terça-feira, 24 de junho de 2025

CEDEAO/ Centro Regional de Saúde Animal da Comunidade vai ter novas instalações na Guiné-Bissau

Bissau, 24 Jun 25 (ANG) –  O Centro Regional de Saúde Animal, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) vai ter novas instalações na Guiné-Bissau, na sequência da saída do Mali da Organização, onde o projecto se encontrava.

A decisão foi tomada na 67ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da (CEDEAO), à que a ANG teve acesso hoje.

A reunião foi realizada  no passado dia 22 de junho, em Abuja, na República Federal da Nigéria, sob a presidência da Nigéria , Presidente em exercício da Conferência.

Segundo o comunicado final dessa reunião,  a conferência tomou essa medida devido a retirada do Burkina Faso, do Mali e do Níger da Comunidade,  e  as Instituições e agências localizadas nestes países serão reafectadas aos Estados membros que atualmente não acolhem nenhuma instituição ou Agência da CEDEAO.

Nesse âmbito,  a conferência aprovou a  reafectação do Centro de Desenvolvimento da Juventude e dos Desportos da CEDEAO na Libéria, o Centro de Gestão dos Recursos Hídricos  na Guiné-Conacri, Centro Regional de Saúde Animal na Guiné-Bissau tendo decidido adiar a afetação da Organização Oeste Africana de Saúde(OOAS) até que sejam realizadas novas consultas.

Relativamente a Guiné-Bissau, a conferência exortou as autoridades guineenses a manter a data de 23 de Novembro de 2025, para realização  das eleições presidenciais e legislativas prevista no Decreto presidencial.

Convidou ao Governo e todas as partes interessadas a criarem um ambiente propício à realização de um processo pacífico, credível e inclusivo, respeitador de todos os direitos consagrados na Constituição da Guiné-Bissau.

Neste sentido, a Conferência instruiu o Presidente da Comissão da organização sub-regional a manter o diálogo com todas as partes interessadas na Guiné-Bissau, para facilitar o estabelecimento de um clima de confiança e a busca de consenso, bem como de identificar as necessidades financeiras.

Reconheceu as consultas entre as partes politicas da Guiné-Bissau com vista a chegar a um acordo sobre o quadro para as eleições presidenciais e legislativas previstas para 23 de Novembro de 2025.

Sobre a Democracia, Paz e Segurança, a Conferência refere que foram registados, com satisfação o respeito e  cumprimento contínuo dos Estados-membros dos valores e princípios comunitários em matéria de democracia, da boa governação e de diálogo, demonstrado pela condução contínua de processos constitucionais, eleitorais e de diálogo inclusivo, pacífico e credíveis.

O comunicado final da conferência refere que a organização regista com preocupação os contínuos desafios à segurança e à estabilidade na região, alimentados pelas actividades de grupos armados terroristas e extremismo violentos, bem como pela violência intercomunitária e o crime organizado transnacional.

A Conferência condena os recentes ataques terroristas no Benin e  Togo, bem como a ameaça contínua sobre os países costeiros.

Em relação ao desempenho económico, o comunicado final indica que a Conferência congratulou-se com as perspetivas económicas e instou os Estado membros a intensificar a mobilização de recursos internos e melhorar a eficiência das despesas públicas, para limitar os défices orçamentais e o recurso ao endividamento público.

Recomenda aos Estados membros a manterem politicas monetárias credíveis para controlar a inflação, incentivar o desenvolvimento do setor privado, através da aplicação de reformas estruturais,, e para a melhoria do clima de negócios e do esforço do investimento em capital humano e  infraestruturas.

Quanto a Liivre Circulação de Pessoas e Bens, comforme o documento, a Conferência lamentou a persistência de numerosas barreiras  tarifárias e não tarifárias, por isso deu instruções para sua eliminação total, ao longo dos corredores rodoviários da comunidade.

Instou ainda a Comissão, a apoiar os Estados membros na implementação do Acordo sobre a Zona de Comércio Livre Continental Africana, bem como na eliminação das barreiras não tarifárias.

Quanto a  luta contra o terrorismo e outras ameaças à segurança, a Conferência reafirmou o seu empenho na erradicação do terrorismo no espaço comunitário e deu instruções ao Presidente da Comissão para convocar, com urgência, uma reunião sobre as modalidades de uma cooperação eficaz na luta contra o terrorismo, para permitir uma resposta concertada e eficaz à ameaça terroristas em toda a  Africa Ocidental.

A Conferência manifestou a sua preocupação em relação a lentidão na ativação da Força de Alerta e apelou a uma ação decisiva. A este respeito, instruiu o Presidente da Comissão para realizar, com urgência, uma reunião com os ministros das Finanças e da Defesa da CEDEAO para acordar as modalidades de financiamento interno para assegurar a rápida ativação da referida força.

Para o efeito, a conferência de Chefes de Estados e de Governo deu orientações à Comissão para prestar assistência financeira aos Estados afetados pelo terrorismo, para a aquisição de materiais de combate ao terrorismo e para fazer face à situação humanitária decorrente do fluxo de refugiados e de pessoas deslocadas internamente devido aos ataques terroristas.

