quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Moçambique/ Cerca de quatro milhões de pessoas afetadas por insegurança alimentar aguda

Bissau, 17 Set 26 (ANG) - Cerca de 3,5 milhões de moçambicanos enfrentam grave insegurança alimentar, o que coloca o país entre os mais vulneráveis ​​da África Austral, num contexto marcado por conflitos armados, dificuldades económicas e riscos climáticos crescentes, segundo um novo relatório.

A situação alimentar deverá permanecer instável até Janeiro de 2027, explica a Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA) em um relatório publicado na terça-feira.

Nas áreas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado e no norte de Nampula, espera-se que a fase 3 do IPC (crise) persista devido à atividade insurgente, ao deslocamento populacional, às perturbações do mercado e ao acesso limitado a alimentos e meios de subsistência.

Por outro lado, espera-se que a maior parte das regiões sul e central permaneça na fase 2 do IPC (sob pressão) até Setembro, graças aos estoques de alimentos ainda disponíveis nas residências e à produção da segunda safra agrícola, favorecida por chuvas suficientes e melhores condições de cultivo.

No entanto, com o início da entressafra e o esgotamento dos estoques, algumas áreas podem entrar na fase 3 entre Outubro e Janeiro, devido ao aumento dos preços dos produtos alimentícios básicos e à erosão do poder de compra, alerta a AGRA.

Segundo dados disponíveis até agosto, aproximadamente 18% da população analisada enfrenta insegurança alimentar aguda.

A situação é particularmente preocupante em Cabo Delgado e no norte de Nampula, onde a violência armada continua a interromper o acesso a alimentos, mercados e meios de subsistência, agravando a vulnerabilidade das pessoas deslocadas.

Em relação aos preços, o milho, principal cereal do país, registou uma queda mensal de 2% em agosto, graças à chegada das safras aos mercados e à melhoria da oferta. No entanto, seu preço permanece 10,7% superior ao registado no mesmo período de 2025.

O relatório destaca ainda o impacto dos custos de energia na economia moçambicana. O preço do gasóleo mantém-se 85% acima do valor de Março, um dos aumentos mais acentuados registados na região, com repercussões diretas nos custos dos transportes e da produção agrícola. ANG/Faapa

    

 

Clima/ONU alerta que mudanças no ciclo da água ameaçam reservas de água doce

Bissau, 17 Set 26 (ANG) - O ciclo da água tornou-se “mais irregular e imprevisível”, alertou a ONU nesta quinta-feira (17), destacando que os rios de todo o mundo tiveram, em 2025, um dos anos mais secos em mais de três décadas.

O ano de 2025 está entre os mais quentes já registados .Agora, também figura entre os mais secos dos últimos 35 anos em termos de vazão dos rios, segundo um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre o estado dos recursos hídricos no mundo.

“É difícil afirmar com certeza se foi o segundo ou o terceiro ano mais seco”, mas “está entre os três primeiros”, afirmou Wayne Jenkinson, diretor da divisão de hidrologia e criosfera da OMM, durante uma coletiva de imprensa.

A situação ocorre “em um contexto de redução de longo prazo das reservas de água doce da Terra e de recuo contínuo das geleiras — tendências que terão consequências importantes para as populações e as economias no futuro”, explica a OMM em comunicado.

Segundo a agência da ONU, o ciclo da água tornou-se, de maneira geral, “mais irregular e imprevisível, oscilando entre escassez e excesso”.

Alguns componentes do ciclo da água mudam rapidamente, como as precipitações, o fluxo dos rios e a humidade do solo, reagindo às condições meteorológicas em questão de dias ou semanas.

Outros, como as águas subterrâneas, as geleiras e a cobertura sazonal de neve, evoluem mais lentamente, ao longo das estações e até de décadas ou períodos ainda maiores. Essas reservas ajudam a amortecer os efeitos dos anos de seca.

“Estamos esvaziando essas reservas”, alertou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, diante dos jornalistas.

Segundo ela, “as reservas globais de águas continentais apresentam uma tendência de queda desde 2014-2016, um sinal persistente há uma década”.

Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciais do planeta perderam massa, de acordo com o relatório.

“As águas subterrâneas seguem essa tendência: quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram, em 2025, condições diferentes da média histórica”, destacou Saulo.

“Ao mesmo tempo, observamos um aumento dos desastres relacionados à água. O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de secas em algumas regiões e de inundações em outras”, afirmou.

