segunda-feira, 29 de junho de 2026

Médio Oriente/EUA e Irã prevêem suspensão de ataques e negociam controle de Ormuz

Bissau, 29 Jun 26 (ANG) - Representantes do Irã e de Omã se reuniram pela primeira vez nesta segunda-feira (29), desde a assinatura do acordo entre Teerã e Washington, para discutir o controle do Estreito de Ormuz, segundo o Ministério iraniano das Relações Exteriores.

Neste domingo (28), os Estados Unidos anunciaram que os ataques com o Irã seriam suspensos e as negociações retomadas.

“Está previsto que as discussões técnicas continuem sobre todos os pontos do protocolo de acordo. As duas partes vão interromper seus taques por enquanto e os navios podem circular livremente” no Estreito de Ormuz e arredores, segundo um responsável americano próximo das negociações.

 

O Irã desaprovou o anúncio de Omã sobre a abertura de uma via de navegação alternativa temporária, apresentada como uma iniciativa coordenada com a ONU para retirar marinheiros e navios bloqueados. A passagem foi utilizada por dezenas de embarcações nesta semana.

 

Desde quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida. Os ataques foram atribuídos a Teerã pelo Exército dos EUA, que respondeu por dois dias consecutivos com bombardeios ao Irã. O regime iraniano reagiu lançando mísseis e drones contra seus vizinhos do Golfo, incluindo o Kuwait e o Bahrein.

O Irã não descarta a imposição de “taxas”, inexistentes antes da guerra,apesar da oposição dos estados Unidos.

 

Para o governo americano, o estreito é uma “via navegável internacional”, embora esteja às margens da costa iraniana e do sultanato de Omã.

 

De acordo com o sultanato, nenhuma “taxa de passagem” estava prevista nos futuros acordos.

O governo de Omã menciona a criação de um “corredor marítimo temporário”, apresentado como uma iniciativa coordenada com a ONU. Negociações devem ocorrer na terça-feira, no Catar, com o objetivo de superar divergências sobre a rota estratégica por onde passa cerca de 20% dos hidrocarbonetos do mundo.

Embora Irã e Omã reivindiquem soberania sobre o estreito, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), adotada em 1982, garante o direito de “passagem em trânsito” nos estreitos utilizados pela navegação internacional, como o de Ormuz, essencial para conectar o Golfo ao resto do mundo.

O texto, que não foi ratificado por Teerã, estabelece que “todos os navios e aeronaves” cujo objetivo seja o trânsito contínuo e rápido pelo estreito têm liberdade de navegação sem entraves.

 

Ele foi reaberto na semana passada, após ter sido parcialmente bloqueado pelo Irã no início da guerra em Fevereiro. A medida desestabilizou o comércio mundial de hidrocarbonetos e fez disparar os preços do petróleo.

 

Após a conclusão do memorando entre o país e os EUA em 17 de Junho, Teerã autorizou apenas a passagem por um único corredor ao longo de sua costa e ameaça atacar navios que desrespeitem essa regra.

 “Nenhuma outra instituição ou país”, além do Irã, é “responsável” pela gestão do estreito, afirmou no domingo o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi. “Qualquer ingerência”, disse, levará a atrasos em sua reabertura e aumentará as tensões.

No Líbano, que Teerã havia exigido incluir no protocolo de acordo com os Estados Unidos, Israel continuou seus ataques no domingo, apesar também da assinatura, na sexta-feira, em Washington, de um acordo para obter a “paz duradoura”.

 

Em um comunicado conjunto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciaram que o exército destruiu um longo e profundo túnel do Hezbollah no sul do Líbano.

A Agência Nacional de Informação libanesa (ANI, oficial) relatou bombardeios, enquanto o Ministério da Saúde informou dois feridos após o lançamento de uma granada pelo “inimigo israelense” contra uma localidade no sul do país.

O presidente do Parlamento libanês, aliado ao Hezbollah pró-Irã, Nabih Berri, afirmou no domingo que o acordo com Israel “não será adotado” no formato atual. O movimento xiita, que também rejeita esse acordo, declarou que se reserva o direito de “defender sua pátria” após os recentes ataques israelenses.

O acordo condiciona a retirada de Israel do Líbano, onde suas tropas ocupam uma área no sul, ao desarmamento do Hezbollah, uma exigência de longa data que Beirute tem dificuldade em implementar. O país foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio a seu aliado iraniano, após a ofensiva americano-israelense contra Teerã.ANG/AFP / Reuters

 

Portugal/ Acordo de mobilidade na CPLP foi comprometido pelos próprios Estados-membros - analistas

Bissau, 29 Jun 26(ANG) - Analistas entrevistados pela Lusa no âmbito dos 30 anos da CPLP reconheceram que o acordo de mobilidade da organização foi comprometido pelos próprios Estados-membros, particularmente por Portugal, apesar de estar em vigor.

