segunda-feira, 23 de junho de 2025

EUA/ Governo quer diplomacia focada nos negócios e mais empresas em África

Bissau, 23 Jun 25 (ANG) - O diretor do Gabinete de Assuntos Africanos do Departamento de Estado norte-americano garantiu hoje que a diplomacia económica dos EUA está focada no setor privado e na criação de oportunidades de negócio em África, destacando Angola como exemplo de transformação.

Troy Fitrell, que discursava na cerimónia de abertura da 17.ª edição da Cimeira Empresarial EUA-África, que decorre em Luanda até quarta-feira, sublinhou o seu vínculo pessoal com o país onde se sente em casa.

"Vim pela primeira vez há 25 anos e Angola mudou muito. Pensem em como era há 25 anos agora e vejam que estão numa trajetória espantosa", afirmou.

"Às vezes focamo-nos no negativo e temos de olhar para o positivo. Quando olhamos para o que Angola fez nos últimos 25 anos é espantoso e isso reflete tudo o que tem acontecido no continente. África não é o mesmo lugar de há 25 anos e as relações também evoluem", destacou.

O responsável recordou que os EUA apresentaram recentemente, em Abidjan, uma nova estratégia comercial para o continente, adaptada ao contexto atual. "Fizemos isso porque o mundo mudou, os EUA mudaram, os mercados mudaram, as economias são muito diferentes do que eram há 25 anos", explicou, justificando a mudança de abordagem na diplomacia económica.

Fitrell enfatizou que as embaixadas norte-americanas devem atuar em função dos resultados junto do setor privado: "As nossas embaixadas trabalham para vocês, setor privado. É por aí que avaliamos os nossos embaixadores, pela forma como vos apoiam. Se os nossos embaixadores não nos trazem acordos empresariais e novas oportunidades de negócios e crescimento económico sustentável, perguntem-lhes porquê. Devem estar a oferecer-nos oportunidades todos os dias".

Acrescentou ainda que os Estados Unidos trabalham de perto com as câmaras de comércio e os empresários numa "verdadeira parceria".

Como prioridade, apontou os investimentos em infraestruturas que incluem também a modernização digital: "Precisamos de investimento maciço em infraestruturas. Normalmente pensamos em estradas, redes elétricas, mas não podemos esquecer o digital. Não podemos participar na economia moderna sem ter uma arquitetura digital moderna e segura".

O responsável norte-americano lembrou que, nesta cimeira, os EUA trouxeram "quase mil empresários" e que a aposta em missões comerciais vai continuar para trazer mais empresas americanas para fazer negócios em África.

Destacou ainda o papel das agências governamentais e outras instituições como a US International Development Finance Corporation (DFC), a instituição norte-americana de financiamento para o desenvolvimento, o EximBank e o Departamento de Comércio, que devem também ser mais rápidas.

Fitrell concluiu reforçando que o modelo de negócios "à americana" é benéfico e útil para África, salientando que está focado na tecnologia, inovação e força de trabalho. "Investir no capital humano é a maneira americana de fazer negócios. Temos um objetivo comum e estamos juntos. Esta é uma grande oportunidade - vamos fazer negócios esta semana e nos próximos anos", reforçou.ANG/Lusa

 

 Médio Oriente/Irão e Israel trocam ataques após bombardeamentos norte-americanos

Bissau, 23 Jun 25 (ANG) - O Irão defende que o ataque norte-americano aos seus locais nucleares ampliou o leque de alvos legítimos para as forças armadas iranianas. Teerão acusa o presidente Donald Trump de “imprudência” ao se ter aliado directamente a Israel.


Washington, por seu lado, congratula-se pelos “danos colossais” provocados e ameaça com novos ataques caso a República Islâmica não retome a via da paz.

Esta manhã, 23 de Junho, as sirenes voltaram a soar em várias regiões de Israel devido ao lançamento de mísseis iranianos. Um atingiu a zona de Lachish, sul de Jerusalém, provocando feridos, mas sem vítimas mortais. Minutos depois, o exército israelita disse ter abatido os mísseis e iniciado uma campanha de bombardeamentos no Irão, sobretudo sobre Teerão. Quartéis-generais dos Guardas da Revolução, o exército ideológico iraniano, e infra-estruturas militares teriam sido atingidas.

