terça-feira, 14 de julho de 2026

Médio Oriente/Estados Unidos atacam alvos iranianos e Teerão retalia em todo o Médio Oriente

Bissau, 14 Jul 26(ANG) — Os EUA lançaram esta madrugada ataques contra o Irão, horas após o Presidente Donald Trump afirmar que Washington vai "restabelecer" o bloqueio ao Irão no Estreito de Ormuz e depois anunciar que irá cobrar taxas à navegação.

 

O anúncio de Trump de imposição de taxas próprias a outros navios pela passagem segura, subverte centenas de anos de política norte-americana de apoio à liberdade de navegação em todo o mundo.

 

O Irão respondeu com ataques dirigidos ao Bahrein, à Jordânia e a dois petroleiros associados aos Emirados Árabes Unidos que navegavam pelo estreito, matando um marinheiro e ferindo outros oito.

 

Os Emirados ameaçaram retaliar contra o Irão, o que poderá levar a nação que abriga Abu Dhabi e Dubai a voltar a entrar em conflito com Teerão.

 

Os ataques ocorrem num momento em que o Irão e os Estados Unidos disputam o controlo do estreito, por onde, em tempos de paz, passava um quinto de todo o petróleo bruto e gás natural comercializados no mundo.

 

O preço do petróleo bruto de referência Brent subiu para um máximo de um mês, ultrapassando os 84 dólares (73,6 euros) nas negociações na madrugada desta terça-feira, ainda bem abaixo dos quase 120 dólares (105,2 euros) atingidos no auge da guerra, mas ameaçando aumentar os custos em todo o mundo.

 

 

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) afirmou ter atacado áreas em torno de Abu Musa, Bandar Abbas, Bushehr, Chahbahar, Jask e Konarak, visando "sistemas de defesa costeira, instalações de mísseis e drones e capacidades marítimas" iranianas.

 

O Irão reconheceu os ataques nessas áreas, mas não forneceu avaliações sobre vítimas ou danos.

 

"Estes ataques continuarão a impor um custo elevado às forças iranianas e a enfraquecer a sua capacidade de atacar civis inocentes e a navegação comercial no Estreito de Ormuz", afirmaram as forças armadas norte-americanas. Em seguida, Trump referiu-se a estes bombardeamentos como "mais um ataque de grande envergadura".

 

"Estamos a atingi-los com toda a força. E isto vai continuar, e vamos ver o que acontece", disse Trump aos jornalistas no Salão Oval. "Estamos a neutralizar toda a sua capacidade ofensiva e a controlar o estreito. Estamos a restabelecer o bloqueio", acrescentou.

 

Donald Trump também forneceu novos detalhes sobre a sugestão de que os Estados Unidos irão cobrar portagens aos navios que atravessarem o estreito, numa reviravolta após ter afirmado antes que isso não iria acontecer.

 

"Estamos a proteger uma região muito rica do mundo", afirmou. "Estamos a gastar dinheiro. Por isso, o que fizemos foi garantir que seremos reembolsados pela proteção", justificou.

 

Os Estados Unidos defendiam até agora que o estreito deveria permanecer aberto a todos, sem portagens — tal como acontecia antes dos ataques israel-norte-americanos contra o Irão em 28 de Fevereiro.

 

 

Qualquer tentativa por parte dos Estados Unidos ou do Irão de cobrarem taxas violará as normas globais sobre a liberdade de navegação e aumentará as tensões, com eventuais perturbações económicas correspondentes, muito para além da região.

 

O Irão afirma ter o direito de gerir o tráfego através do estreito e, potencialmente, cobrar taxas, em conformidade com o acordo de paz provisório, o que EUA contestam.

 

As forças armadas norte-americanas e a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas tentaram estabelecer uma rota através do estreito, ao longo da costa de Omã, que ficasse fora do controlo iraniano, mas o Irão atacou navios que utilizavam essa rota, alegando que os Estados Unidos estavam a violar o acordo de paz provisório.

