EUA/ONU defende papel-chave do Tribunal Penal Internacional perante campanha dos EUA
Bissau,
14 Jul 26(ANG) – A ONU defendeu o Tribunal Penal Internacional (TPI) como uma
peça-chave no sistema de justiça internacional, depois de Washington ter
anunciado uma campanha contra o organismo por alegadamente ameaçar a soberania
dos Estados Unidos.
Os
Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, o tratado internacional
de 1998 que criou o TPI para julgar indivíduos que cometam crimes de genocídio,
de guerra e contra a humanidade.
"Embora
o TPI seja uma organização independente do Secretariado [das Nações Unidas] e
da ONU, para nós continua a ser uma peça-chave do sistema de justiça
internacional", disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da
organização, António Guterres.
Dujarric
disse que o tribunal com sede em Haia, nos Países Baixos, "conta com o
apoio de um grande número de Estados-membros e contribui para que se prestem
contas por crimes graves".
O
TPI tem atualmente 125 Estados-membros, incluindo Portugal, mas, além dos
Estados Unidos, também não é reconhecido por países como a Rússia, China,
Israel ou Índia.
O
porta-voz de Guterres disse que cada um dos países do TPI "adotará as suas
próprias decisões" no que se refere a permanecer ou retirar-se do tribunal
em caso de pressão por parte dos Estados Unidos.
Afirmou
que "o Direito internacional, a Carta da ONU e a Declaração Universal dos
Direitos Humanos foram criados por Estados-membros soberanos e deram proteção e
alívio a milhões de pessoas".
"Estão
sob ameaça e ataque, como tem dito frequentemente o secretário-geral",
lamentou Dujarric, durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque, citado
pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
O
Departamento de Estado norte-americano acusou na segunda-feira o TPI de
representar "uma ameaça intolerável para a soberania
norte-americana".
"Arroga-se
a autoridade para processar e até prender militares e funcionários
norte-americanos que atuam em defesa do interesse nacional dos Estados
Unidos", justificou a diplomacia de Washington.
O
departamento liderado por Marco Rubio anunciou que vai agir para inviabilizar a
capacidade do TPI de "operar, perseguir militares ou funcionários
norte-americanos".
Entre
as medidas que está a ponderar encontram-se os contactos diplomáticos por parte
Rubio e de outros altos funcionários para advertir sobre os riscos que o TPI
"representa para os norte-americanos e outros países".
Rubio
propôs um "maior escrutínio" dos países que se "recusem a
rejeitar a falsa autoridade do TPI" no caso de "dependerem de
assistência norte-americana".
O
Departamento de Estado também apelou para que outros Estados que não façam
parte do Estatuto de Roma aproveitem as redes diplomáticas "para tomar
medidas semelhantes" e impor novas restrições de vistos e sanções contra
os membros do TPI.
O
anúncio da campanha surge depois de três magistrados do TPI terem apresentado,
em Junho, um processo contra a Administração do Presidente Donald Trump por
lhes terem sido impostas sanções.
As
medidas serviram de retaliação por o TPI ter emitido, em 2024, mandados de
captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o agora
ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.
Os
dois dirigentes israelitas foram acusados de crimes de guerra e contra a
humanidade no âmbito da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza após os
ataques de 07 de Outubro de 2023. ANG/Inforpress/Lusa

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