Economia/FMI faz previsão socioeconómica negativa para África subsaariana, devido ao conflito no Médio Oriente
“Por
Queba Coma – Correspondente da ANG em Portugal”
Lisboa, 26 de Mai 26
(ANG) – O Fundo Monetário Internacional adverte que um prolongamento do
conflito no Médio Oriente, entre o Irão e Estados Unidos de América e Israel
“poderia aumentar, ainda mais, os preços dos bens alimentares, do petróleo e
fertilizantes, nos países da África Subsaariana, como a Guiné-Bissau.
Segundo o Correspondente
da ANG em Portugal, a informação consta no seu Relatório deste mês de abril,
sobre as perspectivas económicas regionais intitulado “África Subsariana –
Pressão sobre Ganhos Económicos Conquistados”.
Perante este cenário, o documento acrescenta
que a produção pode contrair-se em 0,6% na região, registando um impacto mais
acentuado nos países importadores de petróleo, como a Guiné-Bissau, enquanto a
inflação poderia aumentar na ordem dos 2,4 pontos percentuais em 2026, face ao
cenário de base elaborado antes da guerra.
No documento, o FMI enfatizou que a guerra no
Médio Oriente “turvou as perspetivas”, dado ao aumento dos preços do petróleo,
do gás e dos fertilizantes, juntamente com os custos do transporte marítimo.
“Além
disso, o choque perturbou o comércio com os parceiros do Golfo, reduziu o
número de turistas e afetará provavelmente as remessas enviadas para alguns
países”, adiciona o informe.
Ainda, como consequência deste conflito, o
Relatório do FMI afirma que os países pobres em recursos naturais e
importadores de petróleo deparam-se com uma deterioração da balança comercial e
um aumento do custo de vida, enquanto os Estados exportadores deste
hidrocarboneto beneficiarão do aumento das receitas de exportação, mas
continuarão expostos à volatilidade e aos riscos de “políticas pró-cíclicas”.
Também, declara que pobreza, a insegurança
alimentar e outros indicadores sociais, já fragilizados pela pandemia de
coronavírus, poderão deteriorar-se ainda mais com a redução da ajuda externa e
a subida dos preços dos bens alimentares.
Segundo as estimativas dos peritos do FMI que
elaboraram este relatório, um aumento de 20 por cento nos preços internacionais
dos bens alimentares poderia colocar mais de 20 milhões de pessoas em situação
de insegurança alimentar moderada ou grave nesta zona africana ao sul de Saara.
Para inverter esta situação e perspetivas
pessimistas, esta instituição do “Bretton Woods” aconselha os países
importadores de petróleo à “preservarem as despesas sociais e de
desenvolvimento prioritárias, procurando ao mesmo tempo, aumentar a mobilização
de receitas internas, melhorar a eficiência das despesas e reforçar a gestão
das finanças públicas”.
“As autoridades nacionais devem acelerar as
reformas estruturais em prol do crescimento e da diversificação. A integração
regional pode fomentar o crescimento e melhorar a resiliência da cadeia de
abastecimento, num contexto geopolítico em mutação”, conclui o FMI.
Os países como a Guiné-Bissau, Moçambique e a República de Gâmbia são
considerados, segundo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, de
“Rendimento Baixo e Frágeis e afetados pelos conflitos”.
O Relatório “Perspetivas Económicas Regionais:
África Subsaariana” é publicado duas vezes ao ano, descrevendo a evolução
económica desta zona de África ao Sul de Saara. FIM/QC/ÂC

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