 

Os EUA atacaram o Irão em resposta, o que provocou ataques iranianos contra Estados árabes aliados dos EUA.

 

A troca de ataques dos últimos dias lança dúvidas sobre o acordo de paz provisório. Washington tinha levantado um bloqueio que impôs em meados de Abril como parte desse memorando de entendimento, que também previa a reabertura total do estreito. ANG/Inforpress/Lusa

 

Caso Caíto/Plenário do STJ invalida medidas de cauções impostas pelo Ministério Público ao Presidente da FFGB

Bissau, 14 Jul 26 (ANG) – O Plenário do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), decidiu, segunda-feira, por unanimidade, invalidar todas as medidas de cauções impostas pelo Ministério Público (MP), ao Presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) Carlos Alberto Mendes Teixeira (Caíto).

Segundo o despacho divulgado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), à que Agência de Notícias da Guiné (ANG) teve acesso, o Acordão nº 02/2026, declarou a inconstitucionalidade das medidas de caução, com fundamento nos artigos 48,º e 170º do código de processo penal, determinando, consequentemente, a imediata cessação dos seus efeitos.

Segundo o STJ a aplicação de medidas de caução compete ao Juiz de Instrução Criminal e não ao Ministério Público.

O inquérito nº14/GLCCDE/24, anteriormente arquivado, foi reaberto em 13 de Maio de 2026, pelo Gabinete de Luta Contra a Corrupção e Delitos Económicos (GLCCDE).

Na ocasião, uma comissão de magistrados constituiu Caito Teixeira arguido e aplicou-lhe, sem a intervenção do Juiz de Instrução Criminal (JIC), três medidas de coação, a obrigação de permanência na residência, com apreensão do passaporte; o Termo de Identidade e Residência (TIR), com interdição de circulação; e a prestação de uma caução económica no montante de 82.800.000 FCFA, a depositar no prazo de dez dias no Banco BAO.

Descordado com a decisão do Ministério Público (MP), Teixeira apresentou uma reclamação hierárquica, que foi indeferida. Esgotada essa via, recorreu diretamente ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ), ao abrigo do artigo 126.º da Constituição.

O documento informa que, com esta decisão, todas as medidas de cauções aplicadas pelo o Ministério Público (MP) contra o Presidente da FFGB, foram anuladas,  o presidente  da FFGB não vai pagar a caução de 82.800.000 milhões de FCFA imposta pelo Ministério Público (MP), e está autorizado a viajar para o exterior sem quaisquer impedimento das autoridades competentes.

O acórdão destaca ainda que, a Constituição reserva ao Juiz de Instrução Criminal um papel essencial na salvaguarda da liberdade individual e na proteção dos direitos fundamentais. Atribuir ao Ministério Público, enquanto parte acusadora, o poder de impor, por si só, medidas restritivas de direitos fundamentais violaria os princípios do processo acusatório, da separação de funções e das garantias de defesa. ANG/LLA/ÂC//SG 

Transporte marítimo/Guiné-Bissau participa no Fórum sobre Desenvolvimento Sustentável dos Transportes Marítimos, em Dakar

Bissau, 14 Jul 26 (ANG) – O ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, representa a Guiné-Bissau no Fórum Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável dos Transportes Marítimos e da Logística na Economia Azul,

  que decorre de 13 à 14 em Dakar, no Senegal.

A informação foi avança pela  página de Facebook do Ministério de Transportes Telecomunicações e Economia Digital, segundo a qual  a cerimónia de abertura do evento foi presidida pelo Presidente da República do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, que saudou a presença da Guiné-Bissau no referido fórum.

De acordo com a mesma fonte, o Chefe de Estado senegalês considerou a Guiné-Bissau de um “país irmão”, sublinhando a importância da sua participação nos debates sobre a governação marítima, a integração regional e o desenvolvimento da economia azul em África.