Em relação as operações de apoio à paz,  a Conferência refere
ter registado  com satisfação as missões de avaliação conduzidas por diferentes  Comissões  sobre os impactos políticos, de segurança e financeiros das missões de  segurança levadas a cabo pela CEDEAO na Gâmbia e  Guiné-Bissau.

Decidiu prorrogar o mandato da ESSMGB por  dezoito meses e o da ECOMIG por 24 meses, a partir do termo dos seus mandatos atuais, e encarregou a Comissão de elaborar uma estratégia de saída, incluindo um plano de redução progressiva e de encerramento das atividade de ambas as missões, após o termo desses mandatos. ANG/LPG/ÂC//SG

CMB/Sindicato dos trabalhadores ameaça paralisar a instituição caso não forem pagos  dois meses de salários

Bissau, 24 Jun 25 (ANG) – O Sindicato dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Bissau (STCMB), ameaçou, segunda-feira, paralisar o funcionamento  da instituição, caso não forem pagos  dois meses de salários em atraso.

“Os fiéis muçulmanos e cristãos que trabalham na CMB passaram a festa de Ramadão e Páscoa, sem dinheiro no bolso, e são pessoas com famílias. Todas as promessas feitas pela  direção da CMB não foram compridas. Sendo assim, brevemente, vamos entregar um pré-aviso de greve à direção”, disse Ivo Ndafa ,em declarações à imprensa.   

Segundo Ndafa estão em causa os meses de Maio e Junho em curso.

O dirigente sindical revelou que os funcionários da CMB sofrem descontos para  Segurança Social , para efeitos de aposentação, mas que o dinheiro descotado não chega ao destino .

“Se o dinheiro descontado aos funcionários para o pagamento da Segurança Social chegasse ao destino, talvéz não teríamos tanta dificuldade, porque a Segurança Social poderia cobrir  lacunas”, disse o  Presidente do Sindicato dos trabalhadores da Câmara Municipal de Bissau.

Acrescentou que existe  uma dívida no valor de 500 milhões FCA, que a CMB deve depositar,  desde Fevereiro, na conta dos funcionários que sofrem descontos para  Segurança Social, mas que até ao momento não foi depositado pela atual Direção.  

“Temos ainda a situação de pagamento de subsídio de sábado e domingo aos coveiros que trabalham diariamente sem descansar e não ganham nada”, disse Ivo Ndafa.

O Presidente da CMB, José Medina Lobato já reagiu a ameaça de paralisação dos serviços feita pelo sindicato dos trabalhadores, para dizer que estão em dívida apenas um mês e não dois meses.

“Na realidade, não pagamos apenas o salário do mês de Maio devido as nossas  dificuldades financeiras, mas vai ser ultrapassada assim que conseguimos reunir o dinheiro para tal. O mês de Junho ainda não terminou, portanto não se pode dizer  que são dois meses de salários em atraso”, disse Lobato, em conferência de imprensa esta terça-feira.

Medina Lobato disse  que no período da chuva a CMB se depara  sempre com dificuldades, porque as receitas  não entram com frequência e diz que dependem  das receitas internas para pagar salários dos  funcionários,  compra de combustíveis, pagar subsídios e realizar ouros eventos. ANG/AALS/LLA/ÂC//SG

           Regiões/Escola de Bijimita se depara com falta de professores

Biombo, 24 Jun 25 (ANG) – A Unidade Escolar  de Ensino Básico Unificado, da secção de Bijimita, sector de Quinhamel, região de Biombo,  está a deparar-se com a falta de professores, sobretudo de Matemática.

Segundo o despacho do Correspondente da ANG  para a Região de Biombo, que cita o  diretor da Unidade Escolar de Bijimita, Bernardo Ndjuraca Cá, o único professor de Matemática que havia na escola foi  retirado pelo  inspector para uma missão  na zona  de Quissete, sector de Prábis, e Ndjuraca Cá queixasse de não ter sido ouvido sobre essa missão.

Em relação a  disciplina de Português, aquele responsável, disse que a escola só conta com um professor, porque muitos foram retirados de lá sem explicações.

Bernardo Cá disse que, para cobrir as vagas deixadas, resolveu-se contratar os professores da escola de formação  de 17 de Fevereiro, que entretanto ainda só recebem incentivos provenientes de fundos de auto-gestão da escola, correspondentes à 50 por cento dos seus salários. ANG/MN/MI/ÂC//SG



Regiões/Agricultores de Binar  preocupados com  fraca chuva no início da época de cultivo

Oio, 24 Jun 25 (ANG) – Os agricultores de secção de Binar, sector de Bissorã, região de Oio, norte do país, manifestaram as suas preocupações em relação a fraca chuva que se verifica no início da presente época agrícola.


