Médio Oriente/Americanos e iranianos rejeitam trégua e Trump ameaça destruir o Irã em uma noite
Bissau, 07 Abr 26 (ANG) - Iranianos e americanos rejeitaram quase simultaneamente, na segunda-feira (6), uma proposta de trégua no conflito no Oriente Médio.
Pouco depois, o presidente dos EstadosUnidos Donald Trump declarou que o Irã “inteiro” poderia ser “destruído” já na noite seguinte. Ele afirmou que o ultimato com prazo até terça-feira (7) é o último.
Donald Trump, voltou a ameaçar destruir
a rede elétrica e outras infraestruturas civis do Irã, exigindo a reabertura do
Estreito de Ormuz até terça-feira, às 20h00 pelo horário de Washiongton (21h em
Brasília). A navegação pelo local está, na prática, bloqueada por Teerã desde
os primeiros dias do conflito.
O chefe
da Casa Branca garantiu que esse ultimato é definitivo e que
dificilmente será prorrogado.
“O país inteiro pode ser destruído em
uma única noite, e essa noite pode muito bem ser a de amanhã”, afirmou o
presidente americano durante uma coletiva de imprensa.
Trump
também ameaçou um veículo de comunicação americano, que não citou nominalmente,
com prisão após vazamentos sobre a busca por um piloto americano no Irã.
Segundo o presidente, os iranianos “não sabiam que ele estava desaparecido até
que a informação foi divulgada”. Trump disse que exigirá que o veículo revele a
identidade da fonte.
O presidente americano indicou que mais de 170 aviões participaram das operações de resgate dos dois piltos do caça que caiu no Irã, na sexta-feira. O primeiro foi resgatado logo após a queda e o segundo no domingo.
No 38º dia de guerra, a ofensiva israelense e americana atingiu infraestruturas energéticas do Irã. O presidente dos Estados Unidos admitiu não se preocupar com a possibilidade de essas destruições configurarem crimes de guerra.
A Casa Branca confirmou que países
mediadores propuseram uma pausa de 45 dias nos combates, acrescentando que
Trump não validou essa ideia. “Ainda não é suficiente, mas é um passo muito
significativo”, afirmou o próprio presidente durante conversa com jornalistas.
Segundo o site americano Axios,
mediadores da Turquia, do Egito e do Paquistão fizeram uma proposta em duas
fases, com um cessar-fogo inicial de 45 dias. A trégua permitiria negociações
que poderiam levar a um acordo para encerrar a guerra, iniciada em 28 de
fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos.
Do outro lado, a agência iraniana Irna
informou que Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo
Paquistão, cujo conteúdo não foi detalhado.
Em sua resposta, o Irã insistiu na
necessidade de um fim definitivo dos combates. Teerã exige um protocolo para a
passagem segura pelo Estreito de Ormuz, essencial para o abastecimento mundial
de petróleo, além da reconstrução e da suspensão das sanções contra o país.
Antes disso, um porta-voz do Exército
iraniano havia advertido que o país continuaria as hostilidades “pelo tempo que
as autoridades políticas considerarem necessário”.
A Guarda Revolucionária, força
ideológica do regime iraniano, declarou que se prepara para impor condições de
navegação no Estreito de Ormuz, que se aplicariam “em especial aos Estados
Unidos e a Israel”. As autoridades não detalharam essas condições, mas nas
últimas semanas parlamentares iranianos sugeriram a aplicação de pedágios e
taxas de passagem aos navios que cruzam o estreito.
No terreno, os bombardeios continuam de
ambos os lados. Dois complexos petroquímicos iranianos foram atingidos. Antes
mesmo do fim do ultimato americano, Israel atacou instalações do campo de South
Pars, em Assalouyeh, no sul do Irã, responsável, segundo o ministro israelense
da Defesa, Israel Katz, por cerca de metade da produção petroquímica do país.
A agência iraniana Fars relatou “várias
explosões” nesse imenso complexo, que também abriga a maior instalação de gás
natural do país. Nenhuma vítima foi registada, e a agência Irna informou que o
incêndio estava sob controle.
“Se os ataques contra alvos civis
continuarem, as próximas fases de nossas operações ofensivas e de retaliação
serão muito mais devastadoras e amplas”, advertiu o porta-voz do comando
militar iraniano.
Além
das infraestruturas, dirigentes iranianos também foram alvos. A Guarda
Revolucionária anunciou que o chefe de sua inteligência, Majid Khademi foi
morto e prometeu vingar sua morte com “uma grande resposta”. O guia
supremo Mojtaba Khamenei prestou homenagem ao dirigente em uma mensagem
escrita. ANG/RFI/Com agências

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