A nota salienta que, a participação da Guiné-Bissau nesse  encontro internacional reflecte a visão estratégica do Governo para o fortalecimento da economia azul, a modernização das infraestruturas marítimas e portuárias e o reforço da cooperação regional, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país e para a promoção da segurança marítima no Golfo da Guiné.

“Ao longo dos dois dias de trabalhos, representantes governamentais, autoridades marítimas, organizações internacionais, parceiros de desenvolvimento e especialistas do sector vão debater temas estratégicos para a transformação da economia azul, entre os quais a modernização dos serviços marítimos e da cabotagem, a governação e segurança marítima”, refere a nota.

Os participantes irão debater igualmente a questão do desenvolvimento das infraestruturas portuárias, a soberania da indústria naval,  formação de capital humano,  investigação científica,  digitalização e inteligência marítima, o financiamento de projectos e as parcerias público-privadas, bem como a criação de corredores verdes para um transporte marítimo mais sustentável.

“O programa contempla ainda uma exposição internacional e sessões de negócios (B2B), proporcionando um espaço para a apresentação de soluções inovadoras, intercâmbio de experiências e estabelecimento de novas parcerias entre os diferentes intervenientes do sector”, indica  a página de Facebook do Ministério de Transportes,  Telecomunicações e Economia Digital.

A delegação guineense é chefiada  liderada pelo ministro dos Transportes Telecomunicações e Economia Digital, Florentino Mendes Pereira, e participa à  convite da Organização Marítima da África Ocidental e Central (OMAOC).

Integram igualmente a delegação nacional o Presidente do Instituto Marítimo e Portuário da Guiné-Bissau (IMP), Gualdino Afonso Té, e o Diretor-Geral da Administração dos Portos da Guiné-Bissau, Félix Nandungue.

Organizado pelo Governo do Senegal, sob o alto patrocínio do Presidente Bassirou Diomaye Faye, o fórum visa a promoção de um diálogo estratégico sobre o futuro dos transportes marítimos e flúvio-marítimos em África, alinhado com a Visão Senegal 2050 e a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (SND 2025-2029), posicionando o Senegal como uma plataforma regional de referência para os transportes marítimos. ANG/AALS/ÂC//SG

 

CMB/Assessor do Presidente para área de Saneamento Básico pede demissão

Bissau, 14 Jul 26 (ANG) - O Assessor do Presidente da Câmara Municipal de Bissau para área Saneamento Básico e Salubridade  pediu demissão das suas funções  alegando falta de autoridade e de meios necessários para implementação de mudanças exigidas..

A decisão de Juviano Correia Landim veio ao púbico através de uma Nota divulgada nas redes sociais que cita uma carta dirigida ao presidente e aos membros do Conselho Diretivo da CMB.

Na carta, Juviano Correia Landim  fundamenta a decisão com alegações de falta  de condições mínimas para exercer as funções e evocou a gestão sem estratégia, a condução dos problemas estruturais da cidade de forma  reativa, sem priorização, planeamento nem visão técnica, o que, segundo diz, impede resultados concretos para a população.

Correia landim ainda evocou  a degradação da salubridade nos bairros, devido a um quadro grave de acumulação de resíduos sólidos nas vias públicas, ausência de recolha regular, pontos críticos de despejo a céu aberto e risco crescente para a saúde pública, sem resposta à altura da gravidade da situação.

O documento aponta também a inexistência de um plano de gestão urbana com metas, prazos e indicadores.

De acordo com Juviano Landim, toda essa situação  não demonstra capacidade técnica para executar mudanças estruturais, limitando-se á gestão de crise.

No que toca com a responsabilidade, apesar de existir uma responsabilidade elevada do cargo, não lhe foi dada nem  autoridade nem  meios de decisão necessários para implementação de  mudanças exigidas.

