quarta-feira, 15 de julho de 2026

Copa 2026/Argentina x Inglaterra: mais do que futebol, um confronto de simbologia histórica e geopolítica

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - Quando Argentina e Inglaterra se enfrentarem pela segunda partida da semifinal do Mundial de Futebol de 2026, estará em jogo bem mais do que futebol.

Para os argentinos, mais do que uma rivalidade, há uma inimizade baseada em questões de geopolítica e de história que transcende o esporte e que remete diretamente à Guerra das Malvinas, de 1982, e ao forte sentimento de nacionalismo.

Enquanto as autoridades tentam manter a disputa apenas no campo esportivo, milhões de torcedores vêem o orgulho e o legado heróico de Maradona em questão.

Com o Brasil, os argentinos têm uma rivalidade limitada ao folclore do futebol, mas com os ingleses o sentimento beira o ódio.

A inimizade da Argentina com a Inglaterra remonta às invasões inglesas de 1806 e 1807 que uniram os argentinos contra os invasores, mas também serviram de estopim para a Independência. Porém, o ponto alto dessa relação conflitante foi mesmo a Guerra das Malvinas, de 1982, ainda uma ferida para os argentinos.

Desde 1965, a ONU emite resoluções a favor da Argentina, reconhecendo uma disputa por soberania com o Reino Unido, mas enquadrando essa disputa numa situação colonial, com o objetivo de eliminar toda forma de colonialismo. As ilhas foram invadidas pelos ingleses em 1833, quando a Argentina já tinha 17 anos de Independência.

Por isso, os jogadores argentinos estão obrigados a ganhar não apenas pelo resultado que classifica para a final, mas pelos 649 argentinos mortos em combate, pelas famílias deles e por milhões de argentinos que veem no campo de jogo uma chance de justiça simbólica que não foi possível no campo de batalha.

Na noite de terça-feira (14), os argentinos foram ao Obelisco da Avenida 9 de Julho com bandeiras, faixas e instrumentos para celebrarem, mas também para pressionarem os jogadores. Esse local do Centro de Buenos Aires é o ponto de celebrações depois das vitórias, mas, pela primeira vez, foi também palco da antessala da partida.

“Enfrentar a Inglaterra implica Justiça para este lado. Justiça”, sintetiza à RFI o torcedor Nicolás Adi, de 32 anos.

O país vai parar. As empresas vão interromper a jornada de trabalho duas horas antes da partida. Muitas outras permitiram o trabalho remoto, Home Office.

Os transportes públicos terão uma frequência reduzida e, em muitas cidades, interrompida durante o jogo. Nos hospitais, as consultas foram adiadas, a pedido dos pacientes torcedores. Só casos de emergência, como enfarto do coração serão atendidos.

Aliás, no jogo de sábado (11) contra a Suíça pelas quartas de final, uma pessoa de 51 anos morreu por parada cardíaca. Vários casos similares foram atendidos.

“Jogar contra a Inglaterra, além de ser um jogo de futebol, é sempre algo que nós, argentinos, levamos para fora do campo: está em jogo o orgulho. Trata-se de vencer os ingleses em tudo. Eles não são apenas rivais. É mesmo uma inimizade que vem da Guerra das Malvinas, do que eles fizeram connosco. Então, é sempre uma questão de querer sair por cima e derrotar os ingleses”, desabafa à RFI o torcedor Lucas Bonilla, de 24 anos.

Como a letra da famosa cantiga repete, “Aquele que não pula é um inglês”. Essa canção marcou os argentinos em 1986 quando Diego Maradona eliminou a Inglaterra com a “Mão de Deus” e com o antológico “Gol do Século”.

Os jogadores daquela seleção de 40 anos atrás recebiam cartas e vídeos nos quais os argentinos diziam que podiam até perder na final, mas jamais para a Inglaterra.

A partida de 1986 é a imagem que todos os argentinos têm de heroísmo. Coincidência ou obra do destino, a Argentina vai jogar agora com a mesma camiseta azul da reserva, usada há 40 anos.

E o grande herói daquele confronto foi Maradona. O gol de mão foi ilegal, mas os argentinos usam como argumento o ditado “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Na Argentina, os ingleses são chamados de “piratas” que roubaram as Malvinas. E a postura de Maradona é vista como uma rebeldia perante aqueles que inventaram o futebol.

Já sobre o segundo gol, de tão bonito, dizem que valeu por dois e compensou a irregularidade do primeiro.

“Tomara que se repita o feito de 1986”, diz à RFI o torcedor César Alberto, de 43 anos.

“Contra os ingleses, há muito em jogo: a nossa história, o legado de Maradona naquela Copa, o legado de Messi nesta”, avalia.

As cantigas de futebol na Argentina, em geral, fazem referência às ilhas Malvinas.

A atual, chamada “A quarta estrela”, feita para este campeonato Mundial, diz num trecho que “Pelas Malvinas, por Diego (Maradona), pela última do Leo (Messi)”, unindo o futebol à causa patriótica.

