sexta-feira, 20 de outubro de 2023

 

Economia/Preços das moedas para sexta-feira, 20 de outubro de 2023

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Dirham dos Emirados Árabes Unidos

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170.500

 Fonte:BCEAO

Vaticano/Congresso Mundial Judaico apela ao Papa para interceder na libertação de reféns do Hamas

Bissau, 20 Out 23 (ANG) – O Presidente do Congresso Mundial Judaico (CMJ), Ronald Lauder, apelou ao Papa Francisco para interceder na libertação dos reféns detidos pelo Hamas em Gaza, anunciou a organização.

Durante uma audiência no Vaticano, Ronald Lauder instou o Papa a usar a “sua autoridade moral para assegurar o retorno seguro dos reféns”, afirmou WJC num comunicado.

Israel reviu hoje em alta para 203 o total de pessoas feitas reféns pelo grupo islamita palestiniano Hamas durante o ataque de 07 de outubro em solo israelita.

O Papa Francisco apelou publicamente à libertação dos reféns, ao mesmo tempo que expressou preocupação com a população na Faixa de Gaza.

O ataque do Hamas causou 1.400 mortos em Israel, sobretudo civis, enquanto a resposta israelita fez pelo menos 3.700 mortos na Faixa de Gaza, nos dois lados na maioria civis, de acordo com as autoridades locais, controladas pelo Hamas.

Criado em 1936, o CMJ representa as comunidades judaicas de cerca de uma centena de países perante governos e organizações internacionais.

ANG/Inforpress/Lusa

 

      Moçambique/ Frelimo quer governar, oposição deseja recontagem

Bissau, 20 Out 23 (ANG) - As sessões plenárias da Assembleia da República
, boicotadas pela a oposição, que contestam os dados preliminares oficiais das eleições autárquicas do passado dia 11,foram retomadas quinta-feira em Moçambique .

A Frelimo, partido no poder, que teria vencido 64 dos 65 municípios, na abertura dos trabalhos no parlamento, em declarações recolhidas pela agência Lusa, afirmou ter legitimidade para governar a maioria das autarquias nos próximos cinco anos. Sérgio Pantie é o respectivo líder da bancada.

A contagem intermédia do STAE - Secretariado Técnico de Administração Eleitoral - e da CNE - Comissão Nacional de Eleições -, órgãos de gestão de processos eleitorais, atesta que o povo deu legitimidade à Frelimo para governar a maioria das autarquias, nos próximos cinco anos. Os eleitores escolheram o partido que melhor está preparado e em condições de resolver as suas preocupações do dia-a-dia. Em relação à província de Nampula, vale lembrar aos moçambicanos que nas eleições autárquicas de 2018, a Frelimo perdeu a maioria das autarquias. Após a derrota, a Frelimo não pós em causa os resultados anunciados pelos órgãos de gestão eleitoral, não realizou marchas de protesto, não incitou à violência tão pouco à desobediência civil, tendo tempestivamente felicitado o vencedor”, concluiu Sérgio Pantie.

O MDM, terceira força do país, e a única da oposição a ter ganho um município, a Cidade da Beira, nas eleições autárquicas da semana passada, segundo dados oficiais, pede, tal como a Renamo, por exemplo, que se voltem a contar os votos do escrutínio de 11 de Outubro.

Lutero Simango, presidente do Movimento democrático de Moçambique, critica a gestão do processo pela Comissão nacional de eleições e pelo Secretariado técnico de administração eleitoral. Ouçamo-lo, aqui num registo da agência Lusa.

É correto que se faça a recontagem dos resultados na base dos editais existentes. O STAE vai numa direção e a CNE vai numa outra direção, então nós não podemos garantir um processo transparente e justo enquanto estas duas entidades andam em rotas opostas”, frisou Lutero Simango.  

De referir ainda que Edson Cortez, diretor do Centro de Integridade Pública (CIP), deixou também ele algumas observações: “Com base na nossa observação e evidências recolhidas nas mesas de voto, notamos com preocupação que as sextas eleições autárquicas não foram transparentes, íntegras e imparciais”.

As sextas eleições autárquicas em Moçambique decorreram em 65 municípios do país, incluindo 12 novas autarquias. Segundo resultados distritais e provinciais intermédios divulgados pelo STAE nos últimos dias sobre 50 autarquias, a Frelimo venceu em 49 e o MDM, terceiro maior partido, na Beira. ANG/RFI

 

            Bélgica/NATO vai intensificar patrulhas no Mar Báltico

Bissau, 20 Out 23 (ANG) - A Aliança Atlântica - NATO anunciou na quinta-feira que vai intensificar as suas patrulhas no Mar Báltico, no seguimento dos estragos causados em infraestruturas submarinas de membros dessa organização, anuncia a Reuters.

O reforço prevê "voos de vigilância e reconhecimento suplementares, nomeadamente com aviões de patrulha marítima, aviões AWACS da NATO e drones", declarou a Aliança, em comunicado.

