segunda-feira, 7 de setembro de 2026

         ONU/"Restaurar a confiança" é o tema da 81.ª Assembleia-Geral

 Bissau, 07 Set 26(ANG) - A 81.ª Assembleia-Geral da ONU arranca na terça-feira, em Nova Iorque, sob o tema "Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação", naquela que será a última sessão que António Guterres irá marcar presença enquanto secretário-geral da organização.

 

Até ao final do mês, a 81.ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA81) irá reunir uma vez mais líderes mundiais em Nova Iorque, que acolhe a sede da ONU, com o propósito de revitalizar a cooperação global, impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e promover ações coletivas em prol da paz, da dignidade e da igualdade num planeta saudável. 

 

Este ano, a corrida para o lugar de secretário-geral da ONU deverá dominar a agenda, com António Guterres a deixar o cargo no final de Dezembro, após completar dois mandatos consecutivos de cinco anos na liderança da organização. 

 

Na terça-feira, António Guterres irá abrir, pela última vez, os trabalhos da nova sessão da Assembleia-Geral, na qual o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh, Khalilur Rahman, tomará posse como presidente da UNGA81. 

 

O mandato de um ano de Rahman, que irá terminar em Setembro de 2027, será guiado pelo tema "Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Funciona para Todos".  

 

Ao longo do mês de Setembro, a sede da ONU vai receber vários eventos. No dia 18, o "Momento ODS" estará em especial destaque, uma vez que serão discutidas iniciativas transformadoras globais e nacionais, assim como formas de acelerar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mesmo diante dos crescentes desafios globais.

 

Os ODS são um conjunto de 17 metas globais de desenvolvimento estabelecidas pela Assembleia-Geral das Nações Unidas que devem ser atingidas até 2030. 

 

Um dos momentos mais esperados da UNGA81 é o Debate Geral de Alto Nível, que irá começar a 22 de Setembro e deverá reunir em Nova Iorque, até dia 28, dezenas de chefes de Estado e de Governo. 

 

Por essa ocasião, espera-se que os líderes façam declarações delineando as suas posições e prioridades no contexto dos complexos e interligados desafios globais. 

 

 

 

Entre os líderes esperados para este debate estão os Presidentes do Brasil (como já é tradição é o primeiro país a discursar), dos Estados Unidos e da Ucrânia, bem como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov. 

 

Segundo o calendário provisório cedido pela ONU, Portugal estará representado pelo chefe do Governo, o primeiro-ministro Luís Montenegro.

 

Para 23 de Setembro está agendada a Cimeira do Clima, convocada por Guterres e que vai reunir líderes das principais economias, países desenvolvidos e em desenvolvimento, nações vulneráveis e os principais produtores e consumidores de energia para fortalecer a cooperação num momento crucial da crise climática. 

 

Também no dia 23, terá lugar a reunião de alto nível para comemorar o 40.º aniversário da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, que abriu novos caminhos na luta universal por maior dignidade humana, liberdade, igualdade e justiça. 

 

Ainda dentro da temática ambiental, uma reunião de alto nível sobre a subida do nível do mar vai juntar, no dia 24, líderes globais, especialistas e outras partes interessadas para abordar a ameaça urgente e crescente desta situação. 

 

Em 25 de Setembro, o presidente da UNGA81 convocará uma reunião com o objetivo de mobilizar vontade política nos níveis nacional, regional e internacional para a prevenção, preparação e resposta a pandemias.  

 

A reunião deverá culminar na aprovação de uma declaração política orientada para a ação, acordada por consenso através de negociações intergovernamentais. 

 

Um encontro de alto nível para comemorar o 25.º aniversário da adoção da Declaração e do Programa de Ação de Durban - um plano global para a justiça e a igualdade racial - está marcado para o dia 28.  

 

No dia seguinte, em 29 de Setembro, irá acontecer a reunião plenária anual de alto nível para comemorar e promover o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, naquela que é a prioridade máxima das Nações Unidas em matéria de desarmamento. 

 

A UNGA81 decorre num contexto mundial complexo, marcado por tensões geopolíticas e conflitos crescentes, pressão sobre o financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas mudanças tecnológicas e o aquecimento global, fatores que continuam a testar o sistema internacional. 