Perante este cenário, Juviano Landim, afirmou que manter-se no cargo seria ser conivente com a gestão ineficaz e faltar com o respeito devido à população. ANG/JD/ÂC//SG


Ensino/ Pais e Encarregados de Educação denunciam alegados casos de exploração sexual e venda de notas nas escolas públicas

Bissau 14 Jul. 21 (ANG) – O Presidente da Associação Nacional dos Pais e Encarregados de Educação denunciou, esta segunda-feira, a existência de alegadas irregularidades em escolas públicas do país, incluindo casos de exploração sexual de alunas e venda de notas, sobretudo durante o período de avaliação e transição para a classe seguinte.

Lassana Bangura, citado pela Rádio Pindjiguiti, afirmou que a organização mobilizou as suas estruturas regionais para recolher informações e acompanhar as denúncias.

Segundo explicou, caso os factos sejam confirmados, os responsáveis serão apresentados às autoridades competentes para responder judicialmente pelos atos praticados.

"Não podemos permitir que a escola, que deve ser um espaço de aprendizagem e proteção, seja transformada num local de exploração e corrupção", afirmou Bangura.

O responsável denunciou igualmente a alegada comercialização de notas, considerando que esta prática compromete a qualidade do ensino, desvaloriza o mérito académico e prejudica o futuro dos estudantes, particularmente daqueles que pretendem prosseguir os estudos no estrangeiro através de bolsas de estudo.

"Temos conhecimento destas práticas, que não beneficiam nem os estudantes nem o país", sublinhou.

Na mesma ocasião, Bangura apontou o baixo nível de aprendizagem como uma das principais causas do insucesso escolar, segundo explicou, muitos alunos terminam o ano letivo sem cumprir o número previsto de horas de aulas, devido às sucessivas greves que têm afetado o sistema educativo nacional.

O presidente da associação alertou ainda para as consequências desta realidade, afirmando que vários estudantes guineenses enfrentam dificuldades académicas após ingressarem em instituições de ensino superior em países como Portugal e Brasil, chegando, em alguns casos, a abandonar os estudos por não conseguirem acompanhar o nível de exigência.

Relativamente às cobranças efetuadas por algumas direções escolares para a realização dos exames da segunda época, Bangura criticou a prática e questionou a transparência na gestão das verbas arrecadadas. Defendeu que estas cobranças devem ser eliminadas para preservar a credibilidade das escolas públicas e garantir igualdade de acesso aos exames.

Lassana Bangura apelou os pais e encarregados de educação para que acompanhem os filhos durante o período de férias escolares, recomendo-os a incentiva-los a rever as matérias lecionadas ao longo do ano, de forma a consolidar os conhecimentos adquiridos e preparar os alunos para o próximo ano letivo.

ANG/MSC/ÂC

EUA/ONU defende papel-chave do Tribunal Penal Internacional perante campanha dos EUA

 

Bissau, 14 Jul 26(ANG) – A ONU defendeu o Tribunal Penal Internacional (TPI) como uma peça-chave no sistema de justiça internacional, depois de Washington ter anunciado uma campanha contra o organismo por alegadamente ameaçar a soberania dos Estados Unidos.

 

Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, o tratado internacional de 1998 que criou o TPI para julgar indivíduos que cometam crimes de genocídio, de guerra e contra a humanidade.

 

"Embora o TPI seja uma organização independente do Secretariado [das Nações Unidas] e da ONU, para nós continua a ser uma peça-chave do sistema de justiça internacional", disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da organização, António Guterres.

 

Dujarric disse que o tribunal com sede em Haia, nos Países Baixos, "conta com o apoio de um grande número de Estados-membros e contribui para que se prestem contas por crimes graves".

 

O TPI tem atualmente 125 Estados-membros, incluindo Portugal, mas, além dos Estados Unidos, também não é reconhecido por países como a Rússia, China, Israel ou Índia.

 

O porta-voz de Guterres disse que cada um dos países do TPI "adotará as suas próprias decisões" no que se refere a permanecer ou retirar-se do tribunal em caso de pressão por parte dos Estados Unidos.

