quinta-feira, 13 de março de 2025

Literatura/Editora Nimba anuncia lançamento da primeira obra  literária  do jornalista  Muniro Conté intitulada ”Escritos”

Bissau, 13 Mar 25(ANG) – A Editora Nimba  anunciou quarta-feira o lançamento da primeira obra literária intitulada “Escritos”, do Jornalista Muniro Conté que contém  memórias, crónicas e  aventuras de um jornalista.

O anúncio foi feito na página da editora  e refere que “Escritos” vai ser lançado sob coordenação de Luís Vicente.

“Trata-se de uma contribuição inédita na Guiné-Bissau , através da qual o autor pretende deixar um legado para as gerações vindouras, por forma a ajudá-las a aprimorar ou melhorar as suas faculdades de escrita, em prol de uma comunicação mais atrativa e interventiva", refere a editora.

A referida obra apresenta igualmente algumas prozas e poesias sobre temáticas diversas inspiradas na contemporaneidade e historicidade guineense e além fronteiras, em domínios diversos.

“No livro o autor  faz questão de colocar a disposição da sociedade política guineense reflexões sobre as duas primeiras décadas da democracia multipartidária, esboçando um olhar crítico ao défice da cultura democrática, expressa na conduta negacionista dos seus detratores face ao veredicto das urnas, único meio convencional para a ascensão ao poder num sistema democrático”, destaca a Nimba .

A publicação de Muniro Conté esboça os desafios de implementação da Liberdade de Imprensa e do equilíbrio do Género no país, e os debates que têm provocado nos meios políticos e sociais , para além da compilação de  artigos temáticos produzidos pelo autor durante a sua passagem pelo Sistema das Nações Unidas.

Muniro Conté é licenciado em Direito e tem curso técnico profissional de Jornalismo no CIES-RFI(França) e CENJOR Portugal, foi Diretor-geral da Rádio Difusão Nacional.ANG/JD/ÂC//SG

Saúde/Rede Lusófona de Saúde Comunitária pede compromisso público para a realização do Congresso da CPLP sobre VIH/SIDA

Bissau, 13 Mar 25 (ANG) – As Organizações Não Governamentais de base comunitária (OBC) membros da Rede Lusófona de Saúde Comunitária pediram quarta-feira aos ministros da Saúde dos países membros, a definição da data e local para a realização do congresso da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa(CPLP).

De acordo com uma nota da organização, com  data de 12 de Março, publicada na página da WhatsApp da ONG Enda Santé, à que a ANG teve acesso, a organização propõe para a  Vª Reunião Extraordinária de Ministros da Saúde da CPLP, prevista para Abril de 2025, em São Tomé e Príncipe que haja um  compromisso público para a realização do Congresso da CPLP sobre VIH/SIDA, Tuberculose, Malária e Hepatites Virais, em 2025, na Cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

Estas organizações ainda pedem a  garantia de realização bianual, até 2030 do congresso da CPLP sobre a mesma temática, com ampla participação de governos, academias, doadores, instituições internacionais e sociedade civil.

Na missiva, com conhecimento do Secretário Executivo da CPLP, as Organizações Não Governamentais  de Base Comunitária ainda pedem a inclusão de um representante na reunião de Ministros da Saúde da CPLP, a realizar-se, em São Tomé e Príncipe.

O reforço da parceria e advocacia junto do Fundo Mundial para garantir financiamento equitativo para os países lusófonos, que atualmente enfrentam desvantagens em relação a países anglófonos e francófonos e a garantia no acesso à inovação em diagnósticos, vacinas e tratamentos ,com o apoio do Fundo Mundial e outras instituições das Nações Unidas, são  outras as exigências das organizações da Rede Lusófona da Saúde Comunitária .

O documento refere que as preocupações destas ONGs já chegaram aos ministros da Saúde da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal, Brasil e Timor Leste.ANG/MSC/ÂC//SG

 

EUA/Donald Trump ameaça champanhe e vinhos europeus com aumento de 200% de taxas aduaneiras

Bissau, 13 mar 25 (ANG) - O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, voltou a ameaçar a Europa com o aumento de taxas aduaneiras sobre as bebidas alcoólicas europeias em retaliação à subidas das taxas aplicadas ao brandy norte-americano. O ministro francês do Comércio Externo já disse que a Europa não se vai vergar às ameaças de Trump.

Mais uma vez, o Presidente norte-americano Donald Trump usou a sua própria rede social, Truth Social, para difundir ameaças de aumentos de tarifas aduaneiras. Desta vez, foram visados os países da União Europeia com o chefe de Estado a dizer que todos os produtos alcoólicos vindos da Europa, incluindo vinhos e champanhes, podem ter um aumento de 200% nas taxas aduaneiras ao atravessarem o Atlântico.

