França/Parlamento aprova lei sobre
morte assistida após anos de debates
Bissau, 16 Jul 26 (ANG) - O direito à morte assistida, uma importante reforma social da presidência de Emmanuel Macron, foi aprovado nesta quarta-feira (15) pelo Parlamento francês.
A decisão foi anunciada sob aplausos de apoiadores do
texto, após anos de debates. Com isso, a França passa a integrar o grupo
relativamente restrito de países que já reconhecem esse direito, como Bélgica,
Países Baixos, Suíça, Canadá e Uruguai.
Pela quarta vez em um ano, a Assembleia
Nacional, a câmara baixa do Parlamento francês, aprovou de forma definitiva a
proposta de lei por 291 votos a favor, 241 contrários e 29 abstenções.
Em uma sessão marcada pela sobriedade,
os deputados tiveram a palavra final após três rejeições do Senado, a câmara
alta, e autorizaram a assistência ao suicídio e, em determinados casos, a
eutanásia, mediante uma série de condições.
“Obrigado a todos os parlamentares que
permitiram um debate construtivo e respeitoso”, escreveu o chefe de Estado na
rede social X, poucos minutos após a votação. “Em 2022, assumi o compromisso de
abrir esse caminho com os franceses. Com seriedade, humildade e pleno respeito
à nossa democracia, esse compromisso foi cumprido”, acrescentou.
O presidente desempenhou um papel
crucial em diversas ocasiões do debate. Em 2022, lançou uma convenção cidadã
que, em fevereiro de 2023, manifestou-se a favor da criação de uma “ajuda ativa
para morrer”.
O chefe de Estado também impulsionou um
projeto de lei do governo destinado a concretizar essa promessa, antes que a
dissolução da Assembleia em 2024 interrompesse a tramitação legislativa do
texto.
A
esquerda e os aliados de Macron votaram maioritariamente a favor, e a direita e
a extrema direita maioritariamente contra. No entanto, cada grupo deixou seus
integrantes livres para fazer sua escolha, em uma questão que mistura aspectos
íntimos e políticos.
No entanto, ainda restam duas etapas decisivas antes que esse novo direito seja efetivamente consagrado. Seguindo o exemplo do presidente do Senado, Gérard Larcher, da direita, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou na terça-feira que recorrerá ao Conselho Constitucional, levando em consideração as oposições que ainda persistem, especialmente à direita.
Em uma decisão que poderá ser divulgada
por volta de 15 de agosto, os membros do Conselho Constitucional deverão se
pronunciar especialmente sobre a compatibilidade de determinadas cláusulas,
como o prazo mínimo de reflexão de dois dias concedido ao paciente depois da
autorização médica para receber ajuda para morrer, com os “princípios de liberdade
individual e dignidade humana”, segundo os serviços do primeiro-ministro.
Depois disso, o chefe de Estado poderá
promulgar o texto. Em seguida, será a vez da elaboração dos decretos que
regulamentarão a aplicação da lei, uma etapa aguardada com grande expectativa.
Diferentemente da eutanásia, em que um
profissional de saúde provoca a morte do paciente, na morte assistida a
substância letal é administrada pela própria pessoa. O novo direito aprovado na
França seria reservado apenas a pacientes maiores de idade, portadores de uma
doença incurável que comprometa o prognóstico de vida e capazes de expressar
sua vontade de forma “livre e esclarecida”. Um médico verificaria sua
elegibilidade e, em seguida, um procedimento colegiado avaliaria os critérios
antes que o médico tomasse sozinho a decisão final.
O paciente poderia desistir a qualquer
momento e administraria a substância letal por conta própria. Apenas quando
“não estiver fisicamente em condições de fazê-lo”, um médico ou enfermeiro
poderia realizar o procedimento.
Ao
longo de todo o dia, apoiadores e opositores se concentraram nos arredores e no
interior da Assembleia Nacional. AIgrja Católica na França por sua vez,
lamentou “uma ruptura grave na história de nosso país”.
ANG/RFI/Com agências

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