"Neste preciso momento (...) os aviões de combate israelitas estão a intensificar os bombardeamentos na região de Teerão, com especial enfoque nos quartéis-generais dos Guardas da Revolução, assim como sobre todos os elementos que ameacem o Estado de Israel", declarou o general Effie Defrin, porta-voz do exército israelita, em conferência de imprensa.

O local nuclear de Fordo, já atingido pelos EUA na madrugada de domingo para segunda, sofreu nova ofensiva israelita, agora afectando a estrada de acesso, segundo as forças de Telavive.

No plano diplomático, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, deslocou-se a Moscovo para um encontro com Vladimir Putin, que já veio a público denunciar um ataque “sem fundamento”. O Irão espera um papel mais activo da Rússia no conflito.

O presidente russo Vladimir Putin falou, esta segunda-feira, ao telefone, com o primeiro-ministro iraquiano Mohammed Chia al-Sudani, cujos países são importantes produtores de petróleo. Os dois líderes expressaram preocupação” quanto aos riscos para os mercados de energia que representa a guerra entre o Irão e Israel.

Em Bruxelas, Jean‑Noël Barrot, chefe da diplomacia francesa, apelou à contenção de todas as partes e alertou para o risco devastador de uma escalada. Por sua vez, o presidente da Coreia do Sul descreveu a situação como “muito urgente e indicou que os mercados financeiros estão instáveis.

A Coreia do Norte condenou com firmeza os ataques dos EUA e pediu uma condenação internacional contra EUA e Israel. Já a Austrália apoiou a ofensiva, mas insistiu na necessidade do regresso à via diplomática.

A China declarou que o ataque tinha minado a credibilidade de Washington, instou as partes à contenção e informou ter receios quanto ao risco de descontrolo.

Esta madrugada, um porta-voz militar iraniano reforçou que o ataque dos EUA ampliou “o espectro dos alvos legítimos” das forças do regime e, em inglês, deixou um aviso a Donald Trump: Pode começar esta guerra, mas seremos nós que lhe vamos pôr um fim.

Por seu lado, Donald Trump já tinha escrito nas redes sociais que “danos colossais haviam sido causados em todos os locais nucleares iranianos, afirmando que “os maiores danos foram causados em profundidade”. No domingo, o presidente norte-americano tinha ameaçado com novos ataques caso Teerão não retome a via da paz. ANG/Lusa

 

 Médio Oriente/Ásia é destino de 84% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz

Bissau, 23 Jun 25 (ANG) - Cerca de 84% do petróleo que atravessa o Estreito de Ormuz destina-se à Ásia, incluindo China, Índia, Coreia do Sul e Japão, economias muito vulneráveis a restrições ao tráfego marítimo em caso de escalada do conflito no Médio Oriente.


Cerca de 84% do petróleo que atravessa o Estreito de Ormuz destina-se à Ásia, incluindo China, Índia, Coreia do Sul e Japão, economias muito vulneráveis a restrições ao tráfego marítimo em caso de escalada do conflito no Médio Oriente.

Cerca de 14,2 milhões de barris por dia de petróleo bruto e 5,9 milhões de barris por dia de outros produtos petrolíferos, ou seja, cerca de 20% da produção mundial, passaram pelo corredor estratégico do Estreito de Ormuz, ao largo do Irão, no primeiro trimestre, segundo a Agência de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA).

É a rota praticamente única de exportação do crude da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque, do Kuwait, do Qatar e do Irão.

Eis os principais países asiáticos a que se destina este petróleo:

Os peritos estimam que mais de metade do petróleo importado pela Ásia Oriental passa pelo Estreito.

É o caso da China: segundo a EIA, no primeiro trimestre importou 5,4 milhões de barris por dia de petróleo bruto através de Ormuz.

A Arábia Saudita foi o seu segundo maior fornecedor de 'ouro negro' no ano passado, com 1,6 milhões de barris por dia, ou seja, 15% do total das suas importações, segundo a EIA.

O próprio Irão tornou-se uma fonte importante de hidrocarbonetos: em abril, exportou 1,3 milhões de barris por dia para a China.

A maior parte é comprada por pequenas refinarias chinesas (conhecidas como "teapots") que operam independentemente das companhias petrolíferas estatais - uma forma de evitar as sanções dos EUA.