Estes aumentos surgem como resposta à decisão de Bruxelas de incrementar as taxas aduaneiras a vários produtos produzidos nos Estados Unidos após Trump ter anunciado que tencionava taxar mais duramente o aço e o alumínio europeu. Um dos produtos visados foi o brandy norte-americano, uma decisão que Trump considerou como "indecente".

Para o Presidente norte-americano, o bloco europeu é "uma das autoridades mais hostis e abusivas em termos de aplicação de taxas aduaneiras" e foi criado "apenas para se aproveitar dos Estados Unidos".

O ministro francês do Comércio Exterior, Laurent Saint-Martin, reagiu na rede social X a estas ameaças e disse que a França está pronta "a ripostar", não cedendo às ameaças de Trump e protegendo as indústrias nacionais. Para o governante francês, esta é uma guerra que Trump decidiu começar sozinho.

No entanto, esta notícia levou a uma queda quase imediata na Bolsa de Paris das acções de grupos de bebidas alcoólicas francesas como Pernod Ricard, que produz Ricard, Remy Cointreau e o gigante LVMH, que detém o conhaque Hennessy e a marca de champanhe Moët & Chandon.ANG/RFI

    Rússia/Kremlin opõem-se a trégua de 30 dias, Trump diz estar optimista

Bissau, 13 Mar 25 (ANG) - O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta noite estar optimista quanto a uma trégua na Ucrânia, com emissários norte-americanos a chegarem hoje a Moscovo.

No entanto, o Kremlin parece não mostrar grande abertura ao diálogo com um porta-voz de Putin a dizer que pausa de 30 dias no conflito seria "um alento para a Ucrânia".

De um lado do Atlântico optimismo, do outro lado pragmatismo. A partir da Casa Branca, nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump disse estar optimista quanto a um possível cessar-fogo, com os seus emissários a chegarem hoje a Moscovo de forma a negociarem um acordo para travar a invasão da Ucrânia.

No entanto, o Kremlin disse já hoje que um cessar fogo temporário de 30 dias serviria apenas para dar alento e força à Ucrânia. Estas foram informações dadas por um porta-voz russo que acrescentou ainda que Vladimir Putin deve falar hoje publicamente sobre esta proposta.

Trump disse estar pronto a uma resposta "forte" caso Putin recusasse negociar, numa altura em que a Ucrânia aceitou uma trégua de 30 dias e que este tema será também debatido no seio do G7 que se reúne hoje no Canadá.

Desde quarta-feira que a trégua parecia não estar nas prioridades de Vladimir Putin, que visitou na quarta-feira a região de Koursk, que faz fronteira com a Ucrânia e tem sido alvo de fortes ataques por parte das forças ucranianas. O Presidente russo trocou mesmo o seu habitual fato pelo uniforme militar dizendo esperar "libertar em breve o território russo de todo e qualquer inimigo".

Só em Koursk, os russos dizem já ter feito 430 prisioneiros entre os soldados ucranianos que actuam na região, com o Presidente russo a defender que os prisioneiros de guerra sejam "tratados como terroristas". Já hoje a Rússia disse ter abatido 77 drones ucranianos em várias regiões do país, com uma grande parte a concentrar-se na fronteira entre os dois Estados.

Na noite de quarta-feira, em França, os deputados gauleses votaram favoravelmente uma resolução de apoio à Ucrânia, no entanto, houve abstenções e votos contra. A abstenção veio do grupo de extrema-direita União Nacional e os votos contra da extrema-esquerda. Entre as novidades desta resolução, está uma posição clara para que os bens apreendidos aos russos nos diversos países da União Europeia sirvam para financiar o apoio militar e de reconstrução da Ucrânia.ANG/RFI

França/Direcção da RFI reage à detenção de um dos seus correspondentes no Chade

Bissau, 13 Mar 25 (ANG) - A direção da Rádio França internacional reagiu hoje ,em comunicado, à detenção na segunda-feira de um dos seus correspondentes naquele país que é também director do semanário chadiano "Le Pays", Olivier Monodji, acusado juntamente com dois outros jornalistas, também eles detidos, de inteligência com o grupo paramilitar russo Wagner, atentado contra as instituições e conspiração.

 


Ao referir estar "em contacto com o advogado de Olivier Monodji e estar a acompanhar de perto a evolução deste dossier", a direção da RFI considerou que "os motivos da acusação de Olivier Monodji não se enquadram no delito de imprensa e são irrelevantes para a sua produção para a RFI".

"A RFI garante a integridade editorial das suas contribuições na antena, todas profissionais e conformes com as regras deontológicas. A direção da RFI deseja recordar o seu compromisso com o respeito dos direitos de Olivier Monodji e dos direitos da defesa", acrescentou ainda a direção da emissora francesa.

Recorde-se que na segunda-feira, as autoridades chadianas informaram que os três jornalistas em questão, o director de publicação do semanário "Le Pays" e correspondente para o Chade da Radio France Internationale (RFI), Olivier Monodji, outro editor do mesmo semanário, Ndilyam Guekidata, e um jornalista da Télé Tchad, Mahamat Saleh Alhissein, se encontravam detidos.