O atual fenómeno climático El Niño continuou se fortalecendo em agosto e tem agora 75% de probabilidade de se tornar o mais intenso já registado, segundo anúncio feito alguns dias atrás pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

 

Associado a secas, inundações e temperaturas recordes em diferentes partes do mundo, o El Niño é uma variação natural do clima que ocorre a cada dois a sete anos.

Segundo o relatório, Ásia e África concentraram, nos últimos cinco anos, pelo menos metade de todos os episódios extremos relacionados à água registados no mundo e mais de 80% das mortes associadas.

O estudo também mostra que, nos últimos sete anos, o número de rios do mundo com vazão considerada “normal” foi o menor desde 1991. Em mais de 36% da superfície das bacias hidrográficas mundiais, a vazão ficou abaixo da média.

No caso das geleiras, a perda acumulada de massa em todo o mundo entre 2023 e 2025 chegou a 1.400 giga toneladas de água, volume aproximadamente equivalente ao necessário para encher 560 milhões de piscinas olímpicas, cerca de um terço de toda a água doce retirada anualmente.

A OMM destaca ainda que a disponibilidade de dados sobre os recursos hídricos melhorou, mas persistem lacunas justamente em algumas das áreas mais afetadas.

“A água não respeita fronteiras. O balanço hídrico de uma bacia hidrográfica pode depender do que acontece em outro país”, afirmou Saulo, ressaltando a necessidade de compartilhar dados, padrões de monitoramento e sistemas de alerta precoce.

“Um desastre glacial em um país pode provocar devastação em outro, como demonstrou a recente tragédia que atingiu a China e o Nepal”, acrescentou.

ANG/RFI/AFP

 

Segurança Alimentar na África/Iniciativa AAA revela seu roteiro até 20236 em Roma

Bissau, 17 Set 26 8ANG) – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Fundação Iniciativa Africana de Adaptação Agrícola (AAA) apresentaram nesta quarta-feira, em Roma, o relatório “O Estado da Adaptação Agrícola Africana, 2016-2026: Avaliação e Roteiro para 2036”, por ocasião do 10º aniversário da Iniciativa AAA, lançada pelo Reino de Marrocos na COP22 em Marrakech.


Este relatório, "O Estado da Adaptação da Agricultura Africana, 2016-2026: Avaliação e Roteiro para 2036", é a primeira avaliação decenal da adaptação da agricultura africana.

Os países africanos já expressaram, nos planos que apresentaram às Nações Unidas, o que a adaptação da sua agricultura exige, com necessidades que ascendem a centenas de mil milhões de dólares, uma parte significativa das quais destinada à agricultura.

Para traduzir esses valores em investimentos, é necessário aumentar o financiamento e apoiar de forma contínua o desenvolvimento de capacidades, especialmente para auxiliar os países na preparação de projetos que estejam prontos para receber financiamento.

A principal conclusão do relatório é que os elementos essenciais já existem: os países têm planos, a África possui uma agenda agrícola comum, os bancos e fundos africanos podem fornecer financiamento e as soluções técnicas são conhecidas e comprovadas.

"O que ainda falta é o fio condutor que liga todas essas peças, da decisão política ao agricultor e, em seguida, ao resultado que possa ser verificado", enfatiza o relatório em sua proposta para a década de 2026-2036.

Segundo o documento, as alterações climáticas já estão a afetar as colheitas africanas e o rendimento das famílias rurais, salientando que a agricultura em África é essencialmente uma atividade familiar, com pequenas áreas de terra a serem cultivadas e dependentes da chuva.

Adaptar a agricultura significa ter sementes resistentes à seca, melhor gestão da água, solos bem cuidados, acesso a aconselhamento agrícola e seguros que protejam contra anos difíceis.

"Essas soluções existem e já provaram sua eficácia; o desafio é expandi-las por todo o continente, e é por isso que o financiamento e o desenvolvimento de capacidades são cruciais", insiste o relatório.

Em um discurso lido em seu nome, o Ministro da Agricultura, Pescas Marítimas, Desenvolvimento Rural, Águas e Florestas de Marrocos, Ahmed El Bouari, destacou que o continente africano está entre os primeiros a sofrer as consequências de uma crise climática para a qual praticamente não contribuiu.

