terça-feira, 1 de agosto de 2017

Angola/Eleições



Entendimento com União Europeia para envio de peritos à Luanda

Bissau, 01 Ago 17  (ANG) - O Governo angolano anunciou segunda-feira um entendimento com a União Europeia (UE) apenas para o envio de quatro peritos, para acompanhamento das eleições gerais, classificando como inaceitáveis as "exigências" para uma equipa de observadores eleitorais.
 
A posição foi assumida pelo diretor para África, Médio Oriente e Organizações Regionais do Ministério das Relações Exteriores angolano, embaixador Joaquim do Espírito Santo, numa conferência de imprensa em Luanda, convocada numa altura de críticas, internas e externas, à exclusão de uma missão europeia para observação das eleições angolanas, agendadas para 23 de agosto.

"Isso não nos deve preocupar. Angola não é um Estado-membro da União Europeia. A União Europeia não pode fazer exigências que vão para além daquilo que a lei eleitoral angolana estabelece", afirmou o diplomata, num encontro com os jornalistas inicialmente previsto com o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti. 

O diplomata esclareceu que a UE "foi convidada" para o processo eleitoral angolano, enquanto "parceira" do Governo de Angola, mas que pretendia enviar a equipa de observadores muito antes das eleições gerais, entre outras condições colocadas e que deveriam ser alvo da assinatura de um memorando de entendimento entre ambas as partes.

"A União Europeia queria ter podido estar aqui mais tempo, no quadro da observação eleitoral. A resposta que recebeu é que, de fato, a nossa lei eleitoral não permitia isso", insistiu o embaixador Joaquim do Espírito Santo, questionado pelos jornalistas. 

"O que a União Europeia diz ou deixa de dizer, não nos preocupa. Nós queremos, tal como fizemos com outras organizações regionais, que a União Europeia marque a sua presença como parceiro importante, para que nos acompanhe nesta caminhada para o desenvolvimento, para a democratização de Angola", enfatizou.

O diplomata recordou que os únicos compromissos de Angola, em matéria de observação eleitoral, são com as entidades regionais, como a União Africana, Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos, Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), cujos respectivos e primeiros observadores são esperados a partir de hoje no país.

Uma fonte comunitária tinha já confirmado à Lusa, na sexta-feira, que a UE deverá apenas enviar uma pequena missão de peritos para estar presente em Angola durante o processo eleitoral, sem lugar a relatório oficial ou a declarações políticas.

O convite do Presidente cessante, José Eduardo dos Santos, para a UE enviar uma missão de observação eleitoral chegou a Bruxelas no dia 27 de junho, pelo que não houve tempo para preparar a deslocação de uma equipa de observadores, "uma vez que os aspetos logísticos devem ser tratados muito antes das eleições através de um memorando de entendimento", segundo a fonte comunitária.

Bruxelas ofereceu-se, no âmbito da "excelente parceria com Angola", para enviar uma missão de peritos eleitorais, "para estar presente durante todo o processo eleitoral".
Ao contrário do que acontece com a missão de observação, a de peritos não contempla qualquer declaração política final nem relatório oficial para divulgação.

 ANG/Lusa

Função pública




Reunião da Comissão Permanente da Concertação Social foi inconclusiva

Bissau,01 Ago 17 (ANG) – A reunião da Comissão Permanente de Concertação Social realizada segunda-feira na qual se analisou entre outros o aumento de preço de arroz e cumprimento do memorando de entendimento assinado entre o governo e a Central Sindical (UNTG) relativamente aplicação da nova tabela salarial foi inconclusiva.

Em declarações à imprensa, o ministro da Função Pública, Reforma Administrativa e Trabalho, Tumane Baldé disse acreditar num consenso nos próximos encontros sobre os pontos em discussão, sobretudo no que diz respeito a um eventual reajuste salarial.

Tumane Baldé disse que o governo está ciente do baixo salário praticado na função pública e que se agrava ainda mais com a subida de preço dos produtos no mercado e de outros serviços.

Acrescentou que  técnicos estão a trabalhar nas questões jurídico/institucional e ético/deontológico e profissional para estabelecer as categorias e responder a este problema.

Nesta óptica, Tumane Baldé, que diz solidarizar-se com os princípios básicos da liberdade sindical e de greve, pede tolerância aos sindicatos, que ameacam observar uma greve de 8 à 10 do mês em curso na administração publica, alegando   que o processo é complexo.

O secretário-geral da UNTG, Estevão Gomes Có contínua a exigir ao executivo o reajuste salarial ainda no decurso deste ano, alegando que a distribuição equitativa que se pede não depende da aprovação ou não do Programa de Governo e Orçamento Geral de Estado.

“O reajuste salarial pode ser feito na actual massa salarial existente na função Pública, pois não é justo, alguns estarem a ganhar milhões e outros vinte e nove mil francos CFA”, criticou.

Em relação ao preço de arroz, Estevão Gomes Có e o Presidente da Confederação dos Sindicatos Independentes, Filomeno Cabral esperam que uma decisão saia  quarta-feira da reunião do  Conselho de ministros.  

Os dois martelaram sobre a necessidade do preço de arroz ser reduzido de 20 mil para 16 mil e quinhentos francos CFA.

Em nome do sector privado, Mamado Alfadjo Djaló relacionou a subida dos preços de arroz às taxas cobradas aos operadores económicos nacionais.

Como forma de minimizar a situação, disse que os operadores perspectivam mudar o método de exportação, ou seja, passar a fazer  a exportação através de navios com capacidade de transportar 20 ou 30 toneladas de arroz e desta maneira, ajudar na redução do preço do mesmo, no mercado nacional. 

ANG/LPG/JAM/SG