Foi na sequência de uma "denúncia" sustentada por "documentos" que os três jornalistas foram detidos, informou o Procurador-Geral da República, Oumar Mahamat Kedelaye, num comunicado referindo que esses documentos mostram que "forneceram informações relacionadas com a segurança e a economia do país", com dados que "podem prejudicar a situação militar ou diplomática do Chade, os seus interesses económicos" e podem constituir uma "conspiração contra o Estado".

Depois de uma primeira audiência na segunda-feira, os três jornalistas foram conduzidos para o centro de detenção de Klessoum, onde aguardam uma nova comparência perante a justiça prevista nesta quinta-feira.

A direção da Télé Chade afirmou no domingo que o seu repórter Mahamat Saleh Alhissein foi acusado de ter traduzido documentos fornecidos pela Rússia sobre as operações dos seus suplentes no Mali e sobre a situação económica do Sahel.

Foi por um artigo sobre a inauguração da Casa russa de N'Djamena, no passado mês de Setembro, que um dos correspondentes da RFI no país e director do "Le Pays", Olivier Monodji, foi detido segundo outras fontes.

Na altura dessa inauguração, três russos, um dos quais conhecido pelos seus laços com o falecido chefe do grupo Wagner, Evgueni Prigojine, foram detidos aquando da sua chegada ao Chade e ficaram sob custódia policial durante várias semanas, sem que tenha havido uma qualquer explicação por parte das autoridades chadianas ou russas.

Refira-se que três anos depois da sua chegada ao poder na sequência da morte em combate do seu pai, o Presidente Idriss Déby, o actual homem forte do país, Mahamat Idriss Déby Itno, 40 anos, foi formalmente eleito presidente em 2024, no âmbito de um escrutínio considerado "nem credível, nem livre" pela oposição.ANG/RFI

        Síria/Israel denuncia limpeza étnica e massacre no território sírio

Bissau, 13 Mar 25 (ANG) - A vice-ministra dos Negócios Estrangeiros israelita,
Sharren Heskel, classificou os assassínios de civis na Síria nos últimos dias como um massacre e uma limpeza étnica, sublinhando que Israel não permitirá uma ameaça 'jihadista' nas suas fronteiras.


"O HTS [Organização para a Libertação do Levante ou Hayat Tahrir al-Sham] é um grupo terrorista 'jihadista', islamita, que tomou Damasco à força e foi apoiado pela Turquia. O HTS pertenceu ao Estado Islâmico [EI] e à al-Qaida. Eram 'jihadistas' antes e são 'jihadistas' agora, mesmo que alguns dos seus líderes tenham vestido fatos. A comunidade internacional deve tomar essa consciência disso em relação ao regime em Damasco", disse Heskel hoje numa conferência de imprensa.

A vice-ministra israelita referia-se à recente onda de violência na costa oeste síria, resultado de confrontos entre elementos afiliados ao regime deposto do antigo Presidente sírio Bashar al-Assad e outros que apoiam as autoridades do novo Governo de transição.

Até ao momento, a ONU confirmou a morte de 111 pessoas [90 homens, 18 mulheres, um rapaz e duas raparigas] nos incidentes, embora outras organizações, como o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, tenham estimado hoje o número de mortos em 1.093 pessoas.

"Este é um massacre que todos devem condenar, é o que significa realmente uma limpeza étnica", disse a vice-ministra israelita, acrescentando que "ninguém se vai manifestar nas ruas de Paris para proteger as famílias que estão prestes a ser massacradas por estas forças".

Segundo Heskel, estas mortes na Síria "deveriam ser uma mancha para o mundo inteiro, recordando que os apoiantes da Palestina não estão a favor da justiça, da paz ou da solidariedade para com os oprimidos, não sendo mais do que racistas, antissemitas e idiotas úteis para os monstros 'jihadistas'".

Heskel disse que o objetivo de Israel é impedir que aquilo que aconteceu na Síria aconteça dentro das suas fronteiras.

"Quando dizemos que estamos preocupados com a segurança na fronteira com a Síria, significa que estamos preocupados que estes monstros 'jihadistas' venham a cometer massacres e limpeza étnica de judeus e drusos dentro das nossas fronteiras. Não permitiremos a formação de uma ameaça 'jihadista' nas nossas fronteiras", disse.

Desde a chegada ao poder do novo regime sírio, Israel ocupa a zona desmilitarizada que abandonou há décadas na sua fronteira norte com a Síria, onde o Governo israelita disse que permanecerá indefinidamente.

"Há milhares de agentes do [grupo islamita palestiniano] Hamas e do movimento islamita Jihad Islâmica na Síria que nos querem atacar e fazer uma guerra contra Israel", disse Heskel.