 

Afirmou que "o Direito internacional, a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos foram criados por Estados-membros soberanos e deram proteção e alívio a milhões de pessoas".

 

"Estão sob ameaça e ataque, como tem dito frequentemente o secretário-geral", lamentou Dujarric, durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

 

O Departamento de Estado norte-americano acusou na segunda-feira o TPI de representar "uma ameaça intolerável para a soberania norte-americana".

 

"Arroga-se a autoridade para processar e até prender militares e funcionários norte-americanos que atuam em defesa do interesse nacional dos Estados Unidos", justificou a diplomacia de Washington.

 

O departamento liderado por Marco Rubio anunciou que vai agir para inviabilizar a capacidade do TPI de "operar, perseguir militares ou funcionários norte-americanos".

 

Entre as medidas que está a ponderar encontram-se os contactos diplomáticos por parte Rubio e de outros altos funcionários para advertir sobre os riscos que o TPI "representa para os norte-americanos e outros países".

 

Rubio propôs um "maior escrutínio" dos países que se "recusem a rejeitar a falsa autoridade do TPI" no caso de "dependerem de assistência norte-americana".

 

O Departamento de Estado também apelou para que outros Estados que não façam parte do Estatuto de Roma aproveitem as redes diplomáticas "para tomar medidas semelhantes" e impor novas restrições de vistos e sanções contra os membros do TPI.

 

O anúncio da campanha surge depois de três magistrados do TPI terem apresentado, em Junho, um processo contra a Administração do Presidente Donald Trump por lhes terem sido impostas sanções.

 

As medidas serviram de retaliação por o TPI ter emitido, em 2024, mandados de captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o agora ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.

 

Os dois dirigentes israelitas foram acusados de crimes de guerra e contra a humanidade no âmbito da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza após os ataques de 07 de Outubro de 2023. ANG/Inforpress/Lusa

 

Marrocos/ “A integração do mercado africano é uma alavanca fundamental para a competitividade do continente”, diz SG da AFCFTA

Bissau, 14 Jul 26 (ANG – A integração do mercado africano é uma alavanca essencial para fortalecer a competitividade do continente, afirmou Wamkele Mene, Secretário-Geral do Secretariado da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), nesta segunda-feira, em Rabat, por ocasião da 4ª edição do Simpósio Econômico Africano (AES).

Este simpósio, promovido pelo Policy Center for the New South (PCNS) sob o tema "Transformando Transições em Crescimento", foi uma oportunidade para o Sr. Mene enfatizar que a África agora possui as ferramentas necessárias para acelerar sua transformação económica.

Para ele, reduzir as barreiras ao comércio e ao investimento é uma condição essencial para construir um mercado africano integrado e apoiar o crescimento sustentável.

O Secretário-Geral observou que o continente continua a enfrentar a fragmentação económica, particularmente nas cadeias de valor, nas políticas industriais e nos sistemas de pagamento, salientando que África tem 42 moedas, uma situação que, segundo estimativas do Secretariado da AfCFTA, gera um custo anual de cerca de cinco mil milhões de dólares em termos de convertibilidade cambial.

Ele também afirmou que, embora as reformas macroeconómicas continuem sendo essenciais, elas não podem, por si só, garantir a transformação estrutural do continente, defendendo o fortalecimento das capacidades produtivas, o desenvolvimento industrial, a melhoria da produtividade e a diversificação dos mercados de exportação.

Referindo-se aos progressos alcançados na implementação da AfCFTA, o Sr. Mene citou o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação em Moeda Local, o Fundo de Ajuste da AfCFTA, capitalizado em mais de um bilhão de dólares pelo Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank), e a Iniciativa Africana de Industrialização Verde, que visa mobilizar 100 bilhões de dólares em investimentos.

Ele indicou que o comércio intra-africano, segundo projeções do secretariado da AfCFTA, atingiu quase 220 bilhões de dólares em 2024, um aumento de 12,4% em comparação com o ano anterior, o que comprova o crescimento do comércio continental.