 

 

 

A Assembleia-Geral é o órgão no qual os 193 Estados-membros da ONU se sentam em pé de igualdade e tem uma função exclusivamente representativa, uma vez que o verdadeiro poder é exercido pelo Conselho de Segurança, em que cinco grandes potências (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) são membros permanentes com direito de veto. 

 

No biénio 2027--2028, Portugal estará sentado no Conselho de Segurança como membro não-permanente. 

 

Quando a ONU foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, apenas 51 países integravam a organização. 

ANG/Inforpress/Lusa

 

Dinamarca/Países europeus avançam na criação de ‘centros de retorno’ para imigrantes que tiveram pedido de asilo rejeitado

Bissau, 07 Set 26 (ANG) - Dinamarca, Áustria, Alemanha, Holanda e Grécia deram o primeiro passo nesta sexta-feira (4) para a criação de centros de retorno para migrantes que tiveram pedidos de asilo rejeitados.

O objetivo do encontro era discutir a conclusão, até o início de 2027, de um acordo com um país que receberia essas pessoas.

Em Junho, o Parlamento Europeu aprovou um regulamento sobre o retorno de requerentes de asilo rejeitados, incluindo a possibilidade de os Estados-membros celebrarem acordos para estabelecer centros de detenção fora das fronteiras da UE.

Esses locais poderiam acolher imigrantes que não podem regressar aos seus países de origem.

Os cinco países, que se reuniram em Copenhague, afirmaram que esse modelo de centros de retorno contribuiria para tornar o sistema migratório mais “humano”.

De acordo com seus princípios-orientadores, ele “será também uma ferramenta para acabar com o modelo económico dos inescrupulosos traficantes de migrantes que exploram pessoas vulneráveis que arriscam suas vidas em viagens perigosas rumo à Europa”.

O modelo, no entanto, é alvo de críticas por parte de ONGs ligadas à defesa dos direitos humanos.

Estes centros de retorno não são "campos", assegurou o Ministro da Migração da Dinamarca, Morten Bødskov, anfitrião da reunião.

 "Trata-se de oferecer uma nova oportunidade a migrantes indocumentados que não podem regressar hoje aos seus países de origem e que não têm base legal para permanecer no nosso país", afirmou.

Nenhuma menção a possíveis países anfitriões foi feita durante a coletiva de imprensa realizada na capital dinamarquesa. Por ora, Uganda e, principalmente, Ruanda são considerados possíveis destinos.

Ruanda confirmou em Agosto que havia iniciado "discussões preliminares" com diversos países europeus, sem especificar quais.

Um governo dinamarquês anterior havia iniciado negociações diretas com Ruanda, antes de abandoná-las em favor de uma solução europeia.

O Ministro da Migração e Asilo da Grécia, Thanos Plevris, confirmou que "discussões já ocorreram com várias nações não pertencentes à UE e estão em estágio avançado".

Em uma entrevista concedida em agosto, ele também expressou sua admiração pela forma como o presidente dos Estados Unidos lida com o assunto.

"Para mim, a melhor coisa que o presidente Trump fez foi mudar a política migratória nos Estados Unidos, mas também na Europa", afirmou Thanos em uma longa entrevista ao site conservador americano Breitbart News.

Este regulamento, destinado a acelerar as expulsões desse grupo de migrantes, levanta preocupações por parte dos defensores dos direitos humanos.

O Conselho da Europa enviou cartas aos comissários responsáveis ​​pela política de migração nestes cinco países da UE, apresentando recomendações para eliminar potenciais violações dos direitos fundamentais ligadas a estes centros.

A legislação não foi unânime entre os 27 Estados-membros. O presidente francês, Emmanuel Macron, considerou-a ineficaz e não alinhada com os valores europeus.

“Estamos transformando a política de asilo e migração da UE”, retrucou o ministro dinamarquês. A eurodeputada francesa Melissa Camará, da bancada ecológica, por outro lado, afirmou que “a reunião realizada em Copenhague representa mais um passo no abandono dos valores fundamentais da União Europeia e no atropelamento da dignidade das pessoas exiladas”.

Em entrevista à RFI, a diretora de advocacia da ONG EuroMed Rights, Sara Prestianni, afirma que nada foi planejado para garantir o respeito aos direitos fundamentais nesses centros de retorno.