Em 08 de dezembro, um grupo de combatentes rebeldes, liderados pelo HTS derrubou o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad, que acabou por fugir para a Rússia.

Após 14 anos de guerra civil, a Síria tem agora um Governo de transição dirigido pelo líder do HTS, Ahmed al-Charaa. ANG/Lusa

 

                      Moçambique/Dois polícias torturados e mortos

Bissau, 13 Mar 25 (ANG) - Dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) foram torturados e mortos por um grupo de indivíduos no posto administrativo de Miciasse, na província de Zambézia, no centro do país, disse hoje fonte da corporação.


Ambos foram destacados para fazer, na segunda-feira, o estudo e mapeamento para revitalização das estruturas comunitárias de segurança e implantação de uma posição tática policial naquele posto administrativo, disse o porta-voz do comando provincial da PRM na Zambézia, Miguel Caetano.

"Já no mercado local, quando se reuniam com parte da população para aferir a sensibilidade da comunidade (...), um grupo de indivíduos mal-intencionados, munidos de instrumentos contundentes, surpreenderam os membros da polícia", explicou.

Segundo o representante, o grupo, composto por cerca de 11 indivíduos, amarrou e agrediu os agentes.

"Parte da população que estava naquele local tentou, sem sucesso, socorrer os dois membros da PRM, que estavam a ser agredidos brutalmente por aquele grupo de indivíduos", disse.

De acordo com Miguel Caetano, já foram identificados os indivíduos envolvidos no crime, estando já a decorrer ações para a detenção dos mesmos.

"Garantimos e assumimos que nos próximos dias poderemos neutralizá-los, porque são indivíduos conhecidos", acrescentou.

Também a organização não-governamental moçambicana Decide, que monitoriza os processos eleitorais no país, confirmou este caso, ocorrido no distrito de Molumbo, a 20 quilómetros da vila sede de Miciasse.

"De recordar que a população exige a devolução das cinco pessoas que perderam a vida naquele ponto, aquando das manifestações pós-eleitorais, para posteriormente manter-se uma relação cordial com a polícia", descreve hoje a Decide, acrescentando que do total de 357 mortos verificados nas diversas manifestações e agitação social desde as eleições gerais de 09 de outubro, pouco mais de 4% "são agentes pertencentes às forças de segurança".

As mortes acontecem num momento em que Moçambique ainda vive um clima de agitação social pós-eleitoral, após mais de três meses de manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais, que deram vitória a Daniel Chapo.

Atualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer em diferentes pontos do país e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.

O Governo moçambicano confirmou pelo menos 80 óbitos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias durante as manifestações.ANG/Lusa

       PALOP/Projetos na área da saúde vão receber cerca de 500 mil euros

Bissau, 13 Mar 25 (ANG) - Três projetos de investigação em saúde nas áreas do cancro, hemoglobinopatias e doenças infecciosas, em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, vão receber cerca de 500 mil euros até 2027, anunciou recentemente a Gulbenkian.

 

Em comunicado, a Fundação Calouste Gulbenkian referiu que esta é a 2.ª edição do programa ENVOLVE Ciência PALOP, iniciativa da instituição que "tem como objetivo apoiar a consolidação das carreiras científicas de jovens investigadores dos PALOP nos países de origem, reforçando igualmente os sistemas científicos".

Os três projetos são liderados pelos investigadores Ariana Freira (Cabo Verde), Bubacar Embaló (Guiné-Bissau) e Filomena Manjate (Moçambique).

Segundo a Gulbenkian, os projetos "foram selecionados por um júri internacional, que teve em conta a relevância, originalidade, qualidade das propostas e o impacto no desenvolvimento de capacidades pessoais do candidato e da instituição."

Em Cabo Verde, Ariana Freira é a investigadora responsável pelo projeto "Study of sickle cell anemia", que resultou do seu estágio no Gulbenkian Institute of Molecular Medicine em Lisboa e que será desenvolvido na Universidade de Cabo Verde, em parceria com o Hospital Agostinho Neto, na Praia.

O projeto consiste, segundo nota da Gulbenkian, na implementação do rastreio neonatal da anemia das células falciformes, uma das principais estratégias para a redução da mortalidade em crianças abaixo dos cinco anos. "A anemia das células falciformes é altamente prevalente em África, principalmente na África subsariana, e este projeto pretende ainda estudar os mecanismos imunológicos associados às crises vaso-oclusivas em doentes com anemia falciforme, em Cabo Verde", lê-se no comunicado.

Na Guiné-Bissau, o investigador Bubacar Embaló, que realizou o seu estágio no IPO-Porto, onde elaborou o projeto "Study of Head and Neck Cancer incidence and epidemiology", também receberá apoio nos próximos três anos.

O projeto consiste no estudo da incidência do cancro de cabeça e pescoço e será desenvolvido no Hospital Simão Mendes, em Bissau.