As preocupações dos agricultores de Binar foram
 manifestadas ao Correspondente da ANG naquela região, pelo comité da tabanca Nbali Sanca, que disse  que, caso a situação prevalecer  os agricultores vão ser a primeira vítima da falta de água para a lavoura.

Sanca pede, por isso, ajuda ao Governo e parceiros de sementes de ciclo curto, que não necessitam de muita água, para fazer face a situação.

Falando da segurança pública em Binar, Nbali pediu meios para a Polícia local, uma vez que, cada vez que haja necessidade de suas intervenções  os agentes pedem emprestado as motos de particulares para se deslocar ao local de crime.

Nbali Sanca pede ao Governo para  reforçar a capacidade locomotiva dos agentes da POP de Binar para fazer face a onda de criminalidade na secção.ANG/AD/MSC/ÂC//SG

Regiões/ Diretor da Escola Ébineger de Olossato pede apoio para cobertura do pavilhão descoberto pelo vento

Oio, 24 Jun (ANG) - O Diretor da Escola do ensino básico  unificado de Igreja Evangélica “Ébineger” de secção de Olossato, sector de Mansaba, região de Oio, pede apoios para a cobertura de um pavilhão descoberto por vento forte registado, segunda-feira, naquela localidade.


Segundo o despacho do Correspondente da ANG ‘para região de Oio, Nue Quebi lamentou o ocorrido e disse que o pavilhão danificado precisa ser recuperado para acolher os alunos que no próximo dia 1 de Julho iniciam as provas finais do presente ano letivo.

A escola tem 4 turmas, um armazém,  e 205 alunos que devem realizar a prova de coordenação entre 1 e 6 de Julho próximo. ANG/AD/MI/ÂC//SG

Médio Oriente/Teerão acusa Telavive de nova onda de ataques após cessar-fogo

Bissau, 24 Jun 25 (ANG) - As Forças Armadas do Irão acusaram Israel de "violar o cessar-fogo" hoje com uma nova onda de ataques contra o seu território, depois de o exército israelita ter acusado Teerão de lançar mísseis e ameaçado responder.


Segundo o Irão, "o regime israelita violou o cessar-fogo por três vezes com ataques contra vários locais do país" e irá "pagar um preço elevado".

As Forças Armadas, citadas pela agência de notícias iraniana Tasnim, não avançaram informação sobre eventuais baixas causadas pelo novo bombardeamento.

O exército israelita já tinha denunciado esta manhã ter detetado um novo ataque com mísseis do Irão, duas horas após a entrada em vigor do cessar-fogo (às 07:00 de Telavive, 09:00 em Lisboa), o que foi negado pelas autoridades iranianas.

Telavive adiantou ter ordenado, entretanto, um ataque retaliatório e o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, explicou que o lançamento de mísseis pelo Irão constituiu uma violação do cessar-fogo, pelo que instruiu as Forças Armadas israelitas para retomarem "as intensas operações para atacar Teerão e destruir alvos do regime e infraestruturas terroristas".

O acordo de cessar-fogo foi anunciado pelo Presidente norte-americano na segunda-feira à noite, através de uma publicação nas redes sociais a dizer que Israel e Irão tinham chegado a um acordo que entraria em vigor às 05:00 de hoje (09:00 em Lisboa).

Donald Trump voltou a publicar uma mensagem esta manhã na qual garantiu que o cessar-fogo estava em vigor e pediu às partes para não o violarem.ANG/Lusa

Médio Oriente/Donald Trump anuncia cessar-fogo Israel-Irão mas tensão mantém-se no terreno

Bissau, 24 Jun 25 (ANG) - O governo israelita anunciou esta terça-feira, pelas 06h30 TMG, ter aceitado um cessar-fogo bilateral proposto pelos Estados Unidos, após quase duas semanas de confrontos com o Irão.

A ofensiva israelita começou a 13 de Junho, tendo como objetivo declarado impedir o desenvolvimento do programa nuclear iraniano.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou pouco antes o início do cessar-fogo, que deveria entrar em vigor às 04h00 TMG. Segundo o plano, o Irão suspenderia inicialmente todas as operações, com Israel a seguir o exemplo 12 horas depois.

Nas primeiras horas após o cessar-fogo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) reportaram o lançamento de dois mísseis balísticos provenientes do território iraniano. Ambos os mísseis foram interceptados pelos sistemas de defesa aérea israelitas segundo Tel Aviv. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ordenou uma resposta militar “com ataques intensos contra alvos no coração de Teerão”.

Por outro lado, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irão negou o lançamento de quaisquer mísseis nas últimas horas. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano afirmou que as Forças Armadas do país estão preparadas para responder a qualquer acto hostil. A Republica Islâmica também denunciou o não respeito do cessar-fogo por parte de Israel segundo a televisão nacional iraniana.

Na noite anterior, as forças iranianas dispararam vários mísseis contra a base aérea americana de Al-Udeid, no Qatar, em resposta aos ataques a instalações nucleares iranianas realizados pelos Estados Unidos durante o fim de semana. O número de mísseis disparados foi igual ao número de bombas lançadas pelos EUA, segundo os Guardas da Revolução. As autoridades americanas confirmaram que a base tinha sido evacuada e que os mísseis foram interceptados. O presidente Trump agradeceu ao Irão por avisar previamente, o que evitou vítimas.

