Médio Oriente/Estados Unidos atacam alvos iranianos e Teerão retalia em todo o Médio Oriente
Bissau, 14 Jul 26(ANG) — Os EUA lançaram esta madrugada ataques contra o Irão, horas após o Presidente Donald Trump afirmar que Washington vai "restabelecer" o bloqueio ao Irão no Estreito de Ormuz e depois anunciar que irá cobrar taxas à navegação.
O
anúncio de Trump de imposição de taxas próprias a outros navios pela passagem
segura, subverte centenas de anos de política norte-americana de apoio à
liberdade de navegação em todo o mundo.
O
Irão respondeu com ataques dirigidos ao Bahrein, à Jordânia e a dois
petroleiros associados aos Emirados Árabes Unidos que navegavam pelo estreito,
matando um marinheiro e ferindo outros oito.
Os
Emirados ameaçaram retaliar contra o Irão, o que poderá levar a nação que
abriga Abu Dhabi e Dubai a voltar a entrar em conflito com Teerão.
Os
ataques ocorrem num momento em que o Irão e os Estados Unidos disputam o
controlo do estreito, por onde, em tempos de paz, passava um quinto de todo o
petróleo bruto e gás natural comercializados no mundo.
O
preço do petróleo bruto de referência Brent subiu para um máximo de um mês,
ultrapassando os 84 dólares (73,6 euros) nas negociações na madrugada desta
terça-feira, ainda bem abaixo dos quase 120 dólares (105,2 euros) atingidos no
auge da guerra, mas ameaçando aumentar os custos em todo o mundo.
O
Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) afirmou ter atacado áreas
em torno de Abu Musa, Bandar Abbas, Bushehr, Chahbahar, Jask e Konarak, visando
"sistemas de defesa costeira, instalações de mísseis e drones e
capacidades marítimas" iranianas.
O
Irão reconheceu os ataques nessas áreas, mas não forneceu avaliações sobre
vítimas ou danos.
"Estes
ataques continuarão a impor um custo elevado às forças iranianas e a
enfraquecer a sua capacidade de atacar civis inocentes e a navegação comercial
no Estreito de Ormuz", afirmaram as forças armadas norte-americanas. Em
seguida, Trump referiu-se a estes bombardeamentos como "mais um ataque de
grande envergadura".
"Estamos
a atingi-los com toda a força. E isto vai continuar, e vamos ver o que
acontece", disse Trump aos jornalistas no Salão Oval. "Estamos a
neutralizar toda a sua capacidade ofensiva e a controlar o estreito. Estamos a
restabelecer o bloqueio", acrescentou.
Donald
Trump também forneceu novos detalhes sobre a sugestão de que os Estados Unidos
irão cobrar portagens aos navios que atravessarem o estreito, numa reviravolta
após ter afirmado antes que isso não iria acontecer.
"Estamos
a proteger uma região muito rica do mundo", afirmou. "Estamos a
gastar dinheiro. Por isso, o que fizemos foi garantir que seremos reembolsados
pela proteção", justificou.
Os
Estados Unidos defendiam até agora que o estreito deveria permanecer aberto a
todos, sem portagens — tal como acontecia antes dos ataques israel-norte-americanos
contra o Irão em 28 de Fevereiro.
Qualquer
tentativa por parte dos Estados Unidos ou do Irão de cobrarem taxas violará as
normas globais sobre a liberdade de navegação e aumentará as tensões, com
eventuais perturbações económicas correspondentes, muito para além da região.
O
Irão afirma ter o direito de gerir o tráfego através do estreito e,
potencialmente, cobrar taxas, em conformidade com o acordo de paz provisório, o
que EUA contestam.
As
forças armadas norte-americanas e a Organização Marítima Internacional das
Nações Unidas tentaram estabelecer uma rota através do estreito, ao longo da
costa de Omã, que ficasse fora do controlo iraniano, mas o Irão atacou navios
que utilizavam essa rota, alegando que os Estados Unidos estavam a violar o
acordo de paz provisório.
Os
EUA atacaram o Irão em resposta, o que provocou ataques iranianos contra
Estados árabes aliados dos EUA.
A
troca de ataques dos últimos dias lança dúvidas sobre o acordo de paz
provisório. Washington tinha levantado um bloqueio que impôs em meados de Abril
como parte desse memorando de entendimento, que também previa a reabertura
total do estreito. ANG/Inforpress/Lusa

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