Portugal/ "Uma das maiores tragédias humanas da nossa
história recente”, disse Luís Montenegro
Bissau, 05 set 25(ANG) - O
primeiro-ministro português, Luís Montenegro, falou esta quinta-feira, 4 de
setembro, ao país sobre ao acidente do Elevador de Lisboa, "uma das
maiores tragédias humanas da nossa história recente" e corrigiu o número
de vítimas mortais para 16 e deu conta de cinco feridos em estado grave.
Luís Montenegro fez uma declaração à
comunicação social, sem direito a perguntas, no final da reunião do Conselho de
Ministros, ao lado do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas,
que participou na parte final do encontro, a convite do primeiro-ministro.
O Governo decretou um dia de luto
nacional, que se cumpre hoje. Já a Câmara de Lisboa decretou três dias de luto
municipal, entre hoje e sábado.
A Protecção Civil de Lisboa também
corrigiu o número de vítimas mortais do descarrilamento do elevador da Glória,
que é afinal de 16 e não de 17, como divulgado esta manhã.
“Com base nas fontes disponíveis, foi informado o
falecimento de duas vítimas, durante esta noite, nos hospitais. Esta informação
não está correcta, tendo-se apurado uma duplicação de um registo, pelo que se
corrige e esclarece que faleceu uma pessoa esta noite no Hospital de São José,
havendo assim a lamentar 16 vítimas mortais, e não 17 como informado esta
manhã”, referiu numa nota enviada à agência de
notícias Lusa.
O primeiro-ministro português disse que
o Governo está "em contacto
com as famílias das vítimas nacionais e estrangeiras, nomeadamente através do
Ministério dos Negócios Estrangeiros, sempre que haja lugar à identificação das
pessoas e das nacionalidades que vão sendo confirmadas".
Luís Montenegro acrescentou que “o
Instituto de Registo e Notariado vai disponibilizar uma equipa em Lisboa para
poder acelerar os registos de óbito e garantir um atendimento prioritário. A
TAP já se disponibilizou também para prestar todo o apoio, quer no transporte
para território nacional de familiares, de cidadãos nacionais ou estrangeiros
(…). Este trágico acidente que afectou o nosso país ultrapassa fronteiras e é
uma dor que não tem nacionalidade".
O primeiro-ministro agradeceu ainda
a "pronta e coordenada
resposta de todas as entidades envolvidas no socorro às vítimas",
ressalvando que "esta resposta rápida permitiu salvar vidas e, acima de
tudo, por via disso, evitar que a tragédia assumisse ainda proporções maiores e
mais devastadoras".
Em entrevista à RFI, Raquel Varela,
historiadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de
Lisboa e investigadora sobre as relações de trabalho, denuncia o abandono dos
transportes públicos, as más condições dos trabalhadores e a situação explosiva
que se vive na cidade de Lisboa.
"Temos estudos nos portos da cidade de Lisboa, na manutenção da TAP, no
pessoal de voo e cabine, no Metro de Lisboa. Nos maquinistas da CP, Em todos
eles. Todos eles. Nós apontámos para riscos significativos para os
trabalhadores e para a população que usa estes serviços por causa das condições
de trabalho, que são altamente degradantes. E nós não estamos só a falar dos
baixíssimos salários, nós estamos a falar de trabalhadores em turnos sucessivos,
porque não há outros trabalhadores para ocupar o lugar destes, porque os
trabalhadores emigram com os baixos salários. Portanto, nós estamos a falar de
pessoas que muitas vezes fazem 16h00 seguidas de trabalho. Nós estamos a falar
de salários tão baixos que não dá para as pessoas reporem os seus níveis
biológicos, nomeadamente alimentares decentes, dormir decentemente, etc.
Portanto, nós estamos a falar de uma situação explosiva que o que nós temos é
uma situação generalizada de degradação dos serviços públicos que está
intimamente ligada. Eu gostava de salientar isto às regras que a União Europeia
põe porque subcontratações são possíveis, mas contratar funcionários públicos
bem pagos não é. E, portanto, tudo isto é uma situação absolutamente explosiva,
em que as pessoas começam a chegar à conclusão que o Estado, em vez de as
proteger, é uma ameaça à sua vida", declarou a académica.
O acidente ocorrido no histórico Elevador da Glória, em pleno coração de Lisboa, provocou até ao momento 16 mortos e cinco feridos - números que poderão ainda evoluir nas próximas horas. As causas do desastre permanecem por esclarecer, embora tudo aponte para uma possível ruptura do cabo que liga as duas cabines do sistema funicular. Sabe-se agora que a manutenção desta infra-estrutura tinha sido externalizada para uma empresa privada - uma decisão que tem sido contestada há vários anos pelos sindicatos da Carris, a empresa municipal responsável pelos transportes públicos da capital.ANG/RFI

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