Panamá/El Niño ameaça comércio
mundial com nova redução no tráfego do Canal do Panamá por falta de água
Bissau, 18 Set 26 (ANG) - O Canal do Panamá vai reduzir novamente seu tráfego a partir de Outubro, devido à falta de água provocada pelo fenómeno climático El Niño.
A restrição ocorre enquanto essa rota marítima
estratégica opera quase no limite de sua capacidade, especialmente por causa
das perturbações no Oriente Médio. As consequências económicas podem chegar ao
preço das mercadorias.
É um novo terramoto no transporte
marítimo mundial. A administração do Canal do Panamá anunciou uma nova redução
do tráfego a partir de Outubro. A via que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico
poderá receber apenas cerca de 30 navios por dia.
A causa
é o fenómeno climático El Niño e a falta de água necessária para o funcionamento
do canal. Com 80 quilómetros de extensão, essa via marítima permite que os
navios passem do Atlântico ao Pacífico sem precisar contornar a América do Sul.
Todos os anos, cerca de 5% do comércio marítimo mundial passa pelo canal, movimentando centenas de bilhões de dólares. Em 2024, mercadorias no valor de US$ 444 bilhões atravessaram o Canal do Panamá.
Sua importância tornou-se ainda mais
evidente desde o início da crise no Oriente Médio. O conflito e as perturbações
em torno do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez levam alguns países asiáticos
a aumentar suas compras nos Estados Unidos e, consequentemente, a fazer passar
mais navios pelo Canal do Panamá.
Nos últimos meses, o canal operava quase
em sua capacidade máxima, com até 40 travessias por dia. Mas a redução de cerca
de dez passagens diárias a partir de Outubro é significativa para uma rota pela
qual transitam centenas de bilhões de dólares em mercadorias.
O aumento do tráfego ocorre justamente
quando o canal enfrenta um problema de grandes proporções: não há água
suficiente para permitir a passagem de todos os navios.
O canal funciona graças à água da chuva,
armazenada em dois grandes lagos artificiais. Entre Maio e agosto, o volume de
água que chegou à bacia foi 44% inferior ao normal.
O resultado foi uma redução progressiva
do número de travessias: 36 por dia em agosto, 34 desde o início de Setembro, depois
32 a partir de meados de Setembro e menos de 30, em média, a partir de Outubro.
As consequências são concretas para os
armadores. Menos vagas disponíveis significam mais tempo de espera e,
sobretudo, travessias mais caras. No fim de agosto, um navio cargueiro pagou
US$ 5,3 milhões para obter uma passagem prioritária, um recorde.
Diante da situação, alguns armadores
deixam de utilizar o canal e optam por contornar a América do Sul. Outros
transportam suas mercadorias por ferrovia, principalmente pelo México.
Em ambos os casos, porém, o transporte
se torna mais longo e mais caro. Isso pode acabar afetando o consumidor, já que
o aumento dos custos de transporte pode ser repassado aos preços das
mercadorias.
Alguns países estão particularmente
expostos. Um quarto do comércio exterior do Equador passa pelo Canal do Panamá,
contra 22% no caso do Chile e do Peru.
Em uma
perspectiva mais ampla, portanto, O El Niño não afeta apenas o Canal do Panamá,
mas potencialmente toda a economia mundial.
O fenómeno altera as temperaturas, os ventos e as precipitações em diferentes regiões do planeta, e o episódio atual pode ser particularmente intenso.
Para o Canal do Panamá, isso se traduz concretamente em menos água e, portanto, menos navios. Para o comércio mundial, significa rotas mais longas, custos mais elevados e, potencialmente, aumento dos preços.
É mais uma ilustração de uma economia
mundial cada vez mais dependente de um clima que, por sua vez, se torna cada
vez menos previsível. ANG/RFI

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