auto-suficiente e a Nigéria também já será auto-suficiente. Agora vamos ver, relativamente aos outros países, como é que vai acontecer. Mas eu diria que, de facto, 2030 é uma meta bastante ambiciosa.

Mas ainda há vários desafios, e refiro-me às questões logísticas e à falta de infra-estruturas?

Pois, justamente. A própria construção da refinaria é um desafio, embora tenha corrido relativamente bem Aliko Dangote. Angola, por exemplo, tem a refinaria do Lobito, a maior delas, com 200.000 barris de petróleo, que há muitos anos está em construção. Em Angola, pelo menos em projecto, tem havido avanços e recuos. Portanto, construir uma refinaria leva sempre algum tempo.

Temos uma refinaria que está a ser construída em duas fases, de 100.000 barris, e temos 30.000 em Cabinda, que estamos a construir. Também temos enfrentado vários problemas com as infra-estruturas e a falta de financiamento.

Mas, repito, temos que ser ambiciosos quanto ao petróleo, seja em produção, sejam descobertas para satisfazer as necessidades. A África também está empenhada em transformar as matérias-primas no continente e, portanto, [isso aplica-se também ao petróleo].

Vários especialistas defendem a necessidade de produzir combustíveis mais competitivos face aos produtos importados. O grande problema é que o continente vende o petróleo bruto a um baixo preço e depois vai comprá-lo a um preço superior, quando é transformado…

O baixo preço também não existe, porque o preço do petróleo é internacional. Agora, o que está aqui em causa, efectivamente, é que nós exportamos o petróleo sem qualquer valor acrescentado. E, portanto, se nós, se África, refinar o petróleo, o valor acrescentado que fica no país, em África, fará com que o balanço das divisas também seja positivo, porque, se se refina aqui, a margem que ia para o estrangeiro, para as refinarias estrangeiras, fica em África.

É o caso concreto de Angola. Angola precisa de mais ou menos 150.000 barris por dia, com o nível de desenvolvimento actual. Nós só refinamos 50.000, um bocadinho menos, mas à volta de um terço do que Angola precisa.

E, portanto, isto já acontece há anos. Temos essa capacidade de refinar para satisfazer a procura interna, mas também para exportar para outros países vizinhos. Naturalmente que as infra-estruturas são um desafio, mas essa, creio eu, que deve ser a ambição e que, finalmente, as lideranças africanas estão a perceber: efectivamente, precisamos de transformar as matérias-primas em África. E o petróleo será, naturalmente, a primeira delas.

Claro que sim. Veio criar essa urgência e veio criar a oportunidade. Nós estávamos, enfim, ainda antes, talvez, da crise do Médio Oriente, com a subida de Trump ao poder, perante uma questão da transição energética que foi, de alguma maneira, repensada.

A guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia, digamos, puseram um bocadinho em causa a transição energética, quando já se falava de acabar com os carros a gasolina e a diesel. E, portanto, a transição energética sofreu um forte revés.

África vai precisar de combustíveis durante muito, muito tempo. E, portanto, além da urgência para África por causa da guerra no Irão, há também uma oportunidade para África no negócio da refinação.

Agora, é preciso dizer também que a refinação é um negócio complicado. Portanto, construir refinarias por construir refinarias não me parece que deva ser esse o objectivo, porque elas têm, naturalmente, que ser eficientes, têm que respeitar o ambiente. A qualidade dos produtos refinados também tem que ser boa e cumprir as melhores práticas internacionais.

Mas, sem dúvida nenhuma, a guerra no Médio Oriente abriu uma oportunidade para África, não apenas para a auto-suficiência, mas também para a exportação. O que é, naturalmente, por exemplo, o caso de Angola.

Como disse, nós produzimos 1 milhão de barris por dia. E as refinarias, todas as existentes e em projecto, são 450.000 barris. Portanto, nós só precisamos de um terço da capacidade de refinação e vamos seguramente exportar para os países vizinhos.

Há projectos de pipeline, inclusivamente a possibilidade de os países vizinhos serem eles próprios accionistas de, pelo menos, uma refinaria em Angola. E, portanto, há essa possibilidade. A meta é ambiciosa, mas o mundo é feito de ambição.

Mas isso também mostra que os combustíveis fósseis, como o petróleo, ainda têm um papel importante no sistema energético de muitos países africanos. Isto mostra que África ainda não está preparada para abrir mão dos combustíveis fósseis?

Eu acho que nem África, nem o mundo inteiro. O anúncio da morte do petróleo creio que foi um bocado precipitado. A divisa de Trump é “drill, baby, drill”, não é? Portanto, a transição energética foi posta em “espera”.

Mas África claramente não está [preparada]. África está mais atrasada, embora nós vamos adoptar as melhores práticas. Toda a gente concorda com isso, mas também África está muito longe de preencher a sua quota de poluição.

A poluição não é o problema dos combustíveis fósseis em África. São outros países: os Estados Unidos, a Europa e a China. Nós ainda não preenchemos a nossa quota de poluição e, portanto, eu acredito mesmo que, mesmo que corra bem, a transição energética vai durar ainda algum tempo. Portanto, temos, enfim, muito tempo ainda pela frente para rentabilizar as refinarias que vêm aí. ANG/RFI