A cantiga do campeonato anterior, vencido no Catar em 2022, também incluía a causa nos versos “Na Argentina, nasci /Terra de Diego e Lionel / Dos rapazes das Malvinas / Que jamais esquecerei”.

“Existe um sentimento extra em torno do assunto. Nós o relacionamos à Guerra das Malvinas. Eu era um soldado em 1989, quando prestei o meu serviço militar. Fui treinado por veteranos da Guerra das Malvinas. Eles nos treinaram mentalmente, preparando-nos para voltar às Malvinas e recuperá-las”, recorda à RFI o torcedor Lúcio Molina, de 58 anos.

As equipes se enfrentaram cinco vezes: três resultaram em vitórias para os europeus (1962, 1966 e 2002), uma para os sul-americanos (1986) e um empate (1998), no qual a Argentina se classificou nos penáltis.

Os argentinos têm vivido dias de muito patriotismo nos quais futebol e nacionalismo se misturam. Na semana passada, no dia 9 de Julho, foram os 210 anos da Independência do país. A Argentina vinha de uma vitória épica contra o Égito pelas oitavas de final.

As autoridades tentam transmitir a ideia de apenas uma disputa esportiva. O técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, disse que “se trata apenas de um jogo de futebol” e que “misturar as coisas seria uma loucura”.

O major Alan Nuñez é diretor da banda militar “Tambor de Tacuarí” do regimento de Infantaria 1 “Patrícios”, o mais antigo do Exército Argentino. O regimento foi criado em 1806 como resposta às invasões inglesas. Teve papel na Guerra das Malvinas de 1982. Para o major, o confronto é meramente esportivo, mas reconhece que futebol e nacionalismo se nutrem.

“Acho que os argentinos ainda podem nutrir algum sentimento em relação aos britânicos devido aos eventos da Guerra das Malvinas. Mas acredito que precisamos separar essa questão do aspecto esportivo. Faz parte da nossa história termos enfrentado os britânicos, que sempre foram um dos exércitos mais poderosos do planeta. Nós os enfrentamos em várias ocasiões. Mas, enfim, continua sendo uma competição esportiva, que certamente será apreciada por ambos os povos, argentino e inglês”, pondera.

“Quando a seleção de futebol obtém vitórias nos une com as causas da pátria. Essas datas nacionais, conjugadas com o Mundial de futebol, traz esse sentimento de euforia dos argentinos”, indica à RFI.

Na terça-feira (14), depois de uma reunião no Centro Internacional de Cooperação Policial, em Virginia, nos Estados Unidos, o FBI, a FIFA e o Ministério da Segurança da Argentina classificaram a partida como de “alto risco” e decidiram proibir a entrada no estádio de bandeiras, faixas e camisetas que façam referência às Malvinas ou às Falklands, como os ingleses chamam o arquipélago.

Seja como for, uma vitória sobre a Inglaterra tem um valor duplo para os argentinos, mas uma derrota também tem um peso na mesma proporção. Os argentinos ficariam muito tristes se perdessem a final, mas mais tristes ficariam se perdessem para a Inglaterra. Portanto, ou teremos um país em euforia ou um país afundado na depressão.ANG/RFI

 

 

           RDC/Mais de 2.000 casos confirmados, incluindo 754 mortes

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - Autoridades de saúde da República Democrática do Congo (RDC) indicaram na terça-feira que o número de casos confirmados de Ébola no país subiu para 2.011, incluindo 754 mortes, segundo relatos da mídia.

A epidemia afeta agora cinco províncias, nomeadamente Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo, sendo que Ituri, no nordeste do país, continua a ser o epicentro do surto, especifica a mesma fonte, que cita um relatório de situação publicado pelas autoridades de saúde congolesas.

No total, 366 pacientes foram declarados recuperados, enquanto outros 753 permanecem em isolamento ou hospitalizados, segundo o relatório.

A transmissão continua particularmente intensa em Ituri, enquanto o aparecimento de novos casos em Haut-Uélé confirma uma expansão geográfica da epidemia, exigindo um reforço da vigilância, das capacidades de diagnóstico e da prontidão operacional, observa a mesma fonte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a persistência de cadeias de transmissão não detectadas, o elevado número de mortes na comunidade e a rápida propagação do surto sugerem que a verdadeira dimensão da epidemia poderá ser de duas a quatro vezes maior do que os números oficiais.

A OMS também observa que o surto, causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola e declarado em 15 de maio, entrou em uma nova fase marcada por sua expansão para além do foco inicial, representando um risco maior de disseminação nacional e transfronteiriça.

Diante dessa situação, um primeiro ensaio clínico foi iniciado na República Democrática do Congo e em Uganda para avaliar a eficácia de um antiviral contra o vírus Ébola Bundibugyo após a exposição, enquanto um segundo ensaio está em andamento na República Democrática do Congo para testar novos tratamentos para pessoas já infectadas. ANG/Faapa

   

Médio Oriente/Escalada entre Estados Unidos e Irã amplia risco de guerra regional e ameaça rotas globais de energia

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou nesta quarta-feira (15) em uma nova fase de intensificação militar, com ataques americanos em diferentes regiões do território iraniano e uma resposta de Teerã que atingiu bases e instalações ligadas aos Estados Unidos em vários países do Golfo.