Num discurso televisivo, Benjamin Netanyauh anunciou que todos os objectivos de Israel foram cumpridos e que o Irão já não tinha a capacidade de desenvolver um programa nuclear, mas o governo iraniano anunciou que tomou medidas para garantir a continuidade do seu programa nuclear após os ataques dos EUA e Israel a instalações em Fordo, Natanz e Isfahan. Segundo Teerão, apesar dos danos, a produção não vai ser interrompida.

As bolsas mundiais reagiram positivamente, com subidas generalizadas e queda nos preços do petróleo que tinham aumentado com a ameaça do fecho do Estreito de Ormuz pelo Irão.ANG/RFI

 

          Irão/Último balanço oficial de Teerão elevado para 610 mortos

 Bissau, 24 Jun 25 (ANG) - As autoridades sanitárias iranianas anunciaram hoje que morreram pelo menos 610 pessoas e mais de 4.700 ficaram feridas nos últimos 12 dias, na sequência dos bombardeamentos em diferentes zonas do país.

O porta-voz do Ministério da Saúde do Irão, Hosein Kermanpour, afirmou que 4.746 pessoas ficaram feridas, 971 das quais permanecem hospitalizadas, e que 13 crianças, incluindo uma de dois anos de idade, estavam entre os mortos.

A organização de defesa dos direitos humanos Hrana, um grupo com sede nos Estados Unidos de oposição ao regime iraniano, afirmou hoje que o número de mortos aumentou para 974.

De acordo com a mesma organização, o último balanço indica que 3.458 pessoas ficaram feridas.

As informações sobre o número de mortos e feridos têm sido tratadas com precaução, tanto no Irão como em Israel.

Segundo fontes oficiais, 28 pessoas foram mortas em Israel, quatro das quais durante a madrugada, no último ataque iraniano antes da entrada em vigor das tréguas.

Neste último ataque, 13 pessoas ficaram feridas, em Beersheva.

O serviço de emergência israelita Magen David Adom (MDA) contabilizou 28 mortos, 17 feridos graves e 29 feridos ligeiros.

O Estado de Israel, apoiado pelos Estados Unidos, iniciou os ataques contra o Irão na madrugada de 13 de junho com uma vaga de bombardeamentos contra as instalações nucleares iranianas.

A campanha intensificou-se com ataques a alvos em diferentes partes do Irão, incluindo a capital.

O Irão respondeu com mísseis balísticos e aparelhos aéreos não tripulados (drones) contra alvos principalmente no centro e norte de Israel.

Israel e Irão acusaram-se mutuamente de lançar ataques nos respetivos territórios após a entrada em vigor do cessar-fogo anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aceite oficialmente pelos dois países.ANG/Lusa

 

Moçambique/ONG pede proteção de crianças após aumento de violações em Moçambique

Bissau, 24 Jun 25(ANG) - A (ONG) moçambicana Fórum da Sociedade Civil para os Direitos da Criança (ROSC) pediu hoje responsabilização e mais ação governamental face ao aumento de 525% nas violações graves contra crianças em conflitos armados no país.

"A responsabilização (...) faz parte da prevenção, porque não é só na parte da penalização. Quando há responsabilização, as pessoas podem aprender a componente daquilo que é mal e que não deve ser feito, mas também porque é preciso proporcionar uma compensação e uma justiça às famílias, às vítimas, às sobreviventes", disse em entrevista à Lusa Benilde Nhalivilo, diretora executiva da ROSC, em Maputo.

No "Relatório do secretário-geral da ONU sobre crianças e conflitos armados de 2024" indica-se que Moçambique foi o segundo país com o maior aumento percentual (525%) de violações graves contra crianças em conflitos armados em 2024, apenas atrás do Líbano, segundo dados publicados na quinta-feira.

"Estamos muito tristes e indignados, mas também mais do que isso é a ideia e a vontade de trabalharmos cada vez mais para prevenir esse tipo de situação", afirmou a diretora da ONG.

Acrescentou que as crianças "já antes eram vítimas de vários outros tipos de violência e também de situações como desastres naturais que davam maior vulnerabilidade" e "perpetuavam" os fatores que as colocavam como parte dos grupos que são principais vítimas.

A continuidade do conflito na província de Cabo Delgado, no norte, é um dos "focos de ataques" às crianças e mulheres, disse.

O ROSC diz estar a desenvolver, juntamente com parceiros, trabalhos na área de "crianças em situação de conflito e violência armada" e a capacitar organizações da sociedade civil, bem como advocacia para responsabilidade estatal na matéria.

"Sabemos que a cultura da violência nas nossas comunidades está cada dia a tornar-se mais normalizada. E também a questão da responsabilização daqueles que cometem esse tipo de atos, que é uma coisa que nós gostaríamos de ver cada vez mais. Porque a responsabilidade de proteger as crianças é acima de tudo do Estado e também de todos nós que fazemos parte dessa sociedade", acrescentou.