A China absorve mais de 90% das exportações de petróleo do Irão.

A Índia importou 2,1 milhões de barris por dia de crude através do Estreito no primeiro trimestre, segundo a EIA.

A Índia está fortemente dependente do Estreito, com o Médio Oriente a fornecer cerca de 53% das suas importações de petróleo no início de 2025, de acordo com a imprensa financeira local, nomeadamente do Iraque e da Arábia Saudita.

Isto é suficiente para deixar Nova Deli nervosa face à escalada das tensões, apesar de o país ter aumentado as suas compras de hidrocarbonetos russos nos últimos três anos.

"Tomaremos todas as medidas necessárias para assegurar um abastecimento estável de combustível aos nossos cidadãos", insistiu o ministro do Petróleo indiano, Hardeep Singh Puri, na X.

"Diversificámos os nossos fornecimentos nos últimos anos (...) Os nossos distribuidores dispõem de reservas para várias semanas e continuam a ser abastecidos através de vários canais", declarou, sem dar mais pormenores.

De acordo com os dados da indústria petrolífera do país, cerca de 68% das importações de petróleo bruto da Coreia do Sul passam pelo Estreito de Ormuz -- um volume de 1,7 milhões de barris por dia, segundo a EIA.

O país é particularmente dependente da Arábia Saudita, que no ano passado foi responsável por um terço das suas importações de petróleo, tornando-se o principal fornecedor do país.

"Até à data, não se registaram perturbações nas importações de petróleo bruto e de GNL (gás natural liquefeito) da Coreia do Sul, mas poderá surgir uma crise de abastecimento em função da evolução da situação", reconhece o ministério da Energia sul-coreano em comunicado.

"O Governo e os intervenientes da indústria prepararam-se para situações de emergência, mantendo uma reserva estratégica de petróleo equivalente a cerca de 200 dias de abastecimento e reservas suficientes de GNL", insistiu.

O Japão importa 1,6 milhões de barris por dia de petróleo bruto através do Estreito de Ormuz, segundo a EIA.

E, segundo os dados aduaneiros japoneses, 95% do petróleo bruto importado pelo arquipélago no ano passado veio do Médio Oriente.

As empresas de transporte de energia do país começaram a adaptar-se: "Estamos atualmente a tomar medidas para reduzir ao máximo o tempo de permanência dos nossos navios no Golfo", declarou à AFP a Mitsui OSK.

O resto da Ásia (dois milhões de barris por dia), nomeadamente a Tailândia e as Filipinas, mas também a Europa (0,5 milhões) e os Estados Unidos (0,4 milhões) foram outros destinos do petróleo bruto que passou pelo Estreito de Ormuz no primeiro trimestre.

Os países asiáticos poderiam tentar diversificar as suas fontes de abastecimento -- nomeadamente reforçando as suas compras de hidrocarbonetos americanos -- mas seria impossível substituir os grandes volumes provenientes do Médio Oriente.

A curto prazo, "as elevadas reservas mundiais de petróleo, a capacidade de reserva da OPEP [Organização de Países Exportadores de Petróleo] e a produção de gás de xisto nos Estados Unidos poderão proporcionar uma certa proteção", consideram especialistas do MUFG citados pela Afp.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos dispõem de infraestruturas que lhes permitem contornar o Estreito de Ormuz, o que poderia atenuar um pouco qualquer perturbação, mas a sua capacidade de trânsito, estimada pela EIA em cerca de 2,6 milhões de barris por dia, continua a ser muito limitada.

E o oleoduto Goreh-Jask, criado pelo Irão para exportar através do Golfo de Omã, que está inativo desde o ano passado, só tem uma capacidade máxima de 300.000 barris por dia, também segundo a EIA.ANG/Lusa

 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Saúde Pública /Nomeado novo Diretor-geral de Administração do Sistema de Saúde

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) – O Ministério da Saúde Pública tem novo Diretor-geral do Sistema de Saúde, na pessoa de Suande Camará, quinta-feira nomeado em Conselho de Ministros.

No mesmo Ministério, e segundo o comunicado do Conselho de Ministros, à que a ANG teve acesso, o coletivo ministerial deu por finda a comissão se serviço do Secretário-geral.