Pelo quarto dia consecutivo, forças americanas realizaram bombardeios contra alvos militares iranianos. Um dos ataques mais graves ocorreu na região de Bampur, próxima à cidade de Iranshahr, no sudeste do país, onde treze mísseis atingiram instalações militares, alojamentos e postos de guarda.

Segundo o exército iraniano, pelo menos sete militares morreram e vários ficaram feridos.

Também nesta quarta-feira, novas explosões foram registradas em Bouchehr, cidade portuária do sudoeste iraniano que abriga a única usina nuclear em funcionamento no país. De acordo com a agência estatal Irna, três pontos da cidade foram atingidos, sem registro de vítimas.

A proximidade dos ataques com instalações nucleares aumenta as preocupações internacionais sobre uma possível expansão do conflito.

Em resposta, o Irã lançou a oitava fase da operação militar "Saeqeh", direcionada contra interesses americanos na região. Autoridades iranianas afirmam ter atacado instalações ligadas à Quinta Frota dos Estados Unidos, sediada no Bahrein, além de posições militares no Kuwait e na Jordânia.

As forças armadas jordanianas anunciaram ter interceptado três mísseis balísticos iranianos antes que atingissem a base aérea de Al-Azraq, utilizada pelas forças americanas.

A crise também se desloca para o campo econômico e energético. A Guarda Revolucionária iraniana voltou a afirmar que oEstreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto continuarem as operações militares americanas.

Cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa diariamente pela estreita passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, tornando a região um dos pontos mais sensíveis da economia global.

Analistas avaliam ainda a possibilidade de grupos aliados do Irã, como os houthis do Iêmen, ampliarem as ameaças ao estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o comércio internacional.

Apesar da escalada, o presidente americano Donald Trump afirmou que um acordo com Teerã ainda seria possível, embora tenha advertido que novos ataques poderão atingir infraestruturas energéticas e elétricas iranianas caso o governo iraniano não retorne às negociações.

Teerã, por sua vez, acusa Washington de ter rompido o entendimento diplomático que buscava encerrar os confrontos e considera o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos uma violação dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.

O conflito ocorre em momento de elevada tensão em todo o Oriente Médio. Enquanto Irã e Estados Unidos ampliam suas operações militares, Israel e Líbano iniciaram em Roma as primeiras negociações sobre a retirada de tropas israelenses de áreas do sul libanês. Paralelamente, a guerra em Gaza continua produzindo vítimas civis e pressionando os esforços diplomáticos internacionais.

A combinação entre ataques militares, ameaças ao fornecimento global de energia e o envolvimento crescente de países vizinhos aumenta o risco de que a atual crise deixe de ser um confronto bilateral para se transformar em um conflito regional de maiores proporções, com impactos diretos sobre os preços do petróleo, as cadeias de abastecimento e a estabilidade geopolítica mundial. ANG/RFI

 

 

RDC/Número de casos de Ébola  pode ser até 'quatro vezes maior', segundo OMS

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - O número de casos de Ébola detectados na República Democrática do Congo (RDC) pode ser de duas a quatro vezes maior do que as estimativas oficiais, indicou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (14).

 Desde Maio deste ano, o país africano enfrenta um surto da doença, que se espalha cada vez mais rápido.

"Com base em nossas projeções, estimamos que a dimensão da epidemia represente pelo menos duas a quatro vezes o número de casos registados", anunciou Chikwe Ihekweazu, Diretor Executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, em comunicado à imprensa.

Segundo os dados oficiais mais recentes da RDC, mais de 1.960 pessoas foram infectadas e mais de 700 morreram em decorrência do surto de febre hemorrágica, declarado em meados de Maio.

Detectado inicialmente na província de Ituri, no nordeste do país, que faz fronteira com o Sudão do Sul, ovírus também se propagou para as regiões vizinhas de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Haut-Uele, bem como para Uganda, outra nação vizinha onde foram registados 20 casos.

 

"Este já é o terceiro maior surto de Ébola já registrado e aquele que avançou mais rapidamente em único mês dentre todos os que já gerenciamos", alertou Ihekweazu, que acaba de retornar de uma viagem ao leste da RDC.

 

Embora a taxa atual de rastreamento de contatos esteja próxima de 80%, o representante lamentou que a epidemia continue a avançar mais rápido do que os esforços de resposta das autoridades locais e dos parceiros internacionais.

 

"Precisamos detectar os casos mais cedo. Precisamos fortalecer e acelerar o rastreamento de contatos. É necessário garantir que os centros de saúde sejam acessíveis, seguros e que contem com a confiança das comunidades que atendem", concluiu. ANG/RFI/AFP

 

 

Zâmbia/Dez migrantes sem documentos desaparecidos após canoa virar no rio Zambeze

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) - Lusaka, 15/07/2026 - (MAP/FAAPA) - As autoridades zambianas anunciaram a abertura de uma investigação após o desaparecimento de dez supostos imigrantes ilegais, na sequência do naufrágio da canoa em que viajavam no rio Zambeze.