“Quais são as garantias e com base em que serão realizadas as negociações com esses países? Existe uma análise genuína de como esses países respeitam os direitos das pessoas que serão devolvidas? O que acontecerá com essas pessoas enviadas para esses países… Muitas perguntas, poucas respostas e um vazio que não oferece nenhuma garantia quanto ao respeito aos direitos fundamentais que devem ser respeitados”.

Na mesma linha, o Conselho Dinamarquês para os Refugiados também argumenta que, além dessa, já houve iniciativas anteriores, mas elas esbarraram em entraves burocráticos, económicos e até mesmo legais e, por isso, acabaram não avançando ou tiveram que ser encerradas.

“As tentativas anteriores de criar centros de retorno em vários formatos provaram ser extremamente dispendiosas, emperradas em obstáculos administrativos e legais e, em última análise, não conseguiram influenciar as decisões e o comportamento dos requerentes de asilo e dos migrantes em situação irregular”, observou o Conselho Dinamarquês para os Refugiados.

O Reino Unido, por exemplo, teve de abandonar um plano semelhante que previa a deportação de migrantes em situação irregular para o Ruanda, enquanto os centros geridos pela Itália na Albânia enfrentaram contestações legais e uma implementação lenta. ANG/RFI

 

Senegal/ Governo prepara para sedear primeiro evento olímpico organizado em África

Bissau, 07 Set 26 8ANG) - O Senegal se prepara para fazer história ao sediar os Jogos Olímpicos da Juventude (JOJ) Dakar 2026, de 31 de Outubro a 13 de Novembro, o primeiro evento esportivo olímpico organizado em solo africano.

As autoridades senegalesas pretendem colocar este evento histórico sob a bandeira da mobilização nacional e da influência do país em todo o continente.

Esta quarta edição dos Jogos Olímpicos da Juventude de Verão reunirá cerca de 2.700 jovens atletas, envolvidos em 151 eventos distribuídos por 25 modalidades esportivas, principalmente em Dakar, Diamniadio e Saly.

Para além da sua dimensão desportiva, os Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar 2026 têm um significado especial para o continente, com o Senegal a tornar-se o primeiro país africano a acolher um evento olímpico.

A este respeito, o presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye sublinhou que "se Dakar acolher os Jogos, toda a África é chamada a reconhecer a sua participação neste evento".

É nesse contexto que o presidente senegalês lançou, no sábado, no estádio Iba Mar Diop, em Dakar, a campanha nacional "DUNDAL JOJ", destinada a mobilizar os diferentes segmentos da sociedade em torno do evento e a inscrever seu legado a longo prazo.

Esta iniciativa visa, em particular, incentivar o envolvimento da comunidade nos Jogos e fortalecer suas dimensões educacional, social e econômica. Inclui, entre outras coisas, a distribuição de 150.000 kits escolares para alunos e professores, bem como a disponibilização de 200.000 ingressos para escolas e associações, principalmente para permitir que crianças de bairros carentes assistam às competições.

O Sr. Faye também destacou a necessidade de aprimorar de forma sustentável a infraestrutura construída ou reformada para os Jogos, transformando essas instalações, além da competição, em espaços dedicados principalmente ao esporte, à cultura, ao treinamento e ao empreendedorismo local.

Nesse sentido, o presidente senegalês apelou às autoridades locais, empresas, associações, atletas, artistas e cidadãos para que se mobilizem a fim de fazer do Dakar 2026 um sucesso coletivo e deixar um legado duradouro para a juventude.

Como prelúdio aos Jogos, a chama olímpica da juventude, que será acesa em Atenas no dia 10 de setembro, percorrerá as 14 regiões do Senegal entre 14 de setembro e 30 de outubro, passando por mais de 30 etapas, antes da cerimônia de abertura, marcada para 31 de outubro no Estádio Abdoulaye Wade, em Diamniadio. ANG/Faapa

 

China/Fórum de Mídia da Ásia-Pacífico é realizado em Guangdong, na China

Bissau, 07 Set 26(ANG) -  O Fórum de Mídia da Ásia-Pacífico foi inaugurado no sábado em Shenzhen, na Província de Guangdong, no sul da China, com o tema "Construindo um Caminho para a Prosperidade Compartilhada da Comunidade Ásia-Pacífico: Consenso e Ação da Mídia".

Segundo a agência de notícias  Xinhua, Li Shulei, membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da China (PCCh) e chefe do Departamento de Comunicação do Comité Central do PCCh e Huang Kunming, membro do Birô Político do Comitê Central do PCCh e secretário do Comité Provincial de Guangdong do PCCh, participaram do fórum e “proferiram discursos importantes”.