Nhalivilo recorda que Moçambique é "destino de tráfico, corredor, e também de partida de pessoas, e particularmente de crianças que estão traficadas", referindo que há crianças portadoras de albinismo raptadas e mortas, com os órgãos retirados.

"Isso não está no contexto de Cabo Delgado, isso está no contexto de uma sociedade que se apresenta, de certa forma, doentia, e que precisa de colocar as crianças no centro das suas políticas públicas, das suas ações, para a proteção e defesa dos direitos das crianças", disse.

Os 16 anos de guerra civil entre Governo e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) também criaram "uma cultura de violação dos direitos das crianças", e, por outro lado, a fraca atuação das instituições que devem proteger as crianças, refere.

A impunidade frequentemente sobrepõe-se à Justiça, mesmo quando os perpetradores de violência são identificados, apontou a líder da ONG, destacando um desafio persistente em Moçambique.

Os impactos da violência contra crianças são duradouros, com danos psicológicos toda a vida. As famílias ficam também expostas, num contexto de fragilidade dos serviços de saúde mental, explica, apontando a necessidade de mais recursos.

Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico, que chegaram a provocar mais de um milhão de deslocados.

Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos na província, um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo dados divulgados recentemente pelo Centro de Estudos Estratégicos de África, uma instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano que analisa conflitos em África.ANG/Lusa

 

     Reino Unido/ Mais de 500 espécies de aves podem acabar em 100 anos

 Bissau, 24 Jun 25 (ANG)  - O estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, revela que aquele número "é três vezes superior a todas as extinções de aves registadas desde 1500 d.C", segundo um comunicado sobre o trabalho divulgado pelo estabelecimento de ensino superior.

A extinção de aves vulneráveis, como o pássaro-guarda-chuva-de-pescoço-pelado, o calau-de-capacete e o pássaro-sol-de-barriga-amarela, reduziria significativamente a variedade de formas e tamanhos de aves em todo o mundo, prejudicando ecossistemas que dependem de aves únicas como estas para funções essenciais.

Os cientistas referem que cerca de 250 espécies de aves podem desaparecer mesmo com proteção completa contra ameaças causadas pela atividade humana, como a perda de habitat, a caça e as alterações climáticas.

"Muitas aves já estão tão ameaçadas que reduzir os impactos humanos por si só não as salvará. Estas espécies precisam de programas especiais de recuperação, como projetos de reprodução e restauração de habitats, para sobreviver", afirmou Kerry Stewart, principal autora da investigação, citada no comunicado.

"Enfrentamos uma crise de extinção de aves sem precedentes nos tempos modernos. Precisamos de ações imediatas para reduzir as ameaças humanas em todos os habitats e de programas de recuperação dirigidos às espécies mais raras e ameaçadas de extinção".

Os investigadores analisaram quase 10.000 espécies de aves com dados da Lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN na sigla em inglês) e previram o risco de extinção com base nas ameaças que cada espécie enfrenta.

Segundo o estudo, as aves de grande porte são mais vulneráveis à caça e às alterações climáticas, enquanto as aves com asas largas sofrem mais com a perda de habitat.

O estudo identifica também quais as ações de conservação que melhor preservarão tanto o número de espécies de aves como as suas funções ecológicas.

"Parar as ameaças não é suficiente, cerca de 250 a 350 espécies precisarão de medidas complementares de conservação, como programas de reprodução e restauração de habitat, para sobreviverem no próximo século", afirmou Manuela Gonzalez-Suarez, autora sénior do estudo.

A professora na Universidade de Reading sustenta que dar prioridade a programas de conservação para apenas 100 das aves ameaçadas mais singulares poderá salvar 68% da perda projetada de diversidade funcional, bem como ajudar a manter os ecossistemas saudáveis.

"Interromper a destruição de habitats salvaria a maioria das aves. No entanto, reduzir a caça e prevenir mortes acidentais salvaria aves com características mais invulgares, especialmente importantes para a saúde do ecossistema", refere o comunicado.ANG/Lusa

 

Guerra Israel-Irão/Presidente da República garante evacuação caso haja guineenses que queiram sair destes países

Bissau, 24 Jun 25(ANG) - O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, garantiu segunda-feira que o país está em condições de evacuar qualquer guineenses que esteja em Israel ou no Irão que queira sair destes países.

“Se houver guineenses nesses países que queiram sair, temos condições para os retirar. Por enquanto, não temos conhecimento de nenhum, mas, se houver, não teremos dificuldades em proceder à evacuação”, assegurou em declarações à imprensa, à margem da visita ao Parque de Transportes urbano de Bissau e ao Centro de Pesagem de veículos da UEMOA, situados em Safim, Região de Biombo.

O chefe de Estado disse não ter conhecimento se algum guineense esteja a viver nestes países envolvidos em Guerra que já provocou muitas mortes e danos materiais .