Segundo o Departamento de Imigração e o Serviço Policial da Zâmbia, o incidente ocorreu na noite de 13 de julho, quando um grupo de 15 cidadãos etíopes tentou atravessar ilegalmente o rio Zambeze da Zâmbia para o Botswana.

"O caso foi levado ao nosso conhecimento em 14 de julho de 2026, depois que membros do público informaram o Departamento de Imigração sobre a presença de dois suspeitos de serem cidadãos etíopes que buscaram ajuda após saírem do rio", disse o Departamento em um comunicado.

Os sobreviventes, de 33 e 35 anos, confirmaram que a canoa virou durante a travessia e que cinco membros do grupo conseguiram nadar de volta para a margem, enquanto outros dez são considerados desaparecidos por afogamento.

"O destino dos outros três supostos sobreviventes permanece desconhecido neste momento", acrescentou o comunicado, informando o início de uma operação de busca e salvamento envolvendo as forças especiais marítimas do exército zambiano, a unidade de polícia fluvial e os serviços de bombeiros e salvamento.

"Neste momento, nenhum corpo foi encontrado e o provável afogamento das dez pessoas ainda precisa ser confirmado, aguardando os resultados das buscas em andamento", disse a mesma fonte. ANG/Faapa

    

 

 Transportes/Degradação da estrada de Antula dificulta mobilidade e agrava custos de transporte

Por Leon Paul Gomes, da ANG”

Bissau, 15 Jul 26 (ANG)  – A degradação progressiva da estrada que liga a Rotunda dos Combatentes da Liberdade da Pátria ao terminal de transportes urbanos de Antula está a provocar sérios constrangimentos à população, dificultando o acesso ao transporte público e comprometendo a deslocação diária de centenas de moradores  para os seus locais de trabalho, mercados e outras zonas da capital.

Uma reportagem da  Agência de Notícias da Guiné(ANG), permitiu a constatação de que nas primeiras horas da manhã, são frequentes  momentos de tensão entre passageiros e condutores dos transportes urbanos, conhecidos por "Toca-toca".

Muitos motoristas recusam embarcar passageiros no terminal de Antula, optando por iniciar o serviço apenas no início da estrada alcatroada, alegando que o troço em terra batida, repleto de buracos, provoca avarias constantes nas viaturas, na época da chuva.

Para além disso, a água da chuva não consegue  escoar, porque os proprietários das habitações construídas nas bermas das estradas, vedam as suas casas, o que dificulta a saída da água nos buracos, sobretudo no primeiro terminal, junto ao Liceu Turquia, zonas  mais criticas para circulação no troço.

Os condutores alegam que a circulação naquela via causa danos em componentes como molas, rolamentos, motor de arranque e alternador, cujos custos de reparação podem ultrapassar os 75 mil francos CFA.

A situação torna-se mais crítica entre as 7h30 e as 8h00 da manhã, considerado o período de maior procura. Nesse período , muitos passageiros são obrigados a caminhar até ao ponto onde os veículos aceitam embarcar ou  recorrem aos Moto-táxis para completar o percurso, aumentando as despesas com transporte.

Além dos custos adicionais, regista-se atrasos frequentes na chegada ao  trabalho, situação que pode comprometer o emprego e prejudicar o negócio.

 Naquele troço ainda persistem    dificuldades para conseguir um lugar nos transportes, sem se passar por situações de empurrões e discussões entre  passageiros.

A  reabilitação do troço de pouco mais de um quilómetro entre a Rotunda e o terminal deve constituir uma prioridade do Governo, considerando que a melhoria da via permitiria normalizar o serviço de transporte urbano e reduzir os transtornos enfrentados diariamente pela população.

Com a aproximação do mês de Agosto, período de chuvas intensas na Guiné-Bissau, os condutores admitem a possibilidade de deixar de circular até ao terminal, caso não sejam realizadas obras de melhoria da estrada pelo Governo.

Uma solução possível  é o reforço da  frota de autocarros, ou  disponibilização de duas viaturas, uma para a via de Pluba e outra para a via  Quartel-General (QG), como forma de reduzir o tempo de espera, atualmente estimado entre 30 e 40 minutos.

Enquanto se aguarda por uma solução, o mau estado da estrada vai obrigar a maioria da população daquela área a recorrer aos  serviços de Moto-taxi para suas deslocações diárias, apesar de consequências financeiras que esse recurso impõe. ANG/LPG/ÂC//SG

 

Caso Mpox/Direção do HNSM aprova Plano de Emergência com   medidas preventivas contra transmissão do vírus 

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) – A Direcção do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM) aprovou recentemente um Plano de Emergência com  medidas preventivas contra transmissão do vírus  Mpox na Guiné-Bissau.