Na parte deliberativa, após análise e discussão, o Conselho de Ministros protelou a sua decisão sobre o pacote legislativo relativamente  a Estratégia Nacional de Cibersegurança da Guiné-Bissau, a Política Nacional de Governança e ao Regulamento Nacional de Interoperabilidade.

O elenco governamental deu anuência ao ministro das Finanças para mover diligências requeridas à alienação das instalações que albergam a Marinha de Guerra Nacional.

No capítulo de informações gerais, ministro do Comércio e Indústria apresentou um quadro ilustrativo do “bom êxito”, até aqui, da Campanha de Comercialização e Exportação da Castanha de Caju 2025. ANG/LPG/ÂC//SG

 


Comércio/Diretor-Geral anuncia  que  preços de produtos da primeira necessidade estão a baixar no país

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) – O Diretor-Geral do Comércio Interno anunciou que os preços de produtos de primeira necessidade estão a baixar em  diferentes mercados do país.

Abulai Mané falava, quinta-feira, à imprensa, após  visita aos mercados de Bandim, Cuntum Madina, Bairro Militar, Antula e Pluba e disse que  durante a visita  constatou que  os preços dos produtos estão a baixar.

Aquele responsável disse que conseguiram atingir esse objectivo porque foi criada uma empatia entre o Ministério do Comércio e os comerciantes em diferentes escalões, importadores,  exportadores,  armazenistas e retalhista.

Adiantou que, por essa razão é que  efectuou visitas aos  diferentes mercados de Bissau,  para  constatar “in loco” as reais situações dos mercados em relação aos preços de produtos de primeira necessidade praticados e  saber em que condições  funcionam os próprios mercados.  

O Director-Geral do Comércio Interno frisou que, por exemplo, o arroz “Nhelem” 100% partido que custava  20.500 francos  CFA para o importador e 22.000 para o consumidor final passa a ser vendido a 17.500 francos CFA ao consumidor final e açúcar saiu de 37000 para 25.000 francos  CFA por saco de 50 kg. 

“Estamos satisfeitos uma vez que vimos que os preços dos produtos que ontem tinham um preço, hoje estão a ser vendidos os mesmo produtos num valor a menos. Isso, encoraja o Ministério para  criar todas as condições e continuar a fazer averiguação de produtos da primeira necessidade nos mercados”, disse.

Abulai Mané disse que, em 2023, o Governo tinha  uma estrutura de custos, em que  os produtos como arroz, óleo, farinha e açúcar tinham um preço e atualmente os preços baixavam comparativamente a 2023.

Disse que a visita irá permitir ao Ministério do Comércio e Indústria  fazer uma proposta final dos preços dos produtos da primeira necessidade a praticar nos mercados. 

 “Antes,  será  levado ao Conselho de Ministros para que haja uma nova estrutura de custos de produtos da primeira necessidade, o que vai permitir que as populações, sobretudo, os consumidores, tenham, no mínimo, o poder de compra”, enfatizou.

O presidente da Associação dos Retalhistas dos Mercados da Guiné-Bissau, Aliu Seide explicou, na ocasião,  que antes o Governo tinha fixado o preço do arroz, cem por cento partido, em 20.500 mil francos cfa, mas, que diz, “graças à Deus” o preço desceu para 17.500. 

“Doravante,  os retalhistas não podem e nem devem vender o arroz Nhelem cem por cento partido por mais de 18,500 cfa”, alertou Aliu Seide.

Aliu Seidi aproveitou a ocasião para pedir o fim da guerra entre o Irão e o Israel no Médio Oriente. 

“Se essa guerra continuar e ganhar outros contornos pode  afetar a economia do país e acelerar de novo a subida dos produtos da primeira necessidade”, disse.ANG/MSC/ÂC//SG

Saúde Pública/Médico guineense em Portugal alerta para  aumento das doenças crônicas não transmissíveis em Bissau

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) – O Médico guineense em doutoramento no Instituto  de Saúde Pública da Universidade do Porto em Portugal, alertou quinta-feira, para o aumento de casos de doenças crônicas não transmissíveis, em Bissau.

