Emirados Árabes Unidos/EUA concluem novos ataques e insistem que o Irão não
controla estreito de Ormuz
Bissau, 13 Jul 26(ANG) – O
exército norte‑americano anunciou hoje ter concluído a mais recente vaga de
ataques contra o Irão, insistindo que Teerão “não controla” o estreito de
Ormuz, e sob acusações iranianas de ter “violado abertamente” o cessar-fogo
acordado.
O Comando Central dos EUA
(Centcom) indicou, em comunicado, que foram atingidos sistemas de defesa aérea,
radares, equipamentos de mísseis e drones, além de pequenas embarcações.
Segundo o Centcom, foram
utilizados pela primeira em simultâneo caças, navios, drones aéreos e drones
navais.
"O Estreito de Ormuz é um
corredor marítimo vital para o comércio global. O Irão não o controla",
declarou o Centcom.
De acordo com a agência de
notícias oficial iraniana Irna, uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas esta
manhã num bombardeamento norte-americano contra a cidade de Mahchahr, no
sudoeste do Irão.
A Guarda Revolucionária do Irão
reivindicou esta segunda-feira novos ataques contra instalações
norte-americanas localizadas em Omã e no Bahrein.
"Para além de ter atacado
as instalações e infraestruturas do Exército norte-americano em Juffair, no
Bahrein, onde os incêndios continuam a alastrar, a Marinha da Guarda
Revolucionária atacou e destruiu" radares, incluindo um de deteção de
navios no Omã, indicou.
Num comunicado do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, Teerão acusou os Estados Unidos de terem
"violado abertamente quase todos os termos" do acordo concluído em Junho,
provocando o "regresso da
insegurança" no Estreito de Ormuz.
O país também acusou Washington
de ter "reduzido a nada todos os esforços dos últimos meses" para
restaurar a paz na região.
Os ataques iranianos de domingo
atingiram o Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e até Omã, que partilha com o Irão
as águas territoriais que compõem o Estreito de Ormuz.
O estreito, por onde já passou
um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado, tornou-se o ponto
central de disputa num acordo interino entre os EUA e o Irão.
A chefe da diplomacia da União Europeia,
Kaja Kallas, afirmou esta segunda-feira que “o memorando de entendimento
existe, mas não está a ser realmente aplicado e nós estamos a discutir o que
mais podemos fazer, que tipo de mensagens podemos enviar”.
“O Estreito de Ormuz tem de
permanecer aberto e a liberdade de navegação tem de ser respeitada. Não podem
existir portagens ou taxas para navegação”, acrescentou.
Os dois países estão quase a
meio do período de 60 dias estabelecido pelo acordo, que deveria preparar
negociações para um fim permanente da guerra.
Em vez disso, degenerou numa
série de ataques sobre o estreito e o seu futuro, preocupando líderes mundiais
com a possibilidade de um reatar do conflito.
"Um regresso às
hostilidades em larga escala teria consequências catastróficas", afirmou o
secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado.
O Exército norte-americano
disse no domingo ter atingido cerca de 140 alvos, incluindo locais de
lançamento de mísseis e drones, depósitos de munições, equipamentos de
comunicação e outras infraestruturas - ataques muito mais pesados do que nas
duas rondas anteriores da última semana.
"Bombardeámos intensamente
ontem à noite", declarou o presidente Donald Trump à emissora
norte-americana NBC.
O Irão retaliou atacando países
da região que acolhem forças militares dos EUA, insistindo que deve controlar
sozinho o estreito e até cobrar taxas às embarcações que o atravessem.
A Guarda Revolucionária
iraniana reconheceu numa declaração hoje ter iniciado uma nova vaga de ataques
em todo o Médio Oriente.
"A era dos acordos
unilaterais acabou", escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do
Parlamento iraniano e principal negociador. Avisámos: cumpram a palavra ou
paguem o preço. A realidade bate à porta."
Teerão descreveu o estreito como
fechado, enquanto os EUA e Trump afirmaram que se mantém aberto. ANG/Inforpress/Lusa

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