“Estamos muito preocupados. A nossa dinâmica é de paz. Já fiz uma declaração dizendo que a Guiné-Bissau reserva-se ao direito de tomar uma posição face ao conflito”, declarou o Chefe de Estado.

Uma notícia da Agência de Notícias de Portugal – Lusa divulgada segunda-feira deu conta do desejo de estudantes guineenses no Irão de regressarem ao país devido à Guerra entre o Irão e Israel-EUA.

A Lusa cita o representante da Câmara do Comércio da Guiné-Bissau no Irão, Idrissa Ganó, que terá dito  que alguns cidadãos guineenses no estado persa, a maioria estudantes, querem regressar ao seu país devido à guerra e pedem apoio às autoridades guineenses, por temer que a guerra se alastre.A Guiné-Bissau não dispõe de uma representação diplomática no Irão. ANG/ÂC//SG

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Política/Presidente da República reitera diligências para aquisição de novas instalações da Marinha de Guerra Nacional

Bissau, 23 Jun 25(ANG) – O Presidente da República reiterou  hoje que diligências estão sendo feitas para aquisição de novo espaço para instalação da Marinha de Guerra nacional, uma vez que as atuais instalações “não dispõem de condições humanas condignas para continuar a albergar os militares”.

 “Os militares da Marinha Nacional são humanos e estão a servir o país nas esferas mais prestigiadas da Nação que é a Defesa e Segurança. Por isso,  devem ser deslocados daquelas instalações para outras mais condignas”, disse o chefe de Estado, em declarações à imprensa, à margem da visita que efetuou hoje ao novo  Parque de Autocarros Urbano, e  ao Centro de Pesagem da UEMOA, em Safim.

O Conselho de Ministros na sua reunião ordinária do passado dia 19 de Junho, deu anuência ao ministro das Finanças para mover diligências requeridas à alienação das instalações que possam albergam a Marinha de Guerra Nacional.

Perguntado sobre se as instalações da Marinha de Guerra Nacional foram  vendidas, o Presidente da República disse  que o referido espaço já foi cedido à empresa Santy Comercial desde  2014.

“Por isso, no meu mandato defendi a ideia da formalização do respetivo contrato com base nas exigências do Fundo Monetário Internacional. E foi por esse motivo que demos a anuência ao ministro das Finanças na qualidade de gestor do património de Estado para a  reformulação do processo”, frisou.

Questionado sobre se já existe um espaço onde serão transferidas o aquartelamento da Marinha de Guerra Nacional, Umaro Sissoco Embaló disse que sim, salientando que os militares nunca têm falta de espaços no país.

“Existem muitos espaços pertencentes as Forças Armadas, tanto em Bissau, assim como em Cumeré e noutras partes. São questões estratégicas e penso que no momento oportuno vai ser informado ao Chefe de Estado-maior da Marinha”, disse. ANG/ÂC//SG

Política/Presidente da República desdramatiza   invasão à casa do ex-chefe de guarda presidencial por um grupo de militares

Bissau, 23 jun 25 (ANG) - O Presidente da República desdramatizou  hoje a  invasão da casa do ex-chefe da guarda presidencial Tcherno Bari, vulgo “Tcherninho”, no último fim de semana por um grupo de militares.

“São agentes da Policia Militar(PM) que foram a casa de Tcherninho. Porque  a PM é  que regula o comportamento de qualquer  militar”, disse Umaro Sissoco Embaló em declarações à imprensa à margem da visita que efetuou esta segunda-feira ao Parque Urbano de Transportes, em Safim, região de Biombo.

Segundo a Rádio Djumbai, fontes familiares confirmaram no sábado, a detenção do ex-Chefe de Segurança do Presidente da República, Tcherno Bari, (Tcherninho) por ordem direta do comando militar.

Sobre o assunto o PR disse que  quando os militares desertarem dos quarteis são os agentes da Polícia Militar que devem lhes buscar  e que devem lhes aplicar os castigos  em conformidade com a lei.

“As pessoas gostam de usar termologias ou linguagens um pouco forte. O assunto do ex-chefe da Guarda Presidencial é uma questão do fórum militar, e não deve ser politizada”, disse o Presidente Sissoco Embaló.

A detenção de Tcherninho terá ocorrido nas primeiras horas de sábado  e as razões da detenção  não foram oficialmente divulgadas.ANG/LPG/ÂC//SG

Transportes terrestre/Presidente da República anuncia criação de  Plano de Transporte Urbano para disciplinar  circulação de transportes no país

Bissau,23 Jun 25(ANG) – O Presidente da República anunciou hoje a criação de um Plano de Transporte Urbano para disciplinar a circulação dos transportes no país, particularmente, em Bissau.

 “Vamos criar um Plano de Transporte Urbano, porque não podemos continuar com essa desordem de circulação na capital. Daqui a nada vamos ter os transportes semiurbanos a circular no centro da praça, o que é inadmissível”, avisou Umaro Sissoco Embaló  no final da visita ao Parque de Autocarros Urbano e as obras do Centro de Pesagem de viaturas com mercadorias,  em Safim .