Este simpósio de dois dias será uma oportunidade para examinar maneiras pelas quais a África pode transformar sua abundância de recursos naturais em oportunidades de desenvolvimento e para navegar na transição climática e energética rumo a um crescimento resiliente. ANG/Faapa

    

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Eleições gerais/PM pede participação massiva de eleitores no processo  de recuperação  de cartão de eleitor

Bissau, 13 Jul 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição (PM-T) pediu hoje que a população participasse, massivamente, no processo de recuperação de Cartão de Eleitor hoje iniciado pelo GETAPE(Gabinete Técnico de Apoio ao *Processo Eleitoral).

Ilídio Vieira Té presidia  a cerimónia  de lançamento oficial da Operação de Emissão de segunda via do Cartão do Eleitor, conduzida pelo GTAPE.

 “Quero recordar mais uma vez aqui,  que desde 1994, o processo eleitoral era financiado pelos parceiros, mas durante a nossa era, entendemos que a realização das eleições é um ato soberano, portanto, a sua realização deve ser financiada com as receitas internas, e prova de isso, as duas últimas eleições, foram asseguradas a 100 por cento, com as receitas do tesouro público”, disse Vieira Té.

Acrescentou que as próximas eleições gerais, já marcada para o próximo dia 06 de Dezembro, não fugirá a regra de ser financiado internamente.

Segundo  o Diretor-geral de GTAPE, Queba Jaite, já foram colocadas em todo o território nacional as brigadas com agentes que irão trabalhar na recuperação de cartões dos eleitores estragados ou que  perderam.

Segundo Jaite ,concluído o processo no país,  a segunda operação será feita na diáspora.

“Queremos afirmar aqui que todos os agentes do GTAPE que se encontram no terreno a trabalhar no processo já receberam metade do seu dinheiro, e no decorrer dos trabalhos, a outra parte será entregue a cada brigadistas”, assegurou o DG do GTAPE.

Por sua vez, a Presidente da Comissão Nacional de Eleição (CNE) Carmen Izaura  Lobo disse que a instituição que dirige está, de momento, a fazer o seu trabalho para que as eleições gerais tenham lugar na data marcada.

“A CNE já efetuou o levantamento de todos os materiais danificados, e entregou ao Governo, e este por sua vez, já está a prontificar em arranjá-los, a fim de pó-los a disposição  da CNE”, disse Izaura Lobo.

A operação da emissão de segunda via do Cartão de Eleitor irá decorrer de 13 de Julho à 11 de Agosto em todo o território nacional .ANG/LLA/ÂC//SG    

 

Regiões/Mais 82 jovens habilitados com formação profissional em vários domínios pelo Centro de formação para Desenvolvimento de Canchungo

Cacheu, 13 Jul 26(ANG) - O Centro de Formação para o Desenvolvimento do País(ONG-FDP sedeado em Canchungo, região de Cacheu, procedeu no domingo, a entrega de diplomas a mais um grupo de finalistas dos cursos de Construção Civil, Canalização, Eletricidade, Culinária e Cabeleiro.

Segundo um despacho do Correspondente da ANG na Região de Cacheu, a cerimónia de entrega de diplomas decorreu sob o lema" Formados para ajudar no Desenvolvimento do país".

Foram no total 82 finalistas e o administrador de Canchungo pediu-lhes para se organizarem em cooperativas para o acesso mais fácil ao mercado de trabalho.

“O país se desenvolve com recursos humanos formados”, disse Albino Camepilin Mendes.

O Coordenador Nacional da ONG-FDP, Daniel Indi,, enalteceu o progresso dos professores e formados em Canchungo, garantindo  disponibilidade de o centro  continuar a formar  jovens profissionais  para a autonomia financeira da juventude e das suas famílias.