Segundo a Rádio Sol Mansi, Rubem Turé fez lançou o alerta na  apresentação da obra científica sobre “Doenças Crônicas Não Transmissíveis em África.

Turé sustentou que à prevalência de hipertensão na capital Bissau é de 26 por cento, sobretudo na camada adulta da população.

 Disse que metade destes  26 por cento  não sabe que é hipertenso.

Acrescentou que  a situação afeta pessoas com entre  35 a 45 anos de idade, o que diz ser preocupante.

Na sub-região oeste-africana, Bissau, segundo Ruben Turé, lidera a lista de obesos da capital, 16 por cento de citadinos. ANG/LLA//SG


    Ucrânia/Zelensky acusa Rússia de defender programa nuclear iraniano

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) - O Presidente ucraniano Volodimir Zelensky acusou hoje a Rússia de tentar salvar o programa de armamento nuclear iraniano, depois de Moscovo ter condenado os ataques israelitas às centrais nucleares iranianas.


Zelensky defendeu num discurso transmitido hoje pela televisão ucraniana que não há outra forma de interpretar os sinais demonstrados pela Rússia e pela atividade que Moscovo "mantém nos bastidores".

O presidente ucraniano acrescentou que a Rússia está a tentar intervir na crise do Médio Oriente porque "um dos cúmplices" está a perder a capacidade de exportar a guerra, referindo-se ao Irão.

O regime de Teerão forneceu à Rússia os aparelhos aéreos não tripulados (drones) Shahed - que Moscovo também já produz - para atacar a Ucrânia.

Volodimir Zelensky disse ainda que os drones de fabrico iraniano e os mísseis balísticos fornecidos pela Coreia do Norte estão a ser utilizados pela Rússia para matar cidadãos ucranianos.  

Neste sentido, o chefe de Estado ucraniano reiterou o pedido sobre o agravamento das sanções internacionais contra a Rússia. ANG/RFI

             Nigéria/Países Baixos devolvem  119 estátuas de bronze

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) -  Mais de um século depois de terem sido saqueadas pelas tropas britânicas, 119 bronzes do Benim regressaram ao seu país de origem, a Nigéria.

A devolução destes tesouros artísticos, pilhados em 1897 no antigo Reino do Benim, representa um marco simbólico na luta pela restituição de património tomado durante o colonialismo.

No dia 20 de Maio de 2025, o Wereldmuseum de Leiden, nos Países Baixos, retirou 113 esculturas da sua colecção para as restituir à Nigéria. A estas peças juntam-se mais seis provenientes de um outro museu de Roterdão. Estas obras fazem parte dos bronzes do Benim, tesouros artísticos saqueados em 1897 durante uma expedição militar britânica ao antigo Reino do Benim, situado no sul do actual território nigeriano.

No momento da restituição, um funcionário neerlandês usou luvas azuis, retirou um dos bronzes, uma máscara decorativa de valor cultural incalculável, do local onde estava exposto, colocou-o sobre uma almofada e envolveu-o em várias camadas de papel. O objecto prepara-se agora para a viagem de regresso a Lagos, onde vai ser organizada uma cerimónia oficial de devolução. Depois, os bronzes vão ser exibidos num museu a ser construído em Benin City, a região de origem.

Esta restituição marca uma viragem no debate internacional sobre a restituição de bens culturais retirados dos seus contextos durante a era colonial. A história dos bronzes do Benim está ligada à violência colonial. Em 1897, após a morte de nove oficiais britânicos durante uma missão no então independente Reino do Benim, Londres respondeu com uma expedição punitiva. O exército britânico massacrou milhares de habitantes, incendiou a capital e saqueou o palácio real, de onde retirou centenas de obras de arte, incluindo os bronzes do Benim. Estas peças, que incluem esculturas e placas ornamentadas em latão, foram depois leiloadas, vendidas ou doadas a museus europeus e norte-americanos.

Algumas destas obras chegaram ao Wereldmuseum de Leiden, onde permaneceram expostas até à recente retirada. A restituição por parte dos Países Baixos acontece num contexto de pressão internacional para que os países ocidentais devolvam os objectos adquiridos durante o colonialismo. Em 2022, a Alemanha deu início à devolução de bronzes do Benim das próprias colecções. A Nigéria espera que mais nações sigam o exemplo. No entanto, o Museu Britânico de Londres, que possui uma das maiores colecções destes bronzes, continua a recusar a devolução, alegando uma lei de 1963 que proíbe a transferência de propriedade dos seus bens.