Ele indicou que os ministros da agricultura africanos têm defendido conjuntamente a Iniciativa para a Adaptação da Agricultura Africana, lançada graças à visão esclarecida do Rei Mohammed VI, de uma conferência climática para a seguinte.

"Em dez anos, a adaptação da agricultura africana passou da margem das negociações para a agenda principal, e a questão que se nos coloca já não é a de reconhecer a vulnerabilidade do continente, mas sim a de transformar os seus sistemas agrícolas", acrescentou o Sr. El Bouari.

Por sua vez, a Diretora Geral da Fundação AAA Initiative, Ghita El Ghorfi, afirmou que "há 10 anos, em Marrakech, pedimos que a agricultura africana fosse ouvida. Agora, essa voz foi ouvida. Hoje, apresentamos um histórico que pode ser verificado e um roteiro que pode ser mensurado."

Esta cerimónia de apresentação do relatório, disponível no link ( aaainitiative.org ), teve lugar na presença do Embaixador e Representante Permanente de Marrocos junto das agências das Nações Unidas em Roma, Youssef Balla, ministros, negociadores climáticos, organizações de agricultores, bem como cientistas e instituições de financiamento.

A Iniciativa Africana de Adaptação da Agricultura visa reduzir a vulnerabilidade da África e da sua agricultura às alterações climáticas, promovendo projetos concretos de adaptação, gestão sustentável dos recursos e acesso ao financiamento climático.

A FAO desempenha um papel estruturante no âmbito desta Iniciativa, que vai desde o apoio técnico à documentação dos resultados, incluindo a disponibilização da experiência da Organização das Nações Unidas. ANG/Faapa

 

França/Unesco inaugura em Paris exposição sobre contributos africanos para História da Humanidade

 

Bissau, 17 Set 26(ANG) - A Unesco inaugura hoje, em Paris, uma exposição sobre os contributos de África e das suas diásporas para a História da Humanidade, inspirada no seu projeto científico "História Geral da África" e concebida no âmbito da Bienal de Luanda.

 

A iniciativa irá destacar também “o papel do conhecimento e da memória na construção de uma Cultura de Paz em África", inspirada no projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) "História Geral da África da Organização", referiu a organização.

 

Através de documentos de arquivo, fotografias, mapas, publicações, iconografia e recursos audiovisuais, os visitantes poderão explorar temas como: Timbuctu e as suas tradições científicas, as civilizações de Axum e do Grande Zimbabué, a Revolução Haitiana, os movimentos pan-africanos, os movimentos de independência africanos e a luta contra o 'apartheid'.

 

A exposição "Patrimónios e Contribuições de África para o Progresso da Humanidade" sublinha igualmente “como uma compreensão mais profunda da História ajuda a construir e a promover uma cultura de paz e não-violência", segundo a agência da ONU.

 

Além disso, a exposição é, segundo a Unesco, "um marco importante no caminho para a 4.ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Panafricano para a Cultura de Paz e Não-Violência, que terá lugar em Angola, a 22 e 23 de outubro. A própria exposição foi concebida no âmbito dessa dinâmica mais ampla", acrescentou.

 

O Fórum Panafricano para a Cultura da Paz e Não-Violência - Bienal de Luanda é uma iniciativa conjunta de Angola, da Unesco e da União Africana (UA), segundo explica a entidade no seu 'site'.

 

Em 1964, à medida que as nações africanas conquistavam sua independência, a Unesco reuniu especialistas africanos e internacionais para lançar a História Geral de África, uma iniciativa, que classifica de visionária, para reconfigurar a História do continente a partir de uma perspetiva africana, explicou a agência no seu 'site'.

 

A exposição inaugurada hoje estará presente na sede da Unesco, em Paris, até 22 de Setembro.  ANG/Inforpress/Lusa

 

 

 Política/ PPG pretende apostar na competência, responsabilidade, justiça social e modernização económica”, diz Ilídio Vieira Té 

Bissau, 17 Set 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição e líder do novo partido político, Ilídio Vieira Té afirmou que,  formação - Partido Popular Guineense (PPG), pretende apostar na competência, responsabilidade, justiça social, modernização económica e na proximidade  aos cidadãos.

Em entrevista a Forbes África Lusófona, publicada, quarta-feira(16) Vieira Té explicou que o partido pretende colocar no centro do debate questões como educação, agricultura, emprego, saúde, energia, estradas e transformação digital.