Em 17 de julho de 2021, no 25.º aniversário da organização, durante a XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo, em Luanda, Angola, foi adotado o "Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]".

No entanto, em Portugal, a lei de estrangeiros, aprovada em julho do ano passado, alterou a entrada no país de cidadãos lusófonos, que passam a ter de pedir na origem um visto de trabalho ou de residência para obterem autorização de residência.

O analista português Fernando Jorge Cardoso classifica o acordo de mobilidade da CPLP como a maior realização conseguida dentro da comunidade.

Questionado sobre o recuo de Portugal nesse tema, explicou que essa questão se deveu a uma mudança no partido que governa - o Partido Socialista liderado por António Costa, que governou até 2024, foi um dos grandes defensores do acordo - e pelo facto de essa estar a ser uma corrente política que paira no contexto internacional. 

"Portugal está limitado não só pela sua política interna, como pelas regras do espaço Schengen", explicou.

No entanto, frisou, Portugal não eliminou o acordo. 

O politólogo angolano Almeida Henriques considerou que Portugal "precisa de ser mais visionário" em matéria de mobilidade e que as restrições "não ajudam e desmotivam os cidadãos da comunidade".

Já o presidente da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe, Liberato Moniz, lamentou que a livre circulação praticamente não tenha sido aplicada no bloco lusófono e que seja sim usada quando há necessidade de mão-de-obra, particularizando o caso português. 

Para Redy Lima, analista cabo-verdiano, o problema é mais estrutural.

"A facilitação de vistos acaba por ser uma ideia neocolonial: Portugal precisa de mão-de-obra e facilita as pessoas para irem trabalhar, mas o cabo-verdiano que quer ir de férias ou visitar a família continua a ter dificuldades", lamentou o sociólogo.

Para si, que se assume como cético da organização, o "projeto CPLP falhou e o acordo de mobilidade espelha a relação desigual entre os Estados-membros".

Elísio Macamo, professor universitário moçambicano na Suíça, relatou que o acordo de mobilidade não impactou de "modo nenhum a sua vida" e que isso seja, "talvez, a parte mais dececionante", pois demonstra "os limites deste mundo lusófono", em que "muitas iniciativas têm encalhado".

Por outro lado, explicou que, por exemplo, Portugal, por pertencer à União Europeia, e o Brasil, por fazer parte do Mercosul, estão limitados naquilo que podem fazer em termos de mobilidade.

"Mesmo do lado africano, não há muita flexibilidade para facilitar a entrada de portugueses ou de brasileiros", reconheceu.

Adriano de Freixo, analista brasileiro de ascendência portuguesa, com dupla nacionalidade, declarou que, a seu ver, a questão da mobilidade não teve impacto e relatou que amigos e colegas seus já lhe descreveram que as filas nos aeroportos portugueses para cidadãos da CPLP são, por vezes, maiores que as filas dos cidadãos de outras nacionalidades.

Redy Lima defendeu que, para a próxima década, a CPLP devia focar-se nesta questão da mobilidade e consolidá-la.

"Avançar com a questão da mobilidade seria meio caminho andado para a CPLP se consolidar. As pessoas têm que sentir a CPLP. Se ela conseguir ultrapassar esse obstáculo, abre outras oportunidades", considerou.

Por seu turno, Almeida Henriques pediu que haja uma "liberalização do ponto de vista da mobilidade no espaço CPLP".

A CPLP, que assinala 30 anos em 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. ANG/Inforpress/Lusa

 

Côte D`Ivoire/ África alcança melhor desempenho na fase de grupos da Copa do Mundo 2026 com 90 por cento de suas selecções classificadas para fase de 32 avos de final

Bissau, 29 Jun 26 (ANG) – A Confederação Africana de Futebol (CAF) obteve o melhor desempenho na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, classificando nove das suas dez equipes participantes para a fase de 32 avos de final, o que representa uma taxa de classificação de 90%, a mais alta entre as confederações

representadas na competição.

Essa conquista histórica ilustra o progresso do futebol africano no cenário mundial após a primeira Copa do Mundo organizada com o formato expandido de 48 equipes. Com nove representantes das 32 nações ainda na disputa, a África também ocupa o segundo lugar em número de seleções classificadas, atrás da Europa.

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) continua sendo a confederação mais representada em termos absolutos, com 11 equipes classificadas, representando 34,4% da fase final do torneio. A CAF vem em seguida, com nove nações (28,1%), enquanto a Ásia (AFC), a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) têm quatro representantes cada, totalizando 12,5% das equipes classificadas. A Oceania (OFC), no entanto, não estará mais representada na fase eliminatória.

As nove seleções africanas classificadas são Costa do Marfim, Marrocos, Egito, Senegal, Argélia, República Democrática do Congo, Gana, Cabo Verde e África do Sul. Apenas a Tunísia não conseguiu avançar da primeira fase.