Segundo o ministro neerlandês da Cultura, Eppo Bruins, esta restituição contribui para reparar uma injustiça histórica que continua a ser sentida nos dias de hoje. Por seu lado, o director da Comissão Nigeriana para os Museus e Monumentos, Olugbile Holloway, saudou este “regresso histórico” e considerou tratar-se de um gesto de grande importância para “o orgulho e a dignidade do povo do Benim, e de toda a Nigéria”. ANG/RFI

 

        Irão/Milhares de iranianos e iraquianos manifestam-se contra israelitas

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) - Milhares de pessoas manifestaram-se hoje contra Israel no Irão e no Iraque, outrora inimigos, após a oração semanal, segundo imagens das televisões locais e jornalistas em Bagdade.

 

Esta é a sexta-feira da solidariedade e da resistência da nação iraniana em todo o país", disse o apresentador da TV estatal iraniana ao mostrar as imagens das manifestações em Teerão, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

As imagens mostravam manifestantes na capital iraniana com retratos de comandantes mortos desde o início da guerra com Israel, em 13 de junho, enquanto outros agitavam bandeiras iranianas e do Hezbollah libanês.

Na faixa de um manifestante lia-se "Sacrificarei a minha vida pelo meu líder", em referência ao líder supremo da República Islâmica do Irão, 'ayatollah' Ali Khamenei.

Segundo a televisão iraniana, outras manifestações ocorreram em várias cidades do país, incluindo Tabriz, no noroeste do Irão, e Shiraz, no sul.

No Iraque, milhares de manifestantes mobilizados pelo influente dignitário religioso Moqtada al-Sadr reuniram-se em Bagdade e noutros pontos do país para denunciar a guerra de Israel contra o Irão.

Numa larga avenida do bairro pobre de Madinet Sadr, protegida do sol sufocante por um mar de guarda-chuvas, os manifestantes começaram por participar na tradicional oração de sexta-feira, segundo um correspondente da AFP.

"Não, não à América, não, não a Israel", entoou o imã antes de iniciar o sermão, uma palavra de ordem que os fiéis adotaram sem reservas.

"Não se trata de uma guerra por armas nucleares", afirmou o motorista de táxi Abu Hussein, 54 anos, denunciando antes "a guerra do diabo" contra a República Islâmica do Irão.

Hussein disse que "Israel e os Estados Unidos sempre quiseram controlar o Médio Oriente" e defendeu que "o Iraque tem de intervir".

"Com financiamento, com armas, com apoio sob a forma de manifestações", sugeriu.

Na cidade portuária de Basra, no sul do país, cerca de 2.000 manifestantes concentraram-se numa avenida, segundo a AFP.

O xeque Qussai al-Assadi, um clérigo xiita de 43 anos, chegou a falar de uma "terceira guerra mundial contra o Islão".

Denunciou também a violação do espaço aéreo iraquiano pela força aérea israelita para atacar o vizinho Irão.

"Israel e os americanos violaram o espaço aéreo e a soberania do Iraque, e nós recusámos estes ataques de 'drones' e mísseis", afirmou.

Citando Moqtada al-Sadr, disse que não queria que "o Iraque fosse arrastado ou transformado num campo de batalha".

Recentemente retirado da cena política iraquiana, Moqtada al- Sadr convocou a manifestação, a primeira que organiza nos últimos meses em Bagdade e noutras cidades do país.

O líder religioso muçulmano xiita, venerado por dezenas de milhares de iraquianos, não hesitou no passado em criticar a influência das fações pró-Teerão no Iraque fora do quadro do Estado.

Numa declaração de apelo às manifestações, condenou o "terrorismo sionista e americano" e denunciou "a agressão contra os vizinhos Irão, Palestina, Líbano, Síria e Iémen", referindo-se às operações militares israelitas no Médio Oriente.

Pouco depois da revolução islâmica em Teerão em 1979, o Irão e o Iraque, liderado por Saddam Hussein, travaram uma guerra ao longo da década de 1980, que terá causado mais de um milhão de mortos, segundo estimativas.