 Questionado sobre a possibilidade de utilização do  cargo de Primeiro-ministro para construir uma estrutura partidária, garantiu que pretende manter uma separação entre as funções governamentais e a atividade partidária, defendendo que, neste caso, os recursos públicos não devem ser utilizados para fins políticos.

Quanto a uma eventual candidatura à Presidência da República, Ilídio Vieira Té afirmou que a criação do PPG não deve ser reduzida à candidatura de uma única pessoa, e diz que  está disponível para servir o país onde considerar que pode ser útil, mas afirmou que qualquer decisão sobre uma candidatura presidencial será tomada formalmente e no momento próprio.

Sobre as eleições previstas para Dezembro, o Primeiro-ministro diz esperar que seja um processo pacífico, competitivo, inclusivo, transparente e credível.
 

Vieira Té defendeu uma administração eleitoral preparada e independente, igualdade de tratamento entre os concorrentes, liberdade de campanha, acesso equilibrado aos meios de comunicação, neutralidade das instituições e mecanismos eficazes para resolver eventuais contenciosos eleitorais.

Confrontado com especulações de que o antigo Presidente poderia estar por detrás da criação do partido, Ilídio Vieira Té rejeitou essa possibilidade e afirma que a proximidade política passada não significa propriedade política presente.

O primeiro-ministro declarou que o PPG não foi criado para servir de instrumento ou extensão de qualquer personalidade política e defendeu que um partido deve apresentar publicamente os seus dirigentes, ideias e estruturas de decisão. “ Não haverá presidentes ocultos nem centros de decisão paralelos”, declarou.

Sobre o futuro político de Umaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té afirmou que essa decisão cabe ao próprio ex-Presidente e reiterou que o PPG pretende construir uma identidade própria, podendo estabelecer alianças com base em princípios, programas e interesses nacionais.

No final da entrevista, Ilídio Vieira Té afirmou que pretende contribuir para que a Guiné-Bissau passe da gestão permanente das crises para a construção do futuro.

Defendeu a conclusão da transição com paz, estabilidade, contas públicas organizadas, instituições funcionais e eleições credíveis,  e fala  desses objetivos como parte do que considera ser um serviço à Guiné-Bissau.

ANG/MSC//SG

 

Ambiente/ Parque Nacional de Cantanhez repovoa zona florestal de Cabedu com mais de 11 mil plantas de mangal

Bissau, 17 Set 26 (ANG) - O Parque Nacional de Cantanhez levou a cabo quarta-feira acções de repovoamento das florestas de Cabedu com mais  de 11 mil plantas de mangal(tarrafes) .

Foto Arquivo

Segundo a  Rádio Comunitária de  Fôrea, á iniciativa é do IBAP e é feita no quadro de  reflorestação das áreas de mangal degradadas, do Parque Nacional de Cantanhez, na Região de Tombali. 

A intervenção cobriu uma área  de 12 hectares. Para além da plantação, a equipa procedeu à abertura de valas, com o objetivo de melhorar a circulação e o fluxo da água nas zonas degradadas. 

Segundo os responsáveis do Parque, a abertura das valas deverá permitir uma circulação mais eficiente da água e favorecer o transporte natural das sementes de mangal (tarrafes), contribuindo para a regeneração natural e a recuperação das áreas degradadas através do movimento das correntes de água. 

Os trabalhos de reflorestação prosseguiram noutra zona de Cabedu Balanta, totalizando assim cerca de 11.071 plantas da espécie Avicénia, uma das espécies de mangal presentes nos ecossistemas costeiros. 

A atividade contou com a participação de 60 pessoas, sendo 40 homens e 20 mulheres, que estiveram envolvidos nos trabalhos de plantação e recuperação dos ecossistemas costeiros e de proteção dos recursos naturais do Parque Nacional de Cantanhez. ANG/JD//SG

 

 Política/Ilídio Vieira Té garante que “não haverá presidentes ocultos” e defende novo ciclo político para Guiné-Bissau

Bissau, 17 Set 26 (ANG) - O Primeiro-ministro de Transição e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, defende que o país deve concluir o atual período de transição através de eleições e avançar para um novo ciclo de estabilidade institucional. 

Numa entrevista  concedida à Forbes África Lusófona, publicada quarta-fera(16), Vieira Té  abordou os principais desafios políticos, económicos e institucionais do país, além da criação do Partido Popular Guineense (PPG). 