O evento assinala o ano da China da APEC 2026, durante o qual a China sediará a 33ª reunião de líderes económicos da APEC.

Os participantes  expressaram as suas  convicções de  que, com o apoio de ambos os  lados, a cúpula produzirá resultados frutíferos e elevará a cooperação na Ásia-Pacífico à novos patamares.

Enfatizaram que o desenvolvimento e a cooperação na região da Ásia-Pacífico dependem da participação ativa da mídia.

Espera-se que a mídia compartilhe histórias de abertura e integração, forneça cobertura abrangente do progresso e das conquistas da região em diversos campos e ajude a promover um ambiente favorável de opinião pública para o desenvolvimento aberto da região.

Os  participantes ressaltaram que a mídia deve promover ativamente os resultados da série de atividades da APEC, interpretar as políticas e medidas das diversas economias para apoiar a inovação científica e tecnológica e construir um consenso regional em prol do desenvolvimento inovador.

Eles também pediram o aprofundamento da cooperação orientada para resultados em reportagens conjuntas, inovação tecnológica e capacitação de pessoal, além de aproveitar os intercâmbios entre a mídia para levar adiante as civilizações, difundir a cultura e transmitir boa vontade, a fim de fortalecer a compreensão mútua e estreitar os laços entre os povos da Ásia-Pacífico.

O fórum foi promovido conjuntamente pelo Departamento de Comunicação do Comitê Central do PCCh, pela Agência de Notícias Xinhua e pelo governo provincial de Guangdong, e organizado pelo governo municipal de Shenzhen.

Mais de 400 representantes de mais de 40 países e regiões, bem como de agências da ONU e organizações internacionais, participaram do evento.

Na cerimónia de abertura, 16 organizações fundadoras, da China e do exterior, formaram conjuntamente o Comité Organizador do Programa de Parceria de Mídia da Ásia-Pacífico. ANG/Xinhua

sexta-feira, 4 de setembro de 2026


Política
/Enviado Especial da União Africana defende processo eleitoral inclusivo na Guiné-Bissau

Bissau, 04 Set 26 (ANG) – O Enviado Especial da União Africana, Patrice Trovoada, defendeu que os próximos passos do processo político na Guiné-Bissau devem decorrer de forma inclusiva e em conformidade com as recomendações da União Africana (UA) e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEOA), com vista a realização de eleições livres, transparentes e justas em Dezembro deste ano.

Em declarações à Imprensa  após um encontro com o Presidente da República de Transição e o Primeiro-ministro, Trovoada  afirmou ter sido informado sobre o desenrolar do Referendo, considerando-o um passo importante para o país.

Segundo Patrice Trovoada, o objectivo agora é garantir que o processo continue a evoluir de forma a assegurar a estabilidade desejada por todos os guineenses.

Questionado sobre a posição da União Africana relativamente a ausência de partidos no Referendo, o enviado especial da União Africana revelou  que o tema foi abordado durante a reunião.

“De acordo com as garantias que recebi,  nas próximas semanas deverá ser aberto um espaço de diálogo para permitir o regresso  pleno das atividades político-partidárias e a regularização das formações politicas”, disse Trovoada.

O diplomata frisou que todos esses processos dificilmente reúnem o consenso de todos, salientando que são processos dinâmicos e evolutivos.

“Queremos que reúne o máximo de consenso possível para culminar com a realização de eleições justas, livres transparentes e inclusivas” afirmou.

O enviado Especial da União Africana disse ter recebido  garantias de que os compromissos assumidos serão respeitados e que o país avançará para as eleições presidenciais procurando sempre assegurar a maior inclusão possível no processo democrático.

O Comando Militar mantem suspensas  todas as actividades político-partidárias até a nova ordem. ANG/LPG/ÂC//SG

 

Comunicação Social/Ministério do Interior e SINJOTECS buscam relação mais harmoniosa entre Agentes de Segurança e Jornalistas

Bissau, 4 Set 26(ANG) - O ministro do Interior e da Ordem Pública, Brigadeiro-General Mama Saliu Embaló, recebeu, esta sexta-feira, em audiência, a Direcção do Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), informou o Gabinete de Assessoria de Imprensa e Comunicação daquele  Ministério, numa nota publicada na sua página de Facebook , à que a ANG teve acesso.