Alegando que o Irão estava prestes a adquirir uma bomba atómica, Israel lançou um ataque aéreo maciço contra a República Islâmica em 13 de junho, o que desencadeou a resposta iraniana.

Desde então, tem havido uma sucessão de ataques israelitas contra o Irão e lançamentos de mísseis iranianos contra o território israelita. ANG/Lusa

             Nova Iorque/ ONU critica falta de apoios à ajuda humanitária

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) - As Nações Unidas criticaram hoje, no Dia Mundial dos Refugiados, os cortes destinados à ajuda humanitária que põem em risco as 122 milhões de pessoas obrigadas a encontrar proteção longe dos locais de residência.


As Nações Unidas criticaram hoje, no Dia Mundial dos Refugiados, os cortes destinados à ajuda humanitária que põem em risco as 122 milhões de pessoas obrigadas a encontrar proteção longe dos locais de residência.

O responsável máximo pelo Alto Comissariado nas Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, lamentou em comunicado a incapacidade que se regista na solução dos conflitos e que provocou um aumento sem precedentes do número de refugiados de guerra em todo o mundo: 122 milhões.

Em concreto, Grandi referiu-se aos conflitos no Sudão, Ucrânia, República Democrática do Congo e Gaza. 

"Para piorar uma situação desesperada, os cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência, ameaçando a vida de milhões de pessoas que precisam desesperadamente de ajuda", alertou o reponsável pelo ACNUR na mensagem que assinala o Dia Mundial dos Refugiados.

O alto-comissário disse ainda que é importante reafirmar a solidariedade para com os refugiados com ações urgentes.

Por outro lado, demonstrou esperança em exemplos que disse serem inspiradores - que não especificou - de países localizados nos limites de zonas de guerra que continuam a acolher e a proteger refugiados.

"Os inúmeros atos individuais de bondade e compaixão (...) revelam a humanidade comum", afirmou sem detalhar. 

No mesmo documento, Filippo Grandi referiu que se encontra na Síria, onde após 14 anos de "crise e desespero" (guerra civil), dois milhões de pessoas já decidiram regressar.

No caso da Síria, Grandi referiu que existe esperança em relação à situação dos refugiados, tratando-se de uma oportunidade que deve ser aproveitada.  

Segundo Grandi, trata-se de momentos que são apenas possíveis graças à solidariedade demonstrada pelos países vizinhos da Síria, que proporcionam refúgio às pessoas.

O responsável da agência das Nações Unidas elogiou as comunidades sírias que estão a acolher os compatriotas com o apoio de instituições como o ACNUR e "parceiros locais e internacionais".

"Neste Dia Mundial dos Refugiados e todos os dias, os governos, as instituições, as empresas e os indivíduos podem provar que, ao ajudar as pessoas apanhadas em conflitos sem sentido, podem vir a alcançar estabilidade, humanidade e justiça", disse Grandi. 

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que "este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal", pedindo ações nesse sentido e rejeitando "visões egoístas da comunidade". 

Numa mensagem publicada no 'site' oficial da Presidência da República, a propósito do dia mundial do refugiado, o chefe de Estado salienta que "a persistência e o agravamento dos conflitos, a crise climática, as complexas e perigosas inter-relações entre estes problemas, bem como os recentes cortes na ajuda humanitária forçam, neste ano de 2025, mais de 122 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas em busca de segurança e proteção". 

Realçando que a Organização das Nações Unidas (ONU) pede solidariedade para com os refugiados, o Presidente da República português associa-se a este apelo. 

"Este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal, honrar as suas histórias e mostrar apoio inabalável à sua situação", lê-se na mensagem. 

O chefe de Estado português avisa que esta solidariedade expressa-se "por ações, entre as quais a criação de condições condignas de acolhimento e a promoção de políticas de proteção".

"Só assim se poderá priorizar um princípio de humanidade compartilhada, em detrimento de visões egoístas da comunidade", acrescenta. ANG/Lusa

      ONU/Nunca as crianças foram tão atacadas em conflitos como em 2024

Bissau, 20 Jun 25 (ANG) - O número de violações graves contra crianças em conflitos armados atingiu um novo máximo em 2024, com 41.370 incidentes verificados, um aumento de 25% face a 2023, segundo um novo relatório publicado na quinta-feira pela ONU.