Além do número de equipes classificadas, o que mais impressiona na CAF é sua taxa de sucesso. Com 90% de suas equipes classificadas, a África supera em muito as outras confederações, confirmando uma ascensão que começou em edições anteriores da Copa do Mundo e foi reforçada pelo desempenho de várias de suas seleções nacionais contra as principais potências do futebol.

A distribuição das 32 equipes classificadas para a fase de 32 avos de final é a seguinte:

Europa (UEFA): 11 equipes (34,4%)
África (CAF): 9 equipes (28,1%)
Ásia (AFC): 4 equipes (12,5%)
CONCACAF: 4 equipes (12,5%)
América do Sul (CONMEBOL): 4 equipes (12,5%)
Oceania (OFC): nenhuma equipe classificada.

O novo formato da Copa do Mundo promoveu uma representação mais diversificada das confederações, mas os resultados registados ao final da fase de grupos também refletem a evolução do equilíbrio de poder no cenário mundial, com a África mais competitiva do que nunca.

Com seus nove representantes, a CAF agora se aproxima da fase de 32 avos de final com a ambição de superar seus melhores desempenhos históricos na competição e ver várias de suas equipes chegarem às quartas de final, ou mesmo às fases finais do torneio. ANG/Faapa

   

Cooperação/China e Bangladesh anunciam  construção de comunidade com futuro compartilhado na nova era

Bissau, 29 jun 26(ANG) - O presidente chinês, Xi Jinping, e o  primeiro-ministro de Bangladesh, Tarique Rahman, anunciaram sexta-feira, após uma reunião, a decisão de construção de uma comunidade-China-Bangladesh com um futuro partilhado, para a elevação das  relações de cooperação bilateral a um nível mais alto.

Xi sublinhou  que a China sempre atribuiu grande importância ao desenvolvimento das relações China-Bangladesh e manteve-se fiel à política de boa vizinhança e amizade para com todo o povo de Bangladesh.

Reiterou que, não importa como o mundo mude, a China não vacilará em seu compromisso com a direção geral das relações amigáveis entre a China e Bangladesh e que sempre será um bom amigo, bom vizinho e bom parceiro de confiança de Bangladesh, disse ele.

"Este ano marca o 105º aniversário do Partido Comunista da China (PCCh). Olhando para trás, ao longo de sua história, o PCCh uniu e liderou o povo chinês para sair da pobreza e da fragilidade e abrir caminho para a modernização da China. A força reside na independência e na autossuficiência, e na manutenção firme do futuro do desenvolvimento e progresso nacionais em nossas próprias mãos", disse Xi.

Ele afirmou que a China apoia Bangladesh na defesa da independência, da soberania nacional e da integridade territorial, bem como na rejeição à interferência estrangeira.

A China apoia o novo governo de Bangladesh em seus esforços de governança e está pronta para trabalhar com Bangladesh a fim de realizar uma cooperação de alta qualidade no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota, disse o presidente chinês.

A China está disposta a elaborar planos sólidos para uma cooperação ordenada em áreas prioritárias com Bangladesh e a explorar o potencial de cooperação em desenvolvimento verde e de baixo carbono, economia digital, tecnologia da informação e inteligência artificial, disse ele.

Xi assinalou que a China está disposta a realizar intercâmbios nas áreas de saúde, cultura e educação, bem como em níveis subnacionais, e a promover o desenvolvimento do Corredor Econômico China-Mianmar-Bangladesh para uma maior conectividade regional.

A China está pronta para fortalecer a comunicação e a coordenação com Bangladesh dentro de estruturas multilaterais, incluindo a ONU, a fim de promover conjuntamente um mundo multipolar equitativo e ordenado e uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva, bem como defender melhor os direitos legítimos e os interesses comuns dos dois países e os interesses do Sul Global, disse Xi.

Estendendo as congratulações pelo 105º aniversário da fundação do PCCh, Rahman que se encontra de visita à China, afirmou que este país asiático  é um parceiro valioso e de confiança de Bangladesh, e que a modernização chinesa é um exemplo a ser seguido por Bangladesh.

“Bangladesh espera fortalecer os intercâmbios bilaterais entre partidos políticos, promover a cooperação no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota e ampliar a cooperação e os intercâmbios nas áreas de economia e comércio, conectividade, agricultura, tecnologia, energia verde, educação e saúde, a fim de ajudar Bangladesh a alcançar a modernização”, disse Rahman.

O governante do Bangladesh disse que o seu país está firmemente comprometido com o princípio de Uma Só China, que reconhece que Taiwan é parte integrante do território da China,  se opõe a qualquer forma de "independência de Taiwan" e que defende, firmemente, a autoridade da Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU.

A visão de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade e as quatro iniciativas globais apresentadas pelo presidente Xi são importantes para manter a paz e o desenvolvimento do mundo, assim como a equidade e justiça internacionais, disse ele, acrescentando que Bangladesh as apoia totalmente.