Segundo o comunicado da Gulbenkian, Bubacar Embaló pretende criar um registo oncológico de base populacional, um laboratório de anatomia patológica no Hospital Simão Mendes e desenvolver estudos moleculares, bacteriológicos e fúngicos relacionados com as patologias de cabeça e pescoço.

Em Moçambique, Filomena Manjate, investigadora do Centro de investigação em Saúde da Manhiça, foi outra das vencedoras com o projeto elaborado durante o estágio no Instituto de Higiene e Medicina Molecular.

De acordo com a nota da Gulbenkian, o projeto -- "Wastewater-based metagenomics surveillance of infectious agents and antimicrobial resistance using an integrated One Health approach in Southern and Central Mozambique" -- na área das doenças infecciosas, uma das principais causas de morte em crianças abaixo dos 5 anos em Moçambique, consiste na criação de uma plataforma de vigilância ambiental integrada para perceber quais as redes de transmissão dos patogénios em águas residuais e a sua resistência aos antibióticos.ANG/Lusa

Regiões/Trinta agentes de saúde comunitária de Biombo recebem formação  sobre  comunicação inter-pessoal e planeamento familiar

Prábis, 13 Mar 25 (ANG) – Os agentes da Área de Saúde Comunitária da região de Biombo, norte do país, recebem desde quarta-feira, em Prábis, uma formação de dois dias  sobre a comunicação inter-pessoal e planeamento familiar.

De acordo com o despacho do Correspondente da ANG na região de Biombo, na ocasião, a área comunitária de Biombo dispõe de 30 agentes, sendo 23 homens e sete mulheres.

Segundo Lurdes da Costa, responsável da Área Comunitária de Biombo, a formação visa a partilha de  informações  para despertar o interesse  sobre a importância das  temáticas de saúde comunitária.

Por sua vez, o porta-voz dos formandos Adriano Nhamo Nanque garante que  saberão aproveitar os ensinamentos administrados para melhor puder aplicá-los futuramente.

 “Vamos encarrar essa formação, porque de agora para frente a responsabilidade de sensibilizar a população desta zona está nos nossos ombros”, garantiu  Adriano Nanque.

Acrescentou  que o trabalho de sensibilização é uma tarefa difícil e que as vezes ao tocar no tema de planeamento familiar, gera desentendimento e mal-estar.

“As mulheres geralmente interpretam mal esse tema, muitas  entendem que isso é uma forma de controlar as suas vidas”, disse.ANG/AN/AALS/ÂC//SG


quarta-feira, 12 de março de 2025

Saúde/A taxa de mortalidade materna na Guiné-Bissau reduziu de 746 para 548 até 2022 em cada 1000 nados vivos

Bissau, 12 Mar 25(ANG) – A taxa de mortalidade materna na Guiné-Bissau reduziu  de 746 para 548 até 2022, em cada mil nados-vivos,  segundo os dados apresentados hoje pela Diretora da Saúde Materna Infantil, Waldina Barbeiro, na Conferência de Alto Nível para Redução da Mortalidade Materna no país.

Ao presidir a abertura do evento, o Presidente da República pediu as mulheres para se abdicarem do recurso a medicina tradicional e usarem a medicina  convencional que é mais segura e com medicamentos doseados.

Umaro Sissoco Embaló lamentou as altas taxas de mortalidade materno-infantil  na África Ocidental, registadas em  2022, e que eram de 60 por cento, e que agora estão a  reduzir, principalmente na Guiné-Bissau.

Parabenizou os profissionais da saúde pela redução, considerada significativa, da mortalidade materno-infantil  e recomendou mais empenho aos técnicos da saúde para o cumprimento da meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis 2030 ,relativos a  redução da mortalidade para menos de 70 mortes em cada cem mil nascimentos.

Embaló referiu que, para que haja uma redução é preciso um investimento nos recursos humanos, meios materiais e financeiros para a obtenção de  resultados almejados por todos.

Segundo o chefe do Estado, o Governo    implementa várias   ações para garantir melhor qualificação profissional dos quadros da saúde, que deverão implicar a  expansão de instalações sanitárias pelas  comunidades mais carenciadas.

Para o  ministro da Saúde Pública,Pedro Tipote, a questão da saúde materna,  não é só uma questão da saúde pública, mas também  um pilar essencial para o desenvolvimento e progresso socioeconómico do país.

“Uma nação forte é aquela que valoriza e protege as mães, pois são elas que garantem a continuidade e o futuro.   Infelizmente, o índice da mortalidade-materna  continua a ser o maior desafio que o país enfrenta, refletindo no acesso aos cuidados de saúde de qualidade, desde falta de infraestruturas até nas necessidades do reforço das políticas públicas eficazes”, disse o governante.

Pedro Tipote reiterou que o Governo, através do Ministério da Saúde Pública, se compromete em  intensificar os esforços para garantir assistência pré-natal eficiente,  parto seguro e acompanhamento pós-parto adequado para todas as mães.