Os dados constam no "Relatório do Secretário-Geral da ONU sobre Crianças e Conflitos Armados de 2024", que alerta para "níveis excruciantes de violência" contra menores e para um "número inconcebível de violações graves" à escala mundial.

Os 41.370 incidentes registados em 2024 - o maior número de violações graves contra crianças em conflitos armados desde o início da monitorização da ONU, há quase 30 anos - resultam no terceiro ano consecutivo com níveis sem precedentes.

Desse total de violações graves verificadas pela ONU, 36.221 foram cometidas em 2024 e 5.149 foram cometidas antes, mas verificadas apenas no ano passado, com um representante da ONU a admitir que é cada vez mais difícil para as equipas no terreno verificar essas violações.

As violações em causa foram cometidas contra 22.495 crianças, maioritariamente meninos.

O grande aumento (17%) no número de crianças submetidas a múltiplas violações devido à convergência de sequestro, recrutamento e violência sexual, representou igualmente "uma alarmante escalada na brutalidade", frisa o relatório.

"Os gritos de 22.495 crianças inocentes que deveriam estar a aprender a ler ou a jogar à bola, mas que foram forçadas a aprender a sobreviver aos tiros e aos bombardeamentos, deveriam manter-nos a todos acordados à noite", afirmou a representante especial da ONU para as Crianças e Conflitos Armados, Virginia Gamba, num comunicado de imprensa.

Os países com os níveis mais elevados de violações em 2024 foram Israel e os Territórios Palestinianos Ocupados, principalmente a Faixa de Gaza, - que foram englobados na mesma secção do relatório -, a República Democrática do Congo, a Somália, a Nigéria e o Haiti.

Já os maiores aumentos percentuais foram verificados no Líbano (545%), Moçambique (525%), Haiti (490%), Etiópia (235%) e Ucrânia (105%).

Embora grupos armados não estatais tenham sido responsáveis por quase 50% das violações graves, as forças governamentais foram as principais perpetradoras da morte e mutilação de crianças, de ataques a escolas e hospitais e da negação de acesso humanitário.

Até 2022, os principais perpetradores (cerca de 80%) eram atores não estatais e as restantes ações violentas eram atribuídas a partes governamentais. Porém, essa tendência inverteu-se completamente desde então, principalmente devido às guerras na Ucrânia e no Sudão, mas também em Gaza, na Cisjordânia, entre outros, segundo um representante da ONU.

No ano passado, as violações verificadas em maior número foram o assassínio (4.676) e a mutilação (7.291) de 11.967 crianças, a negação de acesso humanitário (7.906 incidentes), o recrutamento e uso de crianças (7.402) e o sequestro de crianças (4.573).

O número de casos de violência sexual também aumentou 35%, incluindo um aumento drástico no número de casos de violação coletiva, o que destaca o uso sistemático da violência sexual como tática deliberada de guerra.

Porém, de acordo com a ONU, a violência sexual continua a ser amplamente subnotificada devido à estigmatização, ao medo de represálias, a normas sociais, à ausência ou falta de acesso a serviços, à impunidade e a preocupações com a segurança.

O relatório - que junta na mesma secção os incidentes registados na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, a Faixa de Gaza e em Israel - indica que, nessa região, 7.188 violações graves verificadas foram atribuídas às forças armadas e de segurança israelitas, 43 a perpetradores não identificados, 42 a colonos israelitas, 11 a perpetradores palestinianos a título individual, sete às forças de segurança da Autoridade Palestiniana, três ao movimento xiita libanês Hezbollah e uma às forças armadas da República Islâmica do Irão. 

"Exorto Israel a desenvolver e assinar um plano de ação com as Nações Unidas para pôr fim e prevenir a matança e a mutilação de crianças e os ataques a escolas e hospitais, com base nas cartas endereçadas pelo meu representante especial a Israel em 2023 e 2024", apontou o relatório do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Com o número recorde de crianças a sofrer com "conflitos evitáveis em 2024, enfrentamos uma escolha que define quem somos: cuidar ou ignorar", defendeu Virginia Gamba, no mesmo comunicado, frisando ainda que a "infância não deve ser uma vítima da guerra".ANG/Lusa