Médio
Oriente/EUA e Irã
mantêm bombardeios que colocam em risco o abastecimento energético mundial
Bissau, 16 Jul 26 (ANG) - Após mais de uma semana de bombardeios constantes, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nas últimas horas.
Segundo o Exército dos EUA, as forças americanas
concluíram "uma série de ataques noturnos contra o Irã",
principalmente contra instalações militares na cidade portuária de Bandar
Abbas, no sul do país.
O objetivo da ofensiva foi "reduzir a capacidade
do Irã de ameaçar marinheiros inocentes" no Estreito de Ormuz.
As forças americanas
também atingiram "instalações de defesa costeira e posições de mísseis de
cruzeiro na ilha de Greater Tunb", segundo o Comando Central dos Estados
Unidos para o Oriente Médio (Centcom)Explosões também foram ouvidas no
norte e no oeste do Irã, segundo a mídia estatal, e o sistema de defesa
antiaérea foi acionado nesta quinta-feira (16) em Teerã.
Na quarta-feira, a cidade portuária de Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear do Irã, voltou a ser alvo de ataques americanos, assim como os arredores de Iranshahr, no sudeste do país. Sete militares iranianos morreram, segundo as Forças Armadas do Irã, que registaram 13 disparos de mísseis americanos.
Explosões também foram ouvidas em várias cidades, entre elas
Bandar Abbas, Rask e Chabahar, além da ilha de Qeshm. Um hospital em Ahvaz, no
sudoeste do país, também foi evacuado após ataques americanos na região. Os
pacientes foram transferidos para outras unidades de saúde. Já o Exército
iraniano anunciou nesta quinta ter atacado, com drones, bases e instalações
militares americanas no Kuwait e no Bahrein.
Bahrein e Kuwait afirmaram ter interceptado ataques iranianos
após os novos bombardeios dos EUA contra o Irã.
"O Irã continua sua política hostil sistemática por meio de
ataques criminosos contra civis", declarou o Exército do Bahrein em
comunicado, afirmando ter "interceptado e destruído diversos ataques
aéreos".
Sirenes de alerta soaram durante a madrugada em Manama, capital
do Bahrein, onde explosões também foram registradas, segundo uma jornalista da
AFP.
O Estado-Maior do Kuwait declarou igualmente ter respondido a
"ataques com drones" lançados pelo Irã. Segundo os militares, as
explosões registradas foram resultado da interceptação dos aparelhos.
As forças iranianas afirmaram
ter atingido "sistemas de radar, um sistema de defesa antiaérea Patriot e
depósitos de combustível" na base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, além
de instalações militares americanas na base aérea de Sheikh Isa, no Bahrein.
De acordo com o Estado-Maior iraniano, o país destruirá
infraestruturas do Oriente Médio caso suas próprias instalações sejam atacadas,
em resposta às ameaças de Donald Trump de atingir pontes e usinas elétricas
iranianas.
"Toda a infraestrutura da região será destruída pelas
Forças Armadas da República Islâmica do Irã, de tal forma que não restará
qualquer vestígio, como se jamais tivesse existido", declarou o comando
conjunto iraniano em comunicado.
Donald
Trump afirmou na terça-feira, em entrevista à Fox News, que atacará usinas
elétricas e pontes no Irã na próxima semana, a menos que os iranianos "se
sentem à mesa de negociações".
Teerã tem realizado ataques quase
diários contra Kuwait e Bahrein desde a retomada dos combates com os Estados
Unidos, em 7 de Julho. As autoridades do Bahrein e do Kuwait acusam o Irã de
também atacar instalações civis.
No domingo, o Kuwait afirmou que três
postos de fronteira e uma plataforma petrolífera offshore foram atingidos. O
conflito foi retomado após ataques a navios no Golfo atribuídos ao Irã. Os
bombardeios que se seguiram representam a maior escalada militar no Oriente
Médio desde o cessar-fogo de 8 de abril.
Os Guardiões da Revolução anunciaram
nesta quinta ter atingido com mísseis balísticos uma base aérea americana na
Jordânia. As forças americanas "utilizaram suas bases na Jordânia para
atacar várias áreas do Irã, incluindo os arredores de um hospital para crianças
com câncer", afirmaram os Guardiões da Revolução.
O Paquistão pediu nesta quinta-feira que
Estados Unidos e Irã encerrem os confrontos e retomem as negociações previstas
no memorando de entendimento firmado em 17 de Junho com mediação paquistanesa.
"Embora a implementação do
memorando enfrente dificuldades, o Paquistão continuará incentivando todas as
partes a pôr fim à violência e a retomar as discussões técnicas conforme
previsto no acordo", declarou à imprensa Tahir Andrabi, porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores do país.
De acordo com o porta-voz, há esperança
de um "rápido retorno à normalidade" no Estreito de Ormuz, e é
importante garantir, de forma permanente, "a segurança e a liberdade da
navegação marítima".
O Irã, que voltou a fechar o Estreito de
Ormuz no último fim de semana, prometeu manter a via marítima bloqueada até o
fim das "agressões" americanas.
A
retomada dos confrontos provocou forte alta nos preços internacionais do petróleo
e alimentou temores de aumento da inflação global.
No
Estreito de Ormuz, localizado entre as águas iranianas e omanenses e por onde
transitava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural
liquefeito (GNL) consumidos no mundo, o tráfego marítimo diminuiu
consideravelmente após ataques contra vários navios petroleiros.
Segundo Tahir Andrabi, existe uma
"necessidade urgente" de resolver uma situação que afeta "o
abastecimento energético mundial", além do comércio e da segurança alimentar.
ANG/RFI/Com agências

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