Rahman disse que Bangladesh está pronto para fortalecer a coordenação e a colaboração com a China em assuntos internacionais e regionais e para defender os resultados da vitória na Segunda Guerra Mundial e a ordem internacional centrada na ONU. ANG/Xinhua

China/Políticas, abertura e plataformas fortalecem cooperação comercial China-África

Bissau, 29 Jun 26(ANG)   A praça comercial de Changsha, a capital da Província de Hunan, no centro da China, virou atração para milhares de consumidores de  produtos  africanos .

Uma cliente experimenta uma loção corporal feita com manteiga de karité originária do Mali, de textura branca cremosa e fragrância adocicada.

"Graças à política chinesa de tarifa zero, os custos das matérias-primas caíram entre 20% e 25%, e repassamos essa economia diretamente aos consumidores", disse Zuo Dongnan, que há anos atua no comércio entre a China e o Mali. Segundo ele, a empresa importa cerca de 300 mil toneladas de matérias-primas por ano, e o volume continuará crescendo.

Desde 1º de Maio deste ano, a China ampliou o tratamento de tarifa zero para todos os 53 países africanos com os quais  mantêm relações diplomáticas. Para os países africanos de língua portuguesa, essa política abre novas possibilidades.

Na Guiné-Bissau, os produtos como castanha de caju, pescado, e gergelim podem se beneficiar do tratamento tarifário favorável. Segundo Lassana Fati, diretor-geral do Comércio Externo do Ministério do Comércio e Indústria da Guiné-Bissau, como a agricultura é um pilar da economia guineense e está ligada ao sustento de muitas famílias, a ampliação do acesso ao mercado chinês é vista como uma oportunidade para conectar melhor a produção local à demanda chinesa, atrair investimentos, aumentar a competitividade e apoiar a redução da pobreza.

Lassana escreveu em um artigo que a política de tarifa zero da China representa uma medida prática de apoio económico, capaz de ajudar o país a transformar a sua riqueza em recursos, em vantagens de desenvolvimento. Segundo ele, a Guiné-Bissau está disposta a aprofundar a cooperação econômica e comercial com a China e compartilhar oportunidades de desenvolvimento.

Em 8 de junho, durante um encontro entre a embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, e o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, Roberto Mito Albino, Albino elogiou as relações entre Moçambique e a China e os resultados da cooperação agrícola entre os dois países, agradecendo o apoio de longa prazo da China ao desenvolvimento agrícola de Moçambique e manifestando a disposição de fortalecer o diálogo sobre políticas e a cooperação prática, a fim de promover a entrada de mais produtos moçambicanos de alta qualidade no mercado chinês.

 Para que os benefícios da tarifa zero se convertam efetivamente em comércio, é necessário também reduzir barreiras técnicas e facilitar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. O comércio internacional de produtos agrícolas envolve exigências de inspeção e quarentena.

Para facilitar a entrada de produtos africanos no mercado chinês, a Província de Hunan lançou sistemas pioneiros de avaliação prévia para alimentos africanos exportados à China. O mecanismo permite que especialistas chineses revisem padrões de produção e processamento antes do embarque, encurtando o período de inspeção e ajudando pequenos exportadores africanos a ajustar processos com antecedência.

Os resultados são visíveis. Em 2025, as importações de Hunan provenientes da África cresceram 27,2%, atingindo 30,92 bilhões de yuans (US$ 4,56 bilhões). Os consumidores chineses agora desfrutam dos abacaxis frescos do Benin, dos grãos de café da Etiópia e dos grãos de cacau de Uganda, enquanto se espera que as importações de nozes de macadâmia da África do Sul e de abacates do Quênia continuem aumentando.


Além da facilitação comercial, a construção de plataformas permanentes de cooperação tornou-se outro fator importante para aprofundar os laços econômicos e comerciais entre China e África. Em Changsha, um pavilhão de exposição permanente no Grande Mercado de Gaoqiao reúne produtos de todos os 53 países africanos com relações diplomáticas com a China. O local abriga também centros de serviços, incluindo um escritório de ligação para instituições empresariais China-África, oferecendo serviços comerciais durante todo o ano.

 Como sede permanente da Exposição Econômica e Comercial China-África (CAETE, em inglês), Hunan facilitou a assinatura de 512 projetos, no valor total de US$ 64,71 bilhões, ao longo de quatro edições do evento. O comércio da província com a África tem se mantido acima de 50 bilhões de yuans há vários anos consecutivos.