A nota salienta que o encontro teve como principal objectivo  promover uma relação institucional de proximidade, diálogo e cooperação entre o Ministério do Interior e o SINJOTECS, enquanto entidades com responsabilidades distintas, mas convergentes na promoção da paz,  estabilidade e do interesse público.

Durante a audiência foram abordadas diversas questões relacionadas com a convivência e a colaboração entre os profissionais da comunicação social e os agentes das forças de segurança, com particular enfoque na necessidade de prevenir conflitos, promover o respeito mútuo e garantir o exercício das respectivas funções com responsabilidade e profissionalismo.

As partes manifestaram a vontade de continuar a trabalhar em conjunto na busca de soluções que contribuam para uma relação mais harmoniosa entre jornalistas e agentes policiais, salvaguardando, por um lado, o direito à informação e, por outro, o cumprimento das responsabilidades das forças de segurança na manutenção da ordem e da segurança públicas.

No final do encontro, a Direcção do SINJOTECS entregou ao ministro do Interior um projecto de iniciativa sindical, que, segundo o sindicato, poderá contribuir para a prevenção e redução de situações de conflito entre jornalistas e agentes das forças de segurança.

O Ministério do Interior e da Ordem Pública reafirma a sua abertura ao diálogo institucional e à cooperação com os profissionais e organizações da comunicação social, considerando a comunicação responsável e o respeito mútuo elementos fundamentais para a consolidação de uma sociedade pacífica, informada e democrática. AN
G/ÂC//SG

Cabo Verde/Organização das Nações Unidas reforça apoio  para erradicação da pobreza extrema em grupos vulneráveis

Bissau, 04 Set 26(ANG) – A Organização das Nações Unidas reforçou apoio a Cabo Verde para erradicação da pobreza extrema em grupos vulneráveis, mulheres, crianças, jovens e pessoas com deficiência, divulgou hoje a instituição no Relatório Anual de 2025.

Com base no Relatório Anual de 2025 da Organização da Nações Unidas (ONU), a que a Inforpress teve acesso, a instituição destacou a continuidade das acções para este ano, no âmbito do Programa Estratégica e Prioridades de Desenvolvimento, com intervenções no Desenvolvimento Local, Economia Azul e Transformação Digital.

A ONU explicou que o programa para acelerar a erradicação da pobreza extrema em Cabo Verde através da inclusão económica, teve como alvo intervenções municipais para retirar residentes em situações de “grave dificuldades financeira”, uma área que compromete dar continuidade.

No que se refere ao desenvolvimento local, o relatório faz referência na melhoria do planeamento dos sistemas de dados e da prestação de serviços a nível municipal e na expansão de oportunidades económicas locais, por exemplo na agricultura, gestão de resíduos e na promoção do emprego formal.

“As Nações Unidas vão também alargar a colaboração com os parceiros internacionais de desenvolvimento, de modo a maximizar o impacto colectivo e garantir apoio coerente às prioridades nacionais”, lê-se no relatório divulgado pela instituição.

Mencionou ainda que a atenção vai ser dada também na “capacitação institucional” na questão do uso da Inteligência Artificial segura e com ética, no sentido de combater a desinformação online.

Frisou que no domínio da governação e da reforma institucional, pretendem apoiar reforma na administração pública central e local, reforçar a cobertura na protecção social e aumentar a “prontidão para a reforma e responder às tendências demográficas emergentes”.

No entanto, segundo as Nações Unidas o ano de 2025 ficou marcado por avanços sociais e económicos robustos e pela reclassificação de Cabo Verde como País de Rendimento Médio –Alto (UMIC) em Julho de 2025.

Refere-se ainda no relatório que o Cadastro Social Único foi expandido e digitalizado, passando a cobrir 64% da população cabo-verdiana e que o registo de nascimentos infantis atingiu a marca de 99%.

Na parte da educação inclusiva, a mesma fonte avançou que foram 800 profissionais formados e garantia de recursos digitais para 3.720 crianças com necessidades especiais.

No que se refere à igualdade de género, pontuou que o país atingiu o marco histórico de zero casos de feminicídio em todo o território, “fruto de estratégias de longo prazo”.