A informação é do Director-geral do HNSM Malam Sabali, em declarações à imprensa, na terça-feira, no âmbito dos trabalhos que estão a ser feito por aquela instituição hospitalar no que tange a prevenção dos casos da doença Mpox no país.

“Foi anunciado no dia 04 do coerente mês pelo Ministério de Saúde Pública (MSP) a existência do Vírus Mpox na Guiné-Bissau. Neste sentido foi elaborado um plano com a finalidade de estabelecer um conjunto de medidas para prevenir a transmissão da  doença no HNSM, de modo a garantir detenção precoce da mesma”, explicou Sabali.

Aquele responsável sustentou que, na sequência da aprovação do Plano de Emergência, foi criado  um Comité Operacional no HNSM para prevenir os casos do Mpox.

Acrescentou que o Comité tem como missão atualizar e monitorar o plano elaborado pelo Ministério de Saúde Publica, ou seja identificar as necessidades que HNSM tem em termos dos recursos humanos, meios materiais, financeiros e  estabelecer contactos com outras estruturas de vigilância.

Malam Sabali disse que o HNSM na qualidade da instituição de referência a nível de saúde da Guiné-Bissau, não podia cruzar os braços face a situação do Mpox e que,  por isso, adiantaram com medidas de  prevenção.

“Neste momento pensamos na situação de isolamento do caso suspeito, no qual escolhemos o serviço de fitologia e estamos a fazer os trabalhos de reparações no mesmo serviço para isolar as pessoas. Também vamos reforçar segurança nas pontes de entrada do Hospital e pretendemos improvisar os espaços para atender os casos suspeitos logo na entrada daquele maior centro hospital da Guiné-Bissau”, disse o Director-geral do HNSM.

Contou que a Direcção do HNSM, com meios próprios, está  a formar os seus técnicos sobre  as formas de atendimento  dos casos do Mpox e que essa formação vai ser extensiva aos  condutores, pessoal de limpeza, seguranças e assistentes sociais.

Sabali desejou contar com o engajamento dos parceiros num futuro próximo com a finalidade de fazer melhor trabalho e  obter maior sucesso na prevenção dos casos de Mpox na Guiné-Bissau.

Por outro lado,  apelou aos utentes de HNSM para diminuírem o fluxo de circulação  naquela instituição, e para recorrerem  aos centros hospitalares próximos dos seus bairros, cada vez que se trata de  casos ligeiros, como forma de evitar bastante aglomeração em Simão Mendes. ANG/AALS/ÂC//SG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tecnologia/ China acolhe Conferência Mundial sobre Inteligência Artificial e Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA

Bissau,15 Jul 26 (ANG) - A Conferência Mundial de Inteligência Artificial (IA) 2026 e a Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA serão realizadas em Shanghai, de 17 à 20 de Julho deste ano.

Segundo uma nota partilhada, no Facebook, pela Embaixada da Republica Popular da China na Guiné-Bissau, consultada hoje pela ANG, o evento decore sob o tema é "Parceiros Inteligentes, Cocriar o Futuro".

Sobre o evento, o porta-voz do Ministério Chinês dos negócios Estrangeiros, Lin Jian anuncio que a  cerimónia de abertura será presidida pelo Presidente chinês Xi Jinping.

Jian disse que o Presidente Xi abordará de forma sistemática as políticas, a posição, as visões e  propostas da China sobre o desenvolvimento e a governança da IA.

Lin Jian disse que a China convida autoridades governamentais e representantes de diversos setores, universidades e institutos de pesquisa de todo o mundo, bem como dirigentes de organizações internacionais, para compartilhar esse momento na China.

Afirmou que a inovação tecnológica em IA está a passar  por avanços de amplo alcance , demonstrando um dinamismo sem precedentes.

Lin jian acrescentou que tal progresso traz tanto oportunidades quanto desafios para a comunidade internacional, tornando a governança da IA um tema profundo da atualidsade.

Nos últimos anos, segundo a nota da Embaixada, que cita o ministro das  Relações Exteriores da China, no campo da IA, a China tem vindo a atuar no quadro das iniciativas globais e da Iniciativa de Governança Global da IA apresentadas pelo presidente Xi.

 Lin jian ressaltou que a China está comprometida em fornecer bens públicos internacionais, defender a IA para o bem de todos com ações concretas e ajudar o Sul Global a fortalecer a capacitação no domínio da IA.

"Por meio desta Conferência, a China espera construir uma plataforma para que as diversas partes envolvidas reforcem a confiança mútua, alcancem consenso e aprofundem a cooperação, para  promover o desenvolvimento saudável, seguro e ordenado da IA, e tornar esta conferência um marco na história do desenvolvimento da IA", disse Lin jian.

ANG/LPG/ÂC//SG

Saúde/Guiné-Bissau reforça estratégia de vacinação com integração da perspetiva de género

Bissau, 15 Jul 26 (ANG) – A coordenadora da Unidade de Gestão da GAVI na Guiné-Bissau, defendeu que a integração da perspetiva de género nas estratégias de vacinação representa uma medida de justiça social e um elemento essencial para aumentar a eficácia da saúde pública no país.