Em nome dos finalistas, Nelson Fernando Mendes, disse que estão preparados para entrarem no mercado de trabalho, tendo em conta os conhecimentos e as competências técnicas adquiridos ao longo dos quatro meses, para a prestação de serviços de qualidade às populações, na base de responsabilidade, honestidade, humildade e ética.

Dos 82 finalistas, 28 são da Culinária sendo 27 raparigas e 1 rapaz, Construção Civil 25 rapazes, Canalização 14 rapazes, Eletricidade 07 rapazes e Cabeleireiro 08 raparigas, respetivamente. ANG/AG/JD/ÂC//SG


Marrocos
/ Royal Air Marrocos adiciona 1.8 milhão de assentos para voos para África

Bissau, 13 Jul 26 (ANG) – A companhia aérea Royal Air Maroc (RAM) está implementando um sistema aéreo histórico com uma oferta recorde de quase 8,2 milhões de assentos, incluindo um aumento de 36% na capacidade, visando o continente africano durante a temporada de verão 2026.

Este programa permitirá à companhia aérea servir 86 destinos internacionais com uma frota modernizada de 67 aeronaves. A rede africana beneficiará de um acréscimo de mais de 1,8 milhão de assentos para 29 destinos, reforçando o papel da empresa como um centro continental a serviço de diásporas e viajantes a negócios.

A expansão global também inclui 44 destinos na Europa com mais de 3 milhões de assentos, sete destinos nas Américas totalizando 723.000 assentos e seis destinos na Ásia e no Oriente Médio representando mais de 524.000 assentos, após o fortalecimento dos laços com a China, o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

A rede doméstica cresceu 18%, atingindo quase 1,2 milhão de assentos, enquanto o serviço ponto a ponto ofereceu mais de 890.000 assentos graças à abertura do hub de Tetuão. A programação que combina voos noturnos para a Europa e voos diurnos para a África é mantida no hub de Casablanca para otimizar as conexões.

O CEO da RAM, Hamid Addou, indica que este acordo excepcional representa um passo importante na trajetória de desenvolvimento da empresa. A prioridade declarada continua sendo a experiência do cliente em todas as etapas da viagem, graças a aeronaves mais modernas e maior conforto.

A companhia aérea marroquina garantirá toda a sua programação de verão sem recorrer ao fretamento de aeronaves, graças à modernização contínua de sua frota. ANG/Faapa

    

 


Benin
/Abertura da 7ª Reunião Ministerial dos  Processo dos Estados da África Atlântica

Bissau, 13 Jul 26 (ANG) – A sétima reunião ministerial do Processo dos Estados da África Atlântica (AASP) teve início nesta segunda-feira em Cotonou, sob a copresidência de Marrocos e Benim, com o objetivo de consolidar o ímpeto político desta parceria africana iniciada sob o impulso do Rei Mohammed VI.

Este encontro no Benim faz parte de uma dinâmica de reforço da coordenação entre os países membros para promover a integração e o codesenvolvimento, em consonância com a visão do soberano marroquino de fazer do espaço atlântico-africano uma área de paz, estabilidade e prosperidade partilhada.

Desde o seu lançamento em Rabat, em Junho de 2022, esta parceria regional registou vários avanços, incluindo o estabelecimento de um Secretariado permanente com sede em Rabat, a criação de três grupos temáticos e a adoção de um programa de ação conjunta focado no diálogo político, na segurança, na economia azul, na conectividade marítima, na energia e na proteção do meio marinho.

As sessões ministeriais anteriores, realizadas em Rabat, Nova Iorque à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas e em Praia, em Maio de 2025, já resultaram na adoção de diversas declarações e planos de ação destinados a estruturar a cooperação entre os Estados africanos banhados pelo Atlântico nas áreas de segurança, gestão dos recursos pesqueiros, transição energética e desenvolvimento sustentável. ANG/Faapa

  

 


Portugal/
CPLP muito aquém das expetativas e impacta pouco a vida dos seus cidadãos - analistas

 

Bissau, 13 Jul 26(ANG) - Analistas entrevistados pela Lusa consideraram que a CPLP, que assinala 30 anos na sexta-feira, ficou muito aquém das expetativas e tem pouco impacto na vida dos seus cidadãos.

