Espanha/Em Ceuta, menores marroquinos rejeitam o retorno
solicitado por Rabat
Bissau, 17 Ago 26 (ANG) - Desde a crise em Ceuta,
Rabat exige o retorno de todos os menores marroquinos não acompanhados que se
encontram na Espanha.
Muitos deles permanecem atualmente no enclave espanhol
após a mais recente crise migratória.
Eles caminham em pequenos grupos ao longo
da costa e passam os dias entre mergulhos e descanso à sombra das árvores. Os
menores marroquinos que chegaram a Ceuta ainda alimentam a esperança de
alcançar a Europa e não desejam voltar ao Marrocos.
É o caso de Bilal, 17 anos: “Quero ficar
aqui, em Ceuta, ou na Europa. No Marrocos não há nada, não tenho futuro lá.”
Alguns conseguiram uma vaga em centros
de acolhimento; outros dormem na rua. Todas as noites, eles se reúnem na playa
del Trampolín, junto aos demais exilados vindos de toda a África e do
Oriente Médio. Ali, as grandes ONGs distribuem sanduíches e oferecem cuidados
básicos, mas as necessidades são enormes.
“Achamos que ainda há, em Ceuta, mais de
7 mil, 8 mil, 10 mil pessoas. Não temos como saber, porque não estão registadas”,
afirma Julian Rodriguez, médico voluntário.
Barracos improvisados foram erguidos na
praia com papelão e pedaços de madeira. Longas filas se formam diante das
equipes médicas, que tratam ferimentos, doenças de pele e problemas
respiratórios. “Aqui, saúde pública não existe. Uma praia, necessidades
pessoais… Não, é impossível”, acrescenta o médico.
No que se parece cada vez mais com uma queda de braço
diplomática, Rabat responsabiliza justamente as autoridades espanholas pelas
condições de vida dos menores não acompanhados. Mas a legislação espanhola
proíbe qualquer retorno coletivo desses jovens: cada criança deve passar por
uma avaliação individual. ANG/RFI

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