Disse estar ciente de que a redução da mortalidade materna exige um esforço conjunto e coordenado entre o Governo, os parceiros internacionais, as organizações  da sociedade civil e as comunidades locais.

Destacou que  ao longo dos anos têm trabalhado arduamente  para fortalecer o Sistema Nacional de Saúde na Guiné-Bissau, com ênfase na formação dos profissionais,  melhoria das infraestruturas hospitalares e  promoção da campanha de sensibilização, para garantir que todas as mulheres, independente das suas condições socioeconómica, tenham acesso aos cuidados de saúde de qualidade.

Tipote disse que esta iniciativa se alinha com o Roteiro Regional para a aceleração da redução da mortalidade materna na África Ocidental e Central, composto por  três eixos principais, sendo  o primeiro, a proteção das mulheres e meninas.

O  Fórum de Alto Nível com a duração de um dia  é de iniciativa presidencial e é  realizado pelo Ministério da Saúde Pública em colaboração com o Ministério da Saúde de Portugal.ANG/JD/ÂC//SG

Regiões/Projeto Boa Governação disponibiliza 50 mil francos CFA mensal para apoiar ações da OSC local

Quinara, 12 Mar 25 (ANG) – O Projeto Boa Governação da Liga Guineense dos Direitos Humanos, financiado pela União Europeia vai disponibilizar em cada final do mês, num período de seis meses,   50 mil francos cfa para apoiar ações identificadas pela sociedade civil local.

De acordo com o despacho do correspondente da ANG na região de Quinará, a informação foi avançada ,terça-feira, pelo Gestor da Componente Cívico do referido projeto, Gueri Gomes Lopes num encontro de auscultação  com organizações da Sociedade Civil, realizado em Buba.

Disse que o encontrou serviu para a identificação das  principais ações que devem ser apoiadas pelo Projeto Boa Governação, no quadro da dinamização dos centros de recursos que existem nas cinco cidades da intervenção do projeto.

ANG/RC/MI/ÂC//SG

   

Justiça/Presidente da República anuncia detenção de um suspeito  de envolvimento  no assassínio de uma criança de três anos em  São Domingos

Bissau, 12 Mar 25(ANG) - O Presidente da República anunciou esta manhã  a detenção de um suspeito de envolvimento  no assassínio , sábado, de uma criança de três anos, em São Domingos, Norte do país.

A confirmação foi feita por Umaro Sissoco Embaló, aos jornalistas à margem das celebrações dos 42 anos de criação da Polícia Judiciária (PJ), realizadas esta quarta-feira, em Bissau.

"O suspeito já está detido, mas temos que aprofundar a investigação, a Guiné-Bissau não é um país que pode aceitar este tipo de feitiçaria de tradição. Mesmo no século passado não era aceitável. Estas pessoas têm que ser punidas severamente", disse o Chefe de Estado.

O caso ainda está a ser investigado  pelas autoridades judiciais, e o PR recomenda punição severa dos implicados para desencorajar atos semelhantes no país.

 As primeiras revelações sobre este caso indicam que o corpo da menina assassinada foi encontrado sem alguns dos seus órgãos. ANG/RSM

 

Dia da Polícia Judiciaria/Presidente da República promete  novo edifício para sede da instituição

Bissau, 12 Mar 25 (ANG) – O Presidente da República prometeu hoje  um novo edifício para a Polícia Judiciária(PJ), que deverá ser a antiga Direcção-Geral de Contribuições e Imposto, junto ao Estádio Lino Correia, em Bissau.

Umaro Sissoco Embaló fez a promessa  ao presidir o evento que marca os 42 anos da PJ, e disse que, pela importância da instituição no combate ao crime organizado e à corrupção, não deve ter as suas instituições apenas em Bissau, mas também em diferentes regiões do país, mesmo se forem  em casas  alugadas, na   primeira fase.

Embaló parabenizou a PJ pelo trabalho que tem feito, em prol do desenvolvimento da Guiné-Bissau, frisando que, quem combate a corrupção está a ajudar o país a desenvolver-se, e que quem  luta contra esses males sempre é chamado de ditador.

O chefe de Estado pediu a PJ para  andar  com as autoridades nacionais para a tornar mais operativa, à  semelhança da polícia de outros países, apoiando na moralização da sociedade.

Umaro Sissoco Embaló disse que tem dado uma particular atenção ao setor da justiça e em especial a PJ.

A ministra da Justiça e Direitos Humanos, Maria do Céu Silva Monteiro, declarou na ocasião  que, enquanto tutela, está comprometida com o fortalecimento da PJ e com a promoção da justiça e dos Direitos Humanos em todo o país.

“É preciso ser implacável no combate cerrado à corrupção, na prevenção e desmantelamento de organizações criminosas, que  tentam utilizar a Guiné-Bissau para o exercício das suas atividades ilícitas, na  repressão da criminalidade contra a mulher e criança”, disse.