A iniciativa inclui ainda uma frota de quatro draga minas.

A decisão segue-se aos estragos descobertos num gasoduto que liga a Finlândia e a Estónia e sobre um cabo de telecomunicações entre a Suécia e a Estónia.

A Finlândia está a investigar a fuga descoberta no gasoduto Balticconnectorue levou ao seu encerramento em 08 de Outubro.

As autoridades já anunciaram que tinha sido provocada por uma intervenção externa, deixando recear uma eventual sabotagem, em contexto de tensões com a vizinha Federação Russa.

Na terça-feira, a Suécia declarou ter descoberto que um cabo de telecomunicações situado sob o Mar Báltico tinha sofrido estragos no mesmo período, sem que a causa seja conhecida. ANG/Angop

            ONU/ Ajuda humanitária não chega a Gaza antes de sábado

Bissau, 20 Out 23 (ANG) - A chegada de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, através da passagem fronteiriça de Rafah no Egipto, deverá acontecer "amanhã", avançou esta sexta-feira, 20 de Outubro, a Organização das Nações Unidas.

“Estamos a conduzir intensas negociações com todas as partes envolvidas para garantir que uma operação de ajuda a Gaza comece o mais rapidamente possível”, disse Martin Griffiths.

O Secretário-geral da ONU esteve esta sexta-feira em Rafah, onde se encontra a coluna de 20 camiões à espera, há vários dias, de uma luz verde para para entrar em Gaza. António Guterres afirmou estar "no Egipto para acompanhar os preparativos da ONU para prestar um apoio ao povo de Gaza". A Faixa de Gaza está sem água, alimentos ou eletricidade, por causa do cerco imposto por Israel, a 9 de Outubro. 

"Estou no Egipto para testemunhar os preparativos da ONU para darem um apoio maciço ao povo de Gaza. Nestes esforços para salvar vidas, o aeroporto de El-Arish e a travessia de Rafah não são apenas pontos críticos, mas representam a nossa única esperança. São a tábua de salvação para a população de Gaza", declarou 

O Egipto retirou blocos de Betão perto da fronteira com Gaza, aumentando a esperança de que, muito em breve, a ajuda necessária possa chegar aos palestinianos que vivem no enclave.

A ONU descreveu a situação dentro de Gaza como "para lá de catastrófica", numa altura em que Israel ataca o enclave por via aérea, em retaliação ao ataque do Hamas, o mais sangrento em 75 anos de história.

No relatório diário sobre a situação em Gaza das Nações Unidas, a organização descreve ataques de aviões israelitas nas imediações de duas padarias, onde palestinianos estavam em filas à espera de pão. Os ataques desta quinta-feira tiraram a vida a vinte pessoas em Gaza e outras cinco no campo de An Nussairat.

Na quarta-feira, uma das seis padarias contratadas pelo Programa Alimentar Mundial da ONU e que forneciam pão a 12.000 pessoas deixou de funcionar. A informação foi revelada no relatório publicado pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Na Faixa de Gaza, a grande maioria das padarias não funciona por falta de ingredientes essenciais.ANG/RFI

Cabo Verde/ Universidades africanas da CPLP devem trabalhar para estar no ranking internacional – gestor da ARES

Bissau, 20 Out 23(ANG) – O gestor da Agencia Reguladora do Ensino Superior (ARES) em Cabo Verde instigou hoje as universidades do País e outros africanos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a trabalharem para estar no ranking mundial.

José Dias fez as considerações à imprensa como orador do painel “Avaliação da qualidade, internacionalização e investimento”, enquadrado no I Congresso Internacional de Ciência, Inovação e Desenvolvimento na Lusofonia, promovido pela Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), no Mindelo.

O também coordenador do Projeto-Estudo ARES CPLP lembrou que dos países da comunidade em África, Moçambique é o único que se encontra no ranking mundial.

“É preciso que as universidades trabalhem dentro das suas estruturas a questão de pesquisa, mas, sobretudo terem investigação como algo essencial para o desenvolvimento que qualquer que seja o País”, enalteceu.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, as universidades devem envolver-se mais no projeto de criação da agência de apoio à investigação, uma proposta que, explicou, está a ser trabalhada a nível do País e que foi desenvolvido com uma cooperação internacional.

“O que colocamos é uma reflexão sobre a agência, no sentido de as universidades poderem dar as suas contribuições, de que modalidade e o fomento pode ter e que tipo de colaboração a agência pode desenvolver para a garantia da qualidade do ensino superior”, exortou.

Se tudo for feito nessa perspectiva, defendeu o gestor, o País ganha, as universidades desenvolvem e ganham, e os alunos, que são os mais interessados, podem ter uma “formação de excelência”, sublinhou.

José Dias realçou ainda o projeto da ARES CPLP também tem uma abrangência que vai trabalhar questões relacionadas com as estratégias para garantir a qualidade.