 Ilídio Vieira Té  defendeu uma clarificação das competências entre Presidente da República, o Governo e o Parlamento. 

Argumentou que parte das crises políticas da Guiné-Bissau resultou de conflitos de legitimidade e de interpretação entre instituições. 

Na sua perspetiva, maiores competências presidenciais devem ser acompanhadas de mecanismos de controlo democrático e responsabilização.

Nesse contexto,  destacou a importância de um parlamento funcional, tribunais independentes, administração eleitoral credível, comunicação social livre, sociedade civil vigilante e eleições regulares.
 

Questionado sobre a sua anterior proximidade política ao ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té disse que trabalhou em governos durante a sua Presidência e que existiu confiança política e institucional entre ambos. 

Vieira Té declarou  no entanto que  a sua atual responsabilidade enquanto Primeiro-ministro de transição não está subordinada ao antigo Presidente, nem a  qualquer partido ou grupo político.
O governante disse  que mantém o respeito pelo antigo Presidente, mas que sabe  distinguir relações pessoais e políticas passadas da autonomia necessária para tomar decisões enquanto chefe do Governo.

Vieira Té declarou que o PPG não foi criado para servir de instrumento ou extensão de qualquer personalidade política e defendeu que um partido deve apresentar publicamente os seus dirigentes, ideias e estruturas de decisão. “ Não haverá presidentes ocultos nem centros de decisão paralelos”, declarou.
Na área económica, Ilídio Vieira Té afirmou que a economia guineense apresenta sinais de resiliência e que o Governo conseguiu reforçar a disciplina orçamental e melhorar a gestão da tesouraria.

Segundo os dados apresentados na entrevista, a dívida pública teria passado de 89% para 74%, aproximando o país dos critérios de convergência da UEMOA. 

Vieira Té reconheceu  que persistem problemas estruturais, tais como a reduzida base fiscal, a informalidade, a baixa produtividade e a forte dependência da campanha de castanha de caju.
Para o Primeiro-ministro, a solução para essa situação por que passa a economia nacional, passa por diversificação da economia sem abandonar o setor do caju, por maior transformação local, embalagem e comercialização internacional, além do desenvolvimento da agricultura, pescas, turismo, pecuária, energia e economia digital.
 

Vieira Té ainda apontou o Arquipélago de Bijagós como uma das grandes potencias nacionais no domínio do turismo ecológico. 

Ilídio Vieira Té apontou ainda a previsibilidade das regras, a modernização das Alfândegas, a justiça económica, o acesso à energia e a melhoria das infra-estruturas como condições importantes para aumentar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. 

Sobre a Administração Pública, o Primeiro-ministro defendeu uma reforma baseada no cadastro dos funcionários, digitalização dos processos, formação contínua, avaliação, mobilidade e valorização do mérito. 

Para o também ministro das Finanças, a reforma do Estado não deve ser confundida com perseguição aos funcionários públicos, deve ser  sim  a criação de uma administração mais eficiente e responsável perante os cidadãos.

Para a juventude, apontou a necessidade de reduzir a dependência do emprego público através da formação técnico-profissional, empreendedorismo, acesso ao crédito e preparação para setores como agricultura moderna, transformação alimentar, turismo, energias renováveis, telecomunicações e economia digital.

Ao falar sobre a sua entrada na política e de seu  percurso o Partido da Renovação Social (PRS),  afirmou que a sua participação política nasceu da convicção de que a política deve servir de instrumento de transformação da sociedade, e considera  o PRS uma “escola política” onde aprendeu a trabalhar em equipa, respeitar estruturas e conhecer melhor a realidade guineense.

Sobre a sua chegada à chefia do Governo, na sequência da rutura da Ordem Constitucional, em Novembro de 2025, o Primeiro-ministro explicou que aceitou a responsabilidade por considerar que o Estado não podia parar, afirmando que, era necessário garantir o funcionamento dos serviços públicos, o pagamento dos salários, o cumprimento dos compromissos financeiros internacionais e a manutenção das relações com os parceiros externos. 

Sublinhou ainda que a transição só terá sentido se conduzir ao regresso da plena legitimidade democrática através de eleições. ANG/MSC//SG




 

Sociedade / Primeiro-ministro anuncia efetivação de mais de cinco mil funcionários públicos entre os quais professores e técnicos de saúde

Bissau, 17 Set 26 (ANG) – O Primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té anunciou a efetivação de mais de cinco mil funcionários na Administração Pública, entre os quais 4.803 professores contratados há cerca de seis anos e 301 técnicos de saúde do Hospital Nacional Simão Mendes.

