Portugal/ CPLP muito aquém
das expetativas e impacta pouco a vida dos seus cidadãos - analistas
Bissau,
13 Jul 26(ANG) - Analistas entrevistados pela Lusa consideraram que a
CPLP, que assinala 30 anos na sexta-feira, ficou muito aquém das expetativas e
tem pouco impacto na vida dos seus cidadãos.
"Trinta anos
depois, podemos dizer que a Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa [CPLP] ficou muito aquém das expetativas iniciais",
afirmou o analista brasileiro Adriano de Freixo.
Nesse
seguimento, para o também investigador de política externa, a ideia
de "criar uma organização internacional de peso, capaz de aumentar a
integração entre os países lusófonos espalhados pelo mundo, ainda está muito
longe de se concretizar".
Para
o presidente da Universidade Lusíada em São Tomé e Príncipe, Liberato Moniz,
há ausência de uma agenda concreta e de projetos com continuidade na vida
das pessoas e os dirigentes não sabem o que é a organização, nem qual a sua
importância.
O
analista cabo-verdiano Redy Lima classifica a CPLP de ineficaz e considera
que esta tem pouco impacto para os cidadãos.
Por
outro lado, enquanto cidadão cabo-verdiano, sente que o seu país prioriza
acordos bilaterais.
A
mesma perceção foi apresentada pelo professor moçambicano Elísio
Macamo, da Universidade de Basileia, na Suíça, que diz sentir que
esta é "uma organização de concertação política (...) que, num
primeiro momento, tem pouca relevância imediata para os
cidadãos".
Da
Guiné-Bissau, o analista Rui Landim lamentou que a "CPLP seja só
palmadas nas costas" e que a instituição seja inútil desde que foi criada,
em 1996, pois não cumpre os seus próprios objetivos.
Na
mesma linha de concordância, o analista angolano Almeida Henriques
reconheceu que "não há verdadeiros investimentos na CPLP" e que o
discurso político "não se traduz necessariamente naquilo que é o
projeto".
O
politólogo referiu que Portugal e o Brasil sustentam financeiramente a
organização, mas os projetos "não beneficiam diretamente a vida das
pessoas".
Já o
especialista português em assuntos africanos Fernando Jorge Cardoso reiterou
que "qualquer objetivo de integração económica entre países sem relações
comerciais prévias é absolutamente irrealista" e que, para Portugal,
a CPLP vale sobretudo como projeto político e diplomático.
Segundo
a perspetiva do advogado equato-guineense Tutu Alicante, a comunidade em
nada impactou a vida dos cidadãos da Guiné Equatorial, que faz parte da CPLP
desde 2014.
Por
outro lado, o ex-pré-candidato presidencial são-tomense, Liberato Moniz,
frisou que, na sua opinião, "há falta de uma agenda na CPLP, uma
agenda que saiba que 'em Janeiro faz-se uma coisa, mas em Junho dá-se
continuidade', por exemplo.
Assim,
considerou o arquiteto são-tomense, "a CPLP vai-se definhando e
morrendo aos poucos".
No
entanto, por outro prisma, para Adriano Freixo, a CPLP contribuiu positivamente
para "avanços reais na cooperação educativa".
"O
grande número de estudantes africanos e timorenses a frequentar universidades
no Brasil e em Portugal é um dos pontos mais relevantes",
exemplificou.
Na
opinião do analista Fernando Jorge Cardoso, o acordo de mobilidade foi a
melhor realização dentro da organização e a Convenção Multilateral de
Segurança Social - já ratificada por Portugal, Timor-Leste e Brasil, mas que
ainda não vigora - "poderá ser a segunda [melhor realização]".
Sobre
o futuro da organização, Elísio Macano considerou que esta precisa de uma
"discussão política" sobre os valores que quer defender e os
princípios que os membros devem respeitar.
Já
Liberato Moniz defendeu que "no dia em que a Justiça funcionar na CPLP, as
coisas vão melhorar, porque as pessoas sentir-se-ão responsáveis pelos seus
atos".
A
CPLP, que assinala 30 anos em 17 de Julho, é composta por Angola, Brasil,
Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e
Príncipe e Timor-Leste.
ANG/Inforpress/Lusa

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