“Todos os países, as universidades, poderão envolver nesse projeto, porque este vai ter uma segunda fase, que é de aplicação efetiva daquilo que as universidades necessitam ou preconizam para que possam desenvolver a nível interno”, explicou o responsável, para quem as instituições de ensino superior devem também desenvolver cooperações e apresentar projetos internacionais.

A diretora do Gabinete do Desenvolvimento Institucional do Grupo Lusófona, Maria de Lurdes Teixeira, por seu lado, falou sobre a necessidade de se “refundar” o ensino superior na comunidade lusófona para chegar aos empregadores e corresponder às expectativas dos jovens e conseguir qualidade nas universidades.

A questão, segundo a mesma fonte, representa “um grande desafio” tendo o financiamento como uma “debilidade”.

O I Congresso de Ciência, Inovação e Desenvolvimento na Lusofonia decorre até sexta-feira, 20, no Mindelo, e no final deverá resultar numa Declaração do Mindelo com as conclusões e recomendações.

O ato de encerramento vai ser feito pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva. ANG/Inforpress/Fim

quinta-feira, 19 de outubro de 2023


Sociedade
/ACOBES pede à EAGB para indemnizar aos consumidores pelos danos causados

Bissau, 19 Out 23 (ANG) – O Secretário-geral da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços (ACOBES) pediu, quinta-feira, à  Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB), que indemnizasse os seus clientes, pelos danos causados pela suspensão, sem aviso prévio, do fornecimento da corrente elétrica, por mais de 40 horas de tempo.

O pedido de Bambo Sanhá foi feito hoje em conferência de imprensa, realizada em defesa dos consumidores de energia elétrica e água, que ficaram terça e quarta-feira sem luz e água devido a reivindicação de pagamento de uma dívida de 15 milhões de dólares  à EAGB, pela  empresa turca Karpower que fornece energia elétrica à Bissau e arredores.

“O corte foi feito de forma brutal e abusiva, porque, os consumidores precisam de um aviso prévio para que possam preparar para enfrentar a situação. Não foi o caso, e as vítimas acabaram por ser os consumidores, o que não é normal, uma vez que, eles compram o serviço da EAGB de forma antecipada. Ou seja, para ter a luz elétrica é preciso comprar saldo e é insuportável gastar o seu dinheiro para depois arcar com as consequências negativas imagináveis”, diz aquele responsável.

Bambo Sanhá sustentou que, se a EAGB não é capaz de oferecer um serviço de qualidade  aos clientes que deixe de receber os seus dinheiros, tendo solicitado reformas na empresa de modo a  se evitar que ocorram “situações anormais”.

Bambo Sanhá apelou ao Governo no sentido de criar condições para solucionar a falta de energia elétrica que se verifica nas diferentes regiões da Guiné-Bissau, para promover o desenvolvimento e bem-estar para o povo em geral.

Sanhá disse que é fundamental respeitar os direitos dos consumidores, uma vez que despendem os seus meios financeiros para obter algo em contrapartida, nesse caso a luz elétrica.

Por outro lado, o Secretário-geral da ACOBES elogiou ao Governo pela estabilização dos preços de alguns produtos de primeira necessidade no mercado, tendo o alertado sobre a escassez de alguns produtos, nomeadamente açúcar e  arroz.

“Peço ao Governo que use a sua influência no sentido de abastecer o mercado nacional com diferentes produtos alimentícios que estão em falta, para poder controlar os preços” , acrescentou tendo denunciado a venda de arroz em algumas localidades, que não identificou, ao preço não estipulado pelo Governo.

A Empresa Karpower retomou o fornecimento da corrente elétrica no dia 18 , por volta das 19 horas, após o ministro da Energia,Isuf Baldé ter anunciado, algumas horas antes, o pagamento de 6,6 milhões de dólares à empresa. ANG/AALS/ÂC//SG

 


Política
/ Governo aprova Projeto de Decreto relativo ao Regime Jurídico de Informatização do Registo Civil

Bisau, 19 Out 23 (ANG) – O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, o projeto de Decreto relativo ao Regime Jurídico de Informatização do Registo Civil.

Segundo o comunicado desta sessão do coletivo ministerial presidida pelo Chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente da República reiterou, aos presentes, a sua firme determinação de desenvolver uma boa colaboração institucional com o governo, visando a promoção do desenvolvimento do país, o progresso e o bem-estar da população durante esta legislatura.

O chefe de Estado recomendou aos  membros do governo para  darem o melhor de si  para a dignificação dos cargos que desempenham.

Quanto as nomeações, o Executivo deu anuência a que por despacho do primeiro-ministro se efetue o movimento do pessoal dirigente da Administração Pública, nomeadamente no Ministério da Administração Pública, Trabalho e Modernização do Estado e na Secretaria de Estado da Gestão do Património Público.

No Ministério da Administração Pública,Trabalho e Modernização do Estado, David Mango foi nomeado Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Segurança Social , Adama Djaló Só foi nomeada Diretora-geral de Modernização do Estado e o senhor Djibril Demba Baldé para o cargo de Coordenador  executivo da Agência Guineense do Emprego e Formação Profissional.

Na Secretaria de Estado da Gestão do Património Público, o senhor Nbusum Medina Sambú  foi nomeado  Inspector-geral. ANG/LPG/ÂC//SG

 



Dia Internacional de erradicação de pobreza
/Inaugurado Centro de Transformação de Produtos hortícolas

Bissau, 19 Out 23 (ANG) – A ministra da Acção Social Familia e Promoção da Mulher  presidiu, quarta-feira, a cerimónia de inauguração do Centro de Transformação de Produtos hortícolas não orgânicas, na Granja de Pessube, em Bissau.

A inauguração do  Centro coincidiu com as celebrações do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, assinalado no passado dia 17 de Outubro, sob o lema “No nosso Compromisso Coletivo, Advogar e Agir pelo Acesso Universal ao Trabalho Decente e Proteção Social”.

Na ocasião, Cadi Seide disse que na Guiné-Bissau a incidência da pobreza nos agregados familiares chefiados por mulheres é de 50,3 por cento, frisando que 70 por cento dos guineenses vivem ainda na pobreza com menos de dois dolares por dia, e que 33 por cento na extrema pobreza com um dolar por dia.

Por isso, diz que é chegada a hora de se auto consciêncializar, adquirindo novas práticas de estilo de vida, trabalhando duro, porque o país dispõe do solo fértil para a lavoura.

“Temos que deixar a cultura de ser pedintes e trabalhar, sem escolher tipo de trabalho, pois os nossos jovens devem ser mais proactivos, elaborando projetos e submeté-lo aos parceiros”, recomendou Cadi Seidi.

Lembrou que a data remonta a 17 de Outubro de 1987,  quando mais de 100 mil pessoas reunirem em Paris para  homenagear as vítimas da pobreza extrema, violência e da fome, e que foi nesta cidade que é declarada universalmente os direitos humanos.

Cadi Seidi considerou as mulheres horticultoras da Granja  de Pessubé de   “heroínas incondicionais de luta contra a pobreza”, porque labutam  pela sua sobrevivência, saiem em busca de espaços para cultivos, de água para regar, colocando as sua vidas em constante insegurança, por caminhar longas distancias na escuridão.

“A maior erradicação da pobreza que se deve fazer na realidade é erradicar a pobreza mental dos homens, trabalhar para que não haja injustiça, a desigualidade social, a insegurança, para combater a corrupção e os conflitos que abstaculizam o desenvolvimento sustentavel no mundo”, disse.

Quanto a protecção social e do trabalho digno, a ministra da Acção Social Familia e Promoção da Mulher assegurou que é preciso capacitar pessoas, adotar salário justo, melhorar as condições de trabalho e reconhecer a pessoa humana pelo o  que faz.

“Todos os trabalhos são importantes e interligados. Porque, se quem deve limpar não limpa,  o responsável não pode estar no gabinete. Se quem deve lavrar e não a fez, os outros não poderão comer”,sustentou Cadi Seide.

Da governante defendeu  que os governos devem ouvir a voz dos mais carenciados e  estabelecer uma “parceria forte” com base nos interesses dos necessitados, em deterimento dos monopolio dos ganhos pessoais ou de grupos.

O Diretor-geral da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Júlio Malam Indjai disse estar satisfeito com a inauguração do Centro, porque vai permitir a transformação e  conservação dos produtos horticolas que outrora, por falta de condições para sua conservação, acabam por estragar.

Júlio Indjai afirmou que a Guiné-Bissau oferece condições agroecológicas invejáveis,  e recordou as palavras do líder imortal Amilcar Lopes Cabral, em 1953,  quando orientava  o primeiro recenseamento agricola, segundo as quais a “Agricultura é a base da  economia da Guiné-Bissau”.

Por isso,Indjai  pede mais investimentos no setor, por forma não só a revolucionar a economia, mas também para  garantir a segurança alimentar dos guineenses.

O evento contou com a participação do  Representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexandra Gazasa, para quem a proteção social é uma questão urgente e necessária para garantir a segurança de renda para todos, focando nos membros mais vuneráveis da socieade e sobretudo as mulheres.

“Hoje, com o apoio do PNUD, inauguramos um Centro de transformação de produtos horticolas denominado “No djunta Mom pa Kaba ku Fome”, que contribuirá para o alcance do ODS 1, 2 e 5 e 13, que vão além da mera metigação dos sintomas da   pobreza, mas também a promoção da agroecologia inteligente em termos climáticos e o empoderamento económico e digital dos jovens e mulheres”,enalteceu Alexandra Gazasa.

Reiterou o empenho do PNUD na promoção de um crescimento  da economia verde inclusivo, diversificado e equitativa, centrado nas economias azuis, para uma maior deversificação económica, resiliente às alterações climáticas, em conformidade com a agenda 2030.

Gazasa pede para não se deixar ninguém para trás  no desenvolvimento do setor privado,  garante de um crescimento económico equitativo, que proporciona oportunidades aos  grupos marginalizados, especialmente mulheres e jovens, cujo o papel no mercado de trabalho ainda está longe de atingir o seu pontencial.ANG/LPG/ÂC//SG

 

      Moçambique/ Renamo boicota retoma de trabalhos parlamentares

Bissau, 19 Out 23 (ANG) - A retoma das sessões plenárias da Assembleia da República agendada para esta quinta-feira, (19), não deve contar com os deputados da Renamo.

O porta-voz da Renamo, José Manteigas, alega que o principal partido da oposição vai boicotar os trabalhos, em protesto contra os resultados provisórios divulgados das eleições autárquicas.

O país entrou num caos por conta da fraude eleitoral. Todo o país está a manifestar-se para repudiar esta fraude eleitoral. Nós, os deputados pela bancada parlamentar da Renamo, porque somos parte integrante dos moçambicanos, porque estamos lesados e todos exigimos a reposição da verdade eleitoral do dia 11, não vamos participar da sessão de abertura que vai iniciar esta quinta-feira", afirmou José Manteiga.

O regresso da bancada parlamentar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) vai depender do “comportamento” da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, porque esta força política é responsável pela adulteração dos resultados do escrutínio, aponta José Manteiga.

Os resultados provisórios dão vitória à Frelimo em 64 das 65 autarquias são “falsos”, aponta a Renamo, sublinhando que há “provas” de que a segunda força do país tenha vencido em “vários municípios”.

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, já criticou o anúncio da Renamo, em boicotar o recomeço das sessões da Assembleia da República, defendendo que "o assento parlamentar deve estar ao serviço do povo".

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) admitiu na terça-feira, (17) receber cada vez mais relatos de irregularidades no apuramento dos dados das eleições autárquicas da semana passada. O porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, promete ser "implacável" com os agentes eleitorais responsáveis por comportamentos ilícitos.

“Já na altura do apuramento nas mesas da assembleia de voto, os relatos de irregularidades avolumaram-se, constituindo verdadeiros ilícitos eleitorais”, disse o porta-voz da CNE, em conferência de imprensa, na sede da instituição, em Maputo, mas sem direito a perguntas.

Este órgão está a receber das comissões provinciais os dados do apuramento dos resultados, devendo o presidente da CNE anunciar os resultados do escrutínio até ao dia 26 de Outubro, por imperativo da lei.

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a terceira força parlamentar, exigiu , quarta-feira, que se faça uma recontagem dos resultados das eleições autárquicas, criticando a gestão feita pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

“É correto que se faça a recontagem dos resultados na base dos editais existentes”, defendeu Lutero Simango, durante uma conferência de imprensa em Maputo.

As sextas eleições autárquicas em Moçambique decorreram no passado dia 11 de Outubro em 65 municípios do país. Segundo resultados distritais e provinciais intermédios divulgados pelo Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) nos últimos dias sobre 50 autarquias, a Frelimo venceu em 49 e MDM, na Beira.ANG/RFI

 

Cultura/Escritor e político Domingos Simões Pereira lança, sexta-feira, em Farim,  seu primeiro romance intitulado" Kumus “

Bissau,19 Out 23(ANG) – O escritor e político, Domingos Simões Pereira, vai lançar na, sexta-feira, dia 20 do corrente mês, em Farim, sua terra natal, o seu primeiro romance intitulado, “Kumus”.

De acordo com informações publicadas na pagina de facebook do autor,  o evento foi antecedido pela assinatura de Autógrafos na quarta-feira, (18), num dos hotéis de Bissau.

Simões Pereira faz coincidir o lançamento do Kumus com o dia(20) em que celebra 60 anos de idade.“Celebrar a terra e homenagear os seus principais heróis”, foi o lema que escolheu para essas duas celebrações simultâneas.

A obra literária do também Presidente do PAIGC conta a história e sonhos em duas vidas paralelas  em Kumus Dindin Banco, na Cidade de Farim.

Refira-se que a obra "KUMUS" já havia sido  lançada, a 13 de abril de 2022, em Lisboa, Portugal.ANG/ÂC//SG

Cooperação/”A globalização pressupõe políticas comuns de busca da paz, do desenvolvimento e da segurança mundial”, diz Braima Sanhá

Bissau,19 Out 23(ANG) – O ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, disse que a globalização pressupõe políticas comuns, a busca da paz, do desenvolvimento, da segurança mundial, e do combate ao terrorismo e crime organizado.

Braima Sanhá falava, quarta-feira, ao presidir a cerimónia de abertura do seminário sobre a construção da comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, “as três iniciativas globais propostas pela China”, coorganizado pela Embaixada da República Popular da China e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas(INEP).

O governante,em representação do primeiro-ministro, sublinhou que, o atual cenário mundial preocupa a todos e constitui um desafio para qualquer cidadão do mundo, e que nos leva a pensar numa  eventual saída que não foge das iniciativas globais, propostas pela China.

“O mundo globalizado virado para a humanidade seria o ideal para libertar o atual cenário mundial e outras situações que têm necessidade de existir”, salientou.

Braima Sanhá disse que a iniciativa chinesa é de louvar, tendo parabenizado as autoridades de Pequim.

“Por isso, a China pode contar com apoio incondicional da República da Guiné-Bissau nesse desafio de busca do bem para a humanidade”, declarou o ministro da Educação Nacional.

O Embaixador da República Popular da China no país, Gu Ce reiterou que o evento marca o décimo aniversário da proposta da comunidade de futuro para a humanidade, feito pelo Presidente chinês Xi Jinping.

O objetivo da  proposta e conceito, segundo Ce é a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, e  contribuir com a solução chinesa para a construção de  um mundo melhor.

“Nos últimos dez anos, este conceito tem sido continuadamente melhorado, nomeadamente a iniciativa da segurança e desenvolvimento global propostas pela China, em conjunto com os três pilares da comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”, disse o diplomata.

Gu Ce sublinhou que, na longa história da humanidade, as diferentes civilizações se  interagiram entre si em busca da paz e estabilidade, da riqueza espiritual.

“São estes, os elementos que correspondem, respectivamente, ao desenvolvimento, a segurança e a civilização”, disse o diplomata chinês.

Disse que, as três iniciativas globais são os caminhos para resolver os principais problemas que o mundo enfrenta hoje, oferecendo um forte impulso na construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.

“A grandeza de uma nação, está no seu alcance, na sua aspiração, visão e responsabilidade”, frisou Gu Ce.

Disse que, por isso, a visão da construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, e as três iniciativas globais, demonstram plenamente que a China sempre será um construtor da paz mundial e um defensor da ordem internacional.

As cerca de três dezenas de participantes do seminário, entre jornalistas e investigadores do INEP, debateram temas sobre “como resolver as questões Africanas à maneira Africana”, apresentado pelo Diretor-geral da Cooperação Internacional, Iaia Maria Turé, “Segurança Alimentar Global” apresentado por Braima Peter Camará entre outros. ANG/ÂC//SG

Haia/Tribunal Internacional retira acusações contra ex-líder anti-balaka

Bissau, 19 Out 23 (ANG) -  Um procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, anunciou hoje que retirou as acusações contra um antigo líder das autoproclamadas milícias de autodefesa, Maxime Mokon, compostas principalmente por combatentes cristãos e animistas na República Centro-Africana (RCA).

Num comunicado, Khan disse que "concluiu que não existir uma perspectiva razoável de condenação no julgamento, mesmo que as acusações fossem confirmadas" contra Mokom, ex-líder do anti-Balaka.

O procurador adiantou que informou os juízes da decisão depois de "considerar todas as provas do caso Mokom, e à luz de uma mudança nas circunstâncias relativamente à disponibilidade de testemunhas".

Maxime Mokom, de 44 anos, enfrentou 20 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por atrocidades, alegadamente cometidas em 2013 e 2014, incluindo ataques contra civis, homicídio, violação, pilhagens e ataques a mesquitas.

O antigo líder das milícias anti-balaka, criadas em 2013 em reacção à captura da capital Bangui pela Séléka, uma coligação de grupos armados, principalmente muçulmanos que se opunham ao ex-presidente da RCA, François Bozizé, negou envolvimento num banho de sangue na República Centro-Africana há dez anos, declarando aos juízes do TPI que estava "dedicado à procura da paz".

Os juízes tiveram que, após esta audiência importante, decidir se as provas eram fortes o suficiente para enviar Mokom para o banco dos réus.

"Estou plenamente consciente de que esta notícia pode não ser bem-vinda para muitos sobreviventes e suas famílias", afirmou Khan na nota sobre os factos de serem retiradas as acusações.

"Espero que muitos compreendam as minhas responsabilidades legais e éticas de ser guiado pela lei e pelas evidências", acrescentou.

O ex-líder das milícias anti-Balaka da RCA apresentou-se pela primeira vez em Tribunal Penal Internacional (TPI) em Março de 2022, após ser detido no Tchad e entregue pelo Governo deste país a justiça ao abrigo de um mandado de captura datado de Dezembro de 2018, por suspeita de homicídio, extermínio, deportação ou transferência forçada de população, prisão, tortura, perseguição, tratamento cruel e mutilação.

Antigo ministro da RCA foi, assim, o quarto suspeito do longo conflito a aparecer perante a justiça no TPI, com sede em Haia, e criado em 2002 para julgar pessoas acusadas, entre outros, de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e atos de genocídio.

A República Centro-Africana vive uma situação de violência sistémica desde 2012, quando a Séléka tomou Bangui e derrubou o Presidente François Bozizé, desencadeando uma guerra civil.

Dois outros comandantes anti-Balaka, Alfred Yekatom e Patrice-Edouard Ngaïssona, já estão a ser julgados no TPI e um comandante Seleka, Mahamat Said Abdel Kani, foi entregue ao tribunal no ano passado, estando o seu julgamento previsto para Setembro de 2024. ANG/Angop

Sismo em Marrocos/ “Um mês depois, resiliência dos desalojados é posta à prova”- por Eva Massy

Bissau, 19 Out 23 (ANG) - Em que estado se encontra Marrocos, mais de um mês depois do sismo que causou 3 000 mortes e feriu mais de 5 000 pessoas com o epicentro localizado na província de Al-Haus, região de Marraquexe.

Fomos tentar perceber qual é a situação neste território montanhoso do Alto Atlas. O que é feito das 50.000 habitações destruídas, segundo os dados de uma comissão ministerial mobilizada para avaliar os danos, e em que situação vivem os cerca de 300 000 desalojados?

A 8 de Setembro de 2023, era já de noite, e as pessoas preparavam-se para ir dormir quando um sismo assolou uma das regiões mais pobres do país. 

Em Outubro, cerca de um mês depois, avistam-se tendas da Proteção Civil marroquina, de associações nacionais e internacionais e por vezes, tendas de campismo, pelas aldeias do Alto Atlas, de Emil a Taroudant e Ouarzazate. 

Na cidade de Marraquexe, o ambiente é outro. Os comércios estão abertos, os turistas passeiam entre as bancas de sumo de abacate e as de tapeçaria marroquina e espalha-se pela Medina, a parte velha da cidade, a voz do muezim, a pessoa que apela os muçulmanos à oração. 

Sentada num café da muito movimentada praça Jama El Fana, no centro de Marraquexe, Patrícia Lorenzo, portuguesa a viver em Marrocos há 13 anos, onde é professora de yoga, recorda a noite do sismo.

"Estava em casa deitada no sofá, com o meu companheiro, a ver televisão. Eram 23h10 e de repente pôs-se tudo a tremer. Olhei para o meu companheiro do género "O que se está a passar ?" e depois saímos para o jardim. Isto tudo durou cerca de 40 segundos mas havia aquela adrenalina a passar pelo corpo porque realmente é impressionante sentir tudo a tremer à tua volta. Tudo. O chão, as paredes... Há pormenores... Por exemplo, havia o ruído... Parecia que absorvia todos os outros ruídos, era uma espécie de rugido da terra." 

Passado o momento do choque, veio a consciência do drama. Em Marraquexe, nas noites seguintes, os habitantes dormiram ao relento nas praças da cidade, com medo das réplicas. Para as populações das aldeias do Alta Atlas a situação foi mais complicada devido ao acesso difícil, algumas não estando ligadas a qualquer estrada em Betão, atrasando a chegada dos socorros e dos primeiros carregamentos de ajuda humanitária. Para Patrícia Lorenzo, habituada a uma Marraquexe efervescente, os dias que seguiram foram algo sombrios: 

"Foi um bocado surreal saber que eu estava bem, que Marraquexe no geral estava bem, mas houve pessoas que perderam tudo. Muitas pessoas. No fim de semana a seguir havia um clima um bocado pesado na cidade. Marraquexe é uma cidade muito viva, como se está a ver agora. Há muita alegria, muito barulho. Mas a cidade parecia calma, estava tudo assim apaziguado. Era uma sensação um bocado estranho."    

Casas destruídas: para onde ir?

Al-Hassan é paraquedista no exército francês. Chegou a Marrocos inicialmente para formar militares marroquinos, mas dois dias depois o terramoto abalava o país e Al Hassan foi enviado para Marraquexe para participar nas missões que todos os dias partiam da cidade até às aldeias mais remotas, trazendo bens alimentares mas sobretudo tendas para abrigar os desalojados. 

"Fomos até uma aldeia perto de Ouarzazate, aonde os carros não têm acesso. Fomos de helicóptero, não havia outra opção. Quando chegámos ainda havia corpos nos escombros das casas destruídas. Sim. Foi muito triste. 

Há aldeias que já não existem, todas as habitações desmoronaram. Inicialmente, quando chegámos, o plano era levar os habitantes para outra aldeia, mais segura. Mas não quiseram. Não quiseram deixar a sua aldeia. Em muitos casos preferiram que lhes construíssemos tendas para poderem ficar na sua aldeia."  

As autoridades marroquinas distribuíram tendas pelas aldeias, a Proteção Civil e as forças militares, auxiliadas no terreno por várias associações, responderam de forma rápida às necessidades mais urgentes: distribuição de comida, ajuda humanitária e até, apoio psicológico. 

Um mês depois, desalojados continuam à espera de um teto   

Chegamos à aldeia de Messer, 70 quilómetros a sul de Marraquexe, 1 500 metros de altitude. É aqui que vive Mustafa, 43 anos. De pé, no meio dos escombros de uma das casas destruídas, Mustafa recorda as primeiras semanas depois do terramoto, em que mulheres e crianças dormiam no chão, na rua, as tendas ainda não tinham chegado até à aldeia. 

