Médio Oriente/EUA atacam bases de mísseis e embarcações no Irã
Os ataques ocorreram em um momento em que são
realizadas novas negociações no Catar para tentar encerrar a guerra. Segundo o
guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, "não haverá retorno".
As Mídias iranianas informaram que
fortes explosões foram ouvidas em Bandar Abbas, no sul do país, por volta da
meia-noite do horário local (17h30 de segunda-feira pelo horário de Brasília).
A televisão estatal afirmou logo depois que a situação havia retornado à
normalidade, acrescentando que uma investigação estava em andamento para
determinar a origem dos ataques.
Em seguida, o comando do Exército
americano para o Oriente Médio (Centcom) informou que os bombardeios ocorreram
em "legítima defesa". "Os alvos incluíram locais de lançamento
de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas", declarou
o porta-voz Tim Hawkins, em comunicado.
Na
manhã de terça-feira (26), o guia supremo iraniano, Moitaba Khamenei, que não
aparece em p+ublico desde que assumiu o cargo no início de Março, declarou que
as bases americanas não serão mais protegidas pelos países do Golfo. "É
certo que não haverá retorno e que as nações e territórios da região não
servirão mais de escudo para as bases americanas”, reiterou, por meio de uma
declaração escrita divulgada pela televisão estatal.
A nota ainda afirma que os Estados Unidos estão perdendo influência na região, “afastando‑se a cada dia um pouco mais de seu antigo status". Logo depois, a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter abatido um drone americano que entrou no espaço aéreo do Irã.
Os
bombardeios americanos ameaçam um cessar-fogo frágil entre as partes iniciado
em 8 de Abril, e acontecem no momento em que Washington e Teerã tentam retomar
os contatos para alcançar um acordo de paz.
O porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou na segunda‑feira que as discussões haviam avançado em muitos pontos para um possível compromisso de paz com os Estados Unidos
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse nesta terça-feira que ainda é possível encontrar um acordo com o Irã. "Houve algumas conversas no Catar hoje, então vamos ver se conseguimos avançar.
Há muita discussão de um lado para o
outro sobre a redação específica do documento inicial, então vai levar alguns
dias", disse Rubio em Jaipur, durante uma visita oficial à Índia.
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos
também garantiu que o Estreito de Ormuz será reaberto "de um jeito ou de
outro". "O que está acontecendo lá é ilícito, é ilegal, é
insustentável para o mundo, é inaceitável", declarou a jornalistas.
Em entrevista à RFI, o cientista político e
pesquisador Sebastien Boussois, especialista em Oriente Médio da Universidade
Livre de Bruxelas, diz acreditar que as declarações de Rubio evocam, sem
dúvidas, a hipótese de um ataque para desbloquear a região. "Mas todos sabem
que a liberação do Estreito de Ormuz só poderá acontecer por via diplomática e,
certamente, não pela via militar", pondera.
Horas antes dos bombardeios americanos,
o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump também havia endurecido as
condições para um compromisso de paz com o Irã, ao exigir que Arábia Saudita,
Emirados Árabes, Catar, Paquistão, Egito, Turquia, Bahrein e Jordânia
assinassem os Acordos de Abraão, um conjunto de tratados negociado em 2020, que
levou à normalização das relações entre algumas nações historicamente hostis e
Israel.
Bahrein
e Emirados Árabes já assinaram esses acordos, assim como Marrocos e Sudão. Mas
muitos outros países se recusaram até agora a participar desse processo,
sobretudo Arábia Saudita, Síria e Líbano, principalmente desde o conflito que
devastou a Faixa de Gaza.
"O problema para a administração
americana é que ela quer sair dessa situação o mais rápido possível. Ao mesmo
tempo, Trump quer evitar perder prestígio, mas também não quer se indispor com
seus parceiros regionais", diz Boussois.
Além disso, segundo o especialista, o
regime iraniano está "totalmente preparado" para uma mudança de rumo
na guerra e os Estados Unidos só têm a perder ao se engajar em uma nova
ofensiva. "Para fazer o quê? Contra quem? Em que alvos?", questiona
Boussois. "A partir do momento em que, na prática, Trump aceita abrir mão
daquilo que inicialmente desejava — ou seja, o colapso da República Islâmica —,
ele passa a ser obrigado a negociar com um regime que hoje parece mais sólido
do que nunca", observa.
ANG/RFI com agências

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