Brasil/Campanha começa em clima de tensão com EUA, comparações entre governos e até chamado divino
Bissau, 17 Ago 26 (ANG) - A temporada de
caça ao voto numa das campanhas mais desafiadoras para a direita e para a
esquerda no Brasil, está oficialmente aberta, em meio a um momento delicado nas
relações comerciais e diplomáticas com os Estados Unidos.
Com dois candidatos consolidados na
dianteira, mas com indefinição quanto ao resultado final, Lula usa da
estratégia de comparar seus governos à gestão de Jair Bolsonaro, enquanto
Flávio diz que herdou missão divina do pai.
No embate pessoal, a
votação vai dizer como Lula encerrará sua carreira política e até quando o
ex-presidente Jair Bolsonaro cumprirá pena. Sobre aspectos gerais, estão na
mesa visões divergentes sobre meio ambiente, política social, armamento e
soberania.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva deu alargada da sua campanha em São Bernardo do Campo, na grande
São Paulo, onde morou e foi líder sindical. Ele destacou a trajetória pessoal
de vida, preocupação com a educação de jovens e a questão da violência.
O petista mostrou que
uma das estratégias é comparar seus anos de governo com os de Jair Bolsonaro.
“Quanto eu era presidente, nós queimamos
quase 500 mil armas do povo, armas que o povo devolveu. Sabe o que eles
fizeram? Eles distribuíram, venderam mais de um milhão de armas. E venderam um
bilhão de balas. Essa gente fala de segurança. Mas quem ficou com esse um
bilhão de balas? Foi o crime organizado, que travestido de boa vontade foi
comprar revólver, pistola, fuzil para continuar matando gente”, discursou o
candidato do PT.
Já
Flávio Bolsonaro escolheu a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, berço
político da família, para abrigar seu primeiro evento de campanha.
O
candidato do PL disse que está diante de uma missão divina e tentou
mostrar que é a encarnação da figura do pai.
“Eu estou aqui com toda a humildade,
aceitando essa missão que o presidente Bolsonaro me passou porque eu tenho a
convicção de que há um propósito de Deus para o nosso país. Eu não sei qual é o
medo que eles têm dessa palavrinha mágica chamada Bolsonaro. Porque hoje todo
mundo vê que Bolsonaro nunca foi ameaça para a democracia. Nós sempre fomos o
último obstáculo para que esse país não virasse uma ditadura de uma vez por
todas. Volta, Bolsonaro”, pregou o nome do PL.
Para afastar críticas que o clã
Bolsonaro atuou pelo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros,
Flávio Bolsonaro afirmou que é o único que tem condições de negociar com outros
países acordos favoráveis para o Brasil.
Em meio
à disputa política, vários setores são diretamente afetados como calçados,
madeira, derivados de alumínio e aço, ainda que a lista de exceção seja muito
mais ampla nesse novo tarifaço de Trump.
O
economista e professor do IBMEC, Gilberto Braga, disse à RFI que
a reciprocidade, anunciada pelo Brasil, é uma estratégia de defesa que na
prática é construída gradativamente.
“Essa negociação é como se fosse um jogo
de xadrez, em que os Estados Unidos jogam com as peças brancas no tabuleiro, ou
seja, eles fazem os primeiros movimentos. E o Brasil joga com as peças pretas,
reagindo e se defendendo ao movimento das brancas.”
O analista afirmou que uma certa
distensão poderia ser obtida com uma conversa direta entre os dois mandatários,
Lula e Donald Trump. O novo diálogo já foi aventado pelo chefe brasileiro, mas
o economista ressalta que isso também é afetado pelo clima eleitoral.
“O que é diferente nesse momento é que
nós estamos em plena corrida eleitoral no Brasil. E há um interesse
norte-americano deflagrado e confessado de apoiar o candidato de oposição ao
governo atual. Isso dá um contorno especial que não existia nas conversas
bilaterais anteriores.
Por isso a gente não sabe ainda se uma
conversa vai ser tão efetiva quanto as anteriores, mas há a sensação de que um
contato não prejudica o ambiente econômico e que poderá eventualmente trazer
algum grau de melhora”, analisa Braga. ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário