França/Governo critica e adverte para atitude belicista de Donald Trump
Bissau, 07 Abr 26(ANG) – A França criticou hoje o Presidente norte-americano, Donald Trump, por ameaçar destruir infraestruturas civis no Irão e avisou que tais ataques, se ocorressem, poderiam desencadear represálias de Teerão que agravariam “uma situação já preocupante”.
O
Governo francês opõe-se “a todos os ataques a infraestruturas civis” no Médio
Oriente, tal como se opôs na Ucrânia, em cujo conflito “condenou em inúmeras
ocasiões” as decisões do Presidente russo, Vladimir Putin, disse o chefe da
diplomacia francesa.
Jean-Noël
Barrot lembrou numa entrevista ao canal France Info que a guerra no Irão já
teve como consequência uma subida global dos preços dos combustíveis.
“Se
as infraestruturas energéticas fossem atacadas, seriam de esperar represálias
do regime iraniano que agravariam uma situação que já é preocupante”, advertiu,
citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Barrot
alertou para o risco para “a população civil, por um lado, mas também para a
economia mundial, de que se produza um incêndio regional sem limites”.
Tal
situação “acarretaria grandes riscos que temos de evitar a qualquer preço”,
afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Donald
Trump ameaçou na segunda-feira destruir em quatro horas todas as pontes e
centrais elétricas iranianas se Teerão não aceitar, até ao fim do dia de hoje,
negociar um cessar-fogo.
Trump
disse mesmo que os Estados Unidos tinham poder bélico para destruir o Irão numa
única noite e que isso poderia acontecer já hoje, afirmando não se preocupar se
forem cometidos crimes de guerra no país asiático.
Os
Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro uma ofensiva militar de
grande escala contra o Irão, que respondeu com ataques contra território
israelita e interesses norte-americanos nos países da região.
A
guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana terá causado mais de três mil
mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, segundo fontes oficiais nos
países atingidos.
Além
de rejeitar eventuais ataques a infraestruturas civis no Irão, Barrot reiterou
a ideia de que uma solução para o conflito passará necessariamente por “grandes
concessões” por parte do regime de Teerão.
O
chefe da diplomacia francesa defendeu que a República Islâmica terá de fazer
“uma mudança radical” da sua posição na região e perante a própria população do
Irão.
Numa
outra mensagem para os Estados Unidos, Barrot preveniu que uma eventual
operação militar terrestre no Irão faria o conflito entrar “numa nova fase particularmente
perigosa”.
Uma
operação militar terrestre “traria recordações dolorosas, as do Iraque e as do
Afeganistão, que não resultaram em sucessos militares ou táticos”, afirmou.
O
ministro reafirmou que a França apoia as discussões que os Estados Unidos
mantêm com o Irão através de mediadores regionais, em vez da lógica belicista.
As
discussões “são preferíveis a uma escalada que afetaria os nossos próprios
interesses, com consequências para a economia mundial”, considerou.
Quanto
à iniciativa franco-britânica para organizar escoltas de navios pelo Estreito
de Ormuz quando cessarem as hostilidades, recordou que se está a trabalhar para
reunir países que queiram participar na “aceleração do restabelecimento do
tráfego”.
O
objetivo é criar as condições para que se possa “baixar o mais rapidamente
possível a pressão sobre o preço dos hidrocarbonetos”, acrescentou.
Na
sequência da guerra, o estreito por onde passa cerca de um quinto do comércio
de hidrocarbonetos está praticamente bloqueado pelo Irão, o que contribuiu para
as subidas dos preços de combustíveis a nível global.
Trump
tem criticado a França e outros aliados da NATO por terem recusado participar
em operações de segurança no Estreito de Ormuz, chegando mesmo a ameaçar
retirar os Estados Unidos da Aliança Atlântica. ANG/Inforpress/Lusa

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