"A maioria das pessoas em Iskra ficou sem teto, e agora vivem em tendas. Naquela casa morreu uma miúda. Ela tinha 18 anos e estava prestes a casar, agora em Outubro. A mãe da menina e o irmão ficaram feridos. O resto da família partiu para Marraquexe porque é difícil para eles ficar aqui e relembrar o acontecimento. Têm família em Marraquexe e preferiram ir para lá porque nos primeiros dias foi complicado... Tinham que dormir na rua, não havia tendas ainda nas primeiras semanas. Não era como agora."

Quando vão começar as reconstruções? Ninguém sabe. Ou, pelo menos, ninguém recebeu a informação, relativiza Mustafa. 

"Nos últimos três dias houve uma comissão de peritos que veio avaliar os danos. Mas quando é que poderemos reconstruir? Ainda não sabemos. Estamos à espera que o Governo diga algo. A vida continua. Estamos melhor do que na primeira semana. Mas ainda há um problema, são as escolas. As aulas não recomeçaram aqui. As crianças iam ao colégio e ao liceu em Asni, mas como está tudo destruído, têm que ir até Marraquexe. Para a escola primária, instalaram umas tendas aqui. Mas para o colégio e o liceu..... Nada." 

O Ministério marroquino da educação anunciou que cerca de 530 escolas e 55 internatos foram destruídos ou danificados, interrompendo as aulas de muitos alunos. 

Mustafa aponta ainda para a dificuldade de enviar diariamente as crianças de Messer para a escola de substituição em Marraquexe, a 70 quilómetros de distância, numa região em que os transportes públicos são quase inexistentes: "Se tiveres família lá, é fácil. Mas sem familiares em Marraquexe, é um problema." 

Uma semana depois do sismo, o Governo anunciou um plano de ajuda de emergência, com, nomeadamente, 250 euros por mês por família cuja habitação foi totalmente ou parcialmente destruída, e isto, durante um ano.  

"Normalmente, o Governo vai nos dar 250 euros por mês. Vai ser melhor. Mas.... Ainda estamos à espera. A reconstrução vai demorar muito tempo, de três a cinco anos... Porque há muitas aldeias, e não sabemos exatamente como é que eles pretendem reconstruir." 

Salima Naji, a arquiteta que defende construções de forma tradicional 

Como reconstruir as aldeias do Alto Atlas, de forma eficaz, pouco custosa e garantindo a segurança dos habitantes? Colocámos a pergunta à arquiteta e antropóloga Salima Naji, membro da comissão de peritos mobilizada em Marrocos depois do sismo e titular de vários prémios internacionais como o Aga Khan, e condecorada como Cavaleiro das Artes e das Letras de França.

Para Salima Naji o importante é reconstruir com base nos materiais do terreno e respeitando as tradições locais

"Apercebemo-nos, com os outros membros da comissão, que todas as arquiteturas em Betão armado, situadas perto do epicentro, colapsaram. Houve momentos de grande estupefacção porque havia arquiteturas em Betão que tinham caído e outras, ao lado, arquiteturas vernaculares que tinham resistido.

Hoje em dia, caímos por vezes na facilidade do "solucionismo". Acho que temos a oportunidade de repensar um modo de construção que sempre existiu nessas regiões. Estamos a falar de comunidades agropastoris, portanto não podemos chegar com planos de reconstrução e planos de realojamento.... Não faz sentido quando vemos a diversidade das situações na montanha. 

Portanto espero que não vamos estragar uma arquitetura milenar para substituí-la por uma arquitetura de má qualidade, supostamente antissísmica com base em materiais inadaptados. 

É preciso pensarmos que por exemplo se utilizarmos o Betão armado, é um material extremamente poluente, e estamos longe das fábricas de cimento... Seria um disparate."  

A outra proposta da arquiteta e antropóloga Salima Naji é a criação de grupos de trabalho com os próprios habitantes das aldeias, através de remunerações. 

"Em vários municípios, fiz uma lista de todos os membros da comunidade que estão em condições de participar nas obras. A reconstrução tem que ser feita com os próprios habitantes das aldeias. Em primeiro lugar para lhes dar salários e, em seguida, para aproveitar os seus conhecimentos e técnicas ancestrais. Fiz então a proposta de uma cooperativa de serviços, com base num modelo que existe nas províncias, liderado pelo governador-geral e utilizado em obras, por exemplo, depois de inundações. Chamamos a isso "Al Kuraj" ou seja, construção, atelier... e então as pessoas são pagas pelo Estado para ajudar a reconstruir uma ponte, para ajudar a emendar uma série de danos materiais, depois de uma inundação, ou para reabilitar o património." 

Depois do traumatismo, vem a resiliência das populações. As aldeias preparam-se para acolher o inverno, Marraquexe voltou à normalidade, irrequieta, agitada e festiva.

A ajuda anunciada por Rabat de cerca de 11 mil milhões de euros para as zonas montanhosas sinistradas servirá para a reconstrução das habitações e poderá beneficiar para o desenvolvimento da agricultura local.  ANG/RFI