Céu Monteiro salientou que, ao comemorar os 42 anos da PJ, deve-se lembrar da importância do seu papel na sociedade guineense, e diz que, por isso, precisa-se renovar o compromisso com os Direitos Humanos e com a promoção da justiça em todo o país. Disse que para tal é necessário trabalhar para o alargamento das estruturas da Polícia Judiciária por todo o país.

Segundo a governante, desde a sua criação à 12 de Março de 1983, a PJ tem sido uma instituição essencial para o sistema da justiça criminal.

Para o Diretor-geral da PJ, o tema escolhido este ano “A Policia Judiciária face aos Desafios da Transformação Digital na Guiné-Bissau”, não poderia ser mais que oportuno, uma vez que o mundo vive numa era de mudanças aceleradas, onde a tecnologia redefine os paradigmas da segurança da justiça e da própria sociedade.

Domingos Correia salientou que, durante 42 anos, a PJ tem sido um pilar fundamental no combate à criminalidade e na defesa do Estado de Direito na Guiné-Bissau, mas enfrenta vários desafios desde a consolidação da independência até ás complexidades da criminalidade transnacional .

Disse que a instituição superou  obstáculos para se transformar numa  instituição que apesar dos recursos limitados, tem contribuído  para a segurança e a justiça no país.

“Por isso, deve estar na vanguarda da mudança, o que implica investir em infraestruturas tecnológicas, capacitar os agentes e adotá-los de novas metodologias de investigação, digitalização dos processos e  criação de bases da dados entre outros”, salientou.

A Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas na Guiné-Bissau Geneviéve Boutin elogiou o compromisso  da PJ para com a justiça e a segurança do povo guineense .

Segundo ela, a PJ tem sido um pilar essencial na defesa do Estado de Direito, na investigação criminal e no combate à criminalidade organizado transnacional .

Geneviéve acrescentou que o seu papel na luta contra o tráfico de drogas ,crimes financeiros ,corrupção e outros fenómenos que ameaçam a estabilidade do país é crucial.

Para enfrentar esses desafios, diz Boutin, é fundamental que o Estado fortaleça a PJ, garantindo-lhe os recursos humanos, materiais e tecnologias necessários para atuar com eficácia e independência.

Participaram na cerimónia comemorativa  dos 42 anos da fundação da PJ, embaixadores residentes no país, corpo diplomático, representantes da sociedade civil, organizações dos direitos humanos, membros do governo entre outros.

No âmbito das comemorações do dia PJ, e durante o dia de hoje e na quinta-feira será realizada uma palestra sob o tema central “A Policia Judiciária face aos Desafios da Transformação Digital na Guiné-Bissau”.

As atividades comemorativas do evento só terminam  na sexta-feira(14) com a realização da final do torneio de futebol masculino e feminino.,.ANG/MSC/ÂC//SG

Portugal/ Assembleia da República chumbou moção de confiança do Governo

Bissau, 12 Mar 25 (ANG) - Em Portugal, o parlamento chumbou ontem à noite a moção de confiança apresentada pelo Governo, provocando a sua demissão. Cabe agora ao Presidente da República decidir se convoca ou não legislativas antecipadas. Votaram contra a moção de confiança o PS, Chega, BE, PCP, Livre e a deputada única do PAN. A favor votaram PSD, CDS-PP e a Iniciativa Liberal. De acordo com a Constituição, a "não aprovação de uma moção de confiança" implica a "demissão do Governo".

Foi rejeitada a moção de confiança e caiu o Governo de Luís Montenegro. Ontem à noite, 11 de Março, à saída do parlamento o primeiro-ministro português, líder do partido de direita PSD, garantiu que o executivo fez tudo para evitar eleições antecipadas e acusou a oposição, nomeadamente o Partido Socialista, de aproveitamento político da situação.

Ficámos a perceber que o Partido Socialista não quer efectivamente as respostas. O Partido Socialista quer que a situação de impasse, de dúvida, de suspeição, se prolongue para poder, mais à frente, eventualmente, tirar dividendos políticos disso

Esta terça-feira, após mais de três horas e meia de discussão acesa na Assembleia da República, a sessão foi suspensa para negociações de última hora entre o partido no poder, PSD, e o maior partido da oposição, PS. A interrupção não serviu para sanar as divergências entre os dois e os socialistas, como tinha anunciado, votaram contra a confiança no Governo.

Pedro Nuno Santos, líder do PS, acusa o executivo de manobras políticas inaceitáveis.

Aquilo que aconteceu hoje no Parlamento foi uma vergonha. É indecoroso. Foram manobras, foram jogos, foram truques. Isso é inaceitável.

A rejeição da moção de confiança pelo Parlamento abre caminho a eleições legislativas antecipadas, as terceiras desde o início de 2022. Cabe agora ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decidir se dissolve o Parlamento. Caso sejam convocadas, as eleições legislativas antecipadas poderão realizar-se a 11 ou 18 de Maio.