 Aproveitando a CAETE e a zona-piloto para cooperação econômica e comercial aprofundada entre a China e a África, a Província de Hunan pretende atingir 100 bilhões de yuans em comércio anual com a África até 2028 e fomentar mais de 150 empresas, cada uma com volume de negócios superior a 100 milhões de yuans no comércio com a África, afirmou Shen Yumou, diretor do Departamento de Comércio da Província de Hunan, durante uma visita a Angola, acrescentando que ele espera que os dois lados reforcem a coordenação em áreas como construção de infraestrutura, desenvolvimento de novas fontes de energia e cooperação agrícola, a fim de explorar em conjunto os modelos de cooperação mutuamente benéficos.

A Província de Hunan fortalecerá a inovação institucional e a integração de políticas, explorará ativamente novas formas, modelos e mecanismos de negócios para a cooperação econômica com a África e ampliará novas formas de comércio de troca, ao mesmo tempo que promoverá o desenvolvimento integrado da produção, do processamento e do comércio, disse Shen Xiaoming, secretário do Comitê Provincial de Hunan do Partido Comunista da China.ANG/ Xinhua

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Política//Primeiro-ministro defende “ investimento estratégico” na juventude para impulsionar o desenvolvimento do país

Bissau, 26 Jun 26(ANG) - O Primeiro-ministro disse, esta sexta-feira, que nenhuma nação poderá alcançar o desenvolvimento sustentável sem investir, “de forma séria e estratégica”, na sua juventude.

Ilídio Vieira Té falava  na cerimónia de abertura da Semana Internacional da Juventude Guiné-Bissau 2026, iniciativa promovida para reforçar a participação dos jovens no desenvolvimento nacional e fomentar o diálogo em torno dos principais desafios que afetam esta camada da população.

‎Na sua intervenção, o chefe do Governo declarou que o atual Executivo de Transição encara a juventude como o eixo central das políticas públicas, e indicou que os esforços  em curso visam a criação de  melhores oportunidades de inclusão económica, social e institucional para os jovens guineenses.

‎Segundo  Vieira Té, a Semana Internacional da Juventude constitui um espaço privilegiado de escuta, reflexão e concertação entre o Governo e a juventude, para a  recolha de contributos para a definição de políticas mais ajustadas às necessidades das novas gerações.

Ao longo da semana, jovens oriundos de todas as regiões do país participarão em debates, conferências e diversas atividades dedicadas aos temas como transformação digital, empreendedorismo, liderança, cidadania, participação política, direitos humanos, igualdade de género, proteção ambiental e desenvolvimento local.

‎Segundo a ministra da Juventude, Cultura e Desporto, Juelma Cubala, a iniciativa tem como principal objetivo recolher propostas concretas dos jovens para o aperfeiçoamento das políticas públicas dirigidas ao sector da juventude.

 A governante defendeu que nenhuma estratégia de desenvolvimento será verdadeiramente sustentável sem a integração da visão, das aspirações e das capacidades da juventude.

Presente na cerimónia, o presidente do Instituto da Juventude, Ussumane Sadjo, apelou ao reforço das competências dos jovens, a promoção do empreendedorismo e  criação de condições para um maior acesso à educação, ao emprego digno, à participação cívica e à inclusão social.


O programa da Semana Internacional da Juventude
ainda prevê   a realização de  uma Feira do Trabalho, de mesas-redondas, conferências temáticas e de um Concurso Nacional de Talentos.

Os organizadores dizem que essas iniciativas  visam valorizar a criatividade,  inovação e o potencial dos jovens guineenses. ANG/RSM

 

Regiões / Administrador do setor de Canchungo pede a população local  o uso correcto das tendas(mosquiteiros) impregnadas

Cacheu, 26 Jun 26 (ANG) - O administrador do setor de Canchungo, região de Cacheu, norte do país,  pediu a população local para respeitar as orientações  dos técnicos da saúde sobre o  uso correto das tendas impregnadas.

Segundo o despacho do Correspondente da ANG na Região de Cacheu,  Albino Camepilim Mendes fez o pedido, esta sexta-feira, na cerimónia de distribuição  gratuita das tendas( mosquiteiro impregnadas, no âmbito da campanha contra o paludismo .

Na ocasião, aquele responsável realçou a importância dos mosquiteiros impregnados para o combate ao paludismo nas crianças menores de 5 anos e nas mulheres grávidas.

Para o Diretor Regional de Saúde de Cacheu, Nghala Na Uaie, o objetivo desta campanha, é garantir que todas as famílias desta região possam ter acesso aos  mosquiteiros de qualidade, que vão contribuir para a redução dos casos de paludismo nas crianças menores de cinco anos e nas mulheres grávidas.

Na Uaie pediu  aos residentes  da região de Cacheu para colaborarem com os técnicos de saúde durante a campanha de entrega dessas tendas que decorre de 26 de Junho a 01 de Julho próximo.

A campanha  de distribuição de tendas impregnadas é organizada pelo Governo, através do Ministério da Saúde Pública e financiada pelo  Programa das Unidas para o Desenvolvimento-PNUD e outros parceiros internacionai
s. ANG/AG/JD/ÂC//SG.

