RDC/OMS alerta para alto risco de disseminação do Ébola para outros países
“Precisamos ser francos:
a epidemia está longe de estar sob controle”, afirmou o diretor-geral da OMS,
Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma reunião de emergência sobre o
surto. “Ela teve uma grande vantagem inicial, e ainda estamos tentando
alcançá-la.”
A declaração foi feita
depois de a RDC informar, na segunda-feira, que o surto havia provocado
mais de 2.300 mortes entre quase 5.000 casos, tornando-se o mais letal da
história do país.
Declarado em 15 de Maio,
o 17º surto de Ébola na RDC provavelmente já estava se espalhando havia
várias semanas naquele momento.O surto atingiu regiões do norte e do leste do
país onde a presença do Estado é limitada, a infraestrutura de saúde é escassa
e inúmeros grupos armados atuam há décadas.
O surto “está sendo alimentado pela insegurança e pelo
deslocamento de pessoas, além da intensa movimentação populacional por
estradas, rios e rotas de mineração”, afirmou Tedros, segundo a transcrição de
suas declarações.
O vírus, que se espalha pelo contato com
fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica, “está avançando mais
rapidamente do que qualquer surto anterior de Ebola”, alertou.
Três meses após a declaração do surto,
foram registrados na RDC sete vezes mais casos e cinco vezes mais mortes do que
nos primeiros três meses do maior surto de Ebola da história, segundo os
Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC).
Aquele surto atingiu a África Ocidental
entre 2013 e 2016 e matou mais de 11.300 pessoas, principalmente na Libéria, em
Serra Leoa e na Guiné.
Um surto ocorrido na RDC entre 2018 e
2020, até então considerado o mais letal do país, matou 2.299 pessoas entre
3.381 casos confirmados, segundo dados da OMS baseados em informações
congolesas.
Esta foi a segunda reunião do comité de
emergência da OMS desde que, em Maio, a organização declarou o surto uma
Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, seu segundo nível de
alerta mais elevado.
Ainda não estava claro quando o comité
divulgaria suas recomendações.
Atualmente, a agência de saúde da ONU
classifica o risco para a saúde pública como “muito alto” em nível nacional na
RDC, “alto” para Uganda e outros países vizinhos e “baixo” para o restante da
África e do mundo.
Até o momento, foram registados casos em
seis províncias da RDC, inclusive perto da fronteira com o Sudão do Sul, além
de casos no vizinho Uganda. “O risco de uma maior disseminação nacional e
internacional continua alto”, insistiu Tedros.
Não existe atualmente uma vacina ou
tratamento específico para a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual aumento
dos casos de Ebola, embora ensaios clínicos estejam em andamento.
O diretor da OMS afirmou que sua maior
preocupação é “onde as pessoas estão morrendo: em casa, em suas comunidades,
fora dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos”.
“Cada morte desse tipo aponta para uma
cadeia de transmissão que ainda não encontramos”, disse, alertando que “até que
todas as cadeias sejam encontradas e interrompidas, a epidemia continuará”.
Em uma entrevista coletiva nesta
terça-feira, o especialista da OMS Thierno Balde descreveu os esforços para
ampliar e descentralizar a resposta, aproximando-a das comunidades onde o vírus
está se espalhando.
Entre outras medidas, ele afirmou que a
organização busca proteger melhor os moto-taxistas que transportam pacientes e
integrá-los ao sistema de vigilância.
“A OMS e seus parceiros esperam observar
um impacto da ampliação da resposta nos próximos meses, mas não podem
estabelecer um prazo para quando a epidemia estará sob controle”, disse aos
jornalistas em Genebra, falando de Bunia. ANG/RFI/AFP
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