Todavia, declarou que ainda permanece desafios, no que tange a vulnerabilidade climática, deixando a “economia volátil e dependente do turismo” e de choques externos como as cheias e a tempestade Erin “expondo a fragilidade das infra-estruturas e da agricultura local”.

Quanto ao mercado de trabalho, o relatório citou que ainda persistem “taxas elevadas de emprego informal” de 47,5 por cento (%) e de jovens com Necessidades Educativas Especiais é de 23,1 % que não estudam, não trabalham e não estão em formação. ANG/Inforpress

 

Côte D`Ivoire/ BAD e AXIAN lançam programa de financiamento  para empesas dirigidas por mulheres em cinco países africanas

Bissau, 04 Set 26 (ANG) - O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Grupo AXIAN lançaram,  quarta-feira, em Antananarivo, um programa de financiamento digital com o objetivo de melhorar o acesso a financiamento e serviços de apoio para 34.000 micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) lideradas por mulheres em cinco países africanos.

Apoiado pela iniciativa "Ação Financeira Afirmativa para Mulheres na África" ​​(AFAWA) do AfDB e pela "Iniciativa de Financiamento para Mulheres Empreendedoras" (We-Fi), o programa visa ajudar a reduzir a lacuna de financiamento enfrentada por mulheres empreendedoras africanas, estimada em US$ 49 bilhões.

O sistema será implementado por meio das plataformas financeiras digitais da AXIAN, incluindo Mixx e MVola, que oferecerão soluções de empréstimo digital, serviços de pagamento móvel, treinamento em educação financeira e ferramentas de desenvolvimento de negócios.

A primeira fase terá como alvo direto 34.000 empresas de propriedade de mulheres em Madagascar, Tanzânia e Senegal, por meio de produtos e serviços financeiros digitais adaptados às suas necessidades.

Um segundo componente prevê a formação de 25.000 mulheres em Madagáscar, Tanzânia, Senegal, Togo e Comores, particularmente nas áreas de educação financeira, competências digitais e empreendedorismo.

O programa também utilizará mecanismos alternativos de avaliação de crédito para facilitar o acesso ao crédito para mulheres empreendedoras tradicionalmente mal atendidas ou não atendidas pelos sistemas financeiros convencionais.

De acordo com os promotores, esta iniciativa visa fortalecer a inclusão financeira e digital das mulheres, promover sua integração na economia formal e apoiar o crescimento de seus negócios e a criação de empregos.

"O desafio não reside no espírito empreendedor, mas sim no acesso a financiamento, ferramentas digitais e oportunidades de crescimento", observou Erwan Gelebart, CEO do AXIAN Digibank e Fintech.

Para Melissa Basque-Roux, coordenadora da iniciativa AFAWA no AfDB, a parceria possibilitará o desenvolvimento de serviços financeiros adaptados, o fortalecimento da cultura financeira e a abertura de novas perspectivas para empresas lideradas por mulheres.

Esta iniciativa amplia o apoio do AfDB à AXIAN Telecom, após a aprovação, em janeiro de 2025, de um empréstimo de US$ 160 milhões destinado, em particular, a fortalecer a conectividade digital e a inclusão financeira em nove países africanos. ANG/Faapa

   

Nepal/‘Milagre’ de resgate de sobreviventes após nove dias em túnel leva esperança a famílias

Bissau, 04 Set 26 (ANG) - Considerado um verdadeiro "milagre" pelas autoridades, o resgate de dois operários encontrados vivos nesta sexta-feira (4) trouxe esperança às equipes de busca que trabalham desde a devastadora enchente que atingiu a região montanhosa na fronteira entre Nepal e China, em 26 de agosto. 

Identificados como Sanjay Shah e Kabir Maharjan, eles são os primeiros sobreviventes retirados com vida do túnel do projeto hidrelétrico Trishuli-3, no norte do Nepal, desde a tragédia ocorrida há nove dias. 

Imagens divulgadas pelo Ministério da Energia do Nepal mostram um dos operários sendo retirado consciente em uma maca, enquanto o outro, coberto de lama, conseguiu ficar de pé com a ajuda dos socorristas. Ambos foram levados de helicóptero para Katmandu, onde receberam atendimento médico. 

Avançando lentamente entre lama e escombros, os socorristas tinham recuperado apenas alguns corpos até o resgate desta sexta-feira. 