Elisandra Cabral falava no encerramento de um seminário  sobre  Assistência Técnica para a Integração da Perspetiva de Género nas Estratégias e Atividades de Imunização, promovida pela Direção-Geral dos Serviços de Imunização e Vigilância Epidemiológica.

Na ocasião, Elisandra Cabral sublinhou a necessidade de reforçar as ações de proteção das crianças, assegurando o acesso à uma imunização completa, equitativa e de qualidade.

Defendeu  que a vacinação infantil é uma responsabilidade partilhada por toda a família, destacando o papel dos pais no cumprimento do calendário vacinal, perante os desafios ainda existentes na cobertura vacinal das crianças guineenses.

O encontro, realizado na terça-feira, reuniu os pontos focais de género das 11 regiões sanitárias do país e parceiros do setor da saúde que avaliaram  as atividades desenvolvidas no âmbito da assistência técnica,  validaram os instrumentos produzidos e definiram  as ações futuras para garantir a integração sustentável da dimensão de género nas intervenções de imunização.

Em representação da Direção-Geral dos Serviços de Saúde Materno-Infantil, do Ministério da Saúde Pública, Fátima Barbosa apelou ao envolvimento de todos os técnicos para que as ferramentas de integração da perspetiva de género reflitam as especificidades das diferentes regiões sanitárias da Guiné-Bissau.

O encontro permitiu igualmente partilhar os resultados alcançados, capitalizar as experiências adquiridas e reforçar o compromisso dos diferentes intervenientes com a promoção da equidade e da igualdade de género nos serviços de vacinação, contribuindo para o fortalecimento do sistema nacional de saúde e para a melhoria dos indicadores de imunização no país.ANG/RSM

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

        Copa 2026/ França e Espanha se enfrentam em 'final antecipada'

 Bissau, 14 Jul 26 (ANG) - França e Espanha se enfrentam nesta terça-feira nas semifinais da Copa do Mundo em um duelo considerado por muitos uma “final antecipada”, como escreve o jornal francês Le Monde.

As duas seleções chegam como as mais consistentes do torneio: os franceses avançaram com vitórias sobre Suécia, Paraguai e Marrocos, mantendo o favoritismo e exibindo um ataque poderoso, com 16 gols marcados, enquanto os espanhóis, atuais campeões da Eurocopa, destacam-se pela melhor defesa da competição, com apenas um gol sofrido.

Embalada pelo título europeu de 2024 e por duas vitórias recentes sobre os franceses, na Euro 2024 e na Liga das Nações de 2025, a Espanha entra em campo confiante e com vantagem histórica nos confrontos do século XXI.

Apesar do respeito mútuo, técnicos, jogadores e analistas veem o jogo como o verdadeiro teste de força entre os dois principais candidatos ao título mundial.

Para o jornal esportivo francês L'Equipe, a França enfrenta hoje o seu principal rival nos últimos anos.Motivada pela possibilidade de alcançar sua terceira final mundial consecutiva, a seleção comandada por Didier Deschamps chega com seis vitórias seguidas e uma campanha sólida, liderada por Kylian Mbappé, mas ainda sem ter enfrentado um adversário do nível da atual campeã europeia.

 

Considerada uma espécie de “pedra no sapato” dos Bleus nos últimos anos, a Espanha acumula vitórias recentes sobre os franceses e mantém seu tradicional estilo de posse de bola e intensidade ofensiva, liderado pela jovem estrela Lamine Yamal.

Apesar da força espanhola, a atuação irregular contra a Bélgica nas quartas de final expôs fragilidades defensivas que a França espera explorar. O vencedor avançará para a decisão em Nova York, enquanto o derrotado disputará apenas o terceiro lugar, em Miami.

Para o jornal Le Figaro, a campanha da França na Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada não apenas pelos resultados em campo, mas também pelo estilo de liderança de Didier Deschamps.

Segundo o diário francês, o técnico adaptou seu método de gestão às novas gerações de jogadores, flexibilizando regras, incentivando momentos de convivência com familiares e permitindo mais liberdade durante a concentração em Boston. 

A estratégia busca manter o grupo motivado e mentalmente leve na busca por uma terceira final consecutiva de Mundial.

Deschamps é elogiado por atletas e colegas pela capacidade de diálogo, pela atenção aos reservas e pela habilidade de preservar a união do elenco.

Com cinco semifinais em sete grandes torneios desde que assumiu a seleção, o técnico chega ao fim de seu ciclo como um dos principais responsáveis pela impressionante regularidade da França no cenário internacional e tenta coroar sua trajetória com mais um título mundial.

Já o jornal Libération abordaas críticas e comentários racistas sobre a forte presença de jogadores negros na selecção francesa e defende que a equipe reflete a realidade social e esportiva da França.

 

O texto argumenta que a composição dos Bleus é resultado da popularidade do futebol nas periferias urbanas e nos territórios ultramarinos, onde o esporte se consolidou como importante instrumento de ascensão social.