No centro da polémica está uma empresa de prestação de serviços, Spinumviva, detida pela mulher e filhos de Montenegro, que tem contratos com várias companhias privadas, entre elas um grupo cuja actividade depende de concessões atribuídas pelo Estado. 

Neste cenário de um possível conflito de interesses, foi criada uma comissão parlamentar de inquérito. ANG/RFI

Moçambique/ PGR aplica Termo de Identidade e Residência a Venâncio Mondlane

Bissau, 12 Mar 25 (ANG) - A Procuradoria-Geral da República de Moçambique aplicou terça-feira,  a medida de Termo de Identidade e Residência a Venâncio Mondlane.

O ex-candidato presidencial Mondlane garante que vai continuar a actividade política normal e avança que continua sem saber de que crime é acusado.

O Ministério Público acusa o ex-candidato presidencial de incitar à violência nas manifestações pós-eleitorais.

O político foi ouvido na Procuradoria-Geral da República sobre um dos oito processos em que é visado no âmbito dos protestos  pós-eleitorais em Moçambique.

À saída da audiência Mondlane garantiu que vai continuar a actividade política normal e avança que continua sem saber de que crime é acusado.

Até agora eu não consigo dizer efectivamente se estou a ser injustiçado ou não, porque não sei qual é o crime de que sou acusado. Esse é um dos protestos que nós vamos apresentar.

Como é que nós podemos ficar numa audição de quase dez horas sem saberes qual é o crime de que te acusam? 

Foi-me aplicada uma medida sancionatória ou de limitação, que é o Termo de Identidade de Residência. Isso significa que eu não posso me deslocar sem avisar à Procuradoria.

Vou continuar a fazer a minha actividade política normal, meu trabalho normal. A única questão é que todos os movimentos, para além de cinco dias, têm que ser informados à Procuradoria. 

A audiência do ex-candidato presidencial levantou um clima de suspense em Maputo, com um forte contingente policial a bloquear os acessos à PGR.

A polícia chegou a lançar gás lacrimogéneo nas imediações do edifício da Procuradoria-Geral da República, para dispersar dezenas de apoiantes de Venâncio Mondlane, que permaneciam no local entoando hinos de apoio.

Moçambique vive desde as eleições gerais de 09 de Outubro de 2024 um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais que deram vitória à Frelimo e ao seu candidato Daniel Chapo.

Desde outubro, pelo menos 353 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, de acordo com a Plataforma Decide.ANG/RFI

 


   Ucrânia
/ Governo aceita proposta americana de cessar-fogo de 30 dias

Bissau, 12 Mar 25 (ANG) - A Ucrânia aceitou, terça-feira, uma proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo de 30 dias com a Rússia e  Washington concordou levantar a suspensão da ajuda militar a Kiev.

As partes também se comprometeram a chegar “o mais depressa possível” a um acordo sobre “exploração conjunta dos recursos minerais ucranianos”.

Na declaração conjunta das delegações dos Estados Unidos e da Ucrânia, reunidas esta terça-feira, em Jeddah, na Arábia Saudita, Kiev aceita a proposta norte-americana de um cessar-fogo de 30 dias com a Rússia, que “pode ser prolongado por acordo mútuo entre as partes e está sujeito à aceitação e posterior implementação pela Federação Russa".

Num discurso televisivo durante a noite, o Presidente ucraniano Volodimir Zelensky reiterou que “a Ucrânia está pronta para aceitar a proposta” e que a considera “como uma etapa positiva”.

O Kremlin reagiu, esta quarta-feira, e indica estar à espera de a “informação completa” pelos Estados Unidos, acrescentando que “uma chamada telefónica do mais alto nível”, ou seja, entre os Presidentes russo e americano, poderia realizar-se “a muito curto prazo”.

No texto resultante das conversações de Jeddah, Washington prometeu, ainda, levantar a suspensão da ajuda militar a Kiev e também se menciona a necessidade de alcançar, “o mais depressa possível”, um acordo sobre “exploração conjunta dos recursos minerais ucranianos”. Em contrapartida, o documento prevê que o país invadido pela Rússia há três anos receba garantias de "prosperidade e segurança a longo prazo" e que Washington recupere o valor da ajuda financeira e militar transferida para Kiev durante a guerra.

Por outro lado, o entendimento prevê a retoma da partilha de dados dos serviços de informação norte-americanos com as autoridades ucranianas e destaca a importância de tomar, durante o cessar-fogo, medidas humanitárias como "a troca de prisioneiros de guerra, a libertação de civis detidos e o regresso de crianças ucranianas transferidas à força" para territórios sob controlo russo ou para a Federação Russa. Entretanto, Donald Trump convidou Volodymyr Zelensky a deslocar-se novamente à Casa Branca, depois de o ter recebido com acusações em plena conferência de imprensa, a 28 de Fevereiro.ANG/RFI