 O Presidente da República disse que fez a questão de visitar as  instalações para constatar se, de facto, já reúnem as condições para albergar os autocarros doados ao país pelo Governo português.

Disse que, os novos autocarros já podem circular entre as zonas urbanas e o centro da cidade, através das suas próprias paragens a serem construídas.

“Com a entrada em circulação dos autocarros, os passageiros terão a possibilidades de adquirir os seus passes, conforme as modalidades a serem estipuladas, em vez de os condutores estarem a cobrar os passes”, disse.

O Centro de Pesagem de Veículos foi financiado pela União Económica e Monetária Oeste Africana(/UEMOA).

 “A Guiné-Bissau está muito atrasada em termos de eficácia de transportes terrestres no espaço UEMOA, pois  situa-se ainda na ordem dos 51 por cento enquanto que  os restantes países estão em 80 por cento”, disse.

São no total 21 autocarros doados pela Câmara Municipal do Porto, na sequência da visita do presidente de Portugal ,Marcelo Rebelo de Sousa à Guiné-Bissau.

Segundo o ministro das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, José Carlos Esteves, a segunda remessa de 62 autocarros deverão chegar à Bissau quando forem concluídas as obras do Parque Urbano de Autocarros.

O governante disse que, mediante os estudos feitos, para completar toda a rota de Bissau serão precisos   cerca de 200 autocarros, que deverão operar em  turnos.ANG/ÂC//SG

 Diáspora l/Guineenses no Irão pedem apoio para sair do país devido à guerra

 Bissau, 23 Jun 25 (ANG) – O representante da Câmara do Comércio da Guiné-Bissau no Irão, Idrissa Ganó, disse hoje que alguns cidadãos guineenses no estado persa, a maioria estudantes, querem regressar ao seu país devido à guerra e pedem apoio às autoridades.

Em entrevista telefónica à agência Lusa a partir da cidade iraniana de Qom, Idrissa Ganó, guineense formado no Irão em Relações Internacionais, afirmou que "alguns guineenses querem sair do Irão" porque "temem que a guerra se intensifique".

O também professor universitário da língua portuguesa, árabe e ciências discursivas, descreveu dificuldades para as pessoas se deslocarem, com estradas fechadas, depois de domingo os Estados Unidos terem entrado no conflito, iniciado a 13 de junho com ataques de Israel ao Irão, bombardeando instalações nucleares naquele país do Médio Oriente.

Ganó ressalvou não ser representante oficial da Guiné-Bissau na República Islâmica do Irão, mas disse que tenta ajudar os guineenses valendo-se do conhecimento que tem no país e da língua persa.

De acordo com Idrissa Ganó, o número de cidadãos guineenses no Irão "não ultrapassa 50 pessoas, contando com crianças recém-nascidas" e que a sua maioria são estudantes.

As pessoas que estariam interessadas em regressar à Guiné-Bissau seriam na sua maioria estudantes residentes na cidade de Qom, a 156 quilómetros a sudeste de Teerão, detalhou o representante da Câmara do Comércio guineense.

O próprio Ganó vive e trabalha em Qom, cidade que, além de albergar grande número de estrangeiros, também é onde ficam as instalações de uma central de enriquecimento do urânio, bombardeada pelos Estados Unidos, no domingo.

O professor guineense disse à Lusa que "não deu para ouvir as explosões" na zona onde se encontrava no dia do ataque norte-americano, mas que a vida em Qom "sofreu mudanças" ao ponto de o próprio não conseguir viajar para Teerão como costuma fazer.

"Não se consegue viajar. Algumas estradas estão cortadas", afirmou Ganó que pede às autoridades guineenses para providenciarem apoios para os cidadãos que querem sair do Irão.

Idrissa Ganó observou que as embaixadas de países africanos como Nigéria, Senegal e Serra-Leoa estão a recensear os seus cidadãos em Qom no sentido de os tirar do país assim que possível.

Em agosto de 2010, o então presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, entretanto falecido, efetuou uma visita de Estado ao Irão e anos depois os dois países estabeleceram relações diplomáticas que resultaram na abertura de uma embaixada do país africano em Teerão.

Na entrevista à Lusa, Idrissa Ganó avançou, contudo, que a embaixada guineense "fechou as portas há muitos anos".ANG/Lusa

Suíça/ IAEA antecipa "danos significativos" em instalações nucleares iranianas

Bissau,23 Jun 25 (ANG) -O responsável da Agência Internacional de Energia Atómica afirmou hoje que são esperados "danos muito significativos" nas instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio do Irão atacadas no fim de semana pelos Estados Unidos.


Dada a carga explosiva utilizada e a extrema sensibilidade das centrifugadoras à vibração, espera-se que tenham ocorrido danos muito significativos" em Fordo, um dos locais atacados, disse Rafael Grossi, numa declaração feita em Viena.

Os Estados Unidos atacaram no domingo as instalações subterrâneas do programa nuclear iraniano em Fordo, em Isfahan e em Natanz.