A revelação  foi feito pelo Coordenador dos docentes Mateus Cá e pela Diretora Clínica do hospital Simão Mendes Luísa Oliveira Sanca Nhaga, após um encontro que durou mais de duas horas, com presença do Ministro da Educação Nacional e Investigação Científica Barros Bacar Banjai, do ministro da Saúde Pública Quinhin Nantote, da ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social Assucénia de Barros, do ministro dos Assuntos Parlamentares Usna Quadé e do Secretário de Estado do Orçamento, Pedro Djata.

No encontro, o governo ouviu os representantes das duas classes, que apresentaram os problemas que afetam os professores e profissionais de saúde, com incidência nos atrasos salariais.

O coordenador dos professores contratados Mateus Cá informou que o chefe do governo comprometeu-se ainda a pagar dois meses em atraso aos docentes e recordou que o Executivo já pagou os salários dos professores contratados referentes ao ano lectivo  2024/2025.

Mateus Cá diz esperar que as promessas sejam cumpridas, pediu  desculpas pelas declarações feitas anteriormente, em conferências de imprensa.

Garantiu que os professores vão regressar às salas de aulas e  diz que  a concretização das medidas anunciadas representa um passo importante para devolução da estabilidade aos sectores da Educação e Saúde.

O Presidente da Associação dos pais e Encarregados de Educação, Lassana Bangura destacou a decisão do Executivo de proibir , a partir do próximo ano lectivo, as cerimónias festivas de entrega de diplomas do pré-escolar ao 12º ano.

Bangura disse que a medida não impede que famílias organizassem, em privado, as passagens dos seus filhos ou educandos.

Segundo Lassana Bancura a decisão também pretende evitar conflitos que se registam  durante a organização dessas cerimónias entre os alunos.

Por sua vez, a Diretora Clínica do Hospital Nacional Simão Mendes Luisa Oliveira Sanca Nhaga afirmou que a efetivação de 301 profissionais  reforça os recursos humanos e melhora a cobertura dos serviços prestados pela principal unidade hospitalar do país.

Luísa Nhaga classificou o encontro com o Primeiro-ministro de histórico, por reunir representantes dos setores da Educação e da Saúde em torno de medidas consideradas estratégicas para os serviços públicos.

A responsável defendeu igualmente que a mediada seja alargada aos hospitais regionais e centros de saúde, acompanhada de uma política de retenção de quadros para travar a emigração dos profissionais. ANG/LPG//SG

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 

Guiné/Quarenta e um sobreviventes resgatados após piroga virar na fronteira com Serra Leoa

Bissau, 16 Set 26 (ANG) – Quarenta e uma pessoas sobreviveram ao naufrágio, na terça-feira, de uma piroga motorizada no rio Makona, em Nongoa, na prefeitura de Guéckédou, na fronteira entre Guiné e Serra Leoa, enquanto duas pessoas morreram e quatro estão desaparecidas.

A embarcação que fazia travessias entre os dois países, transportava 47 pessoas no momento do acidente, de acordo com a mídia local, citando autoridades locais.

Os passageiros, em sua maioria cidadãos de Serra Leoa, estavam retornando ao seu país após o mercado semanal em Nongoa quando, segundo relatos, a piroga começou a entrar água no meio do rio antes de virar.

Segundo as mesmas fontes, o uso de coletes salva-vidas pelos passageiros ajudou a limitar o número de vítimas.

Duas pessoas morreram e outras quatro, incluindo um soldado, continuam desaparecidas.

Foram iniciadas operações de busca para encontrar os desaparecidos, enquanto as circunstâncias exatas do acidente ainda precisam ser apuradas. ANG/Faapa

 

Educação/”O Exame Nacional efectuado no ano lectivo findo fez-se a título experimental”, diz o DG do INDE

Bissau, 16 Set 26(ANG) – O Diretor-geral do Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Educação(INDE), afirmou que o Exame Nacional realizado no ano lectivo transacto em algumas regiões do país, foi a título experimental.