Desporto-futebol/”Em nenhum momento a realização do Campeonato Inte-Bairros foi impedida pela FFGB ”, diz o  Diretor-técnico  da instituição

Bissau, 26 Jun 26 (ANG) – O Diretor-técnico da  Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB),disse que em  nenhum momento a instituição tenha impedido a realização do campeonato Inter-bairros, que  empresas ou comissões têm estado a organizar no país.

Malam Mané reagia às acusações contra a FFGB, proferidas  pelo  responsável máximo da empresa “Mix-Service” António Pinheiro, segundo as quais a federação terá impedido  a realização desse campeonato de defeso.

Segundo Malam Mané, a FFGB pretende regularizar e estruturar o futebol amador no país, sobretudo o campeonato de defeso e torneios, em todo o território nacional.

Mané considera de anormal o facto de alguns jogadores participarem em várias competições durante o defeso devido os desgastes físicos que acabam por sofrer.

 “Os campeonatos amadores organizados durantes as férias em diferentes bairro e regiões do país, devem merecer a atenção da FFGB porque, aí saem futuros jogadores profissionais, e que podem também, no futuro, representar a nossa Seleção Nacional de Futebol”, sustentou o responsável.

No passado dia 23 , o responsável máximo da empresa promotor de eventos “Mix-Service” António Pinheiro vulgo Tuninho, através  das redes sociais , acusou a FFGB, de proibir a sua empresa a realização da 2ª edição do campeonato Inter-bairros, alegando que a decisão estaria relacionado com o montante de 10 milhões de fcfa destinado a premiação do vencedor da competição.

Segundo Tuninho, a FFGB alega que  o valor do prémio apresentado é superior ao do campeonato nacional .ANG/LLA//SG    

Regiões/Administrador de Quinhamel reforça ações de limpeza urbana e promete mais segurança no setor

Biombo 26 Jun 26 (ANG) O administrador do setor de Quinhamel, região de Biombo, disse , quinta-feira, que as autoridades locais estão empenhadas em resolver o problema de acumulação de lixo na cidade, uma situação que, segundo disse, se arrasta há cerca de 15 anos.

Okilwa Pickduo Okilwa falava à ANG, explicando que a gestão dos resíduos enfrenta vários constrangimentos, sobretudo devido à falta de um espaço apropriado para a deposição do lixo, mostrando que apesar das dificuldades, o Governo regional encarra  a limpeza da cidade como  uma das suas prioridades.

Segundo Okilwa, a remoção do lixo acarreta  custos elevados para a administração, mas o responsável assegurou que os esforços vão continuar para manter Quinhamel limpa e assegurar melhores condições de saneamento básico para a população.

Além da questão ambiental, o administrador destacou que a segurança constitui outra das prioridades da sua governação e revelou que as autoridades estão a trabalhar em articulação com a polícia para combater o roubo de gado, um problema recorrente na região de Biombo.

O responsável salientou ainda a necessidade de reforçar a paz social no setor, através do diálogo e  trabalho de proximidade com as comunidades, apontando como desafios, os conflitos relacionados com disputas de terrenos, questões tradicionais e litígios envolvendo bolanhas, situações que frequentemente chegam às autoridades administrativas. ANG/MN/MI/ÂC//SG

 

Saúde pública/ A direção do HNSM se solidariza com médicos guineenses em formação na Venezuela pela assistência que prestam à vítimas de  terramoto

Bissau, 26 Jun 26 (ANG) – A Direção do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM), manifesta solidariedade com os médicos em formação na Venezuela, pela assistência que prestam às vítimas de terramotos ocorridos naquele país,  dia 24 deste mês e que já causou 235 mortos e 4.300 feridos.

A manifestação de solidariedade foi tornada pública através da página de Facebook do HNSM com assinatura do Diretor-geral da instituição, Malam Sabali,

“Somos sensíveis ao medo, à perda e às dificuldades que este evento trouxe à cada um de vós, às vossas famílias e às comunidades que servem. Sabemos que, como profissionais de saúde, enfrentam hoje não só os desafios pessoais e familiares, mas também uma maior responsabilidade para cuidar dos outros em momentos de crise”, refere a página..

No documento,  o DG do HNSM disse admirar a coragem, o espírito de serviço e a resiliência que os médicos demonstram nestas circunstâncias tão árduas.

“O HNSM coloca-se à disposição para prestar apoio moral, institucional e logístico dentro das nossas possibilidades. Se houver colegas que necessitem de contacto com familiares, encaminhamento médico, assistência administrativa ou outras formas de apoio, por favor comuniquem connosco para que possamos coordenar a ajuda adequada”, salientou.