Segundo o diretor da agência das Nações Unidas, "neste momento, ninguém, incluindo a AIEA [Agência Internacional de Energia Atómica], está em condições de avaliar completamente os danos subterrâneos em Fordo".

O Irão afirmou que os EUA ultrapassaram "uma linha vermelha muito grande" ao atacar três instalações com mísseis e bombas destruidoras de 'bunkers' de 13.660 kg.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o general iraniano Abdolrahim Mousavi, descreveu o ataque norte-americano como uma violação da soberania do Irão e o equivalente a uma invasão do país, noticiou a agência de notícias estatal IRNA.

Na sequência dos bombardeamentos norte-americanos, surgiram apelos de todo o mundo para uma redução da tensão e o regresso à diplomacia para tentar resolver o conflito.

Teerão disparou hoje vários mísseis e drones contra Israel, alertando também os Estados Unidos de que as suas Forças Armadas receberam "carta branca" para atacar alvos norte-americanos.

De acordo com a televisão estatal iraniana, as autoridades de Teerão descreveram o ataque como uma nova vaga da sua "Operação Verdadeira Promessa 3", afirmando que tinha como alvo as cidades israelitas de Haifa e Telavive e reiteraram as suas antigas ameaças de fechar a rota de navegação de Ormuz, uma das maiores do mundo.ANG/Lusa

 

Etiópia/União Africana critica restrições de vistos e tarifas abusivas dos EUA

Bissau, 23 Jun 25 (ANG) - O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, disse esta segunda-feira,  que "não há comércio com restrições às viagens" e criticou as tarifas abusivas impostas aos países africanos.

Mahmoud Ali Youssouf falava hoje na cerimónia de abertura da 17.ª Cimeira de Negócios EUA-África, que decorre até quarta-feira em Luanda, e alertou para o que considerou como obstáculos aos negócios, aludindo às decisões da administração norte-americana de aumentar tarifas e alargar proibições de viagens a mais 36 países africanos, incluindo os lusófonos Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

"Quando 36 países da África não possuem ou são negados vistos para os Estados Unidos, como pode o comércio desenvolver-se entre as duas áreas? Quando as tarifas são impostas de forma abusiva contra os Estados africanos e, em alguns casos, mais de 40%, como é que os negócios se vão desenvolver?", questionou, sendo aplaudido pela plateia.

O responsável da União Africana lamentou também que se tenha posto fim ao AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidade para África), bem como os programas de ajuda ao desenvolvimento da USAID.

"Tudo isso foi abandonado. Alguém dizia que isso é um despertar para as nações africanas", disse, salientando que a África vai depender cada vez mais dos seus recursos domésticos.

"Nós estamos a desenvolver políticas para mobilizar recursos nacionais, mas nós não podemos aceitar a rejeição de vistos. Nós não podemos aceitar tarifas infelizes que não têm nada a ver com as regras da Organização Mundial de Comércio", criticou.

Por outro lado, salientou que a nova Comissão da União Africana se concentrou nos desafios da paz e da integração para pacificar o continente e promover os setores chave, tais como minerais e energia, saúde e agroindústria, infraestruturas e economia digital, "portadores de desenvolvimento e prosperidade".

"Não há dúvidas de que a África tem recursos naturais e humanos, 30% dos recursos minerais mundiais estão no continente, com uma população de 1,4 mil milhões de habitantes", salientou Mahmoud Ali Youssouf.

A nova Comissão da União Africana foi eleita em fevereiro - quando o Presidente angolano, João Lourenço, assumiu também a presidência rotativa da organização - e é responsável por implementar as políticas e estratégias aprovadas pelos órgãos da UA, que conta com 55 Estados-membros.

O responsável da Comissão da UA descreveu os EUA como "um polo financeiro e de conhecimento", salientando a importância de uma parceria equilibrada, justa e equitativa para que os Estados-membros da UA abram seus mercados e atraiam capital, lembrando que, em 2025, o crescimento médio em África se estima em 3,9% e mais de 21 países terão um crescimento superior a 5%.

"Além disso, a luta contra a corrupção e o levantamento progressivo das barreiras tarifárias e não-tarifárias é o objetivo perseguido pelos nossos Estados-membros", acrescentou, sublinhando que o continente está firmemente engajado em harmonizar as políticas comerciais, domésticas e financeiras.

O responsável destacou o setor privado como um dos principais motores de desenvolvimento e prosperidade, sendo "a combinação de políticas públicas e o setor privado" garantia de um futuro melhor para as nações africanas.

Ao mesmo tempo, prosseguiu, é importante introduzir reformas no sistema financeiro global e nas regras da Organização Mundial de Comércio.

Mahmoud Ali Youssouf disse ainda que o próximo G20 Summit na África do Sul "será uma boa oportunidade para que a voz da África seja ouvida, alto e bom som", sublinhando que o continente africano é considerado por muitos como o centro de poder do futuro crescimento global.ANG/Lusa