 

O editorial do Libé rebate discursos que questionam a “francesidade” dos atletas, destacando que a nacionalidade não tem relação com origem, cor da pele ou religião, mas sim com a cidadania.

Segundo o texto, o sucesso da seleção evidencia tanto a eficiência do sistema francês de formação de jogadores quanto o impacto das políticas urbanas e migratórias das últimas décadas, reforçando que, independentemente de suas origens, todos os atletas representam igualmente a França dentro de campo.

ANG/RFI

 

Politica /Conselho de Ministros determina reorganização da Administração Pública e aprova sete pedidos de nacionalidade

Bissau, 14 Jul 26 (ANG) – O Conselho de Ministros decidiu avançar com medidas para reorganizar a Administração Pública, visando a racionalização da massa salarial e o alinhamento do país com os critérios de convergência da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).

A decisão foi tomada na reunião ordinária desta terça-feira, que decorreu sob a presidência de Horta Inta-a.

Segundo o  comunicado partilhado a comunicação social pelo  gabinete de assessoria de imprensa do Primeiro-ministro,  o Executivo analisou o estado atual da massa salarial da Administração Pública e os mecanismos para adequá-la aos critérios da UEMOA, considerando que a medida constitui um pressuposto essencial para promover o desenvolvimento do país através de uma melhor racionalização dos recursos públicos.

O Conselho de Ministros instruiu a ministra da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social, em colaboração com o Ministério das Finanças, a concluir, no prazo de 15 dias, a elaboração das orgânicas dos departamentos governamentais que integram o atual Executivo  para  definir o quadro de pessoal necessário para cada ministério e secretaria de Estado.

O Governo determinou igualmente que os dois departamentos estatais  harmonizassem a base de dados dos funcionários públicos, de forma a identificar e eliminar duplicações e outras situações consideradas anómalas.

Na mesma sessão, o Conselho de Ministros aprovou a concessão da nacionalidade guineense, por naturalização, a sete cidadãos estangeiras, nomeadamente  Ali Dayekh, Chen Huazhong, Mouhamadou Misbaou Diallo, Wael Kaarouni, Kaafarani Hassan, Ibrahima Coulibaly e Ivonn Nzhipuakuyu.

ANG/LPG/ÂC//SG

Energia/Director-geral da EAGB promete resolver em breve a situação da “corrente elétrica fraca” na cidade de Gabu

Bissau, 14 Jul 26(ANG) – O Director-geral da Empresa de Electricidade e Águas da Guiné-Bissau(EAGB), promete que, brevemente,  os técnicos de média tensão da empresa irão deslocar-se a cidade de Gabu para resolver a situação da “corrente elétrica fraca”, protestada pelos utentes da luz eléctrica daquela localidade.

Carlos Alberto Handem falava hoje em conferência de imprensa, em jeito de reação aos protestos das mulheres vendedoras de sumos, sorvetes, gelo e água na cidade de Gabu  que dizem que estão a sofrer avultados prejuízos económicos devido a essa situação de insuficiência de carga elétrica que chega aos seus lares.

“Vamos colocar um transformador da energia, junto a Central Eléctrica de Gabu e um cabo de média tensão que irá resolver todos os problemas de fornecimento da energia em Gabu”, prometeu.

O Director Geral da EAGB acrescentou  que não há corrente estável como a hidroelétrica e  atómica, frisando que a corrente eléctrica que abastece a cidade de Gabu é idêntica com a da capital Bissau e que alimenta as casas das pessoas, nas indústrias etc.

“O que acontece é o seguinte: quando assumimos a gestão da energia na cidade de Gabu e Bafata, a anterior empresa que operava ali, denominada de Electric-Baió, tinha instalado atrás da Central, mais de 200 arcas e quando levamos a rede não tínhamos essa informação”, frisou.

Carlos Alberto Handem afirmou que, para alimentar as referidas arcas a Empresa Electric-Baió tinha um grupo gerador específico para as alimentar.

Aquele responsável sublinhou que a EAGB levou a corrente eléctrica para abastecer todas as localidades de Gabu, acrescentando que recebeu informações de que a corrente está a chegar muito bem em todas as casas daquela cidade em 24/24 horas.

“Agora, a EAGB irá satisfazer as reivindicações das mulheres vendedeiras tendo em conta que dispõe de pessoal qualificado para o efeito”, prometeu o DG da EAGB.ANG/ÂC//SG

 

França/Paris celebra 14 de Julho entre demonstração militar, apoio à Ucrânia e memória das vítimas de Nice

Bissau;14 Jul 26 (ANG) - Sob um forte esquema de segurança e diante de dezenas de chefes de Estado e de governo europeus, a França celebra nesta terça-feira (14) a tradicional parada militar do feriado nacional da Queda da Bastilha, com uma edição descrita pelo Palácio do Eliseu como "massiva" e marcada pela guerra na Ucrânia, pelo reforço das capacidades militares europeias e pela memória das vítimas do terrorismo.

