terça-feira, 14 de julho de 2026

        Copa 2026/ França e Espanha se enfrentam em 'final antecipada'

 Bissau, 14 Jul 26 (ANG) - França e Espanha se enfrentam nesta terça-feira nas semifinais da Copa do Mundo em um duelo considerado por muitos uma “final antecipada”, como escreve o jornal francês Le Monde.

As duas seleções chegam como as mais consistentes do torneio: os franceses avançaram com vitórias sobre Suécia, Paraguai e Marrocos, mantendo o favoritismo e exibindo um ataque poderoso, com 16 gols marcados, enquanto os espanhóis, atuais campeões da Eurocopa, destacam-se pela melhor defesa da competição, com apenas um gol sofrido.

Embalada pelo título europeu de 2024 e por duas vitórias recentes sobre os franceses, na Euro 2024 e na Liga das Nações de 2025, a Espanha entra em campo confiante e com vantagem histórica nos confrontos do século XXI.

Apesar do respeito mútuo, técnicos, jogadores e analistas veem o jogo como o verdadeiro teste de força entre os dois principais candidatos ao título mundial.

Para o jornal esportivo francês L'Equipe, a França enfrenta hoje o seu principal rival nos últimos anos.Motivada pela possibilidade de alcançar sua terceira final mundial consecutiva, a seleção comandada por Didier Deschamps chega com seis vitórias seguidas e uma campanha sólida, liderada por Kylian Mbappé, mas ainda sem ter enfrentado um adversário do nível da atual campeã europeia.

 

Considerada uma espécie de “pedra no sapato” dos Bleus nos últimos anos, a Espanha acumula vitórias recentes sobre os franceses e mantém seu tradicional estilo de posse de bola e intensidade ofensiva, liderado pela jovem estrela Lamine Yamal.

Apesar da força espanhola, a atuação irregular contra a Bélgica nas quartas de final expôs fragilidades defensivas que a França espera explorar. O vencedor avançará para a decisão em Nova York, enquanto o derrotado disputará apenas o terceiro lugar, em Miami.

Para o jornal Le Figaro, a campanha da França na Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada não apenas pelos resultados em campo, mas também pelo estilo de liderança de Didier Deschamps.

Segundo o diário francês, o técnico adaptou seu método de gestão às novas gerações de jogadores, flexibilizando regras, incentivando momentos de convivência com familiares e permitindo mais liberdade durante a concentração em Boston. 

A estratégia busca manter o grupo motivado e mentalmente leve na busca por uma terceira final consecutiva de Mundial.

Deschamps é elogiado por atletas e colegas pela capacidade de diálogo, pela atenção aos reservas e pela habilidade de preservar a união do elenco.

Com cinco semifinais em sete grandes torneios desde que assumiu a seleção, o técnico chega ao fim de seu ciclo como um dos principais responsáveis pela impressionante regularidade da França no cenário internacional e tenta coroar sua trajetória com mais um título mundial.

Já o jornal Libération abordaas críticas e comentários racistas sobre a forte presença de jogadores negros na selecção francesa e defende que a equipe reflete a realidade social e esportiva da França.

 

O texto argumenta que a composição dos Bleus é resultado da popularidade do futebol nas periferias urbanas e nos territórios ultramarinos, onde o esporte se consolidou como importante instrumento de ascensão social.

 

O editorial do Libé rebate discursos que questionam a “francesidade” dos atletas, destacando que a nacionalidade não tem relação com origem, cor da pele ou religião, mas sim com a cidadania.

Segundo o texto, o sucesso da seleção evidencia tanto a eficiência do sistema francês de formação de jogadores quanto o impacto das políticas urbanas e migratórias das últimas décadas, reforçando que, independentemente de suas origens, todos os atletas representam igualmente a França dentro de campo.

ANG/RFI

 

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