Segundo o gabinete do ministro da Energia, as autoridades estimam que cerca de 900 trabalhadores continuem desaparecidos em túneis de seis usinas hidrelétricas afetadas pelas enchentes. Apenas no complexo de Trishuli-3, acredita-se que cerca de uma centena de pessoas ainda possam estar presas. 

A tragédia foi provocada pelo colapso de uma geleira e de parte de uma montanha no Himalaia, desencadeando uma gigantesca onda de água, gelo e detritos que devastou áreas dos dois países. De acordo com o balanço oficial mais recente, o desastre deixou ao menos 1.280 mortos e mais de 5 mil desaparecidos. 

As enchentes causaram prejuízos materiais de pelo menos US$ 2,56 bilhões no Nepal, informou à Reuters nesta sexta-feira o diretor da agência nacional de gestão de desastres do país.

As primeiras medidas de reconstrução, previstas para os próximos quatro meses, devem custar cerca de US$ 52,6 milhões e incluem a recuperação de estradas, a instalação de abrigos temporários e o restabelecimento dos serviços de água e luz.

Pouco antes do anúncio oficial, Arnold Dix, especialista australiano em resgates subterrâneos, relatou o primeiro sinal de contato com possíveis sobreviventes. 

Segundo ele, as equipes ouviram uma resposta fraca vinda do interior do túnel. A palavra "hunchha", em nepalês, significa "sim" ou "ok". Os socorristas responderam: "Não se preocupem, estamos vindo salvá-los". 

Desde então, dezenas de equipes de resgate nepalesas e estrangeiras, incluindo especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, participam de uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes em túneis de usinas hidrelétricas e barragens em construção.

Enquanto as buscas continuam, as autoridades também tentamatender dezenas de milhares de moradores afectados pela catástrofe.

 A enchente destruiu estradas, pontes, edifícios e infraestruturas energéticas.  

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, classificou o desastre como um "tsunami himalaio".

 Segundo a coordenadora das agências da ONU em Katmandu, Lila Pieters Yahia, o acesso às áreas mais isoladas permanece extremamente difícil, e muitos locais só podem ser abastecidos por helicópteros, drones ou carregadores. 

Após mais de uma semana sem notícias do filho de 22 anos, que havia partido para trabalhar perto da fronteira com o Tibete, a agricultora Kulmaya Tamang procurou um centro de informações em Bharatpur para fornecer uma amostra de sangue.

O material será comparado ao DNA dasvítimas encontradas pelas equipes de resgate. 

Estar ali significa considerar a possibilidade de que o filho esteja morto. O marido dela, Rajkumar, já perdeu a esperança.

"Se ele estivesse vivo, acredito que já teria entrado em contato connosco. Por isso, acho que não sobreviveu", lamenta. 

A cena se repete entre milhares de famílias afetadas pela tragédia. Muitas seguem percorrendo hospitais e postos de informação em busca de notícias de parentes desaparecidos. 

Em Bharatpur, para onde foram levados dezenas de corpos retirados dos rios da região, o hospital público local ficou sobrecarregado.

"Em 20 anos de carreira, nunca vi um hospital precisar realizar 350 autópsias em poucos dias", afirmou o diretor da unidade, Bishwabandhu Bagale. "Com essas condições climáticas quentes e húmidas, a decomposição dos corpos acelerou. O cheiro é muito forte, então a decisão de realizar enterros “temporários” foi tomada rapidamente. Não tínhamos outra opção." ANG/RFI com agências

 

 

China/ Aberta segunda edição de 2026 do intercâmbio com jornalistas de países em desenvolvimento

 

Bissau, 04 Set 26 (ANG) – O Centro Internacional de Comunicação de Imprensa da China (CIPCC) abriu hoje, na Universidade Renmin da China, a segunda edição de 2026 do programa de intercâmbio para jornalistas de países em desenvolvimento.

 

Na cerimónia de abertura do evento, que reúne mais de uma centena de participantes, o diretor do CIPCC, Yu Lei, destacou que a iniciativa foi criada para responder aos pedidos dos países em desenvolvimento, proporcionando aos jornalistas a oportunidade de conhecerem a China, através da experiência direta e produzirem reportagens mais abrangentes e objetivas.

 

“Criámos este Centro de Intercâmbio de Media para convidar mais jornalistas dos países em desenvolvimento a virem à China, dando-lhes a oportunidade de aprender e explorar por si próprios, com os seus olhos e os seus ouvidos, para ver o que está a acontecer aqui na China e dar uma visão mais completa e objetiva aos seus países”, afirmou Yu Lei.