O Governo da Venezuela elevou o número de mortos para 235 e o de feridos para 4.300. O novo balanço foi divulgado na noite de quinta-feira, na emissora estatal Venezolana de Televisión, pelo ministro da Saúde, Carlos Alvarado, que indicou que o "maior número de feridos e mortos está no estado de La Guaira".ANG/JD/ÂC

 

Sociedade/Governo inicia processo de venda de parcela de terrenos pertencentes a Guiné-Telecom para liquidar dívidas dos trabalhadores

Bissau, 26 Jun 26 (ANG) - O Governo de Transição procura fundos para a liquidação de dívidas dos trabalhadores das empresas de telecomunicação Guiné Telecom e Guinetel, por isso, vai iniciar a venda de parcelas de terrenos pertencentes a instituição localizada no Bairro de Brá.

Para o efeito, o Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital (MTTED) produziu um despacho que cria uma Comissão Ad-hoc de sete membros de diferentes instituições, que vai organizar o processo de venda.

De acordo com o Jornal Nô Pintcha, para o cumprimento desse despacho, o secretário-geral do MTTED, Lucas Na Sanhá, conferiu, quinta-feira, posse aos membros dessa Comissão Ad-hoc para iniciar a organização do processo.

Falando aos empossados, Na Sanhá assegurou que os fundos adquiridos na venda de terrenos da Guiné Telecom vão integralmente ser utilizados no pagamento das dívidas acumuladas aos funcionários ao longo de vários anos.

“O processo que agora se inicia é o culminar de uma deliberação da Assembleia-Geral Ordinária da Guiné Telecom, devidamente aprovada pelo Conselho de Ministros, na sua sessão de 25 de Setembro de 2025, que autorizou a venda de parte do terreno da empresa para o pagamento das dívidas sociais aos trabalhadores”, referiu Sanhá.

Advertiu aos membros da Comissão de que não haverá outra finalidade para os recursos que vierem a ser arrecadados, tendo exortado a celeridade do processo, mas com base na legalidade, transparência, imparcialidade e defesa de interesse público.

A Comissão  criada é composta por sete membros efetivos que representam as diferentes entidades, nomeadamente a Administração da Guiné Telecom e Guinetel, Ministério dos Transportes, Presidência do Conselho de Ministros, Ministério Público, Ministério das Finanças, representante de trabalhadores da Guiné Telecom e Guinetel e Câmara Municipal de Bissau.

ANG/MSC/ÂC//SG



Marrocos/ Eneida Marta canta pela paz, esperança e coexistência entre os povos

Bissau, 26 Jun 26 (ANG) – A cantora  Eneida Marta afirmou que sua primeira participação no Festival Mawazine-Ritmos do Mundo constitui um passo significativo na sua trajetória artística, por meio da qual busca transmitir uma mensagem de paz, esperança e coexistência entre os povos.

Em entrevista à MAP, a artista expressou sua grande alegria em conhecer o público marroquino e se apresentar neste evento cultural de renome internacional que reúne grandes estrelas de todo o mundo.

Ela disse estar particularmente orgulhosa de estar na capital, Rabat, pela primeira vez, tendo já visitado Casablanca, salientando que participar no Festival Mawazine representa para ela "uma enorme honra".

A embaixadora da Boa Vontade do UNICEF, Eneida Marta, conhecida por sua mistura de ritmos tradicionais africanos, como o gumbé e influências do mandinka, com sons modernos do afrobeat, destacou a rica herança musical e cultural de Marrocos e Guiné-Bissau.

Ela enfatizou que a música não conhece fronteiras e é uma linguagem universal, acrescentando que aspira a criar pontes para o intercâmbio artístico.

“A música não conhece fronteiras; é uma linguagem comum a todos os povos. Posso apresentar a música tradicional da Guiné-Bissau e, em outras ocasiões, fundi-la com os ritmos e sons da música marroquina”, disse ela.

Ao ser questionada sobre a mensagem humanista transmitida por suas obras, a artista explicou que sua música é inspirada pelas realidades de seu país e se baseia nos valores da paz, da coexistência e da esperança.

Ela indicou que a principal mensagem que deseja compartilhar com o público marroquino é a esperança que extrai da experiência de vida do povo da Guiné-Bissau, com vistas a um mundo baseado na convivência, na paz e em um futuro mais próspero.

Eneida Marta também falou sobre seu mais recente álbum, intitulado "Família", criado durante a pandemia de Covid-19 com a participação de seus familiares. Este álbum aborda temas como família, identidade nacional e as preocupações sociais e políticas da Guiné-Bissau, numa abordagem musical enraizada nas tradições africanas, mas que também incorpora ritmos contemporâneos.

Ela explicou que o envolvimento de seu filho e irmão na produção deste álbum conferiu-lhe uma profunda dimensão emocional.