As comemorações tiveram início ainda na noite de segunda-feira, quando milhares de pessoas acompanharam os tradicionais fogos de artifício em Paris, iluminando a Torre Eiffel e o céu da capital francesa. Neste ano, porém, a festa nacional francesa foi atravessada por um tom mais solene, em meio às tensões internacionais e às homenagens pelosdez anos do atentado de Nice, um dos episódios mais traumáticos da história recente do país.

Por razões de segurança, o acesso do público ao desfile nos Champs-Élysées foi condicionado à apresentação de um QR Code obtido previamente por meio de uma plataforma de inscrição criada pela polícia de Paris.

A medida chegou a ser suspensa na segunda-feira pelo Tribunal Administrativo da capital após recurso da associação Vigie Liberté,  criada para contestar medidas consideradas excessivas em nome da segurança ou da vigilância estatal, mas acabou restabelecida durante a madrugada pelo Conselho de Estado, que considerou prevalecer o interesse público ligado à segurança do evento e à proteção das autoridades estrangeiras presentes.

Emmanuel Macron preside pela última vez, como chefe de Estado em fim de mandato, o desfile militar na avenida Champs-Élysées. A edição de 2026 reúne cerca de 6.700 militares a pé, 98 aeronaves, 31 helicópteros e 315 veículos militares, no maior dispositivo dos últimos anos.

Segundo o Eliseu, a cerimônia tem como objetivo ilustrar "o rearmamento da França, a autonomia estratégica francesa e o despertar estratégico europeu", em um momento em que a guerra na Ucrânia e as incertezas sobre o papel futuro dos Estados Unidos na segurança do continente impulsionam os investimentos europeus em defesa.

A Ucrânia e os aliados europeus ocuparam posição de destaque na cerimónia. Cerca de 500 militares dos países que integram a chamada "coalizão dos voluntários" desfilaram ao lado de 25 soldados ucranianos, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky acompanha a cerimónia ao lado de outros 24 chefes de Estado e de governo europeus.

Entre os convidados estavam o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o premiê polonês, Donald Tusk, e a chefe de governo dinamarquesa, Mette Frederiksen.

A chamada coalizão dos voluntários, liderada por França e Reino Unido e formada principalmente por países europeus, comprometeu-se a continuar apoiando militarmente Kiev e estuda inclusive a possibilidade de enviar tropas ao território ucraniano após um eventual cessar-fogo, com o objetivo de impedir novas ofensivas russas.

Na véspera da festa nacional, Macron havia afirmado que a França e a Europa precisam estar preparadas para defender a liberdade e o direito internacional “inclive ao preço de sangue, se necessário “.

O desfile foi aberto pela Patrouille de France, com a participação inédita de caças Mirage 2000 franceses pilotados por tripulações que incluíam copilotos ucranianos treinados na França. Aviões de dez países europeus também participaram da apresentação aérea.

Aeronaves sobrevoaram os Champs-Élysées, enquanto helicópteros realizaram manobras coordenadas sobre os veículos blindados para reproduzir cenários de combate.

Também receberam homenagens os militares franceses atualmente destacados no flanco leste da Otan, especialmente na Estônia e na Romênia, além da Marinha francesa, que celebra em 2026 seus 400 anos de existência.

Para Macron, o desfile serviu também como balanço de sua política de defesa. Desde sua chegada ao poder, em 2017, o orçamento militar francês praticamente dobrou. A atual lei de programação militar prevê investimentos de € 436 bilhões entre 2024 e 2030, € 36 bilhões a mais do que o previsto inicialmente.

A cidade da Riviera Francesa planejou cerimónias ao longo do dia para marcar os dez anos do atentado de 14 de julho de 2016, quando o tunisiano Mohamed Lahouaiej-Bouhlel avançou com um caminhão de 19 toneladas sobre a multidão reunida no Passeio dos Ingleses para assistir aos fogos de artifício da festa nacional.

O ataque deixou 86 mortos e 458 feridos, tornando-se um dos atentados mais letais da história francesa. Entre as vítimas estavam crianças, idosos, franceses e estrangeiros de diversas nacionalidades e religiões. A mais jovem tinha apenas dois anos; a mais velha, 79.

À noite, a cidade programou um espetáculo com 2.016 drones sobre o Passeio dos Ingleses para evocar a memória, a dignidade e a unidade nacional. Exatamente às 22h34 — horário em que o caminhão foi finalmente detido pela polícia dez anos antes —, 86 feixes de luz azul serão projetados para o céu em homenagem aos mortos.

A memória das vítimas também alcançou os Estados Unidos. Em Arlington, no Texas, onde a seleção francesa enfrenta a Espanha pela semifinal da Copa do Mundo de futebol, jogadores e torcedores vão observar um minuto de silêncio antes do início da partida.

"Obrigado ao presidente da Fifa por atender ao pedido da França e de todos os franceses mobilizados. Nunca esqueceremos", escreveu Macron nas redes sociais. ANG/RFI/Com agências