“O Exame Nacional efetuado no ano letivo passado é uma tentativa de reativação do Exame Nacional já existente nos anos anteriores. Por isso pode ser considerado de experimental para melhor preparar a sua efetivação de forma mais condigna”, disse Lívio A. da Silva, em entrevista exclusiva concedida hoje à ANG.

Aquele responsável salientou, a título de exemplo, que o Exame realizado no ano lectivo findo não abrangeu todo o território nacional, mas sim, algumas escolas e localidades do país.

Informou  que o motivo da realização do Exame Nacional em algumas escolas do país tem a ver com o facto de as referidas escolas cumpriram com o Programa Harmonizado produzido pelo INDE.

“Por isso, esse processo pode ser considerado de reativação do Exame Nacional, mas a título experimental”, disse..

O Director-geral do INDE sublinhou que o Exame Nacional sempre existiu no sistema de ensino guineense, mas que foi interrompido com o conflito militar de 7 de Junho de 1998.

“O Exame Nacional é feito quando os alunos terminam cada ciclo, por exemplo, os que concluíram o 4º ano, os que terminaram o 6º ano, 9º ano e 12º ano respectivamente”, referiu  Lívio A. da Silva.

Disse que, no Exame Nacional realizado no ano lectivo passado, constatou-se que houve alto índice de negativas. “Porque o Exame Nacional é efectuado em várias disciplinas de diferentes níveis e por isso  foi constatado altas negativas em algumas, como a matemática”, frisou.

Declarou que, nesta circunstância é difícil saber quem é o culpado por este elevado índice de negativas, entre os professores que cometeram falhas na correção das provas e os alunos.

“São situações muito abstratas e por isso, o Ministério da Educação decidiu criar uma Comissão de verificação das correções das provas feitas, porque as vezes o professor pode falhar na correção e dar negativa ao aluno”, disse.

Lívio da Silva  reconheceu que alguns professores se deparam com dificuldades em termos de abordagem de metodologia do ensino, não obstante existirem igualmente os que são “muito bons” em termos de matéria.

Por outro lado, aquele responsável culpabilizou os País e Encarregados de Educação por falta de acompanhamento dos seus filhos ou educandos.

“Sendo assim, a responsabilidade por esta situação é de todos”, vincou.

O Exame Nacional, segundo Lívio, não abrange apenas as escolas públicas, mas também os privados. Por isso foram seleccionados para fazer parte dessa experiência os liceus João XXIII, São José e outros.

Frisou que os resultados do Exame Nacional experimental realizado no ano passado não serão considerados em termos oficiais.

Disse que foi realizado de forma a permitir a entidade competente neste caso o Ministério da Educação, fazer análise e balanço da situação para depois avançar com a realização do Exame Nacional muito mais bem preparado. ANG/ÂC//SG

 

Justiça/Ministro da Justiça e PGR reforçam parcerias para reforma da Justiça

Bissau, 16 Set 26 (ANG) - O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira, recebeu hoje, em visita de cortesia, o Procurador-Geral da República (PGR), Amadú Tidjane Baldé, num encontro de análise de mecanismos para o reforço da cooperação institucional entre as duas partes.

Segundo a página de Facebook do Ministério da Justiça e Direitos Humanos, durante a reunião, foram analisados temas prioritários relacionados com a reforma do setor da Justiça, com destaque para a modernização dos serviços, a melhoria da coordenação e o alinhamento das ações estratégicas entre o Ministério da Justiça e a Procuradoria-Geral da República.

Na ocasião, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos sublinhou a importância de uma colaboração contínua com a Procuradoria-Geral da República, tendo em vista a necessidade de  fortalecimento do Estado de Direito e de  avanço das reformas estruturantes em curso. ANG/MI/ÂC//SG

 

     Gâmbia/ Abertura da Primeira Conferência anual da ARCC em Banjul

Bissau, 16 Set 26 (ANG) - A primeira conferência anual da Autoridade Regional de Concorrência da CEDEAO (ARCC) foi inaugurada na terça-feira,  em Banjul, Gâmbia, sob o tema "Política de Concorrência e Integração de Mercado na CEDEAO: Questões, Desafios e Oportunidades", na presença do vice-presidente da Gâmbia, Muhammad DS Jallow, representando o presidente Adama Barrow.

Essas reuniões, que acontecem ao longo de três dias, reúnem ministros, autoridades da concorrência, órgãos reguladores setoriais, juízes, representantes do setor privado, académicos e parceiros de desenvolvimento.

