Iraque/Supostos jihadistas franceses
são julgados no Iraque, e todos correm o risco de pena de morte
Bissau, 21 ST 26 (ANG) - Alguns dos 47 supostos jihadistas franceses detidos no Iraque começaram a ser julgados a partir deste domingo (20).
Eles foram transferidos do nordeste da Síria, onde estiveram detidos durante vários anos por crimes terroristas ligados à organização Estado Islâmico, e estão presos em Bagdá. Todos correm o risco de ser condenados à pena de morte.Os franceses e outros milhares de
supostos membros do grupo Estado Islâmico (EI), de diferentes nacionalidades,
estão detidos à espera de julgamento. A Federação Francesa dos Direitos Humanos
apela pelo “repatriamento urgente dos seus cidadãos presos no Iraque”.
Entre
eles,estão jovens que foram à Síria com os pais. Neste domingo, seis homens
começaram a ser julgados, e um deles chegou à Síria ainda menor de idade. Durante
a audiência, que durou quase três horas, o juiz leu as conclusões da
investigação, que incluíram os depoimentos dos suspeitos.
Representates da embaixada da França estavam presentes no tribunal penal de Bagdá. Segundo o jornalista da AFP que assistiu à audiência, os seis franceses são Charlie Sun, Kamel Ben Mbarek, Mehdi Ismaël Sida, Ibrahim Azahaf, Noureddine el-Mansouri e Najib Megherbi.
Ibrahim Azahaf chegou à Síria aos 14 anos, segundo os advogados franceses Marie Dosé e Matthieu Bagard. Noureddine el-Mansouri perdeu a nacionalidade francesa em Junho de 2016, mas a decisão está sujeita a recurso.
Os seis homens compareceram à audiência,
alguns vestidos com macacões laranja. A investigação apurou que os
suspeitos foram para as áreas controladas pelo EI após terem passado
inicialmente pela Turquia. Uma próxima audiência foi marcada para 5 de Outubro.
"Existem o que chamamos de jovens
adultos, ou seja, são crianças que foram levadas à força para a Síria pelos
seus pais, que foram inscritas à força no Estado Islâmico, em última instância
são vítimas da guerra, e que hoje foram transferidas ilegalmente para serem
julgadas em Bagdad”, explicou à RFI Mathieu Bagard, da organização
Advogados Sem Fronteiras França, que representa alguns destes cidadãos
franceses.
“E como vamos julgá-los? Vamos julgá-los
como homens? Vamos julgá-los como perpetradores e não como vítimas? Não sabemos
nada sobre tudo isso. É algo realmente problemático para nós”, acrescentou o
defensor.
“Acredito que temos uma verdadeira
responsabilidade com eles, que são hoje um pouco vítimas da escolha dos seus
pais, mas também vítimas das autoridades francesas, da escolha da França, de
não repatriá-los.”
Os tribunais iraquianos proferiram
centenas de penas de morte e de prisão perpétua a pessoas condenadas por
“terrorismo”, incluindo combatentes estrangeiros do EI detidos na Síria.
Em 2019, onze cidadãos franceses foram condenados à morte, mas a pena foi
comutada mediante recurso para prisão perpétua.
A questão da repatriação de suspeitos
ligados ao EI e de suas famílias é um tema controverso na França – país alvo de
uma série de atentados jihadistas.
No grupo de franceses que aguardam
julgamento, está Adrien Guihal, um veterano da jihad que, em nome do EI,
reivindicou o atentado de Nice, no sul da França, que deixou 86 mortos em 14 de
Julho de 2016.
Organizações de defesa dos direitos
humanos denunciaram o caráter precipitado dos julgamentos por
"terrorismo", classificando-os como sumários e desprovidos de
garantias processuais.
As prisões iraquianas, já lotadas de
suspeitos de pertencerem ao EI, receberam milhares de detidos adicionais desde
a transferência deles da Síria, no ano passado.
No início de 2024, mais de 5,7 mil
pessoas de cerca de 60 nacionalidades, suspeitas de pertencerem ao grupo
jihadista, foram levadas para o Iraque depois de anos em campos no nordeste da
Síria, administrados por forças curdas.
Essa transferência foi organizada pelos
Estados Unidos, após a retirada parcial das forças curdas da região, sob
pressão do exército sírio.
Ao longo da guerra na Síria, iniciada em
2011, o grupo jihadista Estado Islâmico chegou a controlar grandes extensões de
território no país e no vizinho Iraque.
Acusado de múltiplos abusos, a organização foi
derrotada em 2017 no Iraque e em 2019 na Síria, com o apoio de uma coligação
internacional liderada pelos Estados Unidos. ANG/RFI/AFP

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