 

Segundo o responsável, o principal objetivo do programa é promover uma cooperação prática entre a China e os países em desenvolvimento no sector dos media, permitindo aos participantes conhecerem diferentes aspetos do desenvolvimento chinês.

 

A segunda edição do CIPCC em 2026 reúne jornalistas de várias regiões do mundo e representa uma expansão do programa, que conta este ano com um número recorde de participantes.

 

O diretor adiantou que os participantes terão oportunidade de visitar diferentes províncias chinesas, sublinhando que a realidade do país vai além das grandes cidades como Pequim e Xangai.

“Pequim não representa toda a China em termos de desenvolvimento.

 

Ainda existem regiões que não são tão desenvolvidas como estas grandes cidades e queremos que os jornalistas conheçam diferentes partes do país”, afirmou.

 

Durante o programa, os jornalistas participarão em sessões de formação, intercâmbios, visitas e atividades culturais, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a história, economia, sociedade e desenvolvimento da China.

 

O programa vai até o dia 15 de Dezembro e abrange países de todos os continentes. ANG/Inforpress

 

ONU/Annalena Baerbock alerta que a organização mundial não sobreviverá a era de fragmentação sem reforma

 

Bissau, 04 Set 26 (ANG) - A presidente cessante da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, advertiu hoje que a organização não sobreviverá à atual era "tão fragmentada" sem uma reforma, deixando o alerta a cerca de uma semana de sair do cargo.

 

Na sua última conferência de imprensa enquanto presidente da Assembleia-Geral, a diplomata alemã, que passará o cargo a Khalilur Rahmando, do Bangladesh, na próxima terça-feira, questionou: "Quantos golpes esta casa da diplomacia pode suportar, especialmente se não estivermos prontos para nos reformar?"".

 

"Sem dúvida, a ONU não sobreviverá nestes tempos fragmentados e difíceis se não houver reformas. Precisamos de menos burocracia e de sermos muito mais eficazes e eficientes num mundo digitalizado", afirmou Baerbock.

 

Reformar a organização foi uma das prioridades do mandato da alemã, que observou que as regras financeiras da ONU foram alteradas para se adaptarem à atual crise financeira, a burocracia e os mandatos foram reduzidos e os prazos de intervenção foram encurtados para agilizar os debates.

 

No entanto, reconheceu que durante o seu mandato de um ano testemunhou um ressurgimento de guerras e conflitos, assim como um intensificar do "impasse no Conselho de Segurança".

 

Como presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock também teve que gerir o início do processo de eleição do novo secretário-geral da organização, que sucederá António Guterres no início de 2027.

 

"A escolha que a ONU fizer para o décimo secretário-geral enviará uma mensagem sobre se esta organização realmente representa as pessoas que deveria servir, metade das quais são mulheres e meninas", observou Baerbock, que em várias ocasiões sublinhou que a ONU nunca teve uma liderança feminina em 80 anos de história.

 

A alemã tem sido uma das mais fortes defensoras da ideia de que a próxima pessoa a liderar a organização deveria ser uma mulher, tendo ela própria sido a quinta mulher a ocupar a presidência da Assembleia-Geral.

 

A diplomata aproveitou para agradecer a António Guterres, com quem trabalhou diretamente no desafio de "reformar", "fortalecer" e "proteger" a organização multilateral.

  

"Quando as divisões se aprofundam e os nossos desafios partilhados se tornam mais complexos, o valor do multilateralismo torna-se ainda mais importante. Porque nenhum dia o mundo estaria melhor sem as Nações Unidas, para nenhum país", afirmou.

 

Ao ser questionada sobre a reforma que não foi concluída, Baerbock destacou que a organização precisa de um organograma único para ajudar a hierarquizar a sua estrutura, de forma a eliminar cargos seniores duplicados e, por vezes, obsoletos.

 

A presidente cessante agradeceu aos jornalistas pela colaboração no que confirmou ser a sua última etapa na política.

 

Após uma carreira de quase 20 anos, incluindo o período como ministra das Relações Exteriores da Alemanha (2021-2025), Baerbock iniciará um novo capítulo na Universidade Columbia, em Nova Iorque, como docente. ANG/Inforpress/Lusa