O processo de criação, portanto, tornou-se muito mais do que um simples projeto profissional; foi uma experiência permeada de amor e laços familiares genuínos, uma emoção que ela espera compartilhar com o público e ver ressoar nos corações dos ouvintes. ANG/Faapa

 

Zimbabué/Emendas constitucionais aprovadas estendem o mandato do presidente

Bissau, 26 Jun 26 (ANG) – O Senado do Zimbabué aprovou na quarta-feira um projeto de lei para estender o mandato presidencial de cinco para sete anos, abrindo caminho para que o presidente Emmerson Mnangagwa permaneça no poder até 2030.

Setenta e cinco senadores votaram a favor do projeto de lei para emendar a Constituição do Zimbabué, enquanto quatro votaram contra, bem acima dos 54 votos necessários para atingir a maioria qualificada de dois terços.

O partido governante Zanu-PF, que tem 33 senadores contra 27 do principal partido da oposição, a Coligação Cidadã para a Mudança (CCC), não detinha essa maioria de dois terços por si só.

No entanto, os 18 chefes tradicionais e os dois representantes das pessoas com deficiência, que geralmente votam com o partido no poder, ajudaram a diminuir a diferença.

O projeto de lei não teria sido aprovado sem o apoio dos senadores do CCC alinhados com Sengezo Tshabangu, que assumiu o controle das estruturas do partido após as eleições de 2023 com o apoio da Zanu-PF e dos tribunais.

O projeto de lei também estipula que o presidente passará a ser eleito pelo Parlamento, em vez de diretamente pelos eleitores, uma reforma que gerou longos debates durante a sessão de terça-feira. ANG/Faapa

 

Venezuela/ “Tivemos que retirar sozinhos nossas famílias dos escombros”, diz moradora de La Guaira

Bissau, 26 Jun 26 (ANG) - Moradores de prédios atingidos pelos terramotos na Venezuela aguardam laudos sobre a segurança das estruturas e ainda não sabem quando poderão voltar para suas casas.

O governo diz que pelo menos 250 edifícios foram afetados. Em La Guaira, região mais afetada pelos tremores, a 30 quilómetros de Caracas, moradores contaram à RFI que escavam os destroços dos prédios que desabaram com as próprias mãos.

O governo da Venezuela atualizou na noite de quinta-feira (25)o balanço das vítimas dos terramotos que atingiram o país na véspera.

 

Segundo as autoridades, já são 235 mortos e mais de 4.300 feridos. 

O Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal do país, em La Guaira, região mais atingida pelos terramotos, continua fechado.

 Durante os tremores, a pista de pouso e parte da estrutura do terminal sofreram danos, e ainda não há previsão de reabertura.

Com isso, o acesso a Caracas tem sido feito por aeroportos que permanecem em operação, como o de Valência, cidade localizada a cerca de duas horas da capital venezuelana.

Além da busca por sobreviventes, moradores de prédios atingidos convivem com a incerteza sobre quando poderão voltar para casa. Em diferentes bairros de Caracas, edifícios apresentam grandes rachaduras e ainda aguardam vistorias técnicas para avaliar as condições das estruturas.

Enquanto algumas pessoas deixaram os imóveis e passaram a viver na casa de parentes ou amigos, outros permanecem em seus apartamentos, mesmo sem um laudo que ateste a segurança dos edifícios.

Nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou a morte de dois brasileiros. Segundo o Itamaraty, as vítimas são um homem e uma mulher. Em nota, o governo informou que presta assistência consular às famílias e manifestou pesar pelas mortes. Outros detalhes sobre a identidade das vítimas não foram divulgados.

Além dos brasileiros, seis outros estrangeiros fazem parte da lista de mortos: um homem nascido em Caracas em 1970 com nacionalidade italiana, dois espanhóis, um português e dois chineses. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta quinta-feira (25) com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e anunciou o envio de ajuda humanitária ao país.

Segundo o governo brasileiro, uma equipe formada por bombeiros e agentes da Defesa Civil será enviada nesta sexta (26) para reforçar os trabalhos de resgate.

No sábado (27), a previsão é que um outro avião desembarque na Venezuela transportando equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água movidos a energia solar, além de medicamentos e materiais médicos para cirurgias.

Após a conversa, Delcy Rodríguez agradeceu, em publicação nas redes sociais, a manifestação de solidariedade do presidente brasileiro e o apoio oferecido pelo Brasil às vítimas dos terremotos.

Modelos de previsão do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam alta probabilidade de que o número de mortos ultrapasse 10 mil pessoas. Já um site criado para localizar desaparecidos, compartilhado no X por líderes da oposição, muitos deles no exílio, reunia mais de 35 mil nomes ontem, no meio da tarde.

 Em contraste, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou em sua conta no Facebook que havia 157 desaparecidos e “mais de 200 pessoas identificadas como presas nos escombros”. Mas o número real pode ser bastante superior e estar na casa dos milhares. 

A forte discrepância entre os dados evidencia que ainda não há um balanço consolidado das vítimas, e que os números permanecem preliminares e sujeitos a revisão. ANG/RFI