O objetivo é examinar ações e estratégias que possam fortalecer a política de concorrência, a fim de promover a integração de mercado, o investimento e o desenvolvimento inclusivo na CEDEAO.

Ao longo de nove sessões plenárias, oito grupos temáticos, mesas redondas e apresentações de documentos, cerca de sessenta participantes são convidados a trocar pontos de vista sobre diversos temas, incluindo a cooperação regional e transfronteiriça, a harmonização dos quadros nacionais e regionais de concorrência, a governação e a independência das autoridades reguladoras e o reforço das capacidades técnicas e operacionais.

Em seu discurso, o Presidente da Comissão da CEDEAO, General Birame Diop, expressou a esperança de que a conferência levasse a recomendações políticas práticas, contribuísse para o fortalecimento da cooperação regional e possibilitasse o estabelecimento de uma plataforma sustentável para o compartilhamento de conhecimento na área da concorrência.

"Espero também que esta primeira conferência anual abra um novo capítulo na nossa cooperação regional, continental e internacional e reforce a nossa convicção de que o equilíbrio deve ser um equilíbrio competitivo e que um equilíbrio competitivo deve servir o povo", afirmou.

A reunião conta ainda com a participação de representantes de autoridades da concorrência e instituições internacionais, incluindo o Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), a Comunidade da África Oriental (EAC), a Comunidade do Caribe (CARICOM), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Banco Mundial. ANG/Faapa

 

Suécia/Democracia mundial enfrenta novo ciclo de deterioração e EUA registam declínio recorde

Bissau,16 Set 26(ANG) – A democracia mundial atravessa um novo ciclo de deterioração, marcado pelo enfraquecimento do Estado de Direito, dos direitos fundamentais e da credibilidade eleitoral, enquanto os Estados Unidos registam níveis democráticos mínimos em vários indicadores.

O alerta consta do relatório “The Global State of Democracy 2026: Democracy in an Age of Conflict”, divulgado pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), que aponta para uma crescente fragilidade das instituições democráticas e os riscos associados para a paz e a segurança internacional.

Este relatório foi divulgado por ocasião do Dia Internacional da Democracia, que se assinala hoje, 15 de Setembro.

Segundo o documento, 57 por cento dos países registaram entre 2020 e 2025 um declínio em pelo menos um indicador-chave do desempenho democrático, sendo 2025 o 11.º ano consecutivo em que mais países apresentaram deterioração do que melhoria.

O Estado de Direito foi a categoria com pior desempenho, com 71 países, equivalentes a 41 por cento dos avaliados, classificados na faixa de baixo desempenho. A independência judicial atingiu o nível mais baixo em 36 anos, enquanto a credibilidade das eleições caiu para um mínimo de três décadas.

Também a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o acesso à justiça registaram os piores níveis em mais de 30 anos. A liberdade de expressão deteriorou-se em 42 países e a liberdade de imprensa em 23 por cento dos países avaliados.

Nos Estados Unidos, quase metade dos 30 indicadores utilizados pela International IDEA atingiu os níveis mais baixos desde 1975, incluindo independência judicial, liberdade de imprensa e expressão, acesso à justiça, eficácia parlamentar e igualdade económica.

O secretário-geral da International IDEA, Kevin Casas-Zamora, considera que o declínio norte-americano está a enfraquecer os mecanismos de controlo e equilíbrio internos e a reduzir a confiança no multilateralismo e no Estado de Direito internacional.

O relatório adverte ainda que a regressão democrática aumenta as condições favoráveis a conflitos internos e internacionais, sobretudo em países politicamente frágeis, defendendo que o apoio à democracia deve ser encarado como uma prioridade de segurança.

Apesar do quadro negativo, a International IDEA identifica avanços em países como Bangladesh, Nepal, Polónia, Sri Lanka e Síria, onde a mobilização social e a sociedade civil contribuíram para ampliar o espaço democrático.

África e Europa concentraram as maiores parcelas dos declínios, enquanto a Ásia e o Pacífico lideraram nas melhorias. A Europa continua, contudo, a ser a região com melhor desempenho democrático global.

Para Casas-Zamora, investir na democracia significa também investir na paz, uma vez que instituições mais fortes podem reduzir as condições que favorecem conflitos e constituem uma alternativa menos dispendiosa às respostas militares. ANG/Inforpress