quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Consultas Políticas


“O Governo está em perigo” , diz  Presidente da ANP, Cipriano Cassamá
 
 Bissau,06 Ago 15(ANG) – O Presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, afirmou à saida Quarta-Feira de um encontro com o Presidente da República  que o Governo de Domingos Simoes Pereira está em perigo.

 “O que ouvi hoje de manhã, eu não concordo. Há possibilidade de dialogarmos. A queda do Governo não é uma solução para este país”, referiu perante os deputados na Assembleia Nacional Popular (ANP).

Na intervenção, Cassamá deixou críticas implícitas ao Presidente da República e à possibilidade de este demitir o Governo por dificuldades de relacionamento pessoal com o primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, tal como referido por fontes políticas e diplomáticas em Bissau.

“Estou com muita pena de alguns dirigentes deste país. É uma vergonha. O Governo está em perigo e o povo da Guiné-Bissau tem que assumir as suas responsabilidades”, sublinhou Cipriano Cassamá.

Num tom de voz exaltado, o presidente  da ANP fez também um apelo para que os parlamentares defendam a estabilidade política conquistada com as eleições gerais de 2014.
“Os deputados da nação não podem ser coniventes com ninguém neste país. O que nós queremos é que haja paz e estabilidade para este povo”, concluiu.

A Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau aprovou a 25 de junho, por unanimidade, uma moção de confiança ao Governo liderado por Domingos Simões Pereira.

Na mesma semana, o PAIGC aprovou também uma moção de apoio ao primeiro-ministro (e líder do partido) e sua equipa, apelando ao diálogo entre todos – algo que Simões Pereira disse que seria “mais fácil” depois do afastamento de dois dirigentes políticos.

Baciro Dja demitiu-se do cargo de ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Abel Gomes abandonou o secretariado-nacional do PAIGC.

Mas José Mário Vaz mantém em cima da mesa a possibilidade de afastar o Executivo e, nesse sentido, iniciou, esta quarta-feira, uma série de audições, tal como previsto na Constituição, começando pelos partidos políticos sem representação parlamentar.

Uma fonte da Presidência guineense admitiu à Lusa a possibilidade de o chefe de Estado ouvir na quinta-feira os partidos com representação na Assembleia.

Antes de tomada de qualquer decisão de fundo, o Presidente da Republica , à luz da Constituição do país, é obrigado a auscultar as forças vivas, nomeadamente todos os partidos legalmente constituídos, bem como o Conselho de Estado.

O chefe de Estado foi ao Parlamento no início de julho para dirigir um discurso à nação em que desmentiu rumores sobre a possibilidade de demitir o Governo, prometendo apoiá-lo e defender a estabilidade no país – mas ao mesmo tempo deixando no ar a ideia de que prefere ver feita uma remodelação governamental.

Nas últimas semanas, várias figuras políticas e diplomáticas têm-se desdobrado em reuniões por se manter a possibilidade de Vaz derrubar o Executivo, na sequência de alegadas dificuldades de relacionamento com Domingos Simões Pereira.

O Chefe do Governo guineense, de acordo com uma nota de imprensa do seu gabinete, pretende encetar alguns encontros hoje, quinta-feira com os partidos políticos e os membros da comunidade internacional.

ANG/Lusa

Consultas


Presidente da República analisa situação política com partidos políticos

Bissau 06 Ago 15 (ANG) - O encontro do Presidente da República José Mário Vaz com partidos políticos sem assento parlamentar, contra todas as expectativas, não abordou a suposta demissão do Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira.
Manuel Alipio da Silva

A confirmação foi feita pelo porta-voz do grupo de partidos recebidos, Manuel Alípio da Silva.
Alípio que é presidente do Movimento Patriótico falava aos jornalistas à saída dessa audiência tida Quarta-Feira no Palácio da República.

“A suposta “queda do governo” noticiada pelos órgãos de comunicação social não foi objecto de discussão com o chefe de Estado. O Presidente da República não fez incidência em momento nenhum relativamente a crise institucional no país. José Mário Vaz fez uma abordagem geral relativamente a situação política nacional”, explicou Alípio da Silva.

Disse que o primeiro magistrado da nação não avançou em momento algum do encontro as causas do eventual “mal-estar” entre a Presidência e os demais órgãos da soberania de que se tem falado na praça pública.

Conforme aquele responsável político nenhuma das formações presentes no encontro se posicionou sobre a sustentação ou exoneração do governo.

“Não foi esse objeto principal do encontro, mas sim a preocupação do bem-estar do povo sobretudo nos domínios socioeconômicos do país”, disse a concluir.

Manuel Alípio disse que audiência tinha sido solicitada pelo grupo de partidos sem assento parlamentar, há muito mas que só agora foi possível a sua realização.

Está prevista que o chefe de estado se reúna hoje com partidos representados no parlamento, com o mesmo objectivo.
ANG/FGS/SG

Reacçäo externa


"Não há razão nenhuma para substituir o Primeiro-ministro Domingos Simões Pereira", diz José Ramos Horta

Bissau,06 Ago 15(ANG) - O ex. Presidente da República de Timor Leste e representante especial da ONU na Guiné-Bissau, José Ramos Horta afirmou que não há razão nenhuma para se substituir o Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira.
José Ramos Horta

Em declarações a Agência Lusa, Ramos Horta sublinhou contudo que deve haver uma remodelação do actual executivo e que deve ser dirigida e provocada pelo próprio Primeiro-ministro porque é a sua competência constitucional.

 “É  natural que ao fim de um ano de governação houver a remodelação. Mas que venha do Presidente da Republica uma iniciativa do género quando não há mais pequena razão para tal, e quando vimos os indicadores económicos e sociais da Guiné-Bissau a melhorar ? Portanto, parabéns ao governo de Domingos Simões Pereira e as autoridades da Guiné-Bissau", elogiou José Ramos Horta.

Por outro lado, o ex. Presidente da Republica de Cabo-Verde, Pedro Verona Pires recomendou as autoridades do país para terem fé e paciência na resolução de quaisquer divergências que possam existir.

"Reúne-me separadamente com o Presidente da Republica e com o Primeiro-ministro e transmiti-lhes a mensagem de que há dois  princípios que nós não podemos perder. Um é a fé, não no sentido religioso, mas sim de que tudo vai ser ultrapassado. Uma outra qualidade que não podemos perder é a paciência. Devemos ser pacientes e que tarde ou cedo encontraremos soluções para eventuais problemas", aconselhou.

Entretanto, o Primeiro-Ministro Domingos Simões Pereira fala hoje ao país sobre actual crise politica na Guiné-Bissau.

O Chefe de estado guineense iniciou quarta-feira um série de consultas aos partidos políticos. O primeiro grupo de partidos sem assento parlamentar recebido declarou na pessoa de seu porta-voz, Manuel Alípio da Silva  que “ em nenhuma ocasião se falou da eventual “queda do governo”.
  
Alípio da Silva disse que se abordou questões relacionadas à situação politica vigente caracterizada por um relacionamento conflituoso entre a Presidência da República e o Governo.

José Mario Vaz deve prosseguir hoje essas consultas com partidos representados no parlamento.

Entretanto, o primeiro grupo de partidos sem assento parlamentar recebido declarou que foram recebidos pelo  Presidente Mário Vaz  a pedido do grupo.
ANG/ÂC/SG