 

"Trinta anos depois, podemos dizer que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP] ficou muito aquém das expetativas iniciais", afirmou o analista brasileiro Adriano de Freixo.

 

Nesse seguimento, para o também investigador de política externa, a ideia de "criar uma organização internacional de peso, capaz de aumentar a integração entre os países lusófonos espalhados pelo mundo, ainda está muito longe de se concretizar".

 

Para o presidente da Universidade Lusíada em São Tomé e Príncipe, Liberato Moniz, há ausência de uma agenda concreta e de projetos com continuidade na vida das pessoas e os dirigentes não sabem o que é a organização, nem qual a sua importância.

O analista cabo-verdiano Redy Lima classifica a CPLP de ineficaz e considera que esta tem pouco impacto para os cidadãos. 

 

Por outro lado, enquanto cidadão cabo-verdiano, sente que o seu país prioriza acordos bilaterais. 

 

A mesma perceção foi apresentada pelo professor moçambicano Elísio Macamo, da Universidade de Basileia, na Suíça, que diz sentir que esta é "uma organização de concertação política (...) que, num primeiro momento, tem pouca relevância imediata para os cidadãos". 

 

Da Guiné-Bissau, o analista Rui Landim lamentou que a "CPLP seja só palmadas nas costas" e que a instituição seja inútil desde que foi criada, em 1996, pois não cumpre os seus próprios objetivos.

 

Na mesma linha de concordância, o analista angolano Almeida Henriques reconheceu que "não há verdadeiros investimentos na CPLP" e que o discurso político "não se traduz necessariamente naquilo que é o projeto".

 

O politólogo referiu que Portugal e o Brasil sustentam financeiramente a organização, mas os projetos "não beneficiam diretamente a vida das pessoas".

 

Já o especialista português em assuntos africanos Fernando Jorge Cardoso reiterou que "qualquer objetivo de integração económica entre países sem relações comerciais prévias é absolutamente irrealista" e que, para Portugal, a CPLP vale sobretudo como projeto político e diplomático.

 

Segundo a perspetiva do advogado equato-guineense Tutu Alicante, a comunidade em nada impactou a vida dos cidadãos da Guiné Equatorial, que faz parte da CPLP desde 2014.

 

Por outro lado, o ex-pré-candidato presidencial são-tomense, Liberato Moniz, frisou que, na sua opinião, "há falta de uma agenda na CPLP, uma agenda que saiba que 'em Janeiro faz-se uma coisa, mas em Junho dá-se continuidade', por exemplo.

Assim, considerou o arquiteto são-tomense, "a CPLP vai-se definhando e morrendo aos poucos".

 

No entanto, por outro prisma, para Adriano Freixo, a CPLP contribuiu positivamente para "avanços reais na cooperação educativa".

 

"O grande número de estudantes africanos e timorenses a frequentar universidades no Brasil e em Portugal é um dos pontos mais relevantes", exemplificou. 

Na opinião do analista Fernando Jorge Cardoso, o acordo de mobilidade foi a melhor realização dentro da organização e a Convenção Multilateral de Segurança Social - já ratificada por Portugal, Timor-Leste e Brasil, mas que ainda não vigora - "poderá ser a segunda [melhor realização]".

 

Sobre o futuro da organização, Elísio Macano considerou que esta precisa de uma "discussão política" sobre os valores que quer defender e os princípios que os membros devem respeitar.

 

Já Liberato Moniz defendeu que "no dia em que a Justiça funcionar na CPLP, as coisas vão melhorar, porque as pessoas sentir-se-ão responsáveis pelos seus atos".

 

A CPLP, que assinala 30 anos em 17